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terça-feira, 19 de junho de 2018

O Imaginário da Boca: abertura


O raríssimo livro O Imaginário da Boca escrito por Inimá Simões em 1981 é a obra pioneira sobre o cinema da Boca. Trata-se do primeiro trabalho sério sobre a produção paulista do período. Em linguagem fácil e acessível, Simões soube identificar a trajetória do quadrilátero cinematográfico. Uma obra indispensável na pesquisa histórica do local. Entre os depoentes para esse projeto estão personagens como Tony Vieira, Jean Garrett, Oswaldo Massaini, Antonio Polo Galante, Jotta Santana, Zilda Mayo, Aldine Muller, Zélia Martins, Rajá de Aragão, Ozualdo Candeias, Jairo Ferreira, Carlos Reichenbach, Miro Reis, Antônio Meliande, Ody Fraga, Custódio Gomes, Marthus Mathias e A Souza.



O VSP irá republicar o conteúdo integral da obra a partir da próxima segunda-feira, dia 25 de junho. Cada segunda-feira um capítulo diferente da obra. São cinco semanas com um conteúdo praticamente inédito sobre o cinema da rua do Triunfo. Aguardem

sábado, 23 de abril de 2016

Aquelas coisas eróticas


Por Denise Godinho e Hugo Moura

A princípio, Raffaele Rossi tinha apenas uma ideia e talvez até contasse secretamente com o apoio dos amigos. Laerte Calicchio, apesar de parecer o mais consciente deles, caiu em uma crise de riso prolongado que durou longos segundos. Ria desesperadamente porque sabia que não seria fácil convencer o amigo do contrário. Estava louco? Apesar de viverem uma abertura política, a censura ainda existia. E estava escrito ali, naquela mesma revista, que o tal filme japonês, produzido três anos antes, enfrentava resistência do governo para ser exibido o país. Imagine um filme nacional! Além do mais, Raffaele vivia produzindo com baixo orçamento e seu dinheiro quase nunca era suficiente para um filme. Naquele momento estavam filmando Boneca cobiçada com a estrela da época, Aldine Müller. “Mas não, ele nunca está satisfeito” – esbravejava. Walmir concordava com tudo o que Laerte aprontava quase que didaticamente ao amigo. Não era o momento de mexer com uma produção desse nível. Ora, sexo explícito em um cinema? E ainda cobrar ingresso? Laerte não acreditava na empreitada e achava que seria um trabalho que poderia leva-los a cadeia ou, no mínimo ao fracasso.

Talvez fosse mesmo, para a realidade do Brasil na época. Fora do país, o mundo já havia visto na telona, quase dez anos antes, o que aqui, aparentemente, só se fazia entre quatro paredes. O clássico Garganta profunda, de 1972, dirigido por Gérard Damiano, revolucionou o cinema americano contando a história de uma mulher que tinha o clitóris na garganta. A obra impulsionou outras produções do gênero, como Atrás da porta verde, daquele mesmo ano, dirigido pelos irmãos Mitchell, Artie e Jim, e O diabo na pele de miss Jones, de 1973, também de Damiano. Todos eles se tornaram referência do estilo cinematográfico já no início da década de 1970, assim como o também revolucionário e aclamado pela crítica Império dos sentidos, aquele tal filme japonês produzido em 1976 pelo diretor Nagisa Oshima.

Raffaele Rossi ouviu todos os contras com atenção, tirou o pente fino de plástico marrom do bolso da camisa e penteou os cabelos emplastrados de brilhantina divididos para o lado. Cada movimento era feito pausadamente, como se, enquanto se mexesse, estivesse degustando os conselhos lançados pelos amigos aflitos.

- Mie amici, eu não quero fazer um pornô. Eu quero apenas inserir uma cena pornô em Boneca cobiçada.

Até então, o brasileiro havia se contentado com os inocentes mamilos descobertos de atrizes como Helena Ramos, Matilde Mastrangi, Zaíra Bueno e Débora Muniz. Prestes a entrar na década de 1980, o país já andava lentamente para uma abertura democrática depois de anos de chumbo quente em cima das manifestações artísticas.

