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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Causos do Gaúcho: os bastidores de "O Bandido da Luz Vermelha"

Virgílio Roveda, o Gaúcho (Vacaria, RS, 02/08/1945-) trabalhou em mais de 60 filmes nacionais em variadas funções. Ele conta como participou do filme "O Bandido da Luz Vermelha" (1968) de Rogério Sganzerla.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Entrevista com Carlos Reichenbach publicada em 2002

Carlos Oscar Reichenbach Filho
(Porto Alegre, RS, 14/06/1945- 14/06/2012, São Paulo, SP)



Por Caio Plessman de Castro

Eu sou neto do primeiro litógrafo do Brasil. Meu avô veio da Alemanha, no início do século XX, convidado pelo governo brasileiro para instalar a primeira litografia do país. Meu pai foi editor das revistas Casa & Jardim, Seleções (da Readers Digest), Ela e Visão. Foi ele quem lançou a revista Lady, a mais avançada do Brasil na década de 1950, o que lhe custou a saúde, talvez a vida, pois teve dois enfartes por causa disso. Por que eu começo por aí? Porque de uma certa maneira eu nasci para seguir a carreira da família, eu sou neto, sobrinho e filho de editores e industriais gráficos.

Talvez pelo fato de ser um editor conhecido na época, meu pai convivia com escritores, teatrólogos, músicos. Aos 9 anos de idade, eu assisti a uma leitura dramática de um roteiro de cinema, a partir do romance Jovita, de Diná Silveira de Queirós, que tinha sido publicado em duas partes na revista Lady. A leitura foi feita por Oswaldo Sampaio, que dirigiu A Estrada e O preço da vitória, e co-dirigiu Sinhá Moça, entre outros. A distância, vejo que essa leitura fascinante me levou num determinado momento a optar por cursar Cinema na universidade.

Fui levado a prestar vestibular na ainda nascente Escola Superior de Cinema São Luís, em São Paulo, por iniciativa de um amigo, João Callegaro, que já cursava o primeiro ano. Apesar de naquele momento eu já fazer umas brincadeiras com 16 mm com uma câmera do meu pai, o que me levou para a São Luís foi a possibilidade de escrever para cinema. Fui praticamente guindado à prática cinematográfica por Luiz Sérgio Person, que era professor lá. Person botou na minha cabeça que eu era diretor. Acho que ele ficou impressionado com um exercício de roteiro, uma brincadeira godardiana e maoísta, que eu chamei de Atribulações de um chinês fora da China. Era sobre um cara que se desencanta com o regime, consegue fugir da China, vem para São Paulo e abre uma pastelaria na Praça da República. Essa ideia acabou sendo reaproveitada em filmes posteriores, como em Alma corsária ou no episódio da chinesa em O império do desejo. Por outro lado, como eu tinha um equipamento 16 mm, os colegas viviam me pedindo para fotografar os filmes amadores deles.

Comecei um primeiro curta, em 16 mm, chamado Duas cigarras, que nunca chegou a ser totalmente montado. Chamei para desenvolver a ideia comigo um amigo paisagista, que tinha sido aluno do Burle Marx. Começamos a desenvolver o roteiro como se fosse um mapa. Chegávamos aos locais de filmagem e, em vez do roteiro, abríamos o tal mapa imenso e logo vinha alguém da região pensando que nós éramos da Prefeitura. Foi um processo interessante, porque meu interesse inicial era o roteiro, mas fui me desvencilhando disso a ponto de, no meu primeiro filme (o episódio “Alice”, de um longa-metragem chamado As Libertinas, 1968), jogar o roteiro fora no terceiro dia, porque nada daquilo que estava escrito eu tinha condições de filmar. Comecei a entender a grande lição de Roberto Santos, na São Luís: o grande mérito do cineasta brasileiro é conseguir transformar a falta de condições em elemento de criação.

Saltando no tempo, em 1978, criei um método de trabalho inverso: fazia um roteiro maçudo que ficava permanentemente aberto para improvisação ou para ser manipulado em função da produção. Foi uma coisa que a prática me ensinou. Se o que está no papel atrapalha o andamento da filmagem, jogo o papel fora.

