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terça-feira, 9 de abril de 2024

Rubens Francisco Lucchetti (1930-2024)

 






 

Ouvi falar pela primeira vez com o Rubens Francisco Lucchetti aos 14 anos quando assisti O Estranho Mundo do Zé do Caixão em VHS. Foi na locadora Vídeo Factory que ficava na avenida Rebouças. Somente com mais tempo e com a leitura do livro Maldito que aprendi a importância dele na obra e na trajetória profissional de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Lucchetti produziu mais de 20 roteiros para o cinema, trabalhando especialmente com Mojica e Ivan Cardoso.

Com Zé do Caixão os dois formaram uma dupla inusitada: um autodidata e um intelectual, um homem do povo e um erudito. Conheci seu Lucchetti pessoalmente pela primeira vez em 2008 na cidade de Altinópolis, interior de São Paulo. Eles iriam abrir um museu do cinema brasileiro nesse pequeno município. O projeto acabou não acontecendo. Desde então, tivemos uma aproximação bem bacana. O melhor momento foi quando pude numa tarde de 2015 quando fui na sua residência em Jardinópolis, outra pequena cidade do interior de São Paulo. Passamos uma tarde bastante proveitosa conversando sobre os bastidores e as dificuldades da produção cinematográfica nacional. Lucchetti era uma pessoa extremamente afável, generosa e inteligentíssimo. Sempre acompanhado por seu filho Marco Aurélio, um escudeiro fidelíssimo ao progenitor.

Rubens Francisco Lucchetti escreveu mais de 100 livros sobre diversos pseudônimos. Muitos achavam que ele estava fora do Brasil, com grandes nomes. Mas estava numa cidadezinha perto de Ribeirão Preto. Ele dizia que mantinha mapas detalhados sobre Londres ou Nova York. Acredito que ele nunca tenha saído do Brasil, mas conseguia criar histórias sobre esses lugares por conta de muita leitura. “Nunca vi uma pessoa para criar histórias no meu estilo”, me disse Mojica quando o entrevistei para o meu primeiro livro. “Ele era muito tímido, inclusive quando ele iniciou o namoro com a esposa dele, ela que foi paquera-lo”, me confidenciou Mojica rindo. Quando perguntei disse para o Lucchetti, ele me disse: “Tudo mentira do senhor Mojica Marins. Tudo mentira...”.

Lucchetti poderia ser muito mais bem utilizado pelo seu nível de conhecimento. A biblioteca que mantinha na sua residência era extraordinária. Pode-se dizer que diversas faculdades Brasil afora não possuem 10% das obras que ele cuidadosamente mantinha. Lucchetti era muito inteligente para criar histórias macabras, temas de suspense, mesmo contos de detetive, terror. Algo muito diferente da maioria dos escritores brasileiros. Seu estilo era o chamado “pulp”, com clara influência de autores norte-americanos e europeus. Rubens Francisco Lucchetti morreu semana passada aos 94 anos de idade deixando uma vasta obra literária, muitos filmes e diversos projetos não realizados. Existiu inclusive uma negociação dele com a família Barreto uma superprodução sobre o ciclo do café em Ribeirão Preto. Fico sempre pensando no que poderia ter sido esse longa-metragem com um bom orçamento e com tempo. Quando lancei meu primeiro livro, O Coringa do Cinema, mandei um exemplar para o seu Lucchetti por correio. Logo veio a surpresa, dias depois ele não tinha somente lido o livro como ainda fez um post generoso elogiando meu trabalho como se eu fosse algum jornalista reconhecido ou importante. Grande e generoso Lucchetti.

Lucchetti sempre trabalhou num cinema improvisado e precário. Muitas vezes não recebeu o dinheiro prometido por produtores inescrupulosos. Outras não colocaram o seu nome com o devido crédito. Coisas do cinema brasileiro. Perguntei uma vez a seu Lucchetti: “Que conselho o senhor daria para quem queria seguir a carreira de roteiro do cinema brasileiro?”.Não siga porque no Brasil os bons sempre naufragam, sempre afundam”. Parece que Lucchetti tinha razão.



terça-feira, 18 de abril de 2023

JOÃO RESTIFFE (1925-2023)


O ator João Restiffe (1925-2023), colaborador de Mazzaropi no programa “Rancho Alegre” na TV Tupi que nos deixou ontem dia (17). No programa, ele fazia o "escada", colaborando para o cômico caipira que logo depois seria contratado para estrelar produções da companhia cinematográfica Vera Cruz. Restiffe foi radioator e um dos pioneiros do início da televisão no Brasil. Tive a honra de conhecê-lo pessoalmente.


