domingo, 22 de fevereiro de 2009

Noite Ilustrada- I


Creio que já falei umas duzentas vezes que meu cantor favorito é seu Mário de Souza Marques Filho, o inesquecível Noite Ilustrada.
Essa foto do lado é de 1959, ano em que Noite iniciava sua carreira artística. Saiu na Folha de São Paulo quando ele morreu.
Infelizmente, os cadernos culturais dos nossos jornais só abrem as portas quando os artistas nacionais (os verdadeiros) morrem. Enquanto eles estão vivos e cheios de energia nossa imprensa prefere os artistas estrangeiros, que possuem efeitos especiais, poderes extraterrestres, etc, etc.
A grande diferença entre os intelectuais de centro acadêmico (um dia eu falo o que acho sobre as faculdades brasileiras, especialmente as públicas) e os verdadeiros poetas/autodidatas é uma só: a vivência. Essa coisa fantástica. Mário de Souza Marques Filho, o lendário Noite Ilustrada viveu dos 9 aos 17 anos numa instituição para menores abandonados, uma espécie de Febem da época. Sem papai, sem mamãe, sem faculdade, sem amiguinho, sem porra nenhuma. Por isso, quando anos mais tarde ele foi falar sobre a solidão em suas músicas, ele tinha grande conhecimento por ter vivido assim durante muitos anos.
Pra fechar este post, coloco aqui uma das melhores (e mais esquecidas) canções do Noite. Espero que gostem.

Poetas e Rios
(Dewett Cardoso)
Quantas rosas pisei
Quanta gente magoei
Quantas vezes entreguei
O melhor do meu eu
Para amores bandidos

Eu confesso, vivi
O poeta ensinou
Aprendi a lição
Com tantos defeitos, para amores perfeitos
Não tenho mais jeito não

Então me deixe errar
Me deixe pecar
Sou humano demais
Poeta vadio
Poetas e rios
Se entregam, se danam
Não mudam jamais

Então me deixe seguir
Por Recifes e bares
Violas e mares
Na noite sem fim
Só te peço que na volta
Guarde nos teus braços
Um sonho pra mim

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