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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Miguel de Oliveira capa da Placar


Em maio de 1975, o pugilista Miguel de Oliveira conquistou o título mundial de boxe e se tornou conhecido nacionalmente. Um esporte normalmente desprezado pela mídia e pelos jornalistas conseguiu ser capa de diversas publicações esportivas. Na revista Placar não foi diferente. Esta edição é uma preciosidade e até hoje é disputada a tapa em sebos por colecionadores.

domingo, 9 de maio de 2010

Miguel de Oliveira, o segundo rei



Por Henrique Matteucci
A história de Miguel de Oliveira, o segundo brasileiro a conquistar o título mundial de boxe, é bem mais modesta que a de Eder Jofre, mais curta também, porém de igual grandeza, se levar em conta o que significa – e o que custa – a conquista de tal laurel. O boxe é, sem dúvida, o esporte mais difícil de todos. É o único em que o praticante se expõe por inteiro e diretamente, corpo e mente em risco a cada fração de segundo. Um jogador de futebol ou de basquetebol, um atleta do esporte-base ou um tenista, qualquer um deles corre o risco de morrer ali mesmo ou, pior do que isso, sofrer um derrame cerebral e ficar inutilizado para sempre. Ele expõe o rosto à deformação, os olhos à escuridão definitiva. Sempre, até nos treinos.

A caminhada no rumo do título mundial é uma marcha de guerra. Uma batalha atrás da outra, “balas perdidas” raspando e ameaçando sem parar. Quando um pugilista chega ao ranking, a guerra recrudesce e os inimigos se tornam cada vez mais perigosos. Cada adversário é um superguerreiro, com suas armas secretas, suas táticas traiçoeiras. Cada luta é um novo desafio de vida ou morte. E poucos chegam à glória da conquista. Muitos se destroçam no meio do caminho, sem conhecer o doce sabor do título.

Daí a grandiosidade, o heroísmo e a beleza de um cinturão de ouro. Não é o ouro da fivela que vale, é o “espírito” do galardão. É só prestar atenção a este detalhe, para se ter uma ideia do que significa um título de campeão mundial: do dr. Araripe Sucupira a Miguel de Oliveira, num espaço de 54 anos, mais de dez mil jovens ingressaram no boxe em nosso país, mas só dez disputaram o título mundial e só dois chegaram a ele.

Para se avaliar o feito de Miguel de Oliveira, deve-se considerar que ele não teve sequer um por cento da infraestrutura que Eder teve. Miguel não nasceu numa academia, de uma família de pugilistas, não aprendeu a gatinhar dentro de um ringue, não teve um pai técnico e não cresceu motivado por histórias de lutas. Miguel ouviu falar de boxe pela primeira vez aos 14 anos de idade e só aos 17 conheceu uma academia.

Ele nasceu em Lençóis Paulista (SP) no dia 30 de setembro de 1947, mas viveu grande parte da sua primeira infância em São Manuel. Filho de pais lavradores – Bento e Alzira -, Miguel viajou para São Paulo aos 14 anos (1961), para morar com a irmã e completar seus estudos na capital. E deu sorte. Foi trabalhar com o cunhado numa fábrica de náilon – a Rilsan -, que por coincidência tinha um clube interno e, no clube, uma academia de boxe, cujo treinador – Jair Ongaro – vivia olhando para a porta à espera de que um dia por ela entrasse um campeão enviado por Deus.

Mas não foi ali o primeiro contato de Miguel com o pugilismo. Foi ainda em São Manuel, num cinema. Ele foi com amigos para ver um bangue-bangue. E voltou ao cinema por quatro dias seguidos, não pelo bangue-bangue, ao qual nem se lembra, mas pelo “jornal da tela”, que exibia a luta em que Eder Jofre, ao nocautear Eloy Sanches, tornara-se o primeiro brasileiro a conquistar um título mundial. Miguel ficou fascinado. E passou semanas dando golpes no ar, imitando a postura de Eder e sonhando em ser ele também um campeão.

Desde então passou a curtir duas paixões: o boxe e a mecânica. Na Rilsan, encontrou as duas portas. Aprendeu mecânica, que depois aperfeiçoou num curso do Senai, e encontrou o boxe, que aprendeu com Jair Ongano e depois aperfeiçoou com os professores Waldemar Zumbano e Antônio Carollo, aquele na Bel-Boxe e este na Pirelli, empresa que possui a maior academia do Brasil.

Ainda em São Manuel, Miguel dera os primeiros passos. É que o filme da luta de Eder empolgara a cidade, tal como acontecera com Mococa cinqüenta anos antes com as notícias da luta entre Dempsey e Firpo. São Manoel virou uma academia e até nos quintais treinava-se boxe, com sacos de areia improvisados e pendurados em goiabeiras. Ali Miguel deu seus primeiros murros, sem saber que um dia daria murros para a história.