Durante a década anterior, qualquer música, peça teatral, jornal ou filme que incitasse uma interpretação política sobre o contexto que o país vivia, caía no corte. A nudez, por sua vez, servia como uma via de escape. Enquanto as pessoas estivessem se masturbando nos cinemas, não explodiriam bombas pelas cidades. Embora antirrevolucionário, o nu ainda era o guardião dos maus costumes e, por isso, deveria ser castigado. E foi. Retaliar os filmes de pornochanchada virou praxe e, ás vezes, eles se tornaram incompreensíveis, tamanho o corte da censura. Tudo porque, aparentemente, não era permitido mostrar dois seios de uma só vez, de acordo com determinada portaria do Conselho Superior de Censura. Era como se os censores se divertissem durante as sessões: “Vamos liberar um mamilo só”.

É claro que uma cena explícita não passaria facilmente pelos censores. Pelo menos, ainda não naquela época. Raffaele sabia disso, mas a adrenalina de enfrentar o Departamento de Censura e a dona Solange Hernandes, a temida chefe da tesoura, que não perdoava nem a mais pura das cenas eróticas, fazia a expedição cada vez mais excitante. Para ele, a censura era burra e bastava algum truque para que a permissão fosse carimbada nos usuais documentos de liberação. Foi o que ele fez. O diretor, espertamente, usou um truque de luz para disfarçar a penetração do ator Oásis Minniti em Vânia Bonier. A filmagem, feita à contraluz, pouco mostrava e deixava a cena subentendida. Apesar de implícita, essa pode ser considerada a primeira cena de sexo explícito do cinema brasileiro.

Para alívio de Rossi, Boneca cobiçada estreou em junho de 1980, oito meses depois de o filme japonês entrar em cartaz.

Eram lindas aquelas mulheres nos cartazes dos filmes. A pele tinha um bronzeado inalcançável em plena capital paulistana. As saias estampadas, geralmente rodadas, ou bem justas com fendas laterais, pouco mostravam, mas davam pistas sugestivas do que cobriam. Em meio à correria cotidiana na agitada São Paulo, é provável que muitos homens tenham ficado com torcicolo ao se afastarem, do cinema enojado pedindo o dinheiro de volta. Para Raffaele, os espectadores não queriam sentir nojo de sexo. Muito pelo contrário, sexo deveria ser excitante.

Era 15 de outubro de 1981, uma quinta-feira. A reunião estava marcada para as quatro horas da tarde, no escritório da Empresa Cinematográfica Rossi. Laerte organizava os rascunhos escritos durante a noite anterior em uma pasta. Pelos seus cálculos, aquele enredo duraria cerca de quarenta minutos. Era a história de dois casais que se conheciam por um anúncio de jornal para amantes de swing. Sabia que agradaria a Raffaele, embora sentisse um misto de empolgação e medo gelando sua barriga. Em decisão prévia, o diretor havia dito que, para economizarem recursos, o filme teria três capítulos, cada um com uma história diferente. Laerte era o convidado para escrever e dirigir uma delas. Era a primeira vez que essa oportunidade se apresentava a ele. Em Boneca cobiçada havia trabalhado como assistente de direção e, nos créditos finais, nem seu sobrenome havia sido mostrado.

Laerte apanhou uma a uma as folhas que, encardidas pelo manuseio de seus dedos sujos graças à fita da máquina de escrever, exibiam a história elaborada durante toda uma madrugada regada a café e a um maço inteiro de Hollywood. Enquanto as organizava na pasta, relia frases desconexas que eram fisgadas por seus olhos vigilantes.

Enquanto isso, Raffaele andava pela rua do Triumpho em direção ao escritório. Apreensivo com a reunião que se seguiria, estava cabisbaixo e com os ombros protegendo o pescoço. Desligou-se do mundo prestando atenção à rotina cíclica de seus pés a cada passo dado – um na frente do outro. Não reparou quem vinha andando em sua direção, animada, com o sorriso largo sempre a postos para cumprimenta-lo.

