“Operação Camanducaia” **** (Brasil, 2020, documentário, direção: Tiago Rezende de Toledo), visto no Cine OP 2021
sexta-feira, 16 de julho de 2021
VSP comenta o cinema brasileiro atual: “Operação Camanducaia" (2020)
quinta-feira, 15 de julho de 2021
VSP comenta o cinema brasileiro atual: "O Amor de Dentro da Câmera" (2021)
“O Amor de Dentro da Câmera” **** (Brasil, 2021, documentário, direção: Jamille Fortunato e Lara Beck Belov), visto no Cine OP 2021
Este é um dos trabalhos
mais afetivos e carinhosos que assisti nos últimos tempos. O Amor de Dentro da Câmera explora a trajetória de um casal notável
da cinematografia nacional: a atriz Conceição Senna e o cineasta Orlando Senna.
Ambos companheiros de vida por mais de 40 anos. De minha parte só conhecia
parte da trajetória de Orlando como diretor de Iracema- Uma Transa Amazônica (1974) e pelos cargos que ocupou em
órgãos institucionais. O veterano Orlando Senna também foi roteirista de
diversos diretores e foi ligado ao núcleo original do Cinema Novo. Ele conta
algumas histórias de sua trajetória quando ainda estudante secundário conheceu
o Glauber Rocha em Salvador e também colaborou no Cinema de Invenção, o dito
Cinema Marginal. Orlando Senna também possui uma ligação muito grande com Cuba
onde foi um dos criadores e diretores da Escuela Internacional de Cine Y TV-
San Antonio de Los Baños durante muitos anos. Essa universidade é tida como uma
das melhores escolas de audiovisual do mundo. O Amor de Dentro da Câmera já vale por jogar novas luzes sobre
Orlando Senna.
Mas quem rouba a cena e carrega o filme é a sua esposa: a atriz Conceição Senna. Ela é a própria alma da realização. Profissional dedicada, ela conta seus trabalhos e sua opção de não gostar de fazer televisão. “Só me chamam para fazer estereótipo de nordestina ou prostituta”, lamenta. Ela conta bastante da sua relação de décadas com Orlando: como iniciaram o namoro e o casamento que tiveram tendo o escritor Jorge Amado como padrinho. Conceição é uma figura muito pouco citada no cinema brasileiro. Ela também foi apresentadora de televisão em Cuba enquanto o esposo era um dos professores da Escuela Internacional de Cine. Bastante carismática, Conceição chama muito a atenção do espectador. Muito inteligente, ela reflete muito sobre sua vida, o cinema e os rumos do Brasil. Parece uma avó carinhosa ou uma professora que todos nós tivemos. O Amor de Dentro da Câmera é um documentário criativo e terno que nos faz conhecer mais sobre a vida desse casal notável que dedicou sua trajetória a sétima arte brasileira. Grande estreia das jovens diretoras Jamille Fortunato e Lara Beck Belov. É bom anotarmos os nomes delas porque com certeza as duas devem apresentar mais projetos num futuro breve.
sexta-feira, 9 de julho de 2021
VSP comenta o cinema brasileiro atual: "Libelu- Abaixo a Ditadura" (2020)
“Libelu- Abaixo a Ditadura” **** (Brasil, 2020, documentário, direção: Diógenes Muniz)
segunda-feira, 25 de novembro de 2019
VSP Entrevista: Marcelo Santiago, diretor de “Barretão”
![]() |
| "Barretão" de Marcelo Santiago. Foto: Divulgação |
Marcelo Santiago- Trabalho com o Luiz Carlos Barreto há muitos anos. Comecei minha carreira profissional como assistente de direção de O Quatrilho (Fábio Barreto, 1995). Mas antes de pensar em trabalhar em cinema (venho do teatro), eu já admirava como cinéfilo as produções do Luiz Carlos. Assistia a todas no cinema. Ou seja, é uma admiração de longa data. Quando o conheci, logo nos primeiros anos de convivência, ali no início dos anos 2000, eu e o André Saddy (produtor do Barretão) já falávamos sobre o quão importante seria fazer um documentário sobre ele.
