segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Recortes sobre Tony Vieira

Por Nuno César Abreu


Em meados dos anos 1970, observa-se, na produção da Boca do Lixo, uma certa tendência (que ocorre na produção nacional em geral) de investir no gênero policial, ainda que sem abandonar os outros gêneros – o que é coerente com seu projeto “industrial”. O cinema (popular de massa) surgido nas manufaturas da Boca do Lixo apropriava-se do imaginário cinematográfico do gênero, de uma literatura popular do tipo “livro de bolso” e de casos policiais veiculados pelos jornais populares.

Tony Vieira foi um dos produtores que fizeram essa rotação. Na segunda metade dos anos 1970, com o declínio do western junto ao público, Vieira passa a realizar filmes policiais mantendo o mesmo espírito (e a mesma matéria, por assim dizer) que movia sua produção. Inspirado em “casos verídicos”, recolhidos no meio policial ou do jornal Notícias Populares – que deveriam ser “fantasiados, porque o que aconteceu realmente não funciona em cinema” – realizou um cinema simples, ingênuo e mal costurado, copiando os clichês da produção B estrangeira, mas resistente em seu apelo junto ao público mais carente. Se é possível dizer que o cinema da Boca guarda identidade com quem o realiza e com o seu público, o caso dos filmes de Tony Vieira é exemplar. Tony representava exatamente seu público, extratos do “povão” que, no escurinho do cinema, poderiam pensar: “Isso aí tem a ver comigo”.

Em Os violentadores (1978), um filme “policial de fronteira”, o herói é um caçador de prêmios que faz justiça a estupradores. Em Os depravados (1978), um policial urbano, um bandido renega o bando e faz a sua vingança – tema recorrente nos filmes populares (de massa). Nestes dois filmes, Tony utiliza-se de um recurso – por ele já utilizado antes – significativo: os créditos são narrados na apresentação. Um tiro certeiro em dois alvos: o barateamento dos custos de laboratório e o encontro com setores de “seu público” que tinham dificuldade de leitura.

Tony Vieira tinha consciência do papel do filme de gênero como elemento de sustentação da dinâmica comercial e cultural do cinema:

Eu acho que devemos arrastar o povo para o cinema nacional, dando a ele o que está acostumado a ver: a televisão e o cinema americano. É por isto que eu adotei esta linha de cinema policial, saltos mortais, tiros. (...) Os Estados Unidos têm inúmeros diretores fazendo bangue-bangue, violência, policial, certo? Nós não temos (...) e eu procuro ficar martelando a mesma coisa. Então, nós não podemos discutir esse assunto de filmes diferenciados, com personagens mais complexos, porque nós não temos gênero no Brasil.

Em 1979, Tony Vieira realizou O matador sexual, baseado nos “hediondos crimes de Chico Picadinho”. Seu compromisso com o popular é enfatizado em matéria publicada na revista Cinema em Close Up, especializada em produções da Boca:

O personagem de Tony Vieira, Renê, ao contrário (de Chico Picadinho), é ágil, escorregadio, mais para “estrangulador de Boston” do que o vulgar coitado caboclo. Este filme, como os anteriores de Tony Vieira, visa unicamente ao divertimento da platéia. Uma aventura policial bem contada, sem firulas, sem tentativas de incursão num problema que a medicina ainda não resolveu. E se a ciência não resolveu, o Tony não se arrisca. É justa a posição, desprovida de pretensões babacóides, como a de outros cineastas conhecidos que pensam expor a mentalidade escandinava em seus filmes e cometem o infantil erro de colocar crises morais em personagem classe média do citado povo.

Uma das características dos filmes do gênero policial (americano) é estabelecer os traços psicológicos de alguns personagens, principalmente do “culpado”, e, ao longo das peripécias, ir construindo um quase sempre misterioso desenho psicológico da vilania, algo – um trauma – que o conduziu ao mal e, de certo modo, justifica sua culpa no nível pessoal, muitas vezes absolvendo as causas sociais, já que do mesmo contexto saem os heróis- detetives, policiais, investigadores, etc. Neste filme, o personagem “tem problemas” em função de seu relacionamento com a mãe – o que explica o texto da revista -, mas Vieira vai direto ao ponto, sem firulas. “E se a ciência não resolveu, o Tony não se arrisca”.