Bom farejador, Jair Ongaro percebeu de imediato que tinha um diamante bruto nas mãos. Notou, em primeiro lugar, seu golpe rápido, seco. Não apenas forte, não propriamente golpe de demolidor. Golpe seco, que no ambiente pugilístico se chama de golpe justo. Ou seja: nem um milímetro pra lá, nem um milímetro pra cá. Justo. É o melhor, porque é o golpe colocado, pega com peso e a velocidade certos, no ponto certo. E derruba.

Ongaro inscreveu Miguel no Campeonato de A Gazeta Esportiva de 1964 e não tinha dúvida de que seu novo pupilo seria campeão. Não deu outra. Ele nocauteou Lima na primeira luta e venceu todas as outras. Depois foi campeão paulista duas vezes, bi também no certame brasileiro e bi no Torneio dos Campeões, terceiro colocado no Latino-Americano do Chile (1968) e participou da Olimpíada de Winnipeg, no Canadá, mas sem sucesso.

Na volta ingressou no profissionalismo e estreou oficialmente contra o forte carioca Alvacir Dória, o qual venceu por pontos em quatro assaltos. E foi vencendo todos os adversários, dezenove por nocaute, dez por pontos, até chegar a primeira grande oportunidade.

Foi em Tóquio, a 9 de janeiro de 1973. Com apenas 29 lutas como profissional, muito inexperiente ainda, Miguel disputou o título mundial com o campeão Kaishi Wajima. E empatou em 15 assaltos. Empatar com o campeão, em Tóquio, equivale a vencer. E até perder por pontos, como ele perdeu depois, tem o seu valor.

Dois anos depois, em 7 de maio de 1975, Miguel de Oliveira teve outra chance em Monte Carlo, onde foi para enfrentar o espanhol José Duran. Duran não era um qualquer. Era um craque. Alto inteligente e hábil, subiu como franco favorito. Pouca gente acreditava em Miguel, mas ele, nesse dia, se superou. Deu uma surra em Duran, mando-o duas vezes à lona e venceu incontestavelmente por pontos em quinze assaltos.

Campeão do mundo! É mole? Foi recebido aqui como herói nacional e desfilou pela cidade no carro dos bombeiros. Eder estava ao seu lado. O Brasil inteiro sentiu-se campeão do mundo naqueles dias.

Em 9 de agosto do mesmo ano, Miguel lutou com o norte-americano Don Cobbs, tido nos Estados Unidos como um provável futuro campeão. O título não estava em jogo. Tranquilo, confiante, Miguel venceu por nocaute no quinto assalto.

Mas em 15 de novembro de 1975, em Paris, numa noite de pouca inspiração e má direção, ele perdeu o título para Elisha Obed, das Bahamas. Miguel poderia ter vencido por nocaute. O perigoso Obed ficou grogue várias vezes e no nono round quase foi à lona. Faltou agressividade a Miguel naquela noite. Faltou-lhe confiança e estímulo do seu “segundo”. A famosa pegada de Elisha influiu inclusive no técnico Antônio Carollo, que, embora brilhante em suas funções, pecou por excesso de zelo. Quando o adversário estava “sentido”, com as pernas bambas, Miguel deveria ter atacado sem reservas, para decidir. Mas o técnico gritou-lhe que se cobrisse, que tomasse cuidado. E ele não atacou. Quem atacou foi Obed. E no 11º assalto Miguel perdeu por nocaute técnico. De pé, porque é assim que ficam os heróis, mesmo na derrota.

Miguel fez mais algumas lutas, depois abandonou o boxe para estudar. Formou-se em Educação Física e foi trabalhar como técnico de boxe da Companhia Atlética, dirigida, no elegante bairro do Brooklin, pelo ex-empresário Glicério Matteu. Deu certo outra vez. Com Maguila como pupilo, ele mostrou que é tão craque como treinador quanto foi como lutador.

Mas a sua maior glória – maior ainda que o título – é que, assim como Eder Jofre e tantos outros heróis desta saga, ele jamais perdeu a humildade.

Texto retirado do livro MATTEUCCI, HENRIQUE. Boxe: Mitos e História. São Paulo: Hemus, 1988.

sábado, 8 de maio de 2010

35 anos da conquista de Miguel de Oliveira


Em 7 de maio de 1975, o boxeador Miguel de Oliveira conseguia uma proeza: tornou-se o segundo pugilista brasileiro a ser campeão mundial. O título foi conquistado no principado de Monte Carlo, onde o lutador bateu o espanhol José Duran. O gringo era o favorito do combate, mas naquele dia o boxeador brasileiro conseguiu se superar e mandou o espanhol para a lona duas vezes.