VSP- Um dos méritos do filme é tratar de duas faces do Luiz Carlos Barreto. Não apenas do produtor de cinema, mas do fotógrafo do O Cruzeiro. Vocês pensaram em fazer algo maior referente somente a parte dele como fotógrafo?
Nossa ideia sempre foi fazer um documentário que mostrasse a trajetória completa do Barreto, apresentando as viradas profissionais que ele teve ao longo da carreira. Acho que o filme mostra bem como aconteceram essas viradas e como se deu a passagem da fotografia jornalística para a fotografia do cinema e daí para a produção cinematográfica.
VSP- Acredito que ele deva ter como fotógrafo testemunhado verdadeiros momentos históricos do Brasil. Ele nunca chegou a pensar em fazer alguma exposição ou livro?
O Barreto tem um acervo fotográfico fascinante e incrivelmente extenso. A história política, social e artística do Brasil dos anos 1950 e 1960 pode ser contada através dessas fotos. Ele já publicou um livro de fotografias pela Objetiva, chamado Passagem: A Memória Visual de Luiz Carlos Barreto, que foi acompanhado de uma exposição fotográfica no lançamento, em 2001.
VSP- Desde o início vocês não pensaram em ter mais entrevistados? Não pensaram em entrevistar a Lucy Barreto, Carlos Diegues, Bruno Barreto? Mais gente?
A ideia sempre foi a de ter a história contada na primeira pessoa. O Barreto participou diretamente de todas as passagens narradas no filme, seja como testemunha, presenciando os fatos, seja como protagonista desses fatos. Não há nada mais potente que a história contada por quem a viveu diretamente. E nunca tivemos a intenção de fazer um filme tributo, embora, é claro, o caráter de homenagem esteja presente. Além disso, o Luiz Carlos é um grande contador de histórias, narra os fatos com raro sabor. O filme procura aproveitar isso ao máximo.
VSP- Que importância o Geneton Moraes Netto teve para o filme? Sou admirador dele desde o início na profissão e ele morreu muito novo. Fale um pouco sobre ele.
O Geneton criou o roteiro do filme junto comigo. Ele descrevia o Barreto como sendo o único brasileiro vivo que teria uma história para contar sobre cada presidente brasileiro desde Getúlio Vargas, vivida pessoalmente. Geneton era apaixonado pelo cinema e pelo personagem Barretão. Fico feliz que ele tenha conseguido ver o primeiro corte do filme antes de partir.
VSP- A trajetória do Luiz Carlos Barreto dentro do cinema brasileiro é muito rica primeiro como fotógrafo e depois como produtor. Como você define ele dentro do movimento Cinema Novo?
O Cinema Novo era um grupo de cineastas que pensava a atividade cinematográfica coletivamente. Um grupo forte, coeso, que conseguiu fazer filmes com total liberdade criativa mesmo durante o período da Ditadura Militar brasileira dos anos 1960 e 1970. O Barreto trabalhava junto com o grupo, não somente para seus projetos pessoais. Essa é uma característica que ele traz até hoje. Está sempre trabalhando pelos interesses do cinema brasileiro, não somente para as suas próprias produções.
VSP- No filme existem muitas imagens de arquivo e algumas muito raras. Inclusive tem trechos de uma espécie de documentário francês em que aparece toda a turma do Cinema Novo e com o cineasta paulista Walter Hugo Khouri. Foi muito difícil achar esse tipo de imagens?
Não foi exatamente difícil, porque contamos com a parceria de vários amigos que indicaram certas fontes. Porém, foi absurdamente trabalhoso. A pesquisa e licenciamento de imagens foi a etapa mais longa da produção. Fizemos uma busca em âmbito mundial. Essas imagens que você cita são de um documentário de Pierre Kast sobre o Cinema Novo. Quem nos falou primeiro delas foi o documentarista Joel Pizzini, nosso grande amigo.