No fim da década de 1970, Vanilda Ana Plácido, então com vinte anos, trabalhava em uma revendedora de veículos na avenida Rio Branco, no Centro de São Paulo. A catarinense já vivia na cidade havia cinco anos. Suas formas arredondadas e bem distribuídas, seu sorriso ruidoso e seus cabelos longos e negros chamaram a atenção de um professor de artes da Universidade de São Paulo. Ele a convidou para ser modelo vivo em uma aula sobre as formas do corpo humano. A ideia era que ela ficasse nua em frente aos alunos para que eles aprendessem a desenhar o corpo humano em diferentes situações. Como o rosto se movimenta ao chupar uma laranja? Como as pernas se flexionam quando abaixamos para pegar uma caixa?

Ela aceitou a proposta com a condição de que não precisasse largar o emprego. E ficaram combinados que ele marcaria as aulas nos momentos em que ela estivesse livre. Vanilda gostou do trabalho e o fato de conseguir ficar horas congelada em uma posição logo chamou a atenção do grupo de teatro do campus, que a convidou para participar de uma peça. A partir dali, Vanilda passou a rodar São Paulo fazendo teatro amador. Em uma dessas apresentações, um produtor da rua do Triumpho a chamou de canto e perguntou-lhe se ela gostaria de fazer cinema.

Vanilda adotou Vânia Bonier como nome artístico, e em 1980 estreou nas salas de cinema nacional com a produção O império das taras, dirigido por José Adalto Cardoso. É irônico pensar que ela trabalhou durante cinco anos na avenida Rio Branco, próximo à rua do Triumpho, e só entrou para o cinema depois de topar ser modelo vivo no Butantã, um bairro distante da efervescência cinematográfica.



Raffaele Rossi sempre achou graça no jeito ingênuo de Vânia se portar. Ela havia acabado de entrar para o cinema e fazia questão de conversar com todos para manter próximas a ela as oportunidades de convites para outras produções. Por isso, não pensou duas vezes ao pega-lo pelo braço e leva-la à reunião que aconteceria em breve no escritório. Durante o caminho, adiantou que estava prestes a fazer um filme que entraria para a história do cinema e que ela não poderia perder a chance de participar dele.

A equipe sentia algo entre ansiedade e receio da aventura. Raffaele Rossi acalmava os ânimos usando o filme Império dos sentidos como exemplo. “Se ele foi liberado, o nosso também vai ser”, tranquilizava, ainda que todos ali soubessem que a produção japonesa havia sido liberada sob a justificativa de que era um filme de arte, e exclusivamente para o festival.

Laerte contou resumidamente a sua história antes de mostrar os papeis rascunhados. Diante de bocas entreabertas e sobrancelhas arqueadas, ele leu o roteiro até o último ponto final. A história era repleta de palavrões, sadomasoquismo, cenas homossexuais e sexo grupal. Laerte pôde sentir um frio percorrer toda a sua espinha depois de segundos de silêncio daqueles que o olhavam perplexos. Era o esboço de um dos capítulos e eles nem sequer imaginavam qual seria o enredo dos outros dois. Raffaele se levantou da cadeira, penteando os cabelos emplastrados.

- Pensou em um nome para esse capítulo?- perguntou.

- “Coisas eróticas”.

- “Coisas eróticas” ? - indagou, arqueando uma sobrancelha.

- É, já que o episódio é cheio de coisas eróticas – explicou Laerte, gaguejando.

Raffaele prosseguiu penteando os cabelos, ignorando o fato que os fios já estavam perfeitamente alinhados, e passou a andar em círculos sob silêncio, receoso daqueles que aguardavam uma reposta para o título sugerido por Laerte. O próprio autor imaginava que não tinha tido uma boa ideia e tratava de buscar mentalmente outros possíveis nomes para arrematar a crítica que de certo viria. Mas, para a surpresa de todos, ela não veio.

- “Coisas eróticas” – o diretor rompeu o silêncio da saleta soletrando cada sílaba pausadamente como se degustasse a sensação que as duas palavras juntas provocaram. – É isso Laerte! Achamos o título o título! O filme inteiro deve se chamar Coisas eróticas.

A primeira filmagem começaria no dia seguinte.  

Publicado originalmente em GODINHO, Denise & MOURA, Hugo. Coisas eróticas: a história jamais contada da primeira vez do cinema nacional. São Paulo: Panda Books, 2012. 