Tem uma história do Restiffe (o Elmo Francfort que me contou) que o compositor Mário Zan compôs a canção “Chalana” na frente do Restiffe. Isso só pra gente ter ideia de tudo que esse senhor viu e testemunhou na sua vida. Neste vídeo, o trecho do documentário de longa-metragem "Mazzaropi, o Cineasta das Multidões" de Luís Otávio Santi.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Diomédio Piskator (1958-2022)

Esse nunca foi uma pessoa fácil. Nunca. A gente esteve afastado há anos. A última vez foi feio: ele me xingou, eu xinguei ele. Bar vagabundo do centro. Separaram a gente. Foi um negócio muito deprimente. Ninguém merecia isso. Mas enfim, é isso.
Mas no final a vida é tão breve, tão curta que essas vaidades são bobagem. “Uma geração vai, e outra vem; mas a terra para sempre permanece”. (Eclesiastas, 1;5).
Diomédio teve o mérito de juntar toda a galera que tinha da rua do Triunfo e fazer o instituto ou memorial que nunca teve sede física. E conseguiu contra tudo e contra todos também produzir e realizar o longa-metragem “Memórias da Boca” que estreou no circuito comercial. O filme passou no Belas Artes da Consolação. Ele fez isso sem ajuda de nenhum órgão público, tudo independente. Fruto da cabeça e das loucuras dele. Tomamos um baita porre quando o filme estreou. Todo mundo louco e ficávamos tentando decifrar as críticas sobre o filme. Na “Folha de S. Paulo”, o crítico disse que o filme tinha “ideias visuais fracas”. Já o “Estado de S. Paulo” disseram que “predomina o cinema de bordas”. Isso enfureceu o Diomédio: “Que porra de borda tem essa fita?”, lembro dele perguntando. E a gente abria outra cerveja pra tentar descobrir o que seriam as "ideias visuais fracas" ou as tais bordas. Em vários botecos do centro já conheciam o Diomedio, o Mário Vaz, o Índio. O Alfredinho era mais refinado mas também aparecia. O Valdir Baptista era professor e um cara paciente. Acabava aguentando o Diomédio. Todos morreram.
Tive vários cargos nesse instituto dele, a turma toda teve. Nunca deu certo: uma hora o problema era o banco, outro não conseguia o imóvel. Numa outra era as burocracias, outras era o próprio Diomédio. Fazíamos milhares de reuniões e no final não se decidia nada. Ou se decidia e o Diomédio fazia o que queria. Aliás, o maior inimigo do Diomédio foi ele mesmo que acabava se auto sabotando quando esteve mais próximo de realizar seus sonhos. Não sei se fazia isso por vaidade, por ego ou até por ingenuidade. Não dá pra saber. Ele teve um câncer pesado, já fazia tempo. Diomédio tinha boas ideias mas nem sempre conseguia fazer elas acontecerem. Era meio essas pessoas que gostam de ter coisas inacabadas. Sei lá, de uns vinte ou trinta projetos, ele conseguia realizar um. Mas não era por maldade. Diomédio tinha uma coisa bem da Boca de tudo ser improvisado, de ser precário mas com orgulho. Como se fosse melhor produzir ou realizar longas-metragens como ele fazia. Se dizendo dessa maneira, “independente” ou "autêntico" por não ter vínculo com os órgãos estatais. Pode até ser. Talvez seja um jeito um tanto romântico de pensar. Essa galera pensava num tipo de realização cinematográfica ou de um mercado que tinha ficado nos anos 1970. Tudo mudou. Mas parece que eles não mudaram. Ou não quiseram mudar. Mas tudo bem. No final vai ver que o Diomédio e esses meus amigos da Boca eram mesmo uns românticos. Que pena. Ele vai deixar saudades.



quarta-feira, 6 de abril de 2022

Salvador do Amaral (1938-2022)

 





