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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Flash Bola ABC 6- Ivo Guerra


Ivo Guerra rememora futebol dos anos 40 e 50

Ex-goleiro atuou contra grandes craques do futebol brasileiro, como Domingos da Guia e Leônidas da Silva

MATHEUS TRUNK

Nas décadas de 40 e 50, o futebol brasileiro era muito diferente. As principais competições do calendário eram os campeonatos estaduais, os técnicos não tinham grande importância e o grande veículo para a transmissão de jogos era o rádio. Ivo Guerra, 83, é uma testemunha ocular deste tempo.

Italiano de nascimento, Guerra iniciou-se nas categorias de base do Ypiranga da capital. Depois, iniciou sua carreira profissional no SPR (atual Nacional), em 1945. Em 1947, o ex-atleta se transferiu para a Portuguesa e encerrou a carreira no Corinthians de Santo André cinco anos depois. “Eu nunca soube fazer outra coisa. Seja na várzea ou no profissional, eu sempre fui goleiro”, explica ele.

Aposentado, o ex-atleta mora em Santo André e falou com o RROnline sobre sua trajetória.

RROnline- Como foi esse início de carreira no SPR?

Ivo Guerra- O SPR era um time de ferroviários. Um time humilde, como o Juventus. Nos jogos, iam somente o pessoal que morava no bairro da Água Branca, próximo ao estádio da Comendador Souza. Nesse time, eu joguei com o Moacir, que foi o melhor zagueiro com quem atuei na minha carreira. Depois, ele acabou indo pro Corinthians.

RRO- Como aconteceu a transferência do senhor para a Portuguesa?

IG- Nessa época, eu também tinha uma proposta do Palmeiras. Mas acabei indo para a Portuguesa porque a proposta foi financeiramente superior. No tempo em que eu estive lá, o estádio do Canindé ainda não existia. A Portuguesa mandava seus jogos no Pacaembu e os treinamentos eram realizados no Ibirapuera.

RRO- Como foram esses dois anos jogando na Lusa?

IG- Foi muito legal. Nesse tempo, a Portuguesa já tinha uma torcida que pegava no pé dos jogadores, eles xingavam e tudo. Tive a oportunidade de atuar ao lado de grandes craques, como o Pinga. Quando eu estive no clube do Canindé, o Djalma Santos estava iniciando a carreira. Ele só tinha vinte anos, e a gente brincava chamando ele de Fornalha, porque ele tinha o nariz muito grande.

RRO- Quais goleiros o senhor considera os melhores daquele tempo?

IG- O Oberdan do Palmeiras, o Gijo do São Paulo e o Bino do Corinthians. Eu joguei na estréia do Gilmar dos Santos Neves no profissional. Eu estava na Portuguesa e ele defendia o Jabaquara de Santos. Vencemos a partida por 3 a 1.

RRO- O Barbosa do Vasco foi outro goleiro bastante famoso na época. Ele ficou marcado por ter tomado aquele gol na vitória do Uruguai na Copa de 50. O que o senhor pensa disso?

IG- Eu conheci o Barbosa. Antes de ir pro Vasco, ele jogou no Ypiranga. Ele era o goleiro do time principal e eu era o arqueiro dos aspirantes. Na Copa de 50, fizeram uma grande sacanagem com ele. Creio que ele não foi o grande responsável pelo Brasil ter perdido aquela partida. Os brasileiros acabaram se julgando campeões e subestimaram a seleção uruguaia. O Barbosa é um grande injustiçado.

RRO- Quais foram os melhores atacantes que o senhor jogou contra?

IG- Eu joguei contra grandes nomes do futebol brasileiro. Do Corinthians, atuei contra a dupla Baltazar e Cláudio Pinho. A Portuguesa tinha um grande time com Renato, Simão e Pinga. O São Paulo tinha uma linha média que sufocava a gente com Rui, Bauer, Noronha. O Ypiranga tinha um argentino chamado Magri, que era um baita jogador também. Mas o melhor de todos os atacantes que eu joguei contra foi o Leônidas da Silva, o famoso Diamante Negro.

RRO- O que tornava o Leônidas superior aos demais?

IG- Não dá para descrevê-lo. Ele era um gênio, um centroavante praticamente perfeito. Jogar contra ele dava um trabalho danado para o goleiro. Creio que ele foi o maior jogador do futebol brasileiro depois do Pelé. Quando eu estava no SPR, perdemos uma partida por 3 a 0 para o São Paulo e ele comandou o ataque são-paulino naquela partida.

RRO- O senhor chegou a jogar contra o Domingos da Guia?

IG- Sim. Isso foi quando eu estava começando. O Domingos estava encerrando a carreira no Corinthians. Muitos anos depois,o filho dele, o Ademir fez grande sucesso e tornou-se ídolo no Palmeiras.

RRO- Quando o senhor foi jogador havia muito preconceito contra os jogadores de futebol?