De origem bastante humilde, Oliveira elevou o nome do esporte brasileiro no mundo. Ele e o técnico Antônio Carollo (que aparece na segunda foto) foram os grandes responsáveis por este feito extraordinário. Na ocasião, Miguel foi recebido no Brasil como herói nacional e tornou-se capa de todos os jornais e revistas de esporte. 


Após encerrar a carreira, Miguel tornou-se um técnico de boxe bem sucedido. Treinou pugilistas como Maguila e a boxeadora Duda Yankovich.

Durante o mês de maio, Violão, Sardinha e Pão realiza uma pequena homenagem a este grande ídolo do boxe nacional.

sábado, 17 de abril de 2010

O treino de Maguila, nosso boxeador número 1

No Brasil, quem quer lutar boxe compra uma grande briga





HOMEM foi a um treino de Adilson “Maguila” Rodrigues para ver como é que o nosso maior boxeador se prepara para derrubar os gringos que tentam desafiá-lo.

Por Marcelo Uchiyama

Fotos de M. Migliano

 No início do mês de outubro, Maguila estava prestes a enfrentar o americano Melvin Epps. Nosso campeão, como todos sabem, é dono do título Sul-Americano dos Peso Pesados e, durante os treinos fixa extremamente nervoso e intimidado. Maguila não quer saber de conversa. Mesmo assim insistimos. Fomos até a Academia Companhia Atlética, que fica no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. O treino foi puxado, comandado pelo ex-Campeão Brasileiro dos Pesos Médios, Miguel de Oliveira, atual treinador de Maguila. O boxeador número um do Brasil mostrou-se um pouco tenso, concentrado no que estava fazendo. O aquecimento foi feito pulando corda durante um bom tempo, em frente a um espelho. Depois foi a vez de uma série de exercícios físicos, flexões abdominais, de braços e pernas. Já bastante aquecido, o atleta foi bater nos sacos de pancada. Em seguida subiu ao ringue para treinar com dois fortes “sparrings”, enfrentando, como é lógico, um de cada vez. A dupla não é pequena. Mas apanhou um bocado.

Maguila treina em média duas horas por dia, o que ainda é pouco para um lutador que tem um título sul-americano para zelar. Felizmente o nosso lutador vem adquirindo agilidade e técnica, progressivamente, graças a seus esforços e a também Miguel de Oliveira, um homem muito experiente em matéria de ringues.

Como muitos dos jovens que resolveram se dedicar ao esporte aqui no Brasil, Maguila enfrentou, e ainda enfrenta, uma série de dificuldades para chegar onde chegou. O nosso campeão vem de uma família humilde. Seu grande sonho era lutar e tornar-se campeão. Hoje, mesmo com suas constantes vitórias, Maguila reclama da falta de patrocinadores e dos prêmios, pequenos que costumam ser pagos para quem vence lutas de boxe. Maguila acha que a profissão de lutador de boxe é muito pouco reconhecida aqui no Brasil.

Maguila começou a lutar por volta de 1980, profissionalmente falando. Ele próprio afirma que entende pouco do esporte, embora goste muito do que faz. Maguila é um homem de poucas palavras, que gosta de usar mais os músculos que o intelecto. Mas é um grande exemplo de homem batalhador, que venceu as barreiras da vida com as próprias mãos. Ele também é tímido e conservador. Ao ser perguntado sobre o esporte que pratica, preferiu passar a bola para o treinador. Sobre o amor livre afirmou que “não entende nada”. E sobre a questão se o sexo é bom ou não para o atleta, foi categórico: “Não, eu não sei! Não me venha perguntar sobre esse negócio!” E saiu correndo, encerrando bruscamente a entrevista.

Publicado originalmente na revista “Homem” em novembro de 1986 

As fotos deste post foram retiradas de um excelente perfil que a revista "Trip" fez com Maguila para sua edição 336 (abril de 2010). 

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Miguel de Oliveira



Miguel de Oliveira: Maestro de Socos

Com a estupenda evolução de seu pupilo Maguila, o ex-campeão mundial começa a despontar como o maior técnico de boxe que o Brasil já teve.

Por Alfredo Ogawa

Em fins de novembro passado, o telefone tocou na casa do técnico de boxe Miguel de Oliveira. Do outro lado da linha, a voz anasalada e com forte sotaque nordestino do campeão sul-americano dos pesos pesados, Adílson “Maguila” Rodrigues, clamava por socorro. Nocauteado dias antes pelo holandês André van der Oestelaar e sob as pressões de sombrias críticas sobre seu futuro como lutador, Maguila havia rompido com o técnico Ralph Zumbano. Ele procurava alguém capaz de colocá-lo novamente de pé. “Miguel, estou disposto a qualquer sacrifício”, prometia.