Foi numa atividade do mestrado. Eu tinha que mostrar um trecho do meu objeto pra uma classe cheia. Tinha gente na mesma classe estudando coisa chique: John Ford, cinema polonês, pioneiros da TV. O meu era o cinema do Francisco Cavalcanti, que fazia filmes policiais de baixo orçamento na Boca. Bem, como vocês devem imaginar a chance de darem risada era muito grande. Como eu conhecia bem a filmografia do Chico separei um dos melhores trechos de “O Cafetão” (1982). O gozado é que tanto a professora como os colegas ficaram impressionados com o trecho. “Que fotografia incrível? Quem é o fotógrafo?”. Bem, o fotógrafo era Salvador do Amaral (1938-2022), que morreu neste sábado (dia 2 de abril). Salvador era avesso a dar entrevistas. Conversei umas duas vezes por telefone com ele mas sem grandes prolongamentos. Queria ficar sossegado com a família, com sua esposa, a atriz Marli Machado. Salvador trabalhou em mais de 50 longas-metragens brasileiros em diferentes ocupações: dirigiu, fotografou, produziu, atuou, foi assistente de câmera, fez elétrica, still, foi maquinista. Foi outro coringa da Boca. Começou na TV Excelsior e depois esteve com José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Fazia um dos secretários de Mojica no programa “Além, Muito Além do Além” (1967), na TV Bandeirantes. Aproximou-se de Cavalcanti quando ele iniciava sua carreira e precisava de um fotógrafo. Dizia o próprio Chico: “Eu sempre trabalhava com o Salvador do Amaral que era um diretor de fotografia pequeno, mas que respeitava o diretor”. Salvador era um operário do cinema. No entanto, quando foi entrevistar o Rubens Eleutério, este era só elogios a Salvador: “O Salvador sabia sempre o que estava fazendo (...) Porque o Salvador tem o seguinte: quando ele não sabia as coisas ele tinha humildade de chegar e falar: ‘Olha, eu não sei. Isso eu nunca fiz’”. Salvador trabalhou com o ator e produtor Amacio Mazzaropi em três longas-metragens. Foi gerente de produção em “Uma Pistola Para Djeca” (1969), eletricista em “Betão Ronca Ferro” (1970), o filme do circo do Mazza e foi assistente de câmera e auxiliar de eletricista em “O Grande Xerife” (1971), espécie de sátira aos faroestes italianos que estavam em moda na época. Salvador também esteve em “Panca de Valente” (1968) de Luiz Sérgio Person. Senão estou enganado e a memória não me trai ele faz um dos capangas do filme. Esse filme foi um gigantesco fracasso e limou a carreira de Person no Brasil. Sei que tanto Salvador como o eletricista Francisco Ravagnoli, o Padre foram bastante próximos ao Person nessa época, tendo trabalhado em comerciais e filmes institucionais que Person fazia na sua produtora: a Lauper Filmes. Era uma das grandes empresas de filmes comerciais de São Paulo na década de 1970.

Mas Salvador fez muitas coisas no cinema paulista. Teve escritório na Boca e uma agência de modelos. Com Chico ele fez 21 longas-metragens. Esteve sob as ordens de Cavalcanti e com este estabeleceu uma parceria duradoura. Na produtora de Chico, a Plateia Filmes, Salvador do Amaral tornou-se um nome associado. Estiveram juntos em trabalhos representativos do diretor como “O Porão das Condenadas” (1979), um grande sucesso de bilheteria; na reconstituição de época “Ivone, a Rainha do Pecado” (1983); no belo e criativo policial “Almas Marginais” (1984) e até no infantil “Padre Pedro e a Revolta das Crianças” (1984), em que Pedro de Lara rivaliza com José Mojica Marins. E até o então jovem apresentador Gugu Liberato faz uma pequena ponta. Chico era muito criativo para filmes policiais de baixo orçamento. Vamos ver ele novamente trabalhando com Salvador Amaral no clássico um tanto trash “Horas Fatais-Cabeças Trocadas” (1986), co-dirigido por Clery Cunha. Quando o sexo explícito chega, Cavalcanti tenta voltar aos sucessos anteriores do policial popular mas sem o mesmo êxito anterior.

Bastante versátil, Salvador do Amaral também teve uma pequena parceria com o cineasta ítalo-brasileiro Rafaelle Rossi, primeiro sendo assistente de câmera e por fim dirigindo a fotografia de filmes como “Boneca Cobiçada” (1980) e o mega-sucesso “Coisas Eróticas” (1982), primeiro filme brasileiro de sexo explícito.

Na última vez que estive com o amigo Rodrigo Montana em seu escritório na rua dos Andradas ele dizia que teve poucos amigos verdadeiros em cinema. Salvador era um deles. Já faz dez anos que Montana me disse isso e que ele morreu. Desde então, aquele quadrilátero de ruas não é o mesmo pra mim. Evito andar por aquelas esquinas. Parece que algo me persegue. Serão fantasmas? Não. Acabo me lembrando dos meus amigos de cinema que já morreram. Praticamente todos sem nenhum reconhecimento. O Brasil é prodígio nessas coisas.  Descanse em paz Salvador. Outro amigo da Boca que vai antes do tempo combinado.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Júlio Calasso (1941-2021)


Acho que tive uma vez com o Júlio Calasso (1941-2021). Lembro de uma sessão acho que do curta do Gabriel Carneiro que ele falou “Poxa, fiz tantos filmes brasileiros e nunca beijei a mocinha”, algo assim. Foi ator em vários filmes, dirigiu dois longas-metragens: “Longo Caminho da Morte”, 1975 e “Plínio Marcos nas Quebradas do Mundaréu”, que participou da Mostra de São Paulo de 2012. Calasso participou ativamente do Cinema de Invenção, sendo próximo do Rogério Sganzerla tendo sido assistente de produção e fazendo um papel no clássico “O Bandido da Luz Vermelha”. Além disso, Júlio Calasso também trabalhou com produção de cinema, de música, foi ator de teatro e foi próximo ao dramaturgo Plínio Marcos de quem homenageou num belo documentário. Tinha mil histórias. Uma pena as pessoas talentosas partirem assim. Meus sentimentos

domingo, 30 de maio de 2021

Maurice Capovilla (1936-2021)

