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sábado, 25 de março de 2017

A Ilha do Desejo no O Globo


A Ilha do Desejo



Por Fernando Ferreira



Para sua estreia na produção, o ator David Cardoso procurou unir dois assuntos cinematográficos de irrecusável apelo popular – a intriga policial e a sugestão erótica. De quebra, cenários idílicos, numa ilha do litoral paulista, um japonês façanhudo, de físico gigantesco, décors de luxo, o ambiente lusco-fusco de boates com shows de strip-tease, fora as lanchas da Marinha e seus oficiais (...) tentando, com alguma falta de jeito, fazer uma figuração rápida e impecavelmente trajada de branco.



Mas o filme não se concretiza satisfatoriamente nem ao nível do argumento nem da realização. O diretor Jean Garret, que também assinou o roteiro, parece sempre atento ao ângulo mais favorável para colher as formas ou as particularidades da anatomia das garotas do filme, e se encanta, frequentemente, com certos artifícios de colocação da câmara ou de utilização das lentes que mais comprometem o filme pelo intuito, do que lhe acrescentam qualquer coisa de ornamental como parece ter sido a intenção.



O argumento é, no seu arranjo, basicamente ingênuo, mesmo apesar do seu aparente conteúdo erótico. As soluções são simplistas e armadas, no roteiro, de forma bastante precária e insatisfatória. E a direção não revela criatividade seja na armação do clima ou na condução dos personagens em cena, no seu relacionamento ou no rendimento das suas possibilidades através dos intérpretes. Resulta, disso tudo, que A Ilha do Desejo é um filme inconveniente, equivocado e simplório que tem sua maior atração – como prova o sucesso de São Paulo e outras capitais – na frequência com que, nele, as atrizes apareçam com pouca ou nenhuma roupa.



Publicado originalmente no jornal O Globo, Rio de Janeiro, 25 de junho de 1975.

terça-feira, 21 de março de 2017

Uma porno-chanchada de sucesso

Uma porno-chanchada de sucesso


A ILHA DO DESEJO (de quarta-feira a sábado, no cine Odeon) – O maior sucesso de bilheteria deste ano no cinema brasileiro, ao que tudo indica. Trata-se de um filme primário, escrito e dirigido por um novato, Jean Garrett, e produzido pelo ator David Cardoso (Sedução).

O filme mistura intriga policial com sugestão erótica. Numa ilha de um litoral paulista, um rapaz leva algumas prostitutas para uns milionários passarem o fim-de-semana, tudo comandado por uma madame. As coisas mudam quando as prostitutas começam a morrer. Há também um japonês façanhudo, de físico gigantesco e ambientes com lusco-fusco de boates, shows de strip-tease e as lanchas da Marinha e seus oficiais e marujos tentando, “com alguma falta de jeito”, segundo o crítico Fernando Ferreira do O Globo, “fazer uma figuração rápida e impecavelmente vestida de branco”.

Segundo o mesmo crítico, “o filme não se concretiza satisfatoriamente nem ao nível do argumento nem ao nível de realização. O diretor Garrett parece sempre atento ao ângulo mais favorável para colher as formas ou as particularidades da anatomia das mulheres do filme, e se encanta, frequentemente, com certos artifícios de colocação da câmara ou de utilização das lentes, que mais comprometem o filme, pelo tumulto, do que lhe acrescentam qualquer coisa de ornamental como parece ter sido a intenção”. No elenco está David Cardoso que pretende desmarcar as perigosas intenções da cafetina Geny com o mundo do crime. Também o elenco: Márcia Real, Zaíra Bueno, Fátima Antunes, Sônia Garcia. O filme bateu recordes de bilheteria em São Paulo, Belo Horizonte e Recife.


Publicado originalmente no “A Gazeta”, Vitória (ES), 13 de julho de 1975.

sábado, 18 de março de 2017

Crítica de Ignácio de Loyola Brandão para "A Ilha do Desejo"

Fotonovela erótica? Seriado dos anos 40? Livro de subliteratura? Adivinhem o que é isso?