Vieira posiciona-se firmemente na trincheira da Boca do Lixo. Ao contrário de outros cineastas da Rua do Triunfo, ele não procura revestir seu trabalho de um verniz cultural, ou mesmo alegar falta de recursos para uma produção mais bem acabada. Assume corajosamente a condição de popular – que, no texto, está no lugar de “mais verdadeiro”, “mais puro”, mais próximo do “povo” -, para marcar a diferença entre seus filmes e outros produtores da própria Boca que pretendiam cortejar setores intelectualizados, bem como em relação aos filmes de extração mais intelectual que abordam o mesmo tema. Vieira posiciona-se desprovido de pretensões babacóides e, para muitos, ele trabalhava o “popularesco”.

Como observa José Mário Ortiz Ramos, a ingenuidade do cinema de Tony Vieira era, por assim dizer, aparente. Um sistema de sustentação do produto estabelecia-se (a exemplo de David Cardoso), aproximando sua figura pessoal e a imagem pública veiculada pelos personagens, articulada pela construção de um tipo de herói informado pela própria mitologia do cinema.

Na verdade, procurava-se a imersão no universo cultural das classes B e C, que o diretor pretendia atingir, e pensando nesse público os filmes eram divulgados em jornais e programas populares. Fechava-se, assim, um contorno cultural e midiático dentro do qual seria eficaz o gênero policial com essas características. O imaginário do cinema americano e italiano, sempre apontados como molas-mestras desse cinema, na verdade entrava na composição de uma constelação mais ampla, que abarcava dimensões diversificadas da vida cultural das elites populares.

Tony Vieira praticou um cinema naif, em que articulava pessoa e personagem, detendo um público cativo- inclusive com fã-clube.

Matilde Mastrangi revela:

Ele ganhou muito dinheiro. Ganhou mais dinheiro, sei lá, que o próprio Khouri, que tinha um filme mais...(...) Eu nunca levei o Tony a sério. Bom sujeito, mas nunca quis trabalhar com ele. Muito fraco, pobre demais, de roteiro, de acabamento. Ignorantão, né? Ele se achava o Clint Eastwood do Brasil. (...) Mas ele era assim mesmo na vida pessoal. Aliás, na Boca, tinha uma turma que se achava aquilo mesmo.

Seus filmes tinham distribuição e exibição garantidas em cinemas populares, e ele era um dos poucos (em companhia de Mazzaropi) astros do cinema brasileiro com exclusiva veiculação através do cinema. Associado ao comendador Francisco A. Soares, investidor que participava como ator secundário nos filmes, Tony Vieira manteve, através de sua produtora, MQ – Mauri de Queiroz Produtora e Distribuidora, uma expressiva continuidade de produção, seja como ator, diretor ou produtor. Exercendo as três funções, realizou 11 filmes entre 1975 e 1983, entre eles Os pilantras da noite (Picaretas sexuais) (1975), Torturadas pelo sexo (1976), As amantes de um canalha (1977), O matador sexual (1978) e O último cão de guerra (1979). De 1982 até sua morte, em 1987, seguindo uma estratégia de sobrevivência abraçada por parte da Rua do Triunfo, dedicou-se à produção e direção de filmes de sexo explícito. “Gestado, parido e soldado” na Boca do Lixo, Tony Vieira foi um dos seus habitantes mais queridos.


Sobre ele, diz Guilherme de Almeida Prado:

Tive um contato com o Tony Vieira, que eu gostaria de ter gravado (...). Quando ele soube que eu ia dirigir As taras de todos nós, sentou-se comigo lá no Soberano e falou: “Você vai dirigir um filme e eu preciso te explicar como é a direção de cinema”. E me deu uma aula que...eu não vou dizer que estava precisando, mas foi uma aula sensacional, com uma visão fantástica (...). Eu achei extremamente bonito da parte dele. E era uma coisa muito sincera. Não tinha nenhuma sacanagem naquilo, nenhuma pretensão. Ele queria realmente que eu não cometesse os erros que ele havia cometido. (...) Era uma coisa inesperada, até pelo cinema que ele fazia. Não dava para imaginar que ele tinha uma certa reflexão sobre aquilo.