Maurice Capovilla nos deixou hoje. Conheci ele na Mostra de Cinema de Tiradentes em 2015. Acessível, talentoso e gente fina. Apresentava um bom filme sobre o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues. Capovilla será lembrado pelo “Bebel, Garota Propaganda” (meu filme preferido dele baseado num livro do Ignácio de Loyola Brandão e com a Rossana Ghessa), “O Profeta da Fome” e outros grandes trabalhos. Descanse em paz Capo

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Nove anos sem Rodrigo Montana

 

Hoje se completam nove anos sem o cineasta Coriolano Rodrigues Mineiro, o Rodrigo Montana (1940-2012), diretor de Rodeio de Bravos. Ele tinha um escritório na rua dos Andradas, no centro e marcou a minha vida e de vários amigos. 


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Antônio Leão da Silva Neto (1957-2020)








Quando eu tinha 14 anos o cinema brasileiro me salvou. Ou me amaldiçoou. Ou me enfeitiçou. Ou todas essas coisas. Eu matava aula com um livro de capa preta debaixo de braço. Minha escola era toda alternativa. Tinha uma espécie de fumódromo. Eu nunca fumei. Mas eu levava esse livro preto dentro da mochila e ficava lá do lado decorando filmes, diretores, técnicos. Esse livro preto que eu levava chamava-se “Dicionário de Filmes Brasileiros” escrito por Antônio Leão da Silva Neto. Conheci o Leão na época da Coleção Aplauso. Acredito que a primeira vez que nos vimos juntos foi na exibição do “Corrida em Busca do Amor” do Reichenbach em 2004. Era numa época que existia uma rede de locadoras chamada 2001. Eles tinham um verdadeiro império. Não tinha YouTube, Netflix, nada disso. Devo ter conhecido pessoalmente o Leão pelo Alfredinho Sternheim ou por outra pessoa. Depois na época da Zingu tivemos uma espécie de desentendimento e ficamos sem nos falar por anos. Ele lançou vários livros na Coleção Aplauso. Sua paixão pelo seriado "Vigilante Rodoviário" era vibrante. Ele fez a biografia oficial do Ary Fernandes, criador da série. Além disso, ele sempre que podia falava da série do Lobo e do inspetor Carlos. Dava entrevistas sobre o assunto toda hora. Devia ser o maior conhecedor da série.


Quando fui lançar “O Coringa do Cinema” em Ouro Preto nos encontramos e ficamos razoavelmente próximos. Resolvi esquecer as rusgas. O Leão sempre respeitou o meu trabalho. E eu o dele. Afinal, eu continuo sendo aquele menino de catorze anos. Quando nos encontramos em Tiradentes em 2018 foi uma festa. Comprei o livro dele e tínhamos mil planos. Também estive ano passado no lançamento da “Enciclopédia Mazzaropi” na Cinemateca Brasileira que ele escreveu e colocou o meu nome nos agradecimentos. De maneira muito gentil. Porque o Leão era um cara generoso. Era uma pessoa que amava o cinema brasileiro. Isso tem que ficar aqui. Acho que ele nunca ganhou dinheiro com seus inúmeros livros. Escreveu de maneira independente porque amava tudo isso, estava no seu sangue. Ele trabalhava em outra área, nunca teve empregos com cinema. Sei que era apaixonadíssimo pelos filmes do Mazzaropi. Desde jovem ele tinha a ideia de fazer uma grande biografia sobre o comediante. Daí resultou essa enciclopédia que comentei. Leão teve três filhos e em Tiradentes lembro de conhecer a filha dele que também ia pro lado do cinema. Tinha herdado a paixão do pai.

No início do ano antes desta maldita Pandemia ele me chamou na casa dele pra me dar um monte de revistas e documentos pessoais sobre cinema brasileiro. Fui lá em São Bernardo do Campo atrás disso. Conversamos nesse dia e ele me disse que tinha um câncer na cabeça pela terceira vez, algo do gênero. Ele já tinha operado a cabeça umas duas vezes. Fiquei assustadíssimo. Perguntei como ele conseguia fazer tudo isso e continuar tendo forças. Ele abriu um sorriso e me disse: “É o amor à vida”. Que eu e vocês amigos tenhamos um pouco de amor à vida da mesma maneira que o Leão tinha. É o que posso dizer por hoje. Fica aqui meus mais sinceros sentimentos a sua esposa, filhos, família e amigos. Porque o Leão deve ter uns mil amigos. Era querido por meio mundo. Que ano....

sábado, 31 de outubro de 2020

Máximo Barro (1930-2020)



Foi logo quando publiquei o livro do Gaúcho. O Gaúcho me ligou um dia: “O Máximo Barro quer que você vá na casa dele. Ele quer conhecer o jovem que pesquisa cinema brasileiro”. Eu já conhecia o Máximo Barro de contatos telefônicos pra Zingu e dos lançamento da Coleção Aplauso. Me deu autógrafos e tudo. Mas lógico que eu sabia bem de seus trabalhos como pesquisador, autor, professor e montador...