Meu segundo filme foi o episódio “A Baladíssima dos Trópicos contra os picaretas do sexo”, do longa Audácia, a fúria dos desejos (1969). É a história de uma garota que começa a fazer um filme, acaba se metendo com produtores espúrios da Boca do Lixo e não consegue termina-lo. A certa altura, ela diz: “Joguei meu roteiro fora, e agora meu roteiro é um gibi do Cavaleiro Negro”. Quer dizer, o próprio personagem definiu o estilo do filme, que nem roteiro tinha, era improvisado a partir do cotidiano.

Fiz dois curtas em 16 mm que nunca chegaram a ser editados: Duas cigarras e Pierrô si fu, uma brincadeira godardiana. Depois, filmei o curta Essa rua tão Augusta, antes do episódio de As libertinas, mas só foi montado após esse filme. Para ser sincero, não gosto de Augusta, “Alice” ou Audácia, são muito ruins. Eu gosto dos filmes dos meus amigos, que são ótimos.
                                              
Nesse período, eu participava ativamente de um grupo que depois foi identificado como Cinema Marginal, pós-Cinema Novo. “Alice” era quase um manifesto de mau comportamento. Quando estava filmando As libertinas, pedi para fazer uma panorâmica aos trancos e barrancos, uma coisa malfeita mesmo, em homenagem ao Primo Carbonari. Esse era um conceito que eu e o João Callegaro tínhamos muito claro na nossa cabeça, a gente fala isso até textualmente no tal “Manifesto Cafajeste”: temos que sair do péssimo para chegar ao ótimo. Em Audácia, a primeira fala da cineasta é: “Temos que fazer filmes péssimos!”. Essa ideia era revolucionária naquele momento do cinema brasileiro.

Se existe um movimento de cinema marginal, ele nasce na São Luís. Jairo Ferreira, Rogério Sganzerla, Andrea Tonacci, Ozualdo Candeias, José Mojica Marins, todos eles circulavam por lá. O movimento nasceu na São Luís e depois foi militar na Boca. Nós, da São Luís, abraçamos os dois cineastas mais importantes da Boca do Lixo, que eram Candeias e Mojica. Admiração e respeito absoluto por dois artistas instintivos. Mojica e Candeias estão para o país assim como nossos maiores pintores primitivistas: grandes criadores formados pela vida.

Na verdade, ninguém gostava da expressão “marginal”; eu comecei a usar o termo “pós-novo”. O Cinema Novo lidava com certezas, apontava saídas, pós-novo lidava com a dúvida, não via saída nenhuma, o desfecho era sempre uma estrada vazia. Tivemos o privilégio de viver muita coisa em muito pouco tempo: o ativismo político, o desbunde, a droga, a fase mística; tudo isso num espaço de cinco, seis anos.

CARREIRA

Costumo separar as fases da minha carreira. Corrida em busca do amor (1971) marca o fim do que chamo primeira fase e o início da segunda, que vai até Extremos do Prazer, de 1983. Corrida resultou de um convite que recebi para fazer um filme do gênero juvenil. O roteiro, de um terceiro, só tinha um terço escrito. Mas me deram total liberdade para eu inventar o que eu quisesse. Fui chamado para dirigir esse filme porque o produtor queria contratar Ronnie Von, um cantor famoso na época. E o Ronnie Von tinha fama de ser o intelectual, o erudito da Jovem Guarda; então não dava para chamar qualquer um da Boca do Lixo para dirigir. Mas, na hora de soltar a grana, não tinha dinheiro para pagar o Ronnie Von. Ele saiu do filme, e eu fiquei. Aí aconteceu uma coisa muito engraçada: a produtora da filmagem foi ficando dia a dia mais pobre, a tal ponto que, quando íamos filmar os tais carros de corrida que pedia o título do filme, não haver dinheiro para alugar carro nenhum. Aí, comecei a inventar.