IG- Bastante. Para a maioria das pessoas da época, jogador de futebol não valia nada. Hoje em dia, acontece o contrário. Agora, os atletas de futebol são endeusados.

RRO- Como foi a passagem do senhor pelo Corinthians de Santo André?

IG- O Corinthians tinha um time de razoável pra bom. Disputamos o campeonato de acesso em 52. Na primeira fase, fomos campeões da zona sul do estado jogando contra equipes como o São Bento de Sorocaba, Inter de Limeira e Paulista de Jundiaí. Depois, fomos decidir o título da divisão de acesso contra os campeões das outras zonas. Naquela ocasião, faltavam alguns reforços para termos um desempenho melhor. Acabamos perdendo o título para o Linense.

RRO- Por que o senhor acabou saindo do time?

IG- Eu fiquei algum tempo sem receber no Corinthians. Por isso, após dois anos atuando na equipe achei melhor largar o time.

RRO- O senhor encerrou a carreira bastante cedo, aos 28 anos. Por que isso aconteceu?

IG- Na época, eu tinha uma proposta pra ir jogar na Ponte Preta. Mas o meu filho mais velho teve um sério problema de saúde. Isso me desgastou bastante e eu não quis ir pro interior. A gente tinha que ficar perto, pra levar em médico, essas coisas todas. Me tornei metalúrgico e acabei ficando em Santo André.

Publicado originalmente no Rudge Ramos Online da Universidade Metodista de São Paulo

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Flash Bola ABC 5- China


Ademir Ueta recorda Olimpiadas de 68 e como se tornou ídolo em Portugal

Ex-meia fez parte da seleção olímpica na década de 60 e atuou durante duas temporadas no futebol português

MATHEUS TRUNK

Historicamente, Portugal sempre foi o principal destino dos jogadores brasileiros na Europa. Hoje em dia, a nação da Península Ibérica continua sendo o país que mais recebe atletas brasileiros. Em 2008, 209 brasileiros se transferiram para equipes portuguesas. Ademir Ueta, o China, 61 anos, atuou de 1978 a 80 no Marítimo de Portugal e se tornou ídolo local.

“Eles queriam que eu ficasse mais tempo lá. Os dirigentes me ofereceram muito dinheiro. Mas minha família quis voltar pro Brasil e não teve jeito da gente permanecer lá”, explica ele. Além dessa passagem pelo futebol europeu, China jogou pelo Palmeiras, Náutico, Guarani, Catanduvense, Juventus, Aliança de São Bernardo, Marília, Desportivo Português da Venezuela e Monte Alto.

Porém, para o ex-meia, o maior momento da carreira foi sua participação na seleção brasileira olímpica. “Fomos campeões do Pré-Olímpico no Paraguai e nos classificamos para os Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México. Disputei um único jogo nessa competição, mas mesmo assim foi muito emocionante. Lembrar isso hoje ainda me arrepia”, relembra.

RROnline- Como o senhor iniciou a carreira?

Ademir Ueta- Eu comecei ainda bem novo jogando bola no Meninos, um clube tradicional de São Bernardo. Na época, eu morava no bairro do Rudge Ramos e depois fui treinar no Flamenguinho da Vila Paulicéia. Foi lá que me levaram pra fazer teste no Palmeiras. No time do Parque Antártica, eu joguei no infantil, juvenil e me profissionalizei. Lá eu consegui conviver com grandes jogadores como Servílio, Djalma Santos, Djalma Dias, Ademir da Guia, entre outros. Na época, o Palmeiras dava muita atenção pra quem estava vindo das categorias de base.

RRO- Mas o senhor se firmou no Palmeiras?

AU- Não. Eles tinham um grupo muito forte, era o Palmeiras da Academia e eu era um jogador muito jovem. Na minha posição, jogava o Servílio, que era ídolo da equipe. Disputei dez partidas pelo Palmeiras, sendo que minha estréia foi na semifinal da Libertadores de 68, no Pacaembu, contra o Estudiantes da Argentina. Foi um ano bastante complicado, porque eles priorizaram a competição sul-americana e quase caímos para a segunda divisão estadual. Depois fui emprestado pro Náutico, sendo vice-campeão pernambucano e fui pra Catanduvense.

RRO- Como foi a participação do senhor na seleção olímpica?

AU- Defender o Brasil foi muito importante. Uma coisa emocionante mesmo. Pela seleção brasileira, eu joguei no time que foi campeão do Pré-Olímpico na Colômbia. Com isso, conseguimos nos classificar para as Olimpíadas da Cidade do México, em 1968.

RRO- Nas Olimpíadas de 68, o Brasil acabou sendo eliminado na primeira fase. Na opinião do senhor, por que isso aconteceu?