 

O cara foi antecessor da própria fundação da faculdade de cinema da FAAP. Ele deu aula no Seminário de Cinema que deu origem a faculdade. Atendendo ao Gaúcho fui uma tarde na casa do Máximo. Ele morava em Higienópolis, pertinho de onde o Alfredinho Sternheim morava. O Máximo era generosíssimo. Mesmo tendo um currículo cem mil vezes maior que o meu me tratou de igual para igual. Isso é inesquecível. A esposa dele fez um café e tal. Gentilíssima. Ficamos conversando uma tarde. Mas ele falou: “Pois é mas eu queria que você me desse um exemplar do seu livro pra darmos pra biblioteca da FAAP”. Falei que topava. “Mas tem um problema...Eu esqueci o exemplar. Você vai ter que voltar outro dia”.

 

Lembro que fui uma segunda vez, autografei o livro e ele ficou todo feliz: “Agora esse exemplar vai ficar lá por todo o sempre”. Algo assim. Mas conversamos muito, horas e horas. O cara tinha sido amigo pessoal do Biafora, Khouri, Sérgio Hingst, Carlos Motta, entre muitos outros.

 

O Máximo tinha muitos livros publicados e foi professor da FAAP durante anos e anos. Montou dezenas de longas-metragens de Khouri, Mazzaropi, José Carlos Burle, Fernando de Barros, Deni Cavalcanti, um currículo muito longo. Não tenho gabarito moral para opinar sobre a carreira dele como montador.

 

Não fui aluno do Máximo mas fui influenciado por ele. Mas não foi pelos livros ou artigos. Foi pelas inúmeras entrevistas que ele fez pro Museu da Imagem e do Som de São Paulo com veteranos da Vera Cruz, Maristela, Multifilmes. Até com gente do Ciclo de Campinas. Ele fez isso na década de 1980 e pegou todo aquele pessoal do cinema industrial paulista que morreu logo depois. Que me desculpem os outros: nunca houve alguém que soubesse mais que o Máximo do cinema paulista dessa época. Nunca houve. Era espantoso. Ele dava baile nos caras. Inclusive nesses que fizeram carreira acadêmica.

 

Nunca fui amigo pessoal do Máximo mas fui do Alfredinho. O Alfredo gostava muito do Máximo. No “A Ilha” (1963) do Khouri os dois se conheceram e ficaram amigos ali. Alfredinho era quase adolescente e o Máximo Barro já era o Máximo Barro. Impressionante, uma verdadeira entidade do cinema paulista.

 

O Alfredo mesmo me falava muito que o Máximo foi o maior pesquisador de cinema paulista que já teve. Ele devia estar certo. Tivemos juntos poucas vezes mas sempre tive uma enorme admiração por ele.


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Wilson Marques (1950-2020)

 

O cinema da Boca não foi feito apenas por cineastas e atores. A rua do Triunfo contou com diferentes profissionais e técnicos. Wilson Marques foi uma dessas pessoas tendo trabalhado na área de direção de produção. Ele trabalhou em diferentes longas-metragens como As Delícias da Vida (1974) de Maurício Rittner, Viúvas Precisam de Consolo (1979) de Ewerton de Castro, Força Estranha (1983) de Pedro Mawashe e Amor Voraz (1984) de Walter Hugo Khouri. Teve também uma importante parceria com o ator, diretor e produtor Francisco Cavalcanti com quem colaborou em sucessos de bilheteria como Mulheres Violentadas (1977) e O Porão das Condenadas (1979), duas notáveis produções de Cavalcanti. Nossos sentimentos a família e amigos deste importante profissional do cinema paulista.

sábado, 24 de outubro de 2020

Rajá de Aragão (1938-2020)