(Mesmo que adivinhem não tem prêmio)

Por Ignácio de Loyola Brandão

Uma matriarca de rosto pétreo, fumando uma piteira década de 20. Um mordomo, capataz japonês, faixa preta de kung-fu ou judô impotente. Um que se satisfaz com a sua moto. Um garoto débil mental que adora arrancar penas de frangos vivos ou observar a cozinheira cortando a carne sangrenta. Um empregado silencioso que guia a lancha e contempla com olhos gulosos as mulheres.

Um mocinho que faz tráfico de brancas e de repente se torna bonzinho. Meia dúzia de garotas débeis mentais que vão sendo assassinadas uma a uma. O que vocês pensam que é isto? Algumas chances de adivinhação:

1- Um seriado da década de 40?
2- Uma radionovela?
3- Uma fotonovela erótica?
4- Enredo de um livro de banca de estação rodoviária?
5- Crianças de ginásio inventando um romance policial?

Claro que vocês não acertaram nenhuma. Por que não é nada disso. Estes são os elementos que compõe uma fita chamada “A ilha do desejo”, mais um nacional pornochanchada. Que, vamos reconhecer, tem uma direção mais cuidada que a média.

Mesmo assim, vou te contar. Não cheguei ao fim do filme. E sou daqueles que não saem, sempre na esperança de que melhore. Mas quem quiser ir, vá. Mas aviso: de erotismo não tem nada, até as meninas são sobre o ruim.


Publicado originalmente no “Última Hora”, São Paulo, 28 de junho de 1975.

terça-feira, 14 de março de 2017

A Ilha do Desejo no JB



“A Ilha do Desejo”

Depois de participar de 33 filmes (ator, assistente de direção), David Cardoso – que teve participação destacada no recente Sedução – lançou-se na produção com sua Dacar Produções Cinematográficas. O primeiro da nova marca, embora seja um filme de fórmula (mistério, violência, principalmente sexo), valeu ao diretor Jean Garrett alguns elogios da crítica, em São Paulo. Em sua estreia no Marabá, A Ilha do Desejo bateu os recordes de bilheteria estabelecidos antes por Meu Nome é Ninguém e O Poderoso Chefão.

O diretor (estreante) foi assistente de Ozualdo Candeias, o diretor de A Margem e rei da chamada “produção marginal” de São Paulo. Ao contrário dos filmes de Candeias, no entanto, o dirigido por Garrett, se cercou de precauções comerciais. A história lembra um pouco à do recente O Signo do Escorpião, uma série de assassinatos sem explicação acontecem numa ilha particular. No caso em questão, a ilha é para a exploração da “mais antiga da profissão” por Madame Geny, que tem um filho anormal e um guarda-costas japonês exímio em caratê. David Cardoso faz o papel de um boa-vida que se dedica a recrutar garotas para encontros secretos com homens da alta-sociedade no reduto de Madame Geny.

Com raras exceções, além de David Cardoso, o elenco é de caras novas. Presentes: Márcia Real, Zaíra Bueno, Fátima Antunes, Sônia Garcia, Helena Ramos, Marizeth Baumgarten, Miro Carvalho, Kazuachi Hemi, Cavagnolli Neto. Distribuição: Dacar.
Amanhã: circuito Art-Palácio, Plaza, Lido-2 (18 anos).


Publicado originalmente no “Jornal do Brasil”, Rio de Janeiro, 22 de junho de 1975

sábado, 11 de março de 2017

A Ilha do Desejo no jornal Movimento

A moral da pornochanchada



A Ilha do Desejo. Direção de Jean Silva. Produção: David Cardoso. Com David Cardoso, Márcia Real, Fátima Antunes, Sonia Garcia, Helena Ramos.
           