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

“Ninfas Diabólicas”, erotismo feito por um sino-brasileiro

Um filme erótico brasileiro feito por um chinês radicado em São Paulo há 20 anos e que já foi tintureiro e motorista de limousine, deve estrear no próximo mês em todo país. Trata-se de “Ninfas Diabólicas”, fita de mistério, bruxaria, ação e suspense, mas também com forte dose de erotismo. John Doo, o sino-brasileiro que dirigiu o filme, revela duas novas atrizes que certamente vão causar sensação no cinema nacional, Aldine Muller e Patrícia Scalvi, além de trazes de volta o sempre talentoso Sérgio Hingst. Um filme que vai dar o que falar.


Um triângulo amoroso absolutamente inédito, envolvendo bruxaria, demonismo e uma poderosa carga erótica, compõe o tema de “Ninfas Diabólicas”, filme que marca a estreia do diretor chinês John Doo no cinema brasileiro. Totalmente desvinculado dos esquemas estrangeiros, o filme, enfocando um assunto aparentemente banal e já explorado pelo próprio cinema paulista, vai aos poucos tomando um rumo marcado por forte intensidade dramática para, no final, explodir em uma trama surpreendente.



A fita é a estória de um chefe de família ordeiro e pacato (interpretado por Sérgio Hingst), empresário austero e confortavelmente acomodado em se ostensivo Malibu, se vê dominado por duas colegiais que lhe pedem carona na Via Dutra. Mediante lances de extrema sensualidade de uma delas, este respeitável cidadão acaba desviando-se do seu rumo e termina a viagem numa das afrodisíacas praias do litoral norte de São Paulo, onde ocorrem momentos de grande suspense, com cenas de terror, bruxaria e outros ingredientes sobrenaturais que alteram totalmente a estória.



Envolvido pelo mar, pelo calor e pela vegetação luxuriante, Sérgio Hingst começa a ser vítima de uma disputa entre as duas “ninfas”, uma morena (Aldine Muller) e outra loira (Patrícia Scalvi) e despe-se de toda sua moral pequeno-burguesa, aderindo integralmente ao irresistível apelo do sexo. Nesse ponto a estória deixa de ser um triângulo amoroso para se transformar em ação e suspense com cenas de impacto, poucas vezes vistas no cinema brasileiro.



Bonitas e criativas



Depois de “Ninfas Diabólicas” não será mais possível contestar o talento e a beleza das atrizes Aldine Muller e Patrícia Scalvi. Nesse filme do estreante John Doo, as duas conseguiram não só ultrapassar a barreira que discrimina a maioria das atrizes do cinema paulista (entre outras coisas acusadas de pornochanchadeiros) como também avançar num estilo de interpretação dos mais prestigiados pelo cinema internacional, ou seja, um tipo de representação que tem como objetivo principal, o de unir os fenômenos eróticos com os “psicológicos”. Essa afirmação é do crítico e ensaísta cinematográfico Renato Petri, um dos que viram e acreditam muito no sucesso do filme de John Doo.



Em “Ninfas Diabólicas”, Aldine e Patrícia atingem plenamente esse estágio. Elas se transformam em Úrsula e Circe, duas falsas colegiais que pedem carona na via Dutra e leva a primeira vítima (Sérgio Hingst) que de repente vê a possibilidade de um fim de semana repleto de prazeres sexuais, a encontrar tragicamente a morte. De fato, resistir às duas não é fácil. Com suas saias azuis pelas coxas e blusas entreabertas, deixando ver os seis jovens e tenros...



A figura demoníaca de Úrsula é uma personagem elaborada pela própria Aldine Muller. Apesar de seu excelente papel em “Paixão e Sombras” de Walter Hugo Khoury, Aldine considera esse trabalho em “Ninfas Diabólicas” como o mais importante de sua carreira. Uma carreira que não tem dois anos ainda, mas que sempre esteve em ascensão. Tudo o que há de fantástico em Úrsula foi traçado por ela mesma e isso prova o talento de Aldine, que pode render muito mais em filmes sérios e empenhados, diferente das comediazinhas eróticas que ela, ás vezes se vê obrigada a fazer.