Rajá e Fabrício Cavalcanti. Acervo pessoal de Fabrício Cavalcanti

O cineasta e roteirista gaúcho Rajá de Aragão (1938-2020) trabalhou em dezenas de películas realizadas em São Paulo nas décadas de 1970 e 1980. Radicado em São Paulo, ele foi um nome bastante ativo durante o período de maior sucesso da Boca paulista, sendo um importante colaborador do diretor e produtor Tony Vieira em diversos trabalhos. Rajá trabalhou em diversos gêneros tendo roteirizado três filmes do comediante e produtor Amácio Mazzaropi: "O Grande Xerife" (1972), "Jeca e Seu Filho Preto" (1978) e "A Banda das Velhas Virgens" (1979). Sua ligação com o cineasta Pio Zamuner foi tanta que ele foi chamado para roteirizar "Paixão de Sertanejo", tentativa do realizador de trabalhar fora da PAM Filmes. O longa-metragem não teve o sucesso comercial desejado mas a amizade entre os dois continuou. Rajá era intelectualizado, dizia que sua maior influência era o roteirista norte-americano Dalton Trumbo. O roteirista gaúcho chegou a ser ator em vários filmes e dirigiu três longas-metragens mas sua fama na rua do Triunfo era para ser colaborador em roteiros. Rajá já estava afastado do meio artístico morando num asilo para idosos em Brasília (DF), onde morreu ontem (dia 23/11). Nossos sentimentos a família: filhos, netos e amigos. Vai deixar saudade e seu nome está gravado na história do cinema brasileiro. Merecia maior reconhecimento mas os tempos são bastante sombrios. Descanse em paz Rajá!

Depoimento do diretor de fotografia Virgílio Roveda, o Gaúcho para o livro "O Coringa do Cinema" falando de Rajá de Aragão:

"O Rajá fez muitos roteiros pro Tony, era o braço-direito dele na parte de roteiro. Ajudava muito no acabamento, letreiro de apresentação. Era competente no que se propunha a fazer. Ele tinha uma certa noção de cinema, né? Foi ex-presidiário, foi uma babaquice de ser bookmaker aqueles caras de corrida de cavalo que são perseguidos. Ele era ligado a jockey, bookmaker, aquela coisa de corrida de cavalo. Então, existia uma perseguição da polícia, eu sei que de vez em quando algum parava em cana. E ele foi um que parou em cana. Mas uma puta experiência, uma vivência no submundo, essa coisa toda. Ele tinha vivência e passava muito. É importante quem escreva um roteiro se propunha a escrever sobre assuntos em que ele entenda e conheça. Que ele tenha uma noção, intimidade com o material. Ele viveu, o cara que vai fazer. Tony Vieira viveu no mundo noturno de São Paulo, na noite. Então, retratar isso a linguagem, comportamento até a gesticulação ele vivia isso. Isso se chama tarimba. Fica ruim o cara estar navegando num mar que não tem intimidade. (...) Acho que um dos problemas do cinema nacional não ter deslanchado até hoje é isso. O camarada muitas vezes prepara um argumento ou roteiro sobre algum assunto que ele desconheça. Aí tudo acaba dando em água de batata. Acho que os profissionais que deram mais certo foram aqueles que procuraram falar do universo que conheciam. Quando conseguiram ter alguma relação direta com o assunto".




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

José Mojica Marins (1936-2020)



Um vazio. O ruim de ter amigos mais velhos é este sentimento que se repete com assiduidade. Agora foi o ator e cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Dos galinheiros da Vila Anastácio a estima dos críticos europeus. Do velho Cine Santo Estevão passando pela Boca até a consagração internacional. Mojica foi punk antes dos punks, um genuíno autodidata do cinema brasileiro. Da velha Galeria Boulevard na Dom José de Barros ficaram poucos. Morreu quase todo mundo. Ali foi minha escola de onde embalou diversos sonhos meus. Não realizei nem a metade. Mas os sonhos e as loucuras que nos movem. Mojica tem seu mérito: criou o personagem mais popular da história do cinema brasileiro. Não é pouco. Meus sinceros sentimentos a Liz, ao Crounel, a Nilsinha e todos os familiares. Mojica foi um gigante. Será lembrado sempre.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

José Lopes, o Índio (1941-2019)


Hoje morreu um amigo que conheço desde que comecei a frequentar a galeria da Dom José de Barros. Ele sempre tinha um sorriso e muitas histórias. Ele lutou bastante contra uma doença terrível. Ficam as histórias, os causos e os filmes. Poucos conheceram a Boca como você: início, apogeu ao fim. José Lopes, o Índio: descanse em paz meu amigo. Que Jesus Cristo lhe acompanhe. Só temos a te agradecer pela pessoa incrível que você foi.

sábado, 23 de novembro de 2019

Gugu Liberato (1959-2019)



O apresentador Antônio Augusto Moraes Liberato, o Gugu Liberato (1959-2019), também passou pelo cinema da rua do Triunfo. Foi no longa-metragem Padre Pedro e a Revolta das Crianças (1985) do cineasta e amigo Francisco Cavalcanti. Um filme infantil rodado em Atibaia e Bom Jesus dos Perdões, cidades do interior de São Paulo. Um argumento do ator e comediante Pedro de Lara que o Chico teve coragem de assumir e dirigir.