VSP- O Barretão é um personagem muito rico seja como fotógrafo e mesmo como produtor. Muito material ficou de fora? Vocês não acharam que podiam fazer uma minissérie ou coisa assim?
Sempre pensamos num longa-metragem. A história de uma vida dedicada à fotografia e ao cinema, condensada em 85 minutos (que é a duração do filme), tem um efeito arrebatador. Nesse sentido, o longa é mais potente que uma narrativa dividida em episódios. É claro que muita coisa ficou de fora. Só a entrevista principal, conduzida pelo Geneton, tem 8 horas de duração.
VSP- É público que o Fábio Barreto teve um acidente e estando afastado da vida cinematográfica por isso. Imagino que é um assunto muito familiar e delicadíssimo. Vocês não quiseram abordar o assunto?
O assunto foi abordado, sim, mas não coube no filme. É realmente uma questão delicada, dolorosa (embora o Luiz Carlos a encare com muita serenidade) e não poderia ser tratada superficialmente. Então teríamos que fazer uma espécie de pausa na narrativa para abordar o assunto. Preferimos manter o Fabio como personagem ativo e participante da história do cinema brasileiro. O filme, inclusive, é dedicado a ele.
A principal dificuldade foi a montagem do filme. Nosso objetivo era contar a história do Brasil e do cinema dos anos 1950 até hoje, tendo, é claro, o Barreto como protagonista. A seleção e o encadeamento dos relatos do Barreto para construir essa narrativa, onde os assuntos pessoais se confundem e se misturam com os coletivos, tomou cerca de quatro anos de nossas vidas, envolveu três montadores, um consultor de montagem (Eduardo Escorel) e seis pesquisadores de imagens de arquivo.
VSP- Quais as maiores dificuldades de se fazer cinema no Brasil hoje?
A maior dificuldade é o gargalo da exibição, ainda mais porque no momento não temos a cota de tela que deveria ter sido estabelecida pelo governo no final do ano passado. A concorrência com os filmes estrangeiros é desleal. Os filmes brasileiros têm pouco espaço para encontrar seu público.
VSP- O que você acha do atual momento do documentário cinema brasileiro?
O momento é excelente em termos de produção. Nunca se filmou tanto. Mas falta espaço, tanto nas salas de cinema, quanto nas TVs e plataformas.
VSP- Na sua opinião, qual é o futuro do cinema brasileiro com uma política tão predatória para a produção nacional?
Não dá para prever muita coisa, levando-se em conta que o atual governo parece que ainda não entendeu a importância não só cultural, mas econômica, da atividade cinematográfica. O cinema sofreu um baque muito grande com o esvaziamento da Ancine, comparável ao que sofremos quando o Collor extinguiu a Embrafilme em 1990. Mas temos que acreditar que a normalidade institucional será retomada e aí será a hora de aprimorar a atuação da Ancine.
![]() |
| Luiz Carlos Barreto está no cinema brasileiro desde a década de 1960. Foto: Divulgação |
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
VSP Entrevista: Rafael Spaca, diretor do "Trapalhadas Sem Fim"
Rafael Spaca- Desde criança. Sempre fui fã do quarteto. Costumo dizer que eles foram os heróis da minha infância.
VSP- E como começou a pesquisar? A ideia inicial era somente o livro?
VSP- Em uma das suas últimas entrevistas você afirmou que ninguém lê livro no Brasil. Isso é um tanto traumático para quem escreve livros como eu e você. Como você percebeu isso? Esperava mais sucesso do livro?
