quarta-feira, 20 de maio de 2009

BOCA MOVIES-3: DAMAS DO PRAZER



Damas do Prazer

Direção: Antônio Meliande
Brasil, 1978

Grata surpresa. São poucos os filmes da Boca que podem ser apontados como bons ou excepcionais. A grande maioria da produção paulista oscila entre o razoável, o trash ou sofre por conta de problemas de produção. Damas do Prazer, a obra-prima de Antônio Meliande como realizador pode ser apontado como uma honrosa exceção.

Como explicar isso? Talvez pelo roteiro acima da média (escrito magistralmente por Ody Fraga) ou por um grupo de atores realmente bem empenhados. Embora grande parte do enredo pareça datado, trata-se de uma produção classe A da Triunfo. O filme gira em torno de um grupo de prostitutas de rua, que faz ponto na Boca. Cada uma possuí algum problema pessoal: Cora (Bárbara Fazzio), mulher quase idosa é mãe de um paralítico e trabalha para sustentá-lo; Vera (Nádia Destro) é uma novata que se inicia na profissão; NP (Nicole Puzzi) é uma jovem que se refugia escutando programas de rádio e lendo jornais sensacionalistas. A mais inteligente e espécie de líder do grupo é Beth (Irene Stefânia).

Todas trabalham nas ruas diariamente convivendo com as dificuldades do cotidiano e sem grande aspirações no futuro. Acabam sendo cercadas por todos os tipos de pessoas como bêbados, viciados, bandidos e traficantes.

Inspiradíssimo, Ody Fraga faz uma espécie de pré-filme de O Sexo Nosso de Cada Dia. Nesses dois trabalhos, o "pornógrafo dos pornógrafos" não olha as moças de vida fácil de maneira sociológica e/ou chapa-branca. As caracteriza como seres humanos, com qualidades, defeitos, sentimentos, desejos e valores. Isso fica latente em vários momentos da película e principalmente pela personagem Beth (Irene Stefânia, extraordinária), que acaba se apaixonando por Corsário (Paulo Hesse, excepcional).

Poema do basfond de São Paulo, dos rejeitados e excluídos da paulicéia, Damas do Prazer é Emile Zola na Boca paulistana.

Curiosidade: Carlos Reichenbach colaborou no roteiro.

Cotação: ****

Cotação “
atacantes do Palmeiras I“:

****- ótimo (Antônio Carlos Fedato)
***- bom (Baroninho)
**- regular (Lenny)
*- péssimo (Osni)

6 comentários:

Sergio Andrade disse...

Adoro Irene Stefânia!

Procurei vídeos com ela para minha série das "Beldades dos Anos 60" e não encontrei nada :(

Abraço!

Anônimo disse...

É Serjão!
Você encontra até imagens da Irene. Mas vídeos é difícil. Trata-se de uma excelente atriz, pena que ela parou de fazer filmes.

Matheus trunk
www.violaosardinhaepao.blogspot.com

Adilson Marcelino disse...

Caro Matheus,
Ainda não consegui ver esse filmes - o elenco de deusas é demais heim.
Só não concordo muito quando você diz que não há filmes muitos bons na Boca.
Como ando assistindo muitos filmes brasileiros, sendo muitos dessa época, ando achando o contrário.
A maior parte fica do bom para cima.
Poucos regulares e só um ruim verdadeiramente ruim até agora.
Abs

Anônimo disse...

Oi Adilson! Cara, mesmo gostando muito dos filmes dessa época, tem muita coisa ruim. É que praticamente já vi quase tudo dos grandes diretores da Boca como o Ody, Jean, entre outros. Ando vendo utimamente mais o "baixo clero" (rsrs) do cinema paulista. Por isso, estou vendo muita coisa do razoável pra baixo. Mas mesmo assim, acaba-se descobrindo muitas coisas legais como este "Damas do Prazer"

Matheus Trunk
www.violaosardinhaepao.blogspot.com

Paulo Azevedo disse...

Assistí "Damas do Prazer" no cinema em 1980,era o máximo na época esses filmes pornochanchadas.
Tenho "Damas do Prazer" em dvd.

Anônimo disse...

Nice post and this post helped me alot in my college assignement. Thank you on your information.