Gugu fez cinco filmes ao lado do comediante Renato Aragão: Os Fantasmas Trapalhões (1987), O Casamento dos Trapalhões (1988), Os Trapalhões na Terra dos Monstros (1989), Uma Escola Atrapalhada (1990) e O Noviço Rebelde (1997). Ele também teve uma longa carreira no rádio e na TV. Foi um importante comunicador e empreendedor, deu emprego para várias pessoas. Partiu muito novo. Meus sinceros sentimentos a seus familiares e amigos. Que Deus e Jesus os reconfortem. Descanse em paz

quarta-feira, 31 de julho de 2019

HOJE SERIA SEU ANIVERSÁRIO. ONZE MESES SEM O AMIGO ALFREDO STERNHEIM


Muito tempo que trago no sangue comigo
A febre de uns senhores que são meus amigos

Há muito que eu os escuto e entrevisto
Eu só sei entrevistar

O cara entrevistou o Fritz Lang. Foi amigo pessoal de Rubem Biáfora. Frequentou o apartamento do Khouri na Martins Fontes. Dirigiu inúmeros longas-metragens. Uma vida dedicada ao cinema paulista e brasileiro. Crítico que destacou o cinema oriental. Combativo, corajoso, inteligente, sensível. Onze meses sem ele. Canal Brasil, Cinemateca Brasileira, MIS e todos os demais não fizeram uma nota, uma mostra, uma homenagem, um nada. Eis as instituições culturais de um país colonizado. A dor na consciência fica pra vocês.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Alfredo Sternheim (1942-2018)

 
Grande amigo. Uma das pessoas que mais acreditou em mim. Era um cara adorável, cativante, corajoso, inteligentíssimo. Fomos próximos. Tive privilégio frequentar sua casa algumas vezes. Entrevistou Fritz Lang pessoalmente. Talvez como crítico ele nunca recebeu o reconhecimento que devia. Estivemos pela última vez em outubro num curso que ele deu no Museu Guilherme de Almeida. Eu não estava bem. Ele estava lúcido e sempre soube tudo de cinema clássico europeu e americano. Como diretor gostava de contar histórias de amores quase impossíveis: sempre com requinte, música clássica e bom gosto. Um diretor da Vera Cruz dentro da Boca paulista. Quem me disse isso foi o Máximo Barro. Estava certo.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Fábio Villalonga (1956-2017)


Descanse em paz eterno galã. Nome eterno da rua do Triunfo. Gigante

segunda-feira, 31 de julho de 2017

IN MEMORIAM DE HEITOR GAIOTTI, O CARA DE GATO


 
O trio de aventureiros era composto por Tony Vieira, Claudete Joubert e Heitor Gaiotti. O personagem que ele fazia era o Cara de Gato. O comendador Francisco Assis Soares trazia os cavalos e os empregados assavam o garrote. As noites em Sabaúna eram animadas com música, cantoria, futebol, boêmia. Tony Vieira sempre media a febre. Mantinha uma mala entupida de remédios já que era hipocondríaco por natureza. Cara de Gato não. Magricelo, boa praça e bom de copo. Dava chances para os iniciantes. Foi ele quem chamou o então perdido Castor Guerra para ser ator num faroeste. O pagamento: um sanduíche e um refrigerante Crush. Foi a primeira oportunidade do alto e desengonçado Castor num longa-metragem. Ele ficou devendo essa para Gaiotti, o Cara de Gato, o mais engraçado ator da rua do Triunfo. Uma vez, Gaiotti e Tony brigaram. O ator, produtor e diretor chamou então Ronnie Cócegas (Galeão Cumbica da “Escolinha do Professor Raimundo” do Chico Anysio) para o papel cômico. O resultado não foi ruim. Mas a parceria voltou, afinal, os dois eram irmãos. De cinema, de boêmia, da rua do Triunfo. É errado achar que Gaiotti deixou sua marca somente nas produções do amigo. Esteve presente em dezenas de produções paulistas como “O Inseto do Amor” de Fauzi Mansur. Também foi o marido que tenta trair a esposa e recebe bicadas em “A Mulher Que Põe a Pomba no Ar” de José Mojica Marins e o policial que anda de Veraneio e salva o perdido Lírio (Nuno Leal Maia) no clássico “O Bem Dotado- O Homem de Itu” de José Miziara. Lembro dele fazendo o caseiro Firmino numa comédia do Antônio Meliande no qual ele é o melhor ator da produção (“Vadias Pelo Prazer”). Também está engraçadíssimo em “O Filho da Prostituta”, o segundo e último longa-metragem de Francisco Cavalcanti rodado em Avaré em que faz cenas muito divertidas com a rechonchuda Yolanda Silva, sogra de Chico e avó do Fabrício.