Por Maria Lúcia Kahl

Meia dúzia de moças de São Paulo sobrevivem à custa de ilícitas atividades noturnas. Até que um mocinho bonito, no exercício de sua profissão ainda mais ilícita, convida as moças para um fim de semana numa ilha tropical. É uma armadilha: lá, a dona da ilha as mantém como escravas branca- afinal também ela precisa sobreviver. Acontece q         ue há um assassinato na ilha. A partir desse momento, o filme “A Ilha dos Desejos” passa a ser “sexo” e suspense até o caso ser desvendado pelo mocinho e pela polícia de Santos.

A estória, enfim, não interessa. Mas quem imaginar que o filme é inofensivo estará enganado: se as cenas de sexo fossem um pouco mais discretas (não que sejam ousadas), “A Ilha dos Desejos”, como a maioria das pornochanchadas nacionais, poderá ter sido financiada pela TFP. Como elemento de preservação da sagrada moral da classe média brasileira. As mocinhas são todas prostitutas, isto é verdade. Mas como são lindas e gostosas, seus sentimentos também puros e virginais. Todas aspiram casar-se, ter uma família, o conforto de um homem só e a paz de um lar. O mocinho também é engraçadinho, loiro, um boneco. Logo arrepende-se de sua vida de aliciador e apaixona-se pela mais casta das prostitutas (aquela que, chegando na ilha recusa o par que a escolhe e fica chocada diante do que vê) prometendo-lhe casamento (como garantia, a única válida, de seu amor) e começando imediatamente a agir para descobrir o assassino e libertar as meninas.

Os capangas da dona da ilha é que não poderiam ser lindos e loiros. Um é um mulato (violentamente repudiado ao tentar passar a cantada mais inocente do mundo numa das meninas). O outro é um chinês enorme, com cara de lutador de “telecatch”. E o assassino? Nem a madame, nem seu filho débil mental (elemento de expiação da culpa da madame, que assim, também sofre na vida) nem os capagandas. É a cozinheira da ilha, uma velha beata que vive horrorizada diante do pecado. E por isso vai matando as moças, uma a uma. É a figura da bruxa – velha, feia, pobre e má – que paga por todos os males. E já que todo o Mal contido no filme é depositado em sua figura, nada mais “justo” do que ela terminar morrendo queimada, em gritos e gargalhadas diabólicas, exorcizando o grupo todo – quem vai sentir pena dela?



Fora da ilha, o mundo volta a ser bom, girando no seu ritmo normal. As mocinhas, pudorosamente vestidas, vão depor numa delegacia. O mocinho casa-se com sua predileta. Tudo foi um lamentável engano. A ordem foi restabelecida, durmam bem senhoras (mas sonhem com o glorioso futuro, com o dia em que o mundo mudar e todos forem moças e moças lindos e gostosos, de biquíni o dia todo, queimados de sol).


Publicado originalmente no jornal Movimento, São Paulo, 11 de agosto de 1975.

terça-feira, 7 de março de 2017

A Ilha do Desejo no Jornal da Tarde

NÃO EXISTE CONTEÚDO, MAS A FORMA É PERFEITA

Por Luciano Ramos

A Ilha do Desejo (Marabá e circuito) – Antes mesmo que se pudesse comentá-lo, o filme já batia recordes de renda. Como um produto bem lançado, com eficiente embalagem, a fita está suplantando
“O Golpe de Mestre” e “O Poderoso Chefão”. Sem ambicionar constituir-se em “obra de arte”, alcança entretanto a condição de mercadoria altamente vendável e mercadologicamente perfeita.

David Cardoso é protagonista e produtor principal. Deve ter utilizado a experiência de seus 33 filmes – como ator ou assistente de direção – para concluir que não adiante tentar o sucesso sem respeitar o público. Por isso, além dos apelos fáceis do erotismo e violência, o filme é confeccionado cuidadosamente. A música, por exemplo, é original – requinte atualmente muito raro, nas produções nacionais. A dublagem perfeita e o som claríssimo permitem entender-se o que dizem os atores (outro requinte).