AU- Acho que faltou organização. Na nossa época, era difícil porque vários países jogavam a competição com seu time principal. O Brasil mandou para o torneio sua equipe juvenil. Por isso, tivemos grandes dificuldades. Eu me machuquei no jogo contra a Espanha, por isso, acabei não jogando o restante do torneio olímpico. Nosso treinador era o Marão, um técnico mineiro. Ele era uma boa pessoa, mas creio que ele entrou muito em cima da hora, teve pouca convivência com o grupo. Mesmo assim, guardo boas recordações daquele momento. Na cerimônia de abertura, foi uma coisa muito emocionante pra nós porque tocou o hino brasileiro.

RRO- O senhor jogou bastante pela Catanduvense?

AU- Sim. Tive três passagens e foi talvez o time que eu mais tenha vestido a camisa em quantidade de jogos. Em 1974, a equipe de Catanduva montou um time muito forte e sagrou-se campeã da segunda divisão do Paulista. Nosso treinador era o Carlos Alberto Silva, que depois seria campeão brasileiro com o Guarani em 1978. Ele era um excelente técnico, bem ao estilo do Telê Santana. Ele foi inclusive meu padrinho de casamento.

RRO- Como foi sua passagem pelo Aliança de São Bernardo?

AU- Foi muito boa. Esse time surgiu com muitas pessoas que vinham da várzea. O ABC sempre foi um grande celeiro do futebol amador. O Aliança tinha uma estrutura legal e conseguimos bons resultados. Mandávamos nossos jogos no estádio Baetão, e tínhamos um grande número de torcedores. Os jogadores mais experientes do elenco era eu e o Julio Amaral, que tinha passado pelo Palmeiras. Chegamos ao quadrangular final da segunda divisão, juntamente com o Santo André, Barretos e XV de Jaú. O XV acabou ganhando a competição e conquistando o acesso. Do Aliança, eu acabei me transferindo pro Marítimo.

RRO- Como surgiu a proposta do time português?

AU- Alguns dirigentes do Marítimo vieram olhar um outro jogador do Aliança. Eles olharam uma partida do Aliança contra a Internacional de Limeira. Foi aquele dia que deu tudo certo pra mim, joguei muito bem. A partida terminou 2 a 0 pra nós e eu fiz os dois gols. Me destaquei e eles ficaram interessados no meu futebol. Depois, o técnico do time me observou em uma partida contra a Esportiva de Guaratinguetá. Depois, eles fizeram a proposta e eu acabei aceitando.

RRO- Como foram esses dois anos atuando pela equipe portuguesa?

AU- Foram duas temporadas excelentes em todos os sentidos. Fiquei lá de 78 até 80. O futebol europeu tem mais força, mais pegada. O Marítimo é uma equipe da Ilha da Madeira e sempre foi um time médio, com uma torcida bem fanática. No primeiro ano que fiquei lá, nos esforçamos bastante para o time permanecer na primeira divisão. No segundo ano, tivemos um desempenho melhor. Conseguimos ser semi-finalistas da Taça de Portugal e tivemos um bom desempenho no campeonato nacional. Nós tiramos o título do Campeonato Português do Benfica. Eles estavam um ponto na frente na liderança e já se julgavam os campeões nacionais. Nós vencemos eles numa grande partida por 2 a 1. Cheguei a ter uma excelente proposta do Boavista, mas minha esposa queria voltar ao Brasil de qualquer maneira. Por isso, acabei retornando após dois anos na Ilha da Madeira.

RRO- O senhor era bastante reconhecido em Portugal?

AU- Bastante. Os torcedores do Marítimo eram muito fanáticos. Quando eu ia no mercado, eu não precisava pagar a conta, porque os vendedores eram torcedores da equipe. Lá na Ilha da Madeira, eles pescam muito o peixe espada, que tem uma carne deliciosa. Várias vezes os pescadores locais me deram esse tipo de pescado, sem eu precisar pagar. Enquanto morei lá, eu não tive carro. Quando eu andava de taxi, muitas vezes não precisei pagar. O motorista falava: “Você é o China. Eu te conheço porque eu sou Marítimo doente”. Nas lojas, sempre me davam desconto. Os portugueses sempre trataram a mim e a minha família muito bem. Era ótimo. Depois de encerrar a carreira, eu voltei três vezes a Ilha da Madeira e sempre fui reconhecido.

RRO- Como foi essa passagem pelo futebol venezuelano?

AU- De Portugal, eu voltei outra vez para a Catanduvense. Mas depois fui pro Desportivo Português, que era o clube da colônia da Ilha da Madeira na Venezuela. Lá era um esquema semi-profissional, muitas vezes o jogador do time adversário não aparecia pra jogar. Os dirigentes suplicavam pra eu voltar pra Portugal: “Quanto você quer pra voltar pro Marítimo?”. Eles não entendiam que eu não voltava por questões pessoais.

RRO- O que o senhor acha dos empresários dominarem o futebol hoje?

AU- Os empresários lidam com o futebol como um negócio. Eles pensam primeiramente no retorno financeiro. Por isso, muitas vezes a formação do atleta fica em um segundo plano. Muitos meninos que estão se iniciando no futebol, acabam não tendo nenhuma uma orientação. Isso é muito triste.

