domingo, 21 de junho de 2009

Mais sobre o diploma de jornalismo


João Antônio (1937-1996) escrevia muito. De origem humilde, chegou a se formar em jornalismo. Mas admirava mesmo os autodidatas como Lima Barreto, Nelson Cavaquinho e o mestre Carne Frita.

Eu não sou hipócrita. Não vou dizer que acho absurdo o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Pra falar a verdade, não tenho simpatia por qualquer curso universitário ou qualquer coisa acadêmica. Minha avaliação sobre as universidades públicas também não é das melhores.

(Tem gente que se acha melhor que os outros por ter uma casa maior ou um carro do ano. E tem muito, muito universitário que se acham os tais, os mais intelectuais e mais evoluídos (??) por estarem estudando em faculdades públicas. A pergunta que fica: mais evoluído no que cara-pálida??)

E olha, se sou formado em algo, no sentido amplo da palavra, é em outras coisas. Sou formado em sebo, programa esportivo de rádio AM e cinema da Boca do Lixo. Então, nem sei se devo ficar falando muito sobre esse tema.

A maioria das pessoas que eu admiro e tenho como espelho são autodidatas. Na minha opinião, Rubens da Silva Prado é o maior cineasta vivo do Brasil. Rubão é um cara de origem muito humilde, de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Quando criança, RSP fazia faxina em um antigo cinema do bairro somente para poder assistir algum filme. (Hoje, esse cinema é uma loja das Casas Bahia. Sim, eu estive lá somente pra saber o que aconteceu com a sala).

Outro exemplo: o escritor João Antônio Ferreira Filho. Chegou a se formar em jornalismo, mas sempre foi um autodidata. Quando o João Antônio ganhou seu primeiro concurso literário, ele recebeu a visita de alguns escritores consagrados. Nessa época, o autor de Malagueta, Perus e Bacanaço morava com a família.

O pai de João tinha um bar na rua Botocudos, na Vila Anastácio. Quando os visitantes chegaram, o pai pensou que eles eram fiscais federais ou investigadores de polícia por “estarem bem vestidos”.

Na minha opinião, falar que o diploma de tem que ser obrigatório é uma atitude um pouco elitista. Só porque a pessoa cursou quatro anos fantásticos e interessantíssimos (??) de jornalismo, muito foca pensa que é o novo Ricardo Kotscho do pedaço.

Teve gente formada que mandava coisas medíocres pra Zingu (falo sobre o passado, porque sou ex-editor. Hoje sou uma espécie de presidente de honra, tipo o Zagallo da Zingu). E tinha gente que nunca tinha entrado numa universidade que mandavam coisas interessantíssimas, brilhantes, acima da média.

Concordo com o grande Adilson Marcelino. Ele matou a charada. Na realidade, a tal proibição não vai mudar muita coisa na área. Somente em veículos de menor envergadura e de cidades distantes.

E não. Não sou fã do Gilmar Mendes como alguns podem imaginar.

2 comentários:

R. D´Elia disse...

E aquela cópia de "Malagueta, Perus e Bacanaço" que o senhor ficou de me dar, hein?

Matheus Trunk disse...

Me lembro muito bem. Está aqui e será entregue qualquer hora.