Quanto a Patrícia Scalvi, apesar de sua juventude, é uma atriz que traz consigo uma respeitável experiência teatral. No cinema apareceu em dois ou três filmes de nível inferior, porém, campeões de bilheteria. E Patrícia acredita que vai repetir a dose com “Ninfas Diabólicas”. Só que, no papel de Circe – uma diabinha sedutora travestida de colegial – não foi apenas a oportunidade de Patrícia pesquisar e se aprofundar na psicologia do personagem, mas sim, a grande oportunidade de conhecer a psicologia do público cinematográfico brasileiro, buscando saber o que mais o prende na poltrona: se são as belas formas femininas (seios, nádegas de fora, etc.) ou se são as reações normais de seu cotidiano, como o medo, o desejo ou a ânsia de aventura.



O diretor já foi tintureiro



Tintureiro no Canadá, foi apenas uma das muitas atividades na curiosa carreira de John Doo, chinês de 35 anos, mas radicado em São Paulo há mais de 20 anos, que agora estreia como autor e diretor de filme erótico. “Ninfas Diabólicas” estará nos cinemas a partir de julho e John Doo faz questão de esclarecer que seu filme não se trata de nenhuma outra pornochanchada qualquer.



“Pelo contrário, é a estória de um triângulo amoroso totalmente inédito envolvendo bruxaria, demonismo e uma extraordinária carga erótica...É um filme de terror com um elenco do nível de Sérgio Hingst, várias vezes premiado, ou de duas autênticas revelações do cinema brasileiro, Aldine Muller e Patrícia Scalvi”, diz ele, enfaticamente.



Apaixonado pelo cinema desde criança, John Doo, saiu de casa aos 17 anos e foi pedir emprego na equipe de produção de “O Cabeleira”, filme rodado em 1960, na cidade paulista de Mococa, onde acabou substituindo a então “scrip-girl”, Marlene França (hoje atriz de prestígio). Depois veio “Casinha Pequenina”, com Mazzaropi, para que mais tarde, dirigiu, sem assinar “O Puritano da Rua Augusta”.



Mas o que John Doo queria era dirigir filmes de empenho próprio, tornando-se cineasta de estilo incomum. Comum, foi para os Estados Unidos estudar engenharia têxtil, enquanto aceitava trabalhos de mordomo, carregador em supermercado ou motorista de limousine. E foi nessa época, em 1967, que trabalhou como tintureiro na Feira de Montreal, no Canadá, durante seis meses. De volta a São Paulo, vendeu a fiação do pai, montou a Presença Filmes e começou a produzir comerciais de televisão, para finalmente, fazer seu primeiro longa-metragem, “Ninfas Diabólicas”, um filme meio à la Polanski, o cineasta preferido de Doo.



A fotografia de seu filme que reflete fielmente a beleza dos locais onde foi rodado (Ilhabela e Caraguatatuba), foi feita pelo excepcional Ozualdo Candeias, o cineasta brasileiro mais importante da atualidade. O roteiro é de Ody Fraga, outro profissional competente; a música é do famoso maestro Rogério Duprat e a montagem é de Máximo Barro. Além de Hingst, Aldine e Patrícia, participa da fita a nissei Misaki Tanaka, revelada por Walter Hugo Khoury em “Paixão e Sombras” e um elenco auxiliar de primeira linha.



Publicado originalmente na Fiesta Cinema em agosto de 1978

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O Segredo das Massagistas


O SEGREDO DAS MASSAGISTAS- Nacional (São Paulo), 22 de agosto de 1977. Produção: E.C Distribuição Import. Cinematográfica. Distribuição: Marte Filmes. Produção: Cassiano Esteves. Direção, fotografia: Antonio B. Thomé. Roteiro: Waldir Kopeczky. Música: Beto Strada. Montagem: Sylvio Renoldi. Em Eastmancolor. Elenco: Aldine Muller, Pedro Cassador, Sula Di Paula, Cesar Robertho, Lourenia Machado, Sergio Longo, Walter Costa, Rachel Miquelan, João Paulo Ramalho, Dino Sizzi, Guta, Mara Prado, Edward Freund, Clayton Sarzi, Rossana Uva (?), Paolino Raffani, Nilza Albanezzi, Carlinhos Silveira, Sonia Guilarducci. Amanhã, no Cine Olido.