O campeão encontrou o homem certo. Há oito meses começava a surgir umas das mais bem-sucedidas associações do boxe nacional. De um lado, Maguila, um vigoroso e valente sergipano de 28 anos, que graças á determinação e à força bruta chegara ao 20º lugar do mundo- mas, ao trombar com rivais de maior porte, começara a desabar por falta de melhor orientação. Do outro, Miguel de Oliveira, 36 anos, que uma década antes ostentara o cinturão de campeão mundial dos médio-ligeiros. Trata-se de uma figura atípica no pequeno e extravagante universo do boxe brasileiro. De fato, Miguel não fuma charutos, nem usa coletes xadreses, como o empresário Abraham Katznelson não costuma animar os treinos com gritos como o saudoso técnico Kid Jofre; não é visto com carrões coloridos como o boxeador Tomás Cruz; nem encerrou a carreira estropiado como alguns heróis dos ringues nacionais. Nada disso. Mesmo tendo decidido momentos cruciais de sua vida trocando murros num tablado, o Miguel de roupas discretas e gestos sóbrios pode passar tranqüilamente por um meticuloso gerente de banco.

Operário do Ringue- Se demonstra tarimba para lidar com os sócios da academia, as virtudes de Miguel não são menores para atuar com os profissionais. Um boxeador, pela natureza de sua profissão, não gosta de receber de outro homem nem reconhecer erros ou submeter-se a regas disciplinares. É o caso, por exemplo, de outro pupilo de Miguel, o superfina Tomás Cruz, número 1 do ranking, que deve lutar em setembro pelo título mundial, mas que há dez dias não aparece na Companhia Athlética. “Ele vai estragar sua carreira”, adverte Miguel. O mundo do boxe, porém, sabe que, se alguém ainda puder colocar um pouco de bom senso na cabeça de Cruz, esta pessoa é seu treinador. Capaz de falar por meio de pequenas metáforas e com voz sempre tranqüila. Miguel freqüenta há quatro anos os cursos da misteriosa Pró-Vida, uma instituição que se propõe a aumentar os recursos mentais do ser humano. “O objetivo é ampliar a percepção do mundo nas pessoas”, explica.

De quebra, ele traz em seu currículo a bagagem de alguém que já conheceu várias facetas da vida. Sua cabeça e dedicação de operário da Pirelli, ele transportou para a academia de boxe da empresa, junto com o soco forte que exercitava em Lençóis Paulista (SP), sua cidade natal. “Miguel era um lutador limitado. Só sabia enfiar seu forte braço direito”, lembra Antônio Carollo, seu técnico na Pirelli. Com paciência, Miguel domou a afoiteza, semelhante à de Maguila, e disciplinou-se em todas as regras do boxe.

Último campeão mundial que o Brasil teve, Miguel enfrentou seu destino sem maiores traumas. Continua morando em Osasco, onde montou seu pequeno patrimônio: duas casas e uma chácara. Avesso as extravagâncias, usa um Volkswagen 1980 para se movimentar e é ligadíssimo nas duas filhas adolescentes. “É do tipo caseiro”, define a mulher Maria de Lourdes.

Assim, no lugar do desengonçado Maguila, surge um pugilista que se esquiva bem dos golpes, usa com desenvoltura o jogo de pernas e sabe esperar o momento certo de bater. Ou seja, o mestre das regras do boxe encontrou em Maguila um diamante puro. “O Maguila brigão não existe mais”, orgulha-se o campeão de sua evolução no ringue. Luvas em frente ao rosto, posicionamento do corpo, jogo de pernas e colocações dos golpes são lições que ele repete até a exaustão. “Viemos desde os princípios do boxe e lapida mentos cada detalhe”, ensina Miguel.

O técnico, porém, não se limitou o boxe. Usou todos os seus conhecimentos científicos- nem sempre ao alcance dos boxeadores brasileiros. A avaliação médica inicial mostrou que Maguila só usava 40% do potencial físico. Atualmente, com uma rigorosa rotina diária de 4 horas, já alcançou 60% de sua capacidade total. Isso fica evidente em seus exercícios de musculação. Em fevereiro ele erguia apenas 40 kg com as pernas. Na semana passada, essa carga chegava a 60 kg e breve atingirá os 80 kg. Mais: uma tendinite nos dois punhos enfraquecia seus golpes. Ela foi curada com ultra-som e microondas. Com Miguel, Maguila passou a servir-se de todo o arsenal da medicina do esporte.

Freqüentemente Miguel é visto correndo junto com seu pupilo nos 10 ou 15 km diários planejados. Nesses momentos Miguel conta histórias de suas lutas e escuta as dúvidas de Maguila. São conversas que selam uma união das mais promissoras para o boxe brasileiro.

Publicado originalmente na revista Placar em 11 de agosto de 1986