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domingo, 31 de março de 2013

Filmes perdidos da Boca: Mágoas de Caboclo (1970)





Já falamos sobre Chico Fumaça nesse espaço. Comediante do mesmo gênero de Mazzaropi, o ator desenvolveu uma carreira interessante dentro da Boca paulistana. Quem teve a ideia de usar um sósia do humorista foi o produtor e diretor Ary Fernandes. Foi logo na primeira produção da Procitel, a empresa de Ary que tinha sede na rua do Triunfo.

Foram diversos os problemas que produção enfrentou para o longa-metragem ser realizado. Chico Fumaça era humorista de circo e não tinha nenhuma experiência na sétima arte. Mal conseguia decorar as falas. Praticamente sem parceiros na parte da produção, Ary rodou grande parte do filme em Caucaia do Alto, um distrito da cidade de Cotia (SP). Mágoas de Caboclo foi lançado nos cinemas com 25 cópias e fez sucesso entre o público mais humilde. Diz a lenda que Mazzaropi nunca mais conversou com Ary Fernandes. O produtor e diretor parece que não se importou com isso. Tanto que realizou com Fumaça outro filme dois anos depois (Jeca e o Bode). Sem o mesmo sucesso, a Procitel decidiu não investir em longas-metragens sertanejos. Daí por diante, a produtora de Ary investiria mais em comédias eróticas e filmes de aventura.

terça-feira, 19 de março de 2013

Filmes perdidos da Boca: A Volta do Jeca (1984)



Amácio Mazzaropi (1912-1981) foi um dos mais notáveis produtores do cinema brasileiro. O comediante sempre lançava seus filmes no cine Art Palácio, a maior sala de cinema da cidade de São Paulo na época. Todas as comédias de Mazza eram sucessos de bilheteria. Após a sua morte, alguns tentaram realizar fitas no mesmo estilo do humorista caipira.  Os resultados não funcionaram na maioria das tentativas. Em 1984, o diretor Pio Zamuner aceitou a empreitada de fazer um longa-metragem inspirado nas comédias do dono da PAM Filmes. 

O comediante Chico Fumaça (de Mágoas de Caboclo, Jeca e o Bode, entre outros) foi chamado para o papel principal. A grana era curta. Pio teve que recrutar atrizes dos filmes explícitos para fazerem papéis secundários. Muitas eram iniciantes sem qualquer formação em artes dramáticas. Mesmo assim, o diretor e fotógrafo italiano cumpriu a promessa: entregou o longa-metragem para os produtores na data combinada. Fracasso de público, A Volta do Jeca foi praticamente ignorado pela crítica especializada durante seu lançamento. Atualmente, todos os filmes de Mazzaropi estão disponíveis para o grande público em DVD. Fazem sucesso inclusive nos vendedores piratas. Acredito que nem o próprio Mazza esperasse que ele fizesse sucesso por tanto tempo. Mas e seus imitadores? Esses permanecem ignorados, destinados a serem uma mancha cinza do cinema brasileiro.