Por Carlos M. Motta

Pornochanchada sobre um executivo que sobrecarregado de serviço e à beira do esgotamento é levado por amigo boa vida a um instituto de massagens “onde acontece de tudo (Car Wash?, as lindas massagistas estão para o que der e vir (sic)”. O folheto publicitário nos garante que “teremos várias situações hilariantes, em que o sexo e o nu, se misturam com uma comicidade digna de cinema de alta categoria”. Já não era sem tempo...


Publicado originalmente no O Estado de São Paulo em 21 de agosto de 1977

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Feliz aniversário Aldine Müller



Uma das maiores musas do cinema brasileiro. Durante muitos anos, qualquer filme com a presença dela era certeza de sucesso nas bilheterias. Isso porque a moça em questão é uma das maiores beldades do cinema brasileiro em todos os tempos: Aldine Müller.

Este verdadeiro furacão esteve presente diversos filmes realizados no período de ouro do cinema paulista. Nesse período, Aldine trabalhou com diretores consagrados da Boca do Lixo como Antônio Meliande, Cláudio Cunha, Jean Garrett, José Miziara e Walter Hugo Khouri. Foram 40 longas-metragens, quase sempre como protagonista. Mesmo na televisão, a musa conseguiu chamar atenção pela sensualidade e versatilidade. A dona Flor de A Escolinha do Professor Raimundo e Dinah em O Salvador da Pátria são somente alguns dos grandes papéis dela na telinha.

Linda e talentosa, Aldine Müller merece todas as homenagens. Feliz aniversário!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Mostra inédita A boca da Boca – A produção de A. P. Galante


O MIS, em parceria com a Heco Produções, apresenta a mostra A boca da Boca – A produção de A. P. Galante, uma homenagem Antonio Polo Galante, o maior produtor da Boca do Lixo em São Paulo. Com curadoria de Eugenio Puppo, a mostra acontece de 1º a 7 de agosto e traz a projeção de 14 longas-metragens, além de trailers raros da época, que serão exibidos na abertura do evento.
Galante se especializou em quase todos os gêneros em sua filmografia, composta por mais de 65 títulos: dramas, pornochanchadas, westerns, filmes de cangaço, musicais, policiais, sertanejo. Nenhum outro produtor brasileiro possui uma cartela de títulos tão diversificada - o que não o impedia de investir também em produções autorais, como A ilha dos prazeres proibidos (1978) e Anjos do Arrabalde (1987), de Carlos Reichenbach, títulos que integram a grade da mostra.
  
Além das exibições dos filmes, o público poderá ter um contato direto com Antonio Galante na abertura do evento, dia 1º de agosto, quando o produtor participará de um debate com o crítico Inácio Araújo, às 20h no Auditório MIS. O encontro será precedido pela exibição de cinco trailers raros da época, às 18h15, e do longa A mulher de todos, de Rogerio Sganzerla, às 18h30 (confira a programação completa abaixo).
  
Outro grande debate encerra a mostra, no dia 7 de agosto: “Mulheres da Boca” reúne as atrizes Helena Ramos, Neide Ribeiro, Zilda Mayo e Aldine Muller, em uma homenagem ao diretor Carlos Reichenbach, falecido em junho de 2012. O encontro acontece às 20h, logo após a sessão de Anjos do Arrabalde, de Reichenbach.

 Lançamento
 A sessão de abertura da mostra, no dia 1º de agosto, contará com o lançamento do livro O bilhete azul – passaporte para a liberdade, biografia de Galante. Escrita por sua mulher, Manuela, a obra narra sua trajetória de vida - de criança criada no orfanato até se tornar um dos maiores produtores da Boca do Lixo em São Paulo.

