sábado, 19 de março de 2011

Mestre Dicá


O meio de campo só tinha um dono. Era ele que usava a camisa número 10 e não tinha concorrentes para a posição na equipe. Seu faro para gols, sua ginga em campo e sua raça demonstrada nas partidas tornaram ele um líder. Mas não desses líderes autoritários e mandões, mas sim um sujeito comprometido com a sua profissão e principalmente com o time que defendia.

Nas pelejas e nos clássicos de domingo, seu nome era gritado pela torcida humilde de sua cidade. Um povo sofrido e bastante pobre que tinha a esperança de vislumbrar momentos de glória quando ele adentrava o gramado.

Seu nome era gritado e todos o admiravam. Os membros da principal torcida adversário o temiam e tinham medo dele.

Todos sabiam que a camisa alvinegra não iria ser vestida por uma pessoa qualquer e sim por um homem que detinha uma paixão profunda por seu clube. Mesmo não conquistando grandes feitos com seu time, ele era respeitado e seu nome era temido até pelos clubes de maior tradição.

O tempo passou e hoje o antigo camisa 10 dos domingos é um senhor. Não perdeu a paixão pela bola e pelo time que defendeu ao longo de muitos anos. A camisa 10 que usou por décadas, hoje é usada por jovens promessas sem o mesmo comprometimento de outrora. O estádio do clube, palco de grandes decisões e pelejas, atualmente está quase abandonado. Os jogos do time de mesma camisa alvinegra não dão o público e a repercussão de antes.

Mas nada que abale o entusiasmo e o brio do eterno camisa 10. Temido e admirado, hoje ele é pouco reconhecido na mesma cidade que tanto brilhou. Mas ele continua lá, agora na torcida para que os bons tempos retornem e que outro camisa 10 surja a qualquer momento.

Texto de minha autoria produzido em uma aula de escrita total do curso de pós-graduação em jornalismo literário da ABJL (Academia Brasileira de Jornalismo Literário)

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