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sábado, 23 de novembro de 2019

Gugu Liberato (1959-2019)



O apresentador Antônio Augusto Moraes Liberato, o Gugu Liberato (1959-2019), também passou pelo cinema da rua do Triunfo. Foi no longa-metragem Padre Pedro e a Revolta das Crianças (1985) do cineasta e amigo Francisco Cavalcanti. Um filme infantil rodado em Atibaia e Bom Jesus dos Perdões, cidades do interior de São Paulo. Um argumento do ator e comediante Pedro de Lara que o Chico teve coragem de assumir e dirigir.

Gugu fez cinco filmes ao lado do comediante Renato Aragão: Os Fantasmas Trapalhões (1987), O Casamento dos Trapalhões (1988), Os Trapalhões na Terra dos Monstros (1989), Uma Escola Atrapalhada (1990) e O Noviço Rebelde (1997). Ele também teve uma longa carreira no rádio e na TV. Foi um importante comunicador e empreendedor, deu emprego para várias pessoas. Partiu muito novo. Meus sinceros sentimentos a seus familiares e amigos. Que Deus e Jesus os reconfortem. Descanse em paz

sexta-feira, 3 de maio de 2019

A praça está mais triste




A morte de Manoel de Nóbrega deixou todo mundo triste. O público perdeu um grande artista; os artistas perderam um verdadeiro pai

A morte de Manoel de Nóbrega, mais do que um acontecimento que levou cerca de vinte mil pessoas ao cemitério da Vila Alpina, dia 18, representou uma perda pessoal para muitos artistas. Homem de rádio e televisão durante 45 anos, ele foi responsável pelo lançamento ou consagração de grandes nomes no meio artístico, como Sílvio Santos, Moacir Franco, Canarinho e muitos outros, entre eles seu filho único, Carlos Alberto de Nóbrega.

Quando souberam de sua morte – ocorrida ás 22h55 min do dia 17 depois de uma terceira intervenção cirúrgica em um câncer de pâncreas -, dezenas de artistas compareceram ao saguão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Nóbrega foi deputado estadual em 1948), onde o corpo foi velado das duas da madrugada ás 13 horas do dia 18. Tristes, abatidos, alguns chorando mesmo, todos lamentavam a morte do amigo Manoel de Nóbrega.

De todos, o que mais sofria, sem dúvida, era Carlos Alberto de Nóbrega, que além de filho único tinha em seu pai seu grande amigo. “Ele me criou, me incentivou e fez de mim um homem. Foi meu grande, maior amigo. Com que saudade já começo a sentir sua falta, seus conselhos e sua orientação”.

Durante os preparativos para a cremação do corpo, na Vila Alpina, Ronald Golias esteve à frente de tudo, com a fisionomia triste que nunca mostrou na TV. “Vivo as emoções de uma perda inconsolável. Afinal de contas, tinha em Manoel de Nóbrega mais do que um amigo, um pai”.

Moacir Franco também se mostrava tenso, inconsolável. “Para dizer alguma coisa sobre Manoel de Nóbrega gostaria que fosse para poder desejar-lhe saúde e felicidade. Mas já que não posso, desejo que ele descanse em paz e que as bondades que espalhou por onde andou lhe sirvam de subsídios para a luz na vida eterna”.

Airton e Lolita Rodrigues também lamentavam a perda de “um grande amigo, uma pessoa divinamente alegre, sempre pronta a ajudar os outros”.

Na televisão a alegria, na vida, o apoio de todos

Manoel de Nóbrega não foi apenas o ator que a televisão projetou como criador da Praça da Alegria. Nascido em Niterói no dia 18 de fevereiro de 1913, filho de português, ele começou a trabalhar como taquígrafo, em inglês e português, do poeta e prosador Olegário Mariano. Depois foi trabalhar no rádio, atividade que começou em 1931. Foi ator e redator da Rádio Mayrink Veiga e da Jornal do Brasil, responsável pelo remodelação e lançamento de vários programas da Rádio Ipanema, da Tupi do Rio e de São Paulo, da Cultura e da Nacional de São Paulo. Em São Paulo, trabalhou também nas rádios Record, Piratininga, Atlântica de Campinas, e Difusora.