Memória do Cinema
 A mostra também marcará a retomada do projeto Memória do Cinema, do Museu da Imagem e do Som, que desde os anos 1970 registra em áudio e vídeo depoimentos de personalidades do cinema nacional, sobretudo o de São Paulo. Esta primeira etapa do projeto será realizada em parceria com a Heco Produções, tendo como foco a produção da Boca do Lixo e irá ocorrer entre os meses de agosto e novembro de 2012. Serão registrados, em áudio e vídeo, 32 depoimentos, entre eles David Cardoso, José Mojica Marins, Andrea Tonacci, Jean-Claude Bernardet, Claudio Cunha, Claudete Joubert , Silvio de Abreu, Zilda Maio, entre outros. O depoimento de Antonio Polo Galante irá inaugurar a série de gravações.
 Confira, abaixo, a programação completa da mostra A boca da Boca – A produção de A. P. Galante:

QUARTA, 01.08
 18h15 Exibição de trailers raros de filmes da Boca do Lixo: Trilogia do terror (1968); A doce mulher amada (1969); As armas (1969); A mulher de todos (1969); e O cangaceiro sanguinário (1969)
 18h30 A mulher de todos (Rogerio Sganzerla, 1969, 80 min, pb)
 20h Debate: Antonio P. Galante e Inácio Araújo e Lançamento do livro O bilhete azul – passaporte para a liberdade, de Manuela Galante


QUINTA, 02.08
 18h30 Vidas nuas (Ody Fraga, 1967, 85 min, cor)
 20h Trilogia do terror (Luiz Sergio Person, Ozualdo Candeias e José Mojica Marins, 1968, 92 min, pb)


SEXTA, 03.08
 18h30 A doce mulher amada (Ruy Santos, 1969, 90 min, cor)
 20h No rancho fundo (Osvaldo de Oliveira, 1971, 86min cor)


SÁBADO, 04.08
 15h Terapia do sexo (Ody Fraga, 1978, 85 min, cor, semidocumentário)
 17h O cangaceiro sanguinário (Osvaldo de Oliveira, 1969, 85 min, cor)
 19h As armas (Astolfo Araújo, 1969, 85 min, cor)
 21h Ilha dos prazeres proibidos (Carlos Reichenbach, 1978, 90 min, cor)


DOMINGO, 05.08
 15h À flor da pele (Francisco Ramalho Jr., 1976, 100 min, cor)
 17h A filha de Emanuelle (Osvaldo de Oliveira, 1980, 94 min, cor)
 19h As safadas (Carlos Reichenbach, Inácio Araujo e Antonio Meliande, 1982, 86 min, cor)
 21h Convite ao prazer (Walter Hugo Khouri, 1980, 111 min, cor)

TERÇA, 07.08
 18h30 Anjos do Arrabalde (Carlos Reichenbach, 1986, 104 min, cor)
 20h Debate: Mulheres da Boca, com Helena Ramos, Neide Ribeiro, Zilda Mayo e Aldine Müller - Homenagem a Carlos Reichenbach

terça-feira, 3 de julho de 2012

Musas da Boca na Placar: Aldine Müller e Zaíra Bueno

MALÍCIAS E EXERCÍCIOS
Apesar de formarem uma dupla famosa nos filmes eróticos, em revistas masculinas e nos palcos – preparem-se para estrear o espetáculo Delícias e Malícias, no Village Station, em São Paulo, o segundo que fazem juntas -, Aldine Müller e Zaíra Bueno não combinam nas atividades físicas. Aldine, 31 anos, não gosta, por exemplo, de ginástica. “Faço um pouco de peso para enrijecer os músculos e corro pelas manhãs só quando dá vontade, ainda assim porque é mesmo necessário”, confessa. Ela chegou certa vez a tentar aprender hipismo, mas acabou desistindo depois de pouco tempo. Já Zaíra, 29 anos, faz ginástica desde criança, época em q  ue também nadava nas piscinas do Grêmio de Porto Alegre. Formou-se em balé clássico e até três anos atrás dava aulas para senhoras que queriam emagrecer. “A ginástica me ajudou a desinibir e relaxar no palco, além de conhecer melhor o meu corpo”, assegura. Pretende ainda fazer, um dia, caratê e esgrima, esportes que a seduzem demais. “O importante é curtir. E nunca fazer algo pensando em competir”, acredita Zaíra.