E depõe Luiz Castillini:

Eu gostava do Tony. O cinema dele tinha aquela coisa ingênua e divertida, gostosa de se ver pela ingenuidade. Hoje, não. Se a gente for ver, é um cinema...Desculpa-me o falecido, é um cinema ruim. Na época, era uma coisa saborosa, tinha o seu lugar. Era uma coisa kitsch, uma coisa jeca, não é? Ele tinha uma visão das coisas que era extremamente saborosa. (...) O Tony tinha coisas assim: “Vamos fazer um filme sobre a Máfia no Brasil”. “Legal, vamos”. Ele misturava as estéticas, misturava tudo. Botava o bandido brasileiro assim como a gente está acostumado a ver aí na rua e, ao lado dele, um cara com terno listrado e um cravo na lapela. Era maravilhoso.

Este tipo de produção cinematográfica entra em declínio juntamente com a decadência física e social das cidades grandes (e médias), que leva ao aviltamento das salas de cinema, e com clausura televisiva que esvazia e fecha as salas populares de bairro e periferia. Classes populares e cinema ficaram sem espaços sociais – na vida pública - para celebrarem seu encontro. A violência cobrou esse empobrecimento, e alguns gêneros ficcionais – terror, suspense, policial, etc. -, de certo modo, saíram das telas para entrar na vida.



Publicado originalmente em:
ABREU, Nuno César. Boca do lixo: cinema e classes populares. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006. Páginas 103 a 107.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Entrevista de Renato Aragão a Fiesta em 1979



RENATO ARAGÃO, O GLORIOSO TRAPALHÃO






Renato Aragão, o mais bem sucedido e popular cômico da televisão brasileira conversou com a nossa repórter Anne Raquel, no Rio. Mostramos à vocês nesta entrevista, como ele saiu de Fortaleza, no Ceará, para ser o ídolo das crianças e dono de um sucesso que já começa a ultrapassar nossas fronteiras.







Texto: Anne Raquel

Fotos: Mário Barata



Fiesta: Renato, como você começou sua carreira?



Renato: Comecei em Fortaleza. Era advogado do Banco do Brasil, mas já estou recuperado. Na verdade, sempre quis trabalhar em TV, conhecer televisão e quando a TV Ceará foi inaugurada, tive a oportunidade. Escondido dos colegas do Banco, comecei a trabalhar como redator e produtor, e deu certo. Talvez, porque a maioria das pessoas que trabalham em TV, na época, era gente de rádio, com os vícios do rádio. Como nunca me interessei pelo rádio, tinha, então, essa vantagem. Via a televisão como imagem, sentia a importância primordial do visual na TV. Agora, foi uma barra, em 1960, em Fortaleza, a pessoa que era artista ou era marginal ou era bicha.



Fiesta: Que tipo de trabalho você fazia?



Renato: Eu dirigia, escrevia e era ator de uma comédia, que tinha uma hora de duração. Nós não tínhamos recurso técnico algum e nosso trabalho era feito com alguma dificuldade. Eu mudava de roupa de cinco em cinco minutos e voltava correndo. Hoje, as coisas são diferentes. O vídeo-taipe, a técnica mudou tudo, embora as coisas antes fossem melhores em termos de calor humano, e de calor regional. Antes, cada capital produzia os seus programas, tinha os seus artistas, e o vídeo-taipe veio acabar com tudo isso.






Fiesta: De maneira como você fala, parece que você é contra o vídeo-taipe?



Renato: É verdade. O vídeo-taipe acabou, destruiu com os valores regionais, que não têm mais oportunidade de aparecer. Não sei, de certa forma o vídeo-taipe unifica os valores reais, o que não é muito bom. Mas, o certo é que o último comediante que surgiu foi eu e isso não significa que não houvesse gente boa em outras emissoras, apenas eles não tiveram oportunidade de aparecer.



Fiesta: Você sofreu influência de alguém?