Pouca gente sabe. Mas Gaiotti abandonou a carreira militar, o exército para ser palhaço, humorista, ator cômico. Os companheiros de quartel davam tantas gargalhadas com suas apresentações que ele resolveu seguir a carreira artística. Gaiotti era de uma fidelidade canina ao amigo Tony e aos companheiros da produtora MQ (Marca e Qualidade como diziam nas entrevistas ou Mauri de Queirós, o nome verdadeiro de Tony Vieira) . Um dos grandes humoristas do Brasil, talentosíssimo. Morreu esquecido. Não vai ser capa de nenhum caderno cultural nem nome de centro acadêmico ou cineclube. Mas as filmagens vão começar. Tony gravou a ideia (o “argumento”) numa fita K7:

“Meu irmão: quero um filme bangue-bangue mais pesado que os italianos. Giuliano Gemma vai ficar com inveja da gente. Quero um papel de destaque pra Claudete. Muitas moças. Um papel bom de vilão pro Comendador. Mas papel grande com fala. Coloca uns ciganos, tráfico de escravas brancas e muito tiro. Vai ter uma explosão num celeiro. Fronteira Brasil-México será atravessada”.

Outro faroeste realizado em Sabaúna, Mogi das Cruzes. Luiz Castellini ouve a fita e faz o roteiro com empenho. Comendador providenciou cavalos árabes e persas. Disponibilizou todos os ambientes da sua propriedade. O esforçado Nabor Rodrigues organiza a produção. O versátil Henrique Borges ficou encarregado da direção de fotografia. Esse foi um técnico que trabalhou em praticamente todos os gêneros do cinema brasileiro e continua esquecido. Carregou todos os equipamentos de trem para Sabaúna. Minami Keizi veio fotografar e registrar tudo para a revista “Cinema Em Close-Up”. O material bruto depois será montado. O início das filmagens será comemorado no Soberano. Serafim já xingou todo mundo. Fizeram uma balbúrdia no seu estabelecimento. Rua do Triunfo em festa.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Eder Mazzini (1950-2016)

Namorei uma menina que tinha família no interior. Sempre que ia pra cidade dela eu passava por Catanduva (“cidade feitiço”). Sempre que passava por lá lembrava: “Poxa, ainda não entrevistei o Eder Mazzini”.
Eder Mazzini (1950-2016) nasceu em Catanduva e nunca quis me dar entrevistas. Chegamos a conversar várias vezes. Era montador de prestígio na Boca paulista. Grande companheiro do Carlão Reichenbach. Lembro que encontrei Eder no velório do Carlão no MIS. Acho que ele deve ter ficado o tempo inteiro do velório junto com a família do Reichenbach. Mazzini era branco, magricela e usava óculos. Sempre muito educado. Mas naquele dia estava devastado. Estava mais branco que o normal e fumava um cigarro atrás do outro. “Agora quem sabe eu possa te dar a tal entrevista. Eu falava com o Carlão todo dia”, admitiu. Os dois tinham sido sócios da produtora Embrapi, uma tentativa de profissionais da Boca tornarem-se produtores independentes. Eder ficou inclusive dono das produções da empresa. Tentei diversas vezes fazer que ele vendesse os filmes pro Canal Brasil: “Eram dez sócios, vai dar o maior rolo isso. Deixa pra outra hora”.
Eder veio do interior para estudar engenharia. Parece que não saiu-se muito bem nessa parte. Acabou caindo na rua do Triunfo. Ali trabalhou como assistente de montagem de algumas pessoas, inclusive do Walter Wanny. Quando começou a montar não parou mais. Montou filmes de praticamente todos os grandes diretores da Boca como Ody Fraga (O Sexo Mora ao Lado), Cláudio Cunha (O Gosto do Pecado, Oh Rebuceteio!) Jean Garrett (A Força dos Sentidos, Karina, A Mulher que Inventou o Amor, A Noite do Amor Eterno), Fauzi Mansur (O Inseto do Amor), Walter Hugo Khouri (Paixão Perdida, Amor Estranho Amor, Forever, Amor Voraz) e Luiz Castellini (Tara-Prazeres Proibidos e A Reencarnação do Sexo). Mas parecia ter um carinho todo especial para os filmes que montou de Reichenbach. Talvez sejam os trabalhos mais representativos de Carlão como diretor: Amor, Palavra Prostituta (1982), Extremos do Prazer (1984), Filme Demência (1986) e Anjos do Arrabalde (1987).
Convidei Eder pra dar seu depoimento para a série Papo de Boqueiro. Ele nem me respondeu. Encontrei-o pela última vez na segunda-feira da semana passada numa sessão de 30 anos do filme Um Pistoleiro Chamado Papaco de Mário Vaz Filho. Mais uma vez me disse: “Estou aposentado, sossegado. Não vou te dar entrevista”, disse meio rindo.

Eder foi um dos grandes técnicos da Boca. Um amigo me confidenciou: “Muita gente não gostava de montar com o Eder porque ele não fazia simplesmente o que o diretor queria. Tentava botar um traço autoral no seu trabalho”. Talvez por isso Eder não tenha sido tão chamado para trabalhar em seu ofício após o fim da Boca. Ele merecia ser mais lembrado. Mas vivemos no Brasil e vai ser difícil algum veículo da grande mídia lembrar dele. Triste.