Por Alexandre Aldo Neves, especialmente para o VSP
O cineasta, roteirista, teatrólogo, poeta e intelectual Ody Fraga e Silva nasceu em Florianópolis em 15 de Outubro de 1927. Desde muito cedo, Ody enveredou-se pelo mundo maravilhoso das artes e aos dezenove anos já fazia parte de um grupo de teatro amador na ilha catarinense. Incentivado pelo divulgador do teatro brasileiro Paschoal Carlos Magno, Ody e seu grupo se muda para o Rio de Janeiro e se especializa em teatro infantil. Chegou inclusive a realizar a adaptação de Pinóquio e ingressou no SNT (Serviço Nacional do Teatro).
Na
conturbada década de 1960, Ody passa a residir em São Paulo, onde realiza
alguns trabalhos para a extinta TV Tupi e escreve seu primeiro roteiro
cinematográfico: Conceição (uma trama
policial encomendada por Hélio Souto). Em seguida, escreve mais dois roteiros
sob encomenda: O Cabeleira (para
Milton Amaral) e Amor na Selva (para
Ruy Santos).
Seu
grande potencial criativo e a ousadia o conduzem à direção de seu primeiro
filme de longa-metragem: ERÓTIKA em 1962. A produção não chegou a ser finalizada
em função de uma série de contratempos durante as filmagens, contudo, nem tudo
estava perdido! Em 1967, o estreante e, também, ousado produtor Antonio Polo
Galante, dentre outras coisas, acabou comprando o filme inacabado e resolveu lançá-lo
no circuito exibidor.
Galante
rodou algumas sequências de um show de strip-tease
numa boate de São Paulo e o novo longa estava pronto: VIDAS NUAS.
Com
uma atmosfera tensa e angustiante, muito próxima a do filme Noite Vazia (de Walter Hugo Khouri,
outro antípoda do cinema paulista), a obra narra o entrelaçamento de relações
conjugais vazias e retocadas com certa dose de cinismo e hipocrisia. A frase publicitária não me deixa mentir: “dominados pelo desejo, sedentos de amor e
carinho, eles transformaram suas vidas em um inferno sensual”.
Nesse
sentido, há um aspecto muito interessante a ser destacado: a maneira como o
diretor optou por focalizar a fria e pálida noite paulista e seus bares,
repletos de cabeças e corações vazios, transformando-os num dos personagens
centrais da trama.
VIDAS
NUAS (a primeira vez de Ody) merece ser revisto, relido e revisitado.
“Vidas
Nuas” (1962 – 67).
Direção:
Ody Fraga
Produção
/ finalização: Antonio Polo Galante e Sylvio Renoldi.
Elenco:
Francisco Negrão, Alfredo Scarlatti, Maria Alba, Nelcy Martins e Lisa Negri.
Alexandre Aldo Neves é geógrafo e pesquisador de cinema brasileiro. Em 2010, ele defendeu mestrado sobre o assunto (A Paisagem Pantaneira Pela Ótica do Cinema Brasileiro) na Universidade Federal da Grande Dourados, Mato Grosso do Sul.
Alexandre Aldo Neves é geógrafo e pesquisador de cinema brasileiro. Em 2010, ele defendeu mestrado sobre o assunto (A Paisagem Pantaneira Pela Ótica do Cinema Brasileiro) na Universidade Federal da Grande Dourados, Mato Grosso do Sul.