RRO- O senhor acredita que os ex-jogadores são muito desvalorizados no Brasil?

AU- Muito. Não somos vistos com a importância que tivemos para o esporte. Eu não sou um ex-jogador, eu sou um ex-atleta. Poucas pessoas entendem isso. Na minha época, o profissional de futebol era considerado mulherengo, farrista, essas coisas todas. Infelizmente, nunca somos tidos como alguém importante pra sociedade.

Publicado originalmente no Rudge Ramos Online da Universidade Metodista de São Paulo

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Flash Bola ABC 4- Canhoteiro


Ex-jogadores da região falam sobre Canhoteiro

Craque do São Paulo nos anos 50, Canhoteiro encerrou a carreira no Saad de São Caetano

MATHEUS TRUNK

Diversos grandes jogadores encerram suas carreiras em times menores e sem expressão nacional. Jairzinho, o furacão da Copa de 70, chegou a atuar pelo Noroeste de Bauru. Outro tricampeão do mundo, Dadá Maravilha, ídolo do Atlético Mineiro e do Internacional, jogou em equipes como o XV de Piracicaba e Douradense do Mato Grosso do Sul.

Felício Saad, empresário e fundador do Saad Esporte Clube queria fazer do clube de São Caetano um dos grandes times do estado. Para isso, em 1967, ele contratou o ponta-esquerda e ex-ídolo do São Paulo José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro (1932-1974).

Considerado um dos melhores dribladores da história do futebol brasileiro, Canhoteiro foi jogador do tricolor paulista entre 1954 e 1963. Foi um dos destaques da equipe campeã estadual de 57. “Ele era um grande jogador e um grande cara. Na época, na posição dele estavam nomes como Garrincha, Zagallo e Pepe. Na minha opinião, ele acabou não dando certo na seleção brasileira por conta do destino”, afirma Dino Sani, ex-volante e contemporâneo de Canhoteiro no São Paulo.

O ex-ponta esquerda são-paulino disputou um campeonato paulista de acesso pela equipe do ABC, onde encerrou a carreira. Decio Bianco jogou com ele no Saad. “A humildade dele não condizia com toda a fama. Ele foi um grande jogador do futebol nacional, mas quando esteve no time de São Caetano, ele vivia mais do nome. Não tinha condições pra continuar atuando por muito tempo”, explica.

Morador de Santo André, o ex-jogador Mário Mesquita iniciou sua carreira no infantil do São Paulo e foi muito próximo a Canhoteiro. “Ele foi um monstro como atleta. Mesmo assim, era muito boêmio e acabamos saindo várias vezes juntos. Ele tinha um barco na Billings, onde eu fui várias vezes”, relembra.

Segundo seus contemporâneos, Canhoteiro era um grande gozador. Decio Bianco conta um episódio que revela esta faceta do craque. “Um dos nossos jogadores, o Vitor usava dentadura. Num jogo, a dentadura dele caiu e o Canhoteiro começou a chutar o troço pra fora do campo. Pouca gente viu isso, nem o juiz percebeu. Sorte que a partida não terminou ali, porque senão o Vitor teria ido pra cima dele”, relembra o ex-atleta as gargalhadas.

Publicado originalmente no Rudge Ramos Online da Universidade Metodista de São Paulo

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Flash Bola ABC 3- Márcio Maggiora


Márcio Maggiora relembra os bons tempos do futebol do interior paulista

Ex-meia fez parte de elencos memoráveis do Taubaté, Botafogo de Ribeirão Preto, Ponte Preta, Noroeste e Saad de São Caetano

MATHEUS TRUNK

Nos anos 60, os clubes do interior de São Paulo montavam verdadeiros esquadrões que chegavam a assustar as grandes equipes. Times como a Ferroviária de Araraquara, Comercial de Ribeirão Preto e São Bento de Sorocaba detinham grandes jogadores e faziam belas campanhas no Campeonato Paulista. Márcio Maggiora, 65, é um personagem que viu essa história de perto.

O ex-meia iniciou sua carreira profissional na Portuguesa de Desportos. Depois passou por cinco fortes times do interior paulista: Taubaté, Botafogo de Ribeirão Preto, Ponte Preta, Noroeste e Saad. “Antigamente a gente jogava muito e ganhava pouco. Hoje, eles jogam pouco e ganham muito”, brinca ele.

Aposentado, o ex-jogador mora em São Caetano do Sul, e falou sobre sua carreira ao Rudge Ramos Online.

Rudge Ramos Online- Como foi o início da carreira do senhor nas divisões de base da Portuguesa?

