terça-feira, 14 de junho de 2011

“Mazzaropi pensava no cinema como indústria”


O diretor de fotografia Virgílio Roveda, o Gaúcho, é um veterano do cinema brasileiro. Aos 65 anos, o técnico trabalhou em mais de 50 longas-metragens. Durante os anos 70, ele estabeleceu uma parceria de trabalho com o ator e produtor Amácio Mazzaropi. Como assistente de câmera, operador, foquista e fotógrafo de cena, Gaúcho esteve presente em diversos filmes do comediante.

Para saber mais sobre a carreira e o cinema do nosso maior caipira, VSP esteve uma tarde inteira na casa de Roveda no bairro de Santana, zona norte de São Paulo. Sempre gentil e amistoso, Gaúcho recordou muitas histórias do humorista. Confira os melhores trechos da entrevista.

Violão, Sardinha e Pão- Como era a parceria do Mazza com o diretor Pio Zamuner?

Virgílio Roveda- Na realidade, o Mazza era o dono do filme. O Pio era responsável pela fotografia e também pela direção de tudo. Uma figura muito importante nas fitas da PAM (Produções Amácio Mazzaropi) era o Carlão (Carlos Garcia, diretor de produção, já falecido), que junto com o Pio faziam tudo. Depois aparecia o nome do Mazza como diretor, mas quem fazia tudo era o Pio. Ele trabalhava como um camelo. Os dois nunca foram amigos pessoais, mas se davam muito bem e as produções eram terminadas no dia estabelecido.

VSP- O senhor trabalhou muito na parte técnica dos filmes. Como eram os equipamentos de câmera das produções do Mazza?

VR- Ele tinha os melhores equipamentos da época. A gente usava aquelas câmeras Mitchell e no Brasil só ele tinha isso. Isso ajudava muito. O filme ficava com um resultado satisfatório e o público aprovava.

VSP- Como era o relacionamento dele com os técnicos?

VR- Muito profissional. O Mazza sempre se prezou de pagar todos, inclusive os figurantes. Ele não tinha discriminação quando uma pessoa tinha uma função mais humilde. Todos os filmes eram feitos na mesma época do ano. Então, a gente sabia mais ou menos quando uma produção iria começar. Me lembro bem que ele era meio duro pra acertar o preço.Também era meio desconfiado quando conhecia as pessoas pela primeira vez. Depois que ganhava a confiança tudo ficava mais fácil. Comigo e com todo mundo foi assim.

VSP- Na sua opinião, qual o principal legado do Mazzaropi para a cinematografia brasileira?

VR- Ele pensava a sétima arte como uma indústria. Infelizmente, são poucas pessoas no Brasil que pensam nessa parte. O Mazza merece todo reconhecimento que sempre recebeu.

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