segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dacar: a produtora do mestre David Cardoso




Por Alexandre Aldo Neves, especialmente para o VSP

A DACAR Produções Cinematográficas é uma das produtoras mais ativas do cinema paulista dos anos 70 e 80. Fundada por David Cardoso em 1973/4 e sediada à alameda Dino Bueno (próximo à Boca do Lixo), sua primeira realização foi o western Caçada Sangrenta. O longa-metragem foi dirigido por Ozualdo Candeias nos rincões de Mato Grosso. As três produções seguintes ficaram a cargo do então estreante Jean Garrett – o artesão da Boca: A Ilha do Desejo (com as musas Helena Ramos e Zaíra Bueno), Amadas e Violentadas e Possuídas Pelo Pecado (com a estreante Nicole Puzzi). Esses foram os primeiros grandes sucessos de público da produtora e que possibilitaram ao seu proprietário se arriscar na direção da pomposa produção de 1977: 19 Mulheres e Um Homem.


Neste filme David Cardoso se superou! Levou 19 (ou melhor, 18) universitárias num road movie pelo interior do Brasil rumo á fronteira com o Paraguai. David confirma ser esse seu maior sucesso de público. Helena Ramos, Patrícia Scalvi e Aldine Müller ajudaram a estruturar a trama.


Nos anos 80, David ganharia o título de rei da pornochanchada. Isso se deve em grande parte à bem sucedida parceria estabelecida com o roteirista e diretor Ody Fraga – o gênio do sexo – a qual possibilitaram a realização de significativos sucessos como A Noite das Taras (com Matilde Mastrangi), Aqui Tarados! (com Zaíra Bueno) e do triunfal As Seis Mulheres de Adão.


Com o advento do sexo explícito nas telas de todo país, a DACAR decidiu não tirar o seu time de campo. A produtora investiu nesse segmento com a realização de apenas quatro filmes de longa-metragem. Contudo, foi o suficiente para consagrá-la também nesse formato de cinema. Duas de suas produções pornôs são citadas até hoje em vários sites e fóruns de discussão na internet em vários países do mundo, são eles: O Viciado em C... e As Novas Sacanagens do Viciado em C... (que contam as desventuras de um matuto na cidade grande, interpretado pelo meu conterrâneo Sílvio Júnior).


No final dos anos 80, o Brasil encontrava-se mergulhado no caos econômico e a Boca viu sua estrutura ser desmanchada dia-após-dia. Neste contexto de insegurança econômica e esvaziamento das salas de cinema a DACAR resolve investir em mais uma e derradeira produção: O Dia do Gato um filme policial marcado por ser o último roteiro do genial Ody Fraga que morreu antes da finalização do filme. A parceria estava desfeita e David retirava seu time de campo.


Para concluir, vale lembrar que nem só de longas-metragens viveu a DACAR, ela produziu alguns curtas e documentários (Na Rota dos Diamantes e Cataratas do Iguaçú), além de peças de teatro (P.S. Seu Gato Morreu e Os Homens).


David Cardoso – o galã e proprietário da DACAR – mudou-se para Campo Grande/MS após o desmantelamento do nosso cinema, contudo, recentemente resolveu se aventurar pelo mundo da sétima arte e produziu o média-metragem Fronteira.


Não há como negar: a DACAR é uma das produtoras mais importantes do NOSSO CINEMA.


Alexandre Aldo Neves é geógrafo e pesquisador de cinema brasileiro. Em 2010, ele defendeu mestrado sobre o assunto (A Paisagem Pantaneira Pela Ótica do Cinema Brasileiro) na Universidade Federal da Grande Dourados, Mato Grosso do Sul.

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