Márcio Maggiora- A Lusa sempre teve bastante estrutura para formar grandes jogadores. Meu treinador nas divisões de base foi o Ipojucan, que atuou na seleção na Copa de 50. Comecei com o Ivair, que ficaria conhecido como o Príncipe. Eu e ele nos destacamos e fomos para a seleção paulista juvenil. Acabamos sendo vice-campeões do Campeonato Brasileiro de Seleções. Perdemos pro time do Rio que tinha muita gente boa como o Carlos Alberto Torres, que foi tricampeão em 1970.

RRO- O senhor atuou no time profissional da Lusa?

MM- Sim. Inclusive eu estava me dando muito bem com os demais jogadores e com a torcida. Meu primeiro técnico no clube do Canindé foi o Oto Glória, um cara muito gente fina, paizão. Depois veio o Aimoré Moreira e tive um desentendimento com ele. Por isso, acabei saindo do time e fui pro Botafogo.

RRO- O Botafogo foi o time que o senhor mais jogou?

MM- Sim. Lá eu fiquei três anos e cheguei a ser capitão da equipe. Participei inclusive do jogo de inauguração do estádio Santa Cruz. Teve uma partida em que nós empatamos com o Santos com Pelé e tudo em 1 a 1. Nesse jogo, ele me deu um chapéu. Depois, eu acabei fazendo uma falta feia nele. Quando acabou o jogo, eu pedi desculpas pro Pelé. Ele me falou: “Relaxa Márcio. Fica tranqüilo”. Pra mim, ele sempre foi o melhor de todos, no comportamento, nas atitudes, em tudo.

RRO- Como era a rivalidade do Botafogo de Ribeirão com o Comercial?

MM- Era grande, os dois times faziam o clássico da cidade, que chamava come-fogo. Quando a gente ganhava era bom, mas quando a gente perdia complicava bastante. Em Ribeirão Preto, existe a chopperia mais famosa do Brasil: a Pinguim. Quando era semana de clássico, jogador não podia ir no Pinguim, não podia ir em lugar nenhum. O time ficava todo concentrado no hotel. Quando eu joguei no Noroeste, os clássicos eram contra o Marília e o Garça.

RRO- Esses jogos também eram duros?

MM- Bastante, as cidades paravam. Em clássico no interior, se você jogasse mal, você era considerado vendido. Pra você ter uma idéia, numa partida entre Noroeste e Marília, um torcedor chegou a tomar um tijolo na cabeça e morreu. Na minha época, a gente que jogava em time menor ficava dois, três meses sem receber e continuava dando raça, correndo em todos os jogos. Hoje é bem diferente.

RRO- O senhor venceu o campeonato de acesso pelo Noroeste em 1970. Como foi isso?

MM- No início do campeonato, nós empatamos as três primeiras partidas. No Noroeste, eu era o capitão e detinha grande prestígio com a diretoria. Eles me perguntaram qual jogador seria necessário para o time vencer a competição. Eu respondi: “Contratem o Fedato que está encostado no Comercial de Ribeirão”. Eles trouxeram o Fedato, que era um baita atacante e ele se tornou uma referência na frente. Nós fomos campeões e eu fui o artilheiro com 17 gols. Após o termino do campeonato, o Fedato foi pro Palmeiras, onde ficou por vários anos e acabou se tornando ídolo.

RRO- O senhor chegou a ter propostas das grandes equipes?

MM- Eu fui comprado pelo Vasco pra fazer um teste. Fiquei quarenta dias concentrado em São Januário pra fazer pré-temporada. Na véspera do embarque, o administrador de futebol me falou: “Olha, o técnico falou que você não vai mais viajar. Ele vai pegar outro jogador, que também é meia-esquerda. Ele pretende fazer uma experiência pra saber quem ele vai contratar”. Eu respondi: “Se eu tenho que receber alguma coisa, vocês me pagam porque eu vou pegar o primeiro avião pra São Paulo. Eu não sou moleque, tenho responsabilidade”. Eu já era casado e tinha uma filha. Eles insistiram pra eu ficar, mas eu voltei logo pra São Paulo. Depois, eu soube que o meu concorrente na vaga tinha pago uma grana pro técnico pra jogar na equipe. Resultado: ele jogou quatro vezes no Vasco e nunca ganhou nome.

RRO- Qual foi o melhor técnico que o senhor teve na sua carreira?

MM- O Rubens Minelli. Ele me treinou na seleção paulista juvenil. Depois, ele se tornou famoso e foi tricampeão brasileiro dirigindo o Internacional e o São Paulo. Ele era ex-jogador e sabia falar com os atletas. O Minelli sabia orientar bastante o posicionamento e o comportamento dos jogadores. Ele sempre falava: “Não adianta você querer fazer certo. Você tem que fazer e bem feito pra não comprometer os outros componentes do time”.

RRO- Nos anos 60, os times do interior eram bem fortes. Hoje, quase todos tem grandes dívidas e perderam a força. Na opinião do senhor, por que isso aconteceu?