Renato: Desde pequeno assistia e gostava muito de Chaplin e Oscarito. Eles influenciaram muito o meu trabalho.



Fiesta: Quando você veio para o Rio?



Renato: Fiquei dois anos e meio na TV Ceará, depois vim para a Tupi do Rio. Cheguei naquela de pesquisar e descansar. Mas, o meu trabalho não foi feito, logo. A minha adaptação na Tupi foi muito difícil, porque as pessoas, ainda, influenciadas pelo rádio, não entendiam o meu trabalho. Por causa disso fiquei marginalizado uns três meses. Até que resolve fingir aceitar o que eles queriam e parti prá outra. Fui para a Excelsior e fiz OS ADORÁVEIS TRAPALHÕES.



Fiesta: Os Adoráveis Trapalhões foi a primeira série brasileira, não?



Renato: Não, já na TV Ceará eu fazia uma série. A tal comédia de uma hora.



Fiesta: Tá, na Excelsior você fez Os Trapalhões e aí?



Renato: Da Excelsior fui para a Record e fiz o mesmo programa com o título de OS INSOCIÁVEIS. De lá, voltei para a Tupi outra vez, já com o Dedé e Mussum. Na Record foi quando voltei a escrever, produzir e ao mesmo tempo, ser ator. Foram dois anos e meio, onde aprendi muito. Foi importante, até porque descobri que, saindo de uma emissora para outra, você se renova. De volta à Tupi, fazia quadros humorísticos variados e já estava para sair de lá outra vez, quando resolvemos inovar completamente o programa introduzindo quadros musicados e entrevistas. Aí, a Globo nos contratou. Isso faz três anos e o ano que vem faz 10 anos que o público aguenta OS TRAPALHÕES. Engraçado, antigamente, era pecado assistir aos Trapalhões. As pessoas de um certo nível não tinham coragem de admitir que assistiam ao programa, e quando o fazia, diziam que tinham assistido um pedacinho do quarto da empregada. Foi quando a Tupi resolveu colocar o programa no domingo. Fiquei revoltado e fui pro Ceará P... da  vida. Fiquei lá e elevei um susto, quando soube que nós tínhamos ganho do Fantástico no IBOPE. No segundo programa perdemos, mas, logo depois, ganhávamos de cabo a rabo.



Fiesta: Qual o seu tipo de público?



Renato: Criança, Zé Povão e estrangeiro. Agora, Os Trapalhões é dirigido à criança. Mas, como o adulto á está assistindo, estamos fazendo uns uadros para ele.



Fiesta: No momento, só você faz humor para criança, não é?



Renato: É verdade. Tanto que estamos pensando em exportar o nosso trabalho. Não existem mais OS TRÊS PATETAS, Jerry Lewis, Chaplin e o próprio Disney, depois de morto, vem perdendo muito de suas características. Não é só no Brasil que quase ninguém se preocupa com a criança, é no mundo todo. Por isso, a idéia de exportar os filmes que fazemos.



Fiesta: Quantos filmes você já fez?



Renato: Quinze. Comecei com Jarbas Barbosa, Herbert Richers, Tanko e agora eu mesmo produzo os meus filmes. O último, O REI E OS TRAPALHÕES foi rodado em Marrocos, daí você pode ver a seriedade do nosso trabalho. Tivemos dificuldades incríveis, para rodar o filme. A ordem era dada em três línguas: português, francês e árabe. Mas, tudo bem. Já estou pensando em fazer outro: Os Cinco Samurais, baseado na história dos 7 samurais. Agora, é um investimento muito grande. Em O REI E OS TRAPALHÕES gastamos 10 milhões de cruzeiros e esse dinheiro tem de ser arrecadado aqui no Brasil.



Fiesta: É você mesmo quem faz o roteiro de seus filmes?



Renato: Eu colaborei em todos os roteiros dos filmes que fiz. Agora, os três últimos, que foram produzidos por mim, escrevi a história e os outros colaboraram, foi ao contrário.






Fiesta: E os filmes fazem muito sucesso?



Renato: Todo ano a bilheteria tem aumentado, e como o único termômetro que temos é o da arrecadação, acredito que o nosso sucesso também tem aumentado.