Poliglota – falava inglês, alemão e francês -, Nóbrega trabalhou ainda nas cadeias americanas CBS e NBC, produzindo programas de rádio em 1944 e 45.

Em 1948, foi o deputado estadual mais votado de São Paulo (cerca de 40 mil votos entre três milhões de eleitores).

Na televisão, além de ter lançado grandes nomes como Sílvio Santos, Golias, Moacir Franco e outros e programas como Praça da Alegria, escreveu para artistas como Derci Gonçalves, Procópio e Bibi Ferreira. Com seu trabalho de criador, redator, produtor e intérprete, passou pela TV Rio, TV Continental, TV Excelsior, no Rio e TV Paulista e TV Record, em São Paulo, onde ultimamente atuava como jurado do Programa Sílvio Santos.

Ele foi amigo de todos. Mais de Sílvio


Sílvio Santos fala de seu grande amigo Manoel de Nóbrega, o homem que o lançou no rádio, na televisão e que lhe deu o Baú da Felicidade, com muita sorte

Sílvio Santos conheceu Manoel de Nóbrega quando resolveu candidatar-se a locutor da Rádio Nacional de São Paulo, numa época em que já tinha sido locutor em três rádios do Rio, figurante de televisão e dono de um serviço de alto-falantes nas barcas da Cantareira. Ele mesmo conta como viu Nóbrega pela primeira vez:

“O Nóbrega tinha um programa de grande audiência em matéria de rádio. Quando eu resolvi ir para São Paulo, pedi uma carta de apresentação ao seu irmão, Antônio Nóbrega, que morava em Niterói. Chegando à Nacional, antes de falar com o Nóbrega fiz primeiro o teste para locutor e passei em primeiro lugar. Depois fui esperar o Nóbrega na rádio e quando ele terminou o programa eu lhe falei pela primeira vez: “Olha seu Manoel, eu tenho aqui uma careta de seu irmão lá de Niterói”. O Nóbrega, que nunca tinha me visto, me atendeu prontamente e ficou espantado quando eu lhe disse que, antes de apresentar a carta, já havia feito o teste. A partir daí ficou meu amigo”.

Sílvio passou a trabalhar na Rádio Nacional. Seus laços de amizade com Nóbrega fortificaram-se mais ainda quando Nóbrega, iludido por um alemão de quem era sócio no Baú da Felicidade, foi socorrido por Sílvio. “O alemão – conta Sílvio – havia sumido com o dinheiro e o Nóbrega, que nunca tinha ido à loja – que ficava num porão -, me pediu que fosse para lá atender os clientes, pedindo-lhes que não fossem fazer escândalos nos jornais e dizendo-lhes que o dinheiro deles seria devolvido. Depois de quatro ou cinco dias trabalhando numa loja, vi que aquilo, bem administrado, poderia tornar-se uma boa firma. Falei com o Nóbrega e nos tornamos sócios, eu investindo o dinheiro que ganhavam com os shows em circos e ele pagando a publicidade na Rádio Nacional. Comecei a fazer grandes negócios e o Nóbrega, meio apavorado, com medo de que a coisa não desse certo novamente e fosse manchar sua reputação em São Paulo, disse-me que não queria mais nada com o Baú. Paguei-lhe cinco mil cruzeiros que ele havia perdido no negócio e fiquei sozinho”.

A entrada de Sílvio para a televisão também foi um empurrão de Manoel de Nóbrega. “Em 1964, - conta Sílvio -, quando o Baú já era bastante conhecido, eu tinha um programa noturno na Rádio Nacional de São Paulo e resolvi fazer na televisão um programa de prêmios, com base no Baú. Naquela época, a TV Globo, canal 5, ficava fechada aos domingos, só operando para futebol, depois das 15h30min. Fui ao Vítor Costa, diretor do canal 5, e pedi que me desse o horário de meio-dia às duas da tarde, para eu fazer um programa. Mas o Nóbrega também já havia pedido o horário: no entanto, quando soube que eu queria meu programa de meio-dia às duas, mais uma vez foi meu amigo e me socorreu. Ele disse: ‘Não, Sílvio, não faz mal: eu queria fazer esse horário, mas cedo-o para você’. Mas uma vez ele me deu a mão, mostrando ser o grande amigo que sempre foi, um Homem com H maiúsculo”.