![]() |
| Renato Aragão tornou-se um dos grandes empreendedores do humor brasileiro. Foto: Acervo pessoal |
Demorei quatro anos para conseguir entrevistá-lo. Minha sorte é que uma pessoa próxima a ele driblou a Lilian Aragão e eu consegui a entrevista. Ele me recebeu muito bem, comi a melhor torta de frango da minha vida, ele me elogiou e elogiou minha entrevista. Anos depois, quando Renato Aragão lançou sua biografia, tive a honra de ter dois depoimentos dentro do livro e meus dois livros são citados como fontes bibliográficas. O que mudou? Talvez ele mudou...
VSP- Dentro da filmografia dos Trapalhões quais títulos você mais destaca ou mais gosta?
Gosto de absolutamente tudo até 1988. Em todos esses filmes têm, pelo menos, algum aspecto/perspectiva que vale assistir.
VSP- Qual é o maior sucesso de público deles de cinema?
VSP- Como era a relação dos Trapalhões com a crítica? Isso parece ser um pouco traumático para o Renato Aragão. Você acha que a crítica era um tanto preconceituosa?
Ele sempre reclamou da crítica e personalizava essa crítica para o lado pessoal muitas vezes. Ele afirmava que a crítica não suportava a ver um migrante fazer sucesso e isso deixava a crítica enraivecida. Com a fala do Carlos Drummond de Andrade, de que assistia aos Trapalhões, o cenário melhorou para o grupo. Recebeu uma espécie de chancela de um dos maiores poetas do país. Aí a intelligentsia veio atrás.
VSP- O Renato Aragão é um personagem nacionalmente conhecido e polêmico. Nas suas pesquisas você descobriu novos fatos sobre a trajetória dele? A ideia que ele explorava os demais é verdadeira?
VSP- Você acredita que os quatro conseguiam render somente juntos?
VSP- Como surgiu a ideia do documentário?
A Sara Silveira, produtora do (cineasta) Carlos Reichenbach, deu a ideia. Falou justamente do alcance maior que a pesquisa teria. E, realmente, é impressionante a diferença. Nossa educação hoje é audiovisual, não é mais escrita.
VSP- O documentário é muito diferente do livro?
Ele traz informações novas, mas entendo-o como complementar às minhas pesquisas anteriores.
VSP- Existem histórias novas sobre o grupo no documentário que não estão em outros lugares?
Todos os mitos e folclores a respeito do grupo serão elucidados. É, até agora, o documentário mais amplo a respeito do quarteto. Duvido que o próprio Renato Aragão faça um tão abrangente, tão plural, como esse.
VSP- Por que o Renato Aragão se incomodou com o seu projeto? Você acredita que ele tem uma espécie de vaidade parecida com o Roberto Carlos que proibiu a biografia dele?
Essas histórias se assemelham em alguns aspectos, mas hoje há uma proteção maior ao biógrafo, à liberdade de imprensa. Aquele episódio, apesar de triste, ajudou a abrir caminhos para todos nós, pesquisadores, jornalistas e produtores de conteúdo. Nesse aspecto, Paulo César de Araújo é uma espécie de mártir.
VSP- Você tem medo de que ele tente tirar o doc do mercado como o Roberto fez com o “Roberto Carlos em Detalhes” do Paulo César de Araújo?
VSP- Os Trapalhões têm fãs em todo Brasil. O que eles podem esperar do documentário?
Surpresa!!!!
terça-feira, 22 de outubro de 2019
VSP Entrevista: Ricardo Favilla
VSP- Você era leitor da Turma do Pererê?
![]() |
| Ziraldo quando criou A Turma do Pererê. Foto: Divulgação |
VSP- Ziraldo é o criador destes e de vários personagens. Você acha que ele merecia mais documentários?
VSP- Qual é o maior mérito do Ziraldo com o público infantil?
![]() |
| Foto: Divulgação |
VSP- Você acredita que o Amigo da Onça do Péricles também podia dar um documentário?
VSP- O que você acha do atual momento do documentário brasileiro?
VSP- Na sua opinião, qual é o futuro do cinema brasileiro com uma política tão predatória a produção nacional?