Publicado originalmente na Placar em 31 de agosto de 1984

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dacar: a produtora do mestre David Cardoso




Por Alexandre Aldo Neves, especialmente para o VSP

A DACAR Produções Cinematográficas é uma das produtoras mais ativas do cinema paulista dos anos 70 e 80. Fundada por David Cardoso em 1973/4 e sediada à alameda Dino Bueno (próximo à Boca do Lixo), sua primeira realização foi o western Caçada Sangrenta. O longa-metragem foi dirigido por Ozualdo Candeias nos rincões de Mato Grosso. As três produções seguintes ficaram a cargo do então estreante Jean Garrett – o artesão da Boca: A Ilha do Desejo (com as musas Helena Ramos e Zaíra Bueno), Amadas e Violentadas e Possuídas Pelo Pecado (com a estreante Nicole Puzzi). Esses foram os primeiros grandes sucessos de público da produtora e que possibilitaram ao seu proprietário se arriscar na direção da pomposa produção de 1977: 19 Mulheres e Um Homem.


Neste filme David Cardoso se superou! Levou 19 (ou melhor, 18) universitárias num road movie pelo interior do Brasil rumo á fronteira com o Paraguai. David confirma ser esse seu maior sucesso de público. Helena Ramos, Patrícia Scalvi e Aldine Müller ajudaram a estruturar a trama.


Nos anos 80, David ganharia o título de rei da pornochanchada. Isso se deve em grande parte à bem sucedida parceria estabelecida com o roteirista e diretor Ody Fraga – o gênio do sexo – a qual possibilitaram a realização de significativos sucessos como A Noite das Taras (com Matilde Mastrangi), Aqui Tarados! (com Zaíra Bueno) e do triunfal As Seis Mulheres de Adão.


Com o advento do sexo explícito nas telas de todo país, a DACAR decidiu não tirar o seu time de campo. A produtora investiu nesse segmento com a realização de apenas quatro filmes de longa-metragem. Contudo, foi o suficiente para consagrá-la também nesse formato de cinema. Duas de suas produções pornôs são citadas até hoje em vários sites e fóruns de discussão na internet em vários países do mundo, são eles: O Viciado em C... e As Novas Sacanagens do Viciado em C... (que contam as desventuras de um matuto na cidade grande, interpretado pelo meu conterrâneo Sílvio Júnior).


No final dos anos 80, o Brasil encontrava-se mergulhado no caos econômico e a Boca viu sua estrutura ser desmanchada dia-após-dia. Neste contexto de insegurança econômica e esvaziamento das salas de cinema a DACAR resolve investir em mais uma e derradeira produção: O Dia do Gato um filme policial marcado por ser o último roteiro do genial Ody Fraga que morreu antes da finalização do filme. A parceria estava desfeita e David retirava seu time de campo.


Para concluir, vale lembrar que nem só de longas-metragens viveu a DACAR, ela produziu alguns curtas e documentários (Na Rota dos Diamantes e Cataratas do Iguaçú), além de peças de teatro (P.S. Seu Gato Morreu e Os Homens).


David Cardoso – o galã e proprietário da DACAR – mudou-se para Campo Grande/MS após o desmantelamento do nosso cinema, contudo, recentemente resolveu se aventurar pelo mundo da sétima arte e produziu o média-metragem Fronteira.


Não há como negar: a DACAR é uma das produtoras mais importantes do NOSSO CINEMA.


Alexandre Aldo Neves é geógrafo e pesquisador de cinema brasileiro. Em 2010, ele defendeu mestrado sobre o assunto (A Paisagem Pantaneira Pela Ótica do Cinema Brasileiro) na Universidade Federal da Grande Dourados, Mato Grosso do Sul.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Aldine Müller no Viva

A musa Aldine Müller continua tendo presença destacada na TV a cabo. Em 1989, a atriz era um dos papéis principais da Escolinha do Professor Raimundo, humorístico comandado por Chico Anysio.  A atração continua em cartaz no canal Viva (número 36 da NET e Sky). Além da beleza de Aldine, os telespectadores podem relembrar grandes nomes do humorismo brasileiro. Atores inesquecíveis como Rogério Cardoso, Rony Cócegas e Zezé Macedo também desfilam no programa. A Escolinha é exibida de segunda á sexta ás 7h30 e 20h. Nos finais de semana, a atração é exibida aos sábados ás 19h e nos domingos ás 21h.