Fiesta: E os filmes do Mazzaropi fazem mais sucesso que os seus?



Renato: Não, quer dizer, não em termos de bilheteria. Desde SIMBAH, O MARUJO TRAPALHÃO os nossos filmes têm eito mais sucesso.



Fiesta: A abertura política influiu de alguma forma em seu trabalho?



Renato: Não, antes nós não tínhamos problemas com a censura, e continuamos a não ter. Embora, nós estejamos, na verdade, vivendo um período de fechadura, pois trabalhamos para a criança e isso nos responsabiliza muito mais. Pra você ter uma idéia, fazendo uma sátira do Super-Homem, eu coloquei prego na boca e nem dei conta do que estava fazendo. O programa foi ao ar e houve o maior rebú, recebi cartas e mais cartas de pais reclamando, dizendo que eu estava dizendo para as crianças comerem prego, entende? A gente tem de ter uma responsabilidade enorme e uma censura também, porque tudo o que dizemos e fazemos vai atingir diretamente a criança.



Fiesta: Você já fez teatro?



Renato: Já fui convidado, mas acho que o público adulto não me aceitaria. Ele está acostumado a me ver fazendo humor para a criança, o que é diferente. A criança não quer ouvir, quer ver, por isso há mais misce-scène, movimento.



Fiesta: OS TRAPALHÕES vai ser exibido também em Portugal, é verdade?



Renato: É verdade. A TV Globo continua a fazer sucesso em Portugal e eles pediram um piloto do meu programa. Fiquei entusiasmado e quis fazer uma montagem, mas disseram que não precisava porque lá eles riam de tudo. Olha, se você quer saber, daqui a pouco, os portugueses vão perder o sotaque e começar a imitar a gente.



Fiesta: Você recebe muitas cartas de crianças? O que elas dizem?



Renato: A maioria pede para eu repetir esse ou aquele quadro, dão sugestões, dizem do que gostaram mais ou não.



Fiesta: Você tem filhos?


Renato: Quatro. Um de colo, um de berço e um que manda em mim. Uma menina de 2 anos, Juliana: um de onze, Renato: um de 17, Ricardo e outro de 19, o Paulo.



Fiesta: Todos da mesma mulher?



Renato: Todos da mesma mulher e primeira namorada. E sou muito família e me preocupo muito com eles. Casei com 24 anos, mas namorava minha mulher desde os 17.



Fiesta: Qual é o segredo?



Renato: É você exigir, mas ceder um pouco também. Todo homem, é claro, precisa de um momento de liberdade, isso é importante. Mesmo porque, com os filhos você já fica mais preso.



Fiesta: A Revista Os Trapalhões é também sua?



Renato: Não, é da Bloch. Nós só recebemos royaltes, o nosso forte mesmo, em termos de rendimento, é cinema, TV, shows.



Fiesta: Quanto rende mais ou menos um filme seu?



Renato: O último que já foi exibido no país todo OS TRAPALHÕES NA GUERRA DOS PLANETAS já rendeu 90 milhões de cruzeiros brutos, mas, é claro, que você desconta o gasto, 10 milhões, e mais os 50 por cento do exibidor. Agora, a minha esperança é conquistar o mercado exterior. Aí, a produção dos filmes poderá ser melhor elaborada, pois não precisaremos economizar aqui e ali. Não se encontra mais comediante para a criança e acredito que, se formos lançados lá fora, faremos sucesso.



Fiesta: E o cinema brasileiro, como ele está?



Renato: O cinema brasileiro está saindo de uma fase chata, que era uma cama, um quarto e um casal. Agora, ele saiu vitorioso dessa fase, não está mais destinado aquela turma de masturbadores. Hoje, o nosso cinema está mais profissional, temos UMA DONA FLOR, de Bruno Barreto, e vários outros exemplos disso.







Fiesta: Qual é a sua religião?



Renato: Sou católico, mas ascendo as minhas velinhas.



Fiesta: Prá alguém em especial?



Renato: É.





Publicado originalmente na revista Fiesta, ano IV, número 44, dezembro de 1979