MM-. A Lei Pelé acabou com as equipes do interior. Tiraram tudo das equipes que formaram os jogadores e enriqueceram os empresários. Antes, os direitos sobre os jogadores eram dos clubes e hoje é dos empresários. Muitas vezes eles deixam os atletas passando necessidade.

RRO- Como foi sua passagem pelo Saad?

MM- Foi meu último clube como profissional. Fomos campeões do Paulistinha e conseguimos levar a equipe pra disputar o Campeonato Paulista da primeira divisão, juntamente com os grandes times. Joguei com gente muito boa lá como o Arlindo Fanzorlin que depois foi pro Santos e com o Leonetti, que foi pro Corinthians. Meu treinador no Saad foi o Baltazar, que foi ídolo no Corinthians nos anos 50.

RRO- O senhor encerrou a carreira com apenas 31 anos. Por quê?

MM- Isso foi devido alguns problemas na hora de acertar o meu contrato com o Saad. Eu ganhava mais que o restante do elenco. Por isso, ficou um clima muito chato e quando acabou o meu contrato eu pedi pra sair.

RRO- Como o senhor vê os times do ABC hoje?

MM- Estamos com duas boas equipes: o São Caetano e o Santo André. Na minha opinião, pra você ter um bom time você precisa de duas coisas: dinheiro e jogador. Se os dirigentes souberem investir corretamente e fazer boas contratações, a região estará bem representada.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Flash Bola ABC 2- Decio Bianco


Decio Bianco relembra Pan de 63 e interrupção da carreira por contusão

Decio Bianco, atacante da seleção campeã do Pan-Americano de 1963, teve a trajetória abreviada por uma contusão na região lombar

10/03/2009 18:49

MATHEUS TRUNK

Nas décadas de 60 e 70, muitos jogadores tiveram as carreiras abreviadas por conta de severas contusões. Craques como Garrincha e Muricy Ramalho são exemplos disso. Decio Bianco, 64, teve uma trajetória semelhante.

Em sete anos de carreira profissional, o ex-atacante do Juventus, Flamengo de Caxias (RS) e Saad teve convocações para as seleções paulista e brasileira. Seu maior momento foi receber a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1963, em São Paulo. “Vestir a camisa do meu país foi a maior satisfação da minha vida”, relembra ele.

Sua carreira foi encerrada por um agravamento da contusão na região lombar em 1967, quando o ex-atleta tinha 23 anos. “Depois disso, só joguei no amador mesmo”, sintetiza.

Rudge Ramos Online - Como foi sua participação no Pan de 63?
Decio Bianco- O Pan foi um torneio relâmpago, de cinco jogos. Tinham quatro outras seleções disputando: Argentina, Uruguai, Chile e Estados Unidos. Eu era reserva do Jairzinho, que depois ficaria consagrado como o Furacão da Copa de 70. Joguei na goleada contra os Estados Unidos, que foi o jogo mais fácil pro Brasil. Vencemos por 11 a 0.

RRO- A base do time era carioca?
DB- Sim, a base era do Fluminense. O Antoninho, técnico da seleção também era do Tricolor do Rio. Mesmo assim, muitos jogadores paulistas foram chamados para compor aquele time.

RRO- O senhor foi convocado pela seleção jogando pelo Juventus. Como foi esse início de carreira no clube da Mooca?
DB- Foi a equipe que eu mais atuei na minha carreira, fiquei lá por três anos. Minha estréia foi numa partida contra o Taubaté, na Rua Javari. Era muito difícil para um jogador se firmar numa equipe tradicional como o Juventus, que jogava um torneio difícil como o Campeonato Paulista. Mas eu consegui isso.

RRO- O senhor jogou no Flamengo de Caxias. Como foi essa passagem?
DB- Eu fui emprestado do Juventus ao Flamengo, que mudou de nome. Hoje se chama Caxias. Minha estréia foi justamente no grande clássico local, contra o Juventude, no estádio Alfredo Jaconi. O estádio lotou, tinha gente até pendurada nos postes e nas casas vizinhas. A rivalidade entre as duas equipes sempre foi muito forte. No Sul, quando eu ia numa loja ou num restaurante que o dono fosse torcedor do Flamengo, eu não pagava nada. Era ótimo.

RRO- O futebol gaúcho era muito diferente do futebol paulista?
DB- Bastante. O futebol gaúcho era mais competitivo e tinha mais pegada. Os jogadores do Sul tinham mais raça, pareciam com os atletas argentinos. No interior do Rio Grande, tinham grandes equipes também.

RRO- Na década de 60, os jogadores se dopavam bastante?
DB- Sim. Inclusive, uma vez eu fui dopado sem saber. Foi na minha passagem pelo Flamengo. Durante um jogo contra o Internacional, eu estava com um problema lombar. A minha perna estava doendo bastante. O massagista me examinou e me deu uma ingessão no braço e era doping. Eu voltei pro jogo com um grande pique. O Zero Hora, jornal de Porto Alegre, me elogiou dizendo que eu tinha acabado com o jogo. Eu fiquei uma semana no hospital, porque quando acabou o efeito da ingessão eu não podia movimentar nada.