Na alegria da praça, o respeito também era fundamental

Antes de escrever qualquer piada, Manoel de Nóbrega costumava perguntar-se: “Poderei contar essa piada a minha mãe? Se posso, também poderei conta-la à mãe dos outros na televisão”.

Era assim que ele agia na Praça da Alegria, a mais famosa de todas as suas criações, um banco de praça que já sentaram grandes nomes, alguns pela primeira vez na TV, e que tiveram ao lado de Nóbrega momentos de consagração.  O programa foi lançado em 1957, na TV Paulista (hoje Globo), e ficou mais de 10 anos no ar, em várias emissoras. Ronald Golias, Moacir Franco e Carlos Alberto de Nóbrega começaram suas carreiras naquele banco, por onde passaram também Consuelo Leandro, Simplício e José Vasconcelos. Este, em certa época, foi roubado por Manoel de Nóbrega de um programa de calouros de Ari Barroso.

A Praça chegou a ser relançada no Programa Sílvio Santos, com a participação do próprio Sílvio.

Publicado originalmente na revista Amiga em 7 de abril de 1976

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

“Tenho orgulho de ter trabalhado em pornochanchadas”



Uma carreira rápida e fulminante. Essa foi a trajetória da atriz Novani Novakoski dentro do cinema brasileiro. Na segunda década de 1970, a jovem paranaense chamou a atenção dos espectadores pela beleza e simpatia. Em apenas três anos, ela trabalhou em 11 longas-metragens. Uma profissional versátil se considerarmos que a musa esteve sob as ordens de realizadores dos mais diversos como Walter Hugo Khouri, Juan Bajon, Ody Fraga, Raffaele Rossi e Tony Vieira. Atualmente, a vestal está afastada da carreira artística e possui uma escola de inglês em Ponta Grossa, interior do Paraná. VSP conversou com ela sobre os tempos vividos dentro da sétima arte e seus projetos futuros. “Estou torcendo para ser chamada pelo cinema ou televisão”, afirma.



Violão, Sardinha e Pão- Como você iniciou sua carreira artística?



Novani Novakoski- Um amigo de uma prima minha trabalhava nos estúdios do Sílvio Santos que ficavam na Vila Guilherme. Ele me achou bonita e mandou eu ir lá fazer uns testes para ser atriz. Acabei passando e fiz uma ponta na novela Espantalho (dirigida por Ivani Ribeiro) e depois comecei a ser telemoça do Sílvio.



VSP- Como foi essa experiência de ter sido telemoça do Sílvio?



NN- Foi muito legal. Acabei conhecendo muitos artistas e esse emprego acabou me abrindo várias portas no meio artístico.



VSP- Como você começou a trabalhar no cinema?



NN- Acho que por ser bonita, eu acabava chamando muito a atenção onde passava (risos). Nisso, acabei sendo convidada a ingressar na sétima arte. Algum tempo depois, eu posei para a revista Playboy em janeiro de 1980. Depois, tive um convite do (produtor cinematográfico) Galante e também porque um produtor e distribuidor da rua Vitória acabou se apaixonando por mim. Foi onde minha vida pegou um rumo que hoje me faz pensar.



VSP- Por quê esse rumo faz você  pensar?



NN- Porque se eu tivesse ouvido mais a razão do que o coração com certeza minha carreira estaria em alta ainda hoje. Eu poderia estar colhendo os frutos do meu trabalho e com um futuro garantido. Não estaria esquecida de todos do meio artístico. Infelizmente, há punições para nossas péssimas escolhas.




VSP- Os filmes em que você trabalhou eram considerados pornochanchadas. Isso te incomodou alguma vez?