O diretor Jean Garrett – pseudônimo de Jean Silva -, teve boa escola, como assistente de Ozualdo Candeias. Cuida da imagem com carinho de artesão, enfeitando-a com preciosismos de montagem e rebuscados movimentos de câmara. Quando Márcia Real se embebeda e dialoga mentalmente com as estátuas do seu quarto, por exemplo, a direção torna-se intrigante e sentimental.

Todos esses cuidados, porém, constituem-se em mera maquiagem. De nada vale duas ou três sequencias criativas, enxertadas num argumento simplório. A pobreza dos diálogos também não é compensada pela precisão do som. Como na novela de televisão, onde imensos recursos técnicos são colocados a serviço de folhetins redundantes, a forma está aqui muito acima do conteúdo.

A história é, de certa maneira, semelhante ao recente “O Signo do Escorpião”: assassinatos em série sucedidos numa ilha. O local funciona como bordel sofisticado. Tão rico que dá-se ao luxo de possuir guardas especialistas em kungfu. David Cardoso interpreta um rapaz que trabalha como intermediário, recrutando profissionais nas boites de São Paulo e levando-as para a ilha. Mostra-se preocupado em evitar o exibicionismo que marcou algumas de suas antigas fitas. Modestamente, apanha nas brigas e só conquista uma, das sete moças que se encontram na ilha. Como ator, age cheio de moderação, contratando com os gastos que, como produtor dispensou à realização e promoção do filme. De maneira semelhante ao personagem que ele interpreta, David sabe que o sucesso comercial depende de se conduzir aos diferentes mercados as mercadorias mais adequadas.


Publicado originalmente no “Jornal da Tarde”, São Paulo, 13 de junho de 1975.

sábado, 4 de março de 2017

A ILHA DO DESEJO no Estadão

A ILHA DO DESEJO, Paraíso do Sexo – Nacional (São Paulo), 7 de junho de 1975, 90 minutos, Produção, distribuição: DaCar, Produtores: David Cardoso, Guilherme Mellão, José Ermínio de Morais Filho. Direção, roteiro, argumento: Jean Garrett. Fotografia, câmera: Wellington Trindade de Oliveira. Música: Ronaldo Lark. Montagem: Walter Vanni. Em Eastmancolor. Elenco: David Cardoso, Márcia Real, Fátima Antunes, Zaíra Bueno, Sonia Garcia, Helena Ramos, Marizeth Baumgarten, Cila Monteiro, Zaíra Cavalcanti, Miro Carvalho, Kazuachi Hemmi, José Jorge, Lino Peracchi, Cavagnole Neto, Luiz Vargas, Lino Braga, Waldyr Siebert, Alvino Corrêa, Wilson Letieri, Adolfo Hoizer, Ronaldo Lark, Vera Lúcia, Rodrigues Primo, Moacyr de Oliveira- Desde ontem, no Cine Liberty e, amanhã, também Marabá.

Por Carlos Motta

Estreia na direção do assistente, fotógrafo de cena e comparsa Jean Garrett que aqui demonstra algumas intenções de imagem bem composta e tratada. A história diz respeito a um boa vida (o astro-produtor David Cardoso) de São Paulo, cujo passatempo é levar lindas garotas recrutadas em boates para uma ilha distante do litoral, de propriedade de uma “madame”, que ali vive seu filho anormal, um piloto negro da lancha, uma empregada e um guarda costas japonês. A função das moças é ter encontros com figurões do mundo social. Mas uma jovem aparece morta e as demais são impedidas de sair da ilha, ficando à mercê da Madame e do misterioso assassino.


Publicado originalmente no “O Estado de São Paulo”, São Paulo, 8 de junho de 1975.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Março é mês do primeiro filme de David Cardoso e Jean Garrett no VSP

VSP celebra março destacando o primeiro longa-metragem do diretor Jean Garrett: o hoje perdido A Ilha do Desejo (1975). Durante todo mês, o blog publicará críticas e reportagens da época sobre essa importante produção paulista.