RRO - O senhor teve alguma proposta pra jogar no Exterior?
DB- Sim. Eu cheguei a receber uma proposta do Anderlecht da Bélgica. Vários fatores me levaram a não ir pra lá. Naquele tempo, poucos jogadores brasileiros iam pra fora. Inclusive, financeiramente atuar na Europa não tinha grandes vantagens.

RRO- Como o senhor foi jogar no Saad?
DB- O Felício Saad, presidente da equipe, queria montar um grande time. Ele estava montando um time que iria disputar a terceira divisão, mas visando um time que subisse logo. Para isso, ele chamou jogadores que já tinham alguma experiência. Além de mim, ele chamou o Canhoteiro, que tinha sido ídolo no São Paulo. Também foram o Pando que tinha jogado vários anos no Juventus, Murilo da Portuguesa e Fininho goleiro do Juventus.

RRO- A proposta do Saad financeiramente era boa?
DB- Sim. No Saad, eu ganhei o dobro que eu ganhava no Juventus. Fiquei dois anos na equipe do ABC. Posso dizer que a equipe que eu mais ganhei dinheiro foi no Saad. Era uma novidade pra São Caetano, ter um novo clube surgindo e o Felício queria fazer a cidade aparecer no mapa. Naquele tempo, a série de acesso era bem disputada. Tivemos grandes confrontos contra Bragantino, Nacional, Ponte Preta, XV de Piracicaba, Ferroviária de Botucatu. Aquele time do Saad era muito bom, embora tivesse muitos veteranos.

RRO- A arbitragem dos anos 60 era corrupta?
DB- Bastante. Teve um jogo que nós fizemos pelo Saad contra o XV de Jaú, no estádio Zezinho Magalhães, em Jaú. O próprio juiz passou perto de nós e disse: “Olha, infelizmente pra eu sair vivo dessa partida vou ter ir contra vocês”. Na primeira chance que o juiz teve, ele deu um pênalti pro XV.

RRO- Como surgiu esse problema na região lombar?
DB- Eu sofri a contusão quando jogava no Flamengo, num jogo em Farroupilha. Eu tive de fazer fisioterapia pra continuar jogando. Mas para acabar com o problema, eu teria de fazer uma operação para que a lesão acabasse. Mas na época, poucas pessoas faziam uma operação na parte lombar. O médico não me deu certeza: “Pode ficar bom. Mas também pode ficar com algumas seqüelas”. Segundo ele, se houvesse algum problema na operação, eu podia ficar paralítico. Por isso, resolvi deixar o profissionalismo.

RRO - O senhor guarda alguma frustração de ter encerrado a carreira tão cedo?
DB- Quando eu encerrei foi bem difícil. Eu estava acostumado com futebol e não sabia o que iria achar na minha nova atividade. Eu sentia falta do futebol. Já pensei várias vezes que se eu não tivesse essa contusão, eu poderia ter conseguido jogar em times maiores. Mas a gente nunca sabe. Depois de ter sido jogador, eu fui para General Motors onde fiquei por 26 anos e depois me aposentei.

Publicado originalmente no Rudge Ramos Online da Universidade Metodista de SP

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Flash Bola ABC 1- Para veterano do Saad, Maradona foi superior a Pelé


Na contramão da maioria dos jogadores brasileiros dos anos 60, Mário Mesquita defendeu 18 equipes em 16 anos de carreira. Em entrevista, o ex-atleta fala sobre a carreira e sobre o futebol atual.

MATHEUS TRUNK

Nos anos 60 e 70, a maioria dos jogadores brasileiros permaneciam durante muitos anos defendendo um único clube. Foi assim com Pelé, no Santos, Ademir da Guia, no Palmeiras, Rivellino, no Corinthians, entre outros. Um dos primeiros atletas brasileiros a ter passe-livre, Mário Mesquita, 65, teve uma história diferente.

Com o passe na mão, ele tinha o poder de atuar nos times que desejasse sem precisar se submeter ao interesse de dirigentes e empresários. “Eu desafiei todo mundo. Por isso, na cabeça dos cartolas, eu simplesmente não prestava”, relembra.

Em 16 anos de carreira profissional, o ex-meia colecionou passagens por 18 times diferentes. A carreira deste “tropeiro da bola” iniciou-se em 1960, no infantil do São Paulo. “O Tricolor tinha muitos jogadores bons. Por isso, não consegui encontrar o meu lugar e fui defender outras equipes”, afirma Mesquita.

O ex-jogador atuou em cinco times do ABC: Palestra de São Bernardo, Aliança, Transauto, Monte Alegre e Saad. Clube tradicional de São Caetano, o Saad foi uma das maiores equipes de SP nos anos 60 e 70. O time era bancada pelo empresário Felício Saad, que investia pesado na equipe.