NN- Nunca! Era um trabalho como outro qualquer pra mim, eu até me orgulhava. Nunca me foi exigido fazer nenhuma cena em que eu não pudesse desabonar meu caráter de menina do interior. Só fiz topless e isso era comum até nas praias da época.



VSP- Você chegou a freqüentar a Boca do Lixo, região de São Paulo conhecida por produzir os filmes?



NN- Sim. Todas as semanas eu ia lá porque era ali que tudo acontecia: os contatos com produtores, distribuidores, agências. Ali era o centro de tudo




VSP- Muitas vezes você e outras atrizes da época ficavam marcadas por fazerem um único tipo de papel. Isso incomodava você?



NN-  Não. Eu fazia eu mesma, ou seja, o papel de mulher bonita, sexy e desejada por muitos. Como eu já disse: não tinha nada de pornô nas minhas cenas.



VSP- Dentro da sua filmografia, acredito que seu maior papel seja no longa-metragem Na Violência do Sexo do diretor Antonio Thomé. Como foi esse filme?



NN- Me senti muito importante e foi uma experiência que guardo para a vida toda. Gostei de trabalhar com um grande elenco como Ewerton de Castro, Edgard Franco, Clayton Silva e outros. Aprendi muito com todos eles e me dei bem com todos, inclusive com o diretor Antonio Thomé. Tenho o filme até hoje.



VSP- Nesse trabalho, você contracena com o ator Clayton Silva, recentemente falecido. O que você lembra dele?



NN- Gente fina e um grande ser humano! Saudades.



VSP- Você chegou a trabalhar com o cineasta, ator e produtor Tony Vieira. O que você lembra dessa experiência?

                 

NN- Lembro dele com muito carinho! No fim das filmagens, ás vezes ele me dava carona até em casa e sempre foi muito legal comigo. Ele sempre foi um ótimo profissional e amigo de todos.  



VSP- Você trabalhou em 11 longas-metragens, alguns em participações muito rápidas. Isso te incomodou alguma vez?



NN- Não. Porque na verdade eu é que não tinha muito tempo para o cinema. Uma vez que eu fazia outros tipos de trabalho como modelo, eventos com feiras, trabalhava como manequim e atuava em comerciais de televisão.


    A foto acima foi tirada pelo próprio Khouri nos testes para O Prisioneiro do Sexo



VSP- Como foi trabalhar com Walter Hugo Khouri em O Prisioneiro do Sexo?



NN- O Khouri também era muito profissional. Pena que logo que o conheci me mudei para os Estados Unidos. Por isso, não fiz outros trabalhos no cinema brasileiro.

VSP- Por quê você se afastou da vida artística?



NN- Fui estudar inglês em Denver, no Colorado e depois eu havia me casado com o tal distribuidor. Ele tinha negócios em Hollywood e Los Angeles, na Califórnia. Aprendi inglês e acabei ficando por ali mesmo depois da separação. Fiz algumas pontas e figurações em diversos filmes estrangeiros. Inclusive fui extra em filmes de estrelas internacionais como Silvester Stallone.



VSP- Você pretende voltar a atuar em cinema? Trabalharia com jovens cineastas?



NN- Sim. Meu sonho é voltar ao cinema, televisão. Trabalharia jovens diretores com todo prazer. Aliás, estou torcendo para ser chamada por todos eles. Embora hoje eu more em Ponta Grossa (interior do Paraná), onde tenho uma escola de inglês. Isso não me impedirá de viajar ou viver em qualquer parte do mundo como já fiz antes pois sou uma mulher sozinha e independente.



VSP- Pela sua carreira no Brasil e nos Estados Unidos, você parece ter muitas histórias inéditas. Você já pensou em escrever uma biografia com suas vivências no mundo artístico?


NN- Há várias pessoas querendo escrever sobre a minha vida. Mas como  isso envolve um certo valor monetário e eu mesma não sei nem onde começar. Até agora nada foi feito. Não querendo ser muito pretensiosa, eu ficaria feliz da vida se alguém publicasse um livro ou quem sabe até produzisse um filme sobre minha vida. Acredito que essas obras podem servir de exemplo para as moças que estejam iniciando suas carreiras.