sábado, 17 de abril de 2010

O treino de Maguila, nosso boxeador número 1

No Brasil, quem quer lutar boxe compra uma grande briga





HOMEM foi a um treino de Adilson “Maguila” Rodrigues para ver como é que o nosso maior boxeador se prepara para derrubar os gringos que tentam desafiá-lo.

Por Marcelo Uchiyama

Fotos de M. Migliano

 No início do mês de outubro, Maguila estava prestes a enfrentar o americano Melvin Epps. Nosso campeão, como todos sabem, é dono do título Sul-Americano dos Peso Pesados e, durante os treinos fixa extremamente nervoso e intimidado. Maguila não quer saber de conversa. Mesmo assim insistimos. Fomos até a Academia Companhia Atlética, que fica no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. O treino foi puxado, comandado pelo ex-Campeão Brasileiro dos Pesos Médios, Miguel de Oliveira, atual treinador de Maguila. O boxeador número um do Brasil mostrou-se um pouco tenso, concentrado no que estava fazendo. O aquecimento foi feito pulando corda durante um bom tempo, em frente a um espelho. Depois foi a vez de uma série de exercícios físicos, flexões abdominais, de braços e pernas. Já bastante aquecido, o atleta foi bater nos sacos de pancada. Em seguida subiu ao ringue para treinar com dois fortes “sparrings”, enfrentando, como é lógico, um de cada vez. A dupla não é pequena. Mas apanhou um bocado.

Maguila treina em média duas horas por dia, o que ainda é pouco para um lutador que tem um título sul-americano para zelar. Felizmente o nosso lutador vem adquirindo agilidade e técnica, progressivamente, graças a seus esforços e a também Miguel de Oliveira, um homem muito experiente em matéria de ringues.

Como muitos dos jovens que resolveram se dedicar ao esporte aqui no Brasil, Maguila enfrentou, e ainda enfrenta, uma série de dificuldades para chegar onde chegou. O nosso campeão vem de uma família humilde. Seu grande sonho era lutar e tornar-se campeão. Hoje, mesmo com suas constantes vitórias, Maguila reclama da falta de patrocinadores e dos prêmios, pequenos que costumam ser pagos para quem vence lutas de boxe. Maguila acha que a profissão de lutador de boxe é muito pouco reconhecida aqui no Brasil.

Maguila começou a lutar por volta de 1980, profissionalmente falando. Ele próprio afirma que entende pouco do esporte, embora goste muito do que faz. Maguila é um homem de poucas palavras, que gosta de usar mais os músculos que o intelecto. Mas é um grande exemplo de homem batalhador, que venceu as barreiras da vida com as próprias mãos. Ele também é tímido e conservador. Ao ser perguntado sobre o esporte que pratica, preferiu passar a bola para o treinador. Sobre o amor livre afirmou que “não entende nada”. E sobre a questão se o sexo é bom ou não para o atleta, foi categórico: “Não, eu não sei! Não me venha perguntar sobre esse negócio!” E saiu correndo, encerrando bruscamente a entrevista.

Publicado originalmente na revista “Homem” em novembro de 1986 

As fotos deste post foram retiradas de um excelente perfil que a revista "Trip" fez com Maguila para sua edição 336 (abril de 2010). 

4 comentários:

antonico disse...

Legal Matheus, o Maguila já entrou para o folclore brasileiro assim como o Zé do Caixão,Pelé, Zé Bonitinho e tantos outros... Mas fica a pergunta qual o mês e a capa desta revista Homem ?

Matheus Trunk disse...

Prezado Antonico: Maguila é patrimônio cultural do Brasil. Essa matéria saiu quando a "Homem" voltou a circular, na segunda metade dos anos 80. Saiu na edição 336, em abril de 86. A "Homem" era publicada pela mesma editora da "Privé". Essa publicação nada tem haver com a "Revista do Homem" que depois se tornou Playboy.

Matheus Trunk disse...

A capa dessa edição foi a Rita Cadillac

André Cardoso disse...

Eu me lembro do Melvin Epps. Um peso pesado alto, magro e brincalhão.
Durante a luta ele só pedalou (não parou um instante sequer, na frente do Maguilão) e perdeu por pontos.
Um amigo meu chegou a chamá-lo de Fugilista.
Quanto à entrevista, achei-a um pouquinho preconceituosa e superficial, haja vista que o homem Adilson Rodrigues (ou José Adilson Rodrigues dos Santos) sempre soube lidar com suas finanças, e já deu resposta magníficas a perguntas como esta:
Entrevistador: Você não acha que o boxe é um esporte violento ?
Maguilão: Não porque luta quem qué e vê quem gosta.
Valeu