Mesquita também defendeu Jabaquara, São José, Ferroviária, Coritiba, Valencia da Venezuela, Banfield da Argentina, Uberaba, Valeriodoce, América de Rio Preto, Ferroviária, Botafogo de Ribeirão Preto, Paulista e Portuguesa Santista.

Aposentado, ele reside no Jardim Bela Vista, em Santo André, e falou ao RROnline sobre sua trajetória. Leia abaixo trechos da entrevista.

Rudge Ramos Online- Como era o relacionamento do Felício Saad, diretor do Saad Esporte Clube, com os jogadores da equipe?
Mário Mesquita- O Felício era um cara excepcional. Na concentração era ótimo, ele sempre dava presentes pra gente. Infelizmente, ele nunca teve ajuda dos políticos do ABC pra manter a equipe. Meu melhor momento no time foi quando ganhamos uma partida contra o Santos do Pelé.

RRO- Como foi esse jogo?
MM- O Santos tinha o maior ataque de todos os tempos: Dorval, Coutinho, Mengálvio, Pelé e Pepe. A partida foi em plena Vila Belmiro, num sábado a noite. Tinha mais de 10 000 pessoas de São Caetano no estádio. Vencemos por 3 a 1. Só sei que o jogo foi no sábado e fizemos uma grande festa. Só voltamos a treinar na terça-feira.

RRO- É verdade que antigamente a arbitragem favorecia os times grandes?
MM- Sempre existiu isso no futebol. Numa das equipes que eu joguei, eu trazia dinheiro para o cara que comandava os árbitros e eles favoreciam o nosso time. Era gozado, o time não pagava os jogadores, mas pagava os juízes. Fomos campeões e subimos de divisão.

RRO- Como foi essa passagem pela Venezuela?
MM- Fiquei um ano e pouco lá. Vesti a camisa do Valencia, uma das maiores equipes do futebol venezuelano. Fui um dos primeiros brasileiros a ir jogar nesse país. Os dirigentes queriam que eu me naturalizasse para atuar pela seleção local, mas acabei não fazendo isso. O melhor do Valencia era o pagamento.

RRO- Ganhava-se muito bem lá?
MM- Sim, a gente ganhava em dólar. Eu ganhei muito mais lá que em todos os times que eu passei no interior de São Paulo. Com o dinheiro que eu ganhei no Valencia, consegui comprar dois apartamentos. Em muitos times do interior, eu ficava meses sem receber. Mas o mais legal era ir pra Caracas, a capital do país. Era uma baita cidade, cheia de cassinos.

RRO- E pelo Banfield da Argentina?
MM- Eu sempre admirei muito o futebol argentino. No meu ponto de vista, o Maradona foi um jogador superior ao Pelé. E olha que eu vi os dois jogarem. Infelizmente, no Banfield eu fiquei somente quatro meses. Eu quebrei a perna e acabei sendo dispensado. Por isso, acabei retornando em seguida para o Brasil.

RRO- O senhor não chegou a sentir falta do Brasil? Da família?
MM- Nunca. Isso é coisa de jogadorzinho de hoje, que é tudo fresco. Eles ficam falando que sentem falta da mãe, da comida da família. Tudo papo...

RRO- Como era feito o exame anti-doping antigamente?
MM- Não existia isso. Se existisse, eles teriam pego todo mundo. Todos os jogadores usavam bolinha, atleta de time grande, de time pequeno. A gente conseguia correr mais assim. Eu usei bastante também.

RRO- Mas o sr. não tinha medo disso prejudicar seu desempenho depois?
MM- Eles falavam que isso acontecia. Mas era frescura deles. Eu não acreditava nisso.

RRO- O senhor jogou em quatro equipes treinadas pelo técnico Filpo Nuñez: América de Rio Preto, Coritiba, Jabaquara e Portuguesa. Como era trabalhar com ele?
MM- O Filpo sabia tudo de futebol. Psicologicamente, ele era muito inteligente. Ele chegava nos jogadores e falava: “Você é muito bom. Você é melhor que o Rivellino”. Ele tinha umas frescuras de usar terno e gravata, como o Luxemburgo hoje. Mas era um grande treinador.

RRO- Por que o senhor encerrou a carreira?
MM- Eu tive um sério problema de diabetes. Esse momento foi muito difícil pra mim. Nem sei te explicar o que eu senti. Fiquei dois meses sem sair de casa, não conseguia fazer absolutamente nada.

RRO- O que o senhor acha dos empresários dominarem o futebol hoje?
MM- Na minha opinião, isso é uma grande palhaçada. Tem jogadorzinho que tem três, quatro empresários. Na minha época, não tinha esse tipo de frescura. Os atletas de hoje ganham muito dinheiro. Os jogadores antigos não ganharam praticamente nada.

Publicado originalmente no Jornal Rudge Ramos Online da Universidade Metodista de São Paulo em 20 de fevereiro de 2009