Com Corrida em busca do amor eu defino o cinema como meu meio de expressão, definitiva e conscientemente. Apesar de amar o cinema desde garoto, eu ainda tinha minhas dúvidas se era o que eu queria fazer. Vários colegas meus abandonaram, foram fazer outra coisa, e eu também andava reticente. Lembro que um amigo nosso, o escritor e cineasta Márcio Souza, foi preso em 1970. Mostraram várias folhas, só para deixar claro, para ele, que estava todo mundo fichado. A Boca inteira estava lá. Eu também, fichado como anarquista. Isso desencadeou uma paranoia no meio. Algumas pessoas começaram a desaparecer do mapa e cheguei ao ponto de me perguntar por que continuar fazendo filmes.

Naquele momento eu cheguei a filmar um terço de um longa-metragem que era sobre esse estado de espírito: só gente indo embora do país, filmei travellings imensos da avenida 23 de Maio, que leva ao aeroporto. Mas o filme foi interrompido por falta de condições financeiras e pressões familiares. Por isso, preferi fotografar os filmes de outros diretores.

Comecei a aprender a fotografar muito cedo, em primeiro lugar porque eu tinha um equipamento de 16 mm e fui obrigado a aprender a lidar com aquilo para poder fotografar meus próprios filmes e os filmes dos meus amigos. Em segundo lugar, porque vivi uma situação meio traumática com o fotógrafo do meu primeiro filme e, a partir daí, passei a fazer eu mesmo a fotografia. A partir de Audácia, a direção de fotografia foi meu sustento por quase 20 anos. Fotografei 38 longas-metragens, além de incontáveis curtas, comerciais, documentários, filmes institucionais, etc. O fato de ter achado um caminho profissional como fotógrafo foi o que me possibilitou ficar no Brasil.

De 1971 a 1983 meus filmes foram feitos estimulados pela bilheteria. As duas únicas grandes exceções nesse período são Liliam M: relatório confidencial (1974) e Amor, palavra prostituta (1979), que são filmes femininos, difíceis e pessimistas. Em Lilian M, o projeto estético detona a dramaturgia, é um filme em busca de um estilo, o grande mérito dele está no experimentalismo dialogando com o cinema popular.

A partir de Filme Demência (1985), começa um ciclo completamente novo, a terceira fase da minha vida e do meu cinema. São filmes inspirados basicamente na minha experiência de vida e nas pessoas próximas a mim. Essa fase deve terminar com um novo projeto de filme chamado A dor do amigo católico. Como observou o crítico João Carlos Rodrigues, eu sempre intercalo um filme “masculino” com um “feminino”, e não vai dar para fugir disso agora. Não se trata de um filme religioso, o que me interessa é a liturgia. Estou interessado no mistério.

Acho que o ponto culminante do meu cinema erotizado é Extremos do Prazer (1983). É quando o tema do desejo se confunde com a questão política, com o marxismo; na verdade, o grande tema do filme é embate entre Marx e Freud, ou, mais especificamente entre Marx e Reich. A partir daí o desejo, como assunto, continua me interessando, mas o novo eixo da minha dramaturgia é a minha experiência cotidiana. Não apenas filmes autobiográficos, mas sempre visando a reflexão sobre o que me rodeia.

Agora, vou partir realmente para o imaginário, vou filmar o ABC paulista sob a óptica feminina. Não vivo no ABC paulista, mas fiz todo um longo trabalho de pesquisa tentando entender como funciona a cabeça da mulher operária. Escolhi a indústria têxtil pelo fato de terem sido as operárias têxteis as primeiras a fazerem greve no país. Pretendo retomar algo próximo ao estilo do meu Anjos do arrabalde (1986) ou do hiper-realismo humanista dos filmes de Roberto Rossellini.

INFLUÊNCIAS

O melodrama aparece com clareza nessa minha terceira fase. Aí entra um pouco a influência de Rossellini, de Valério Zurlini, da fase idealista da adolescência, do cinema japonês, que é uma influência inegável. Eu não tenho receio de explicitar essas influências, ao contrário, acho que não dá para escapar delas. Sempre digo que em todos os meus filmes, em especial em Alma corsária, existe uma grande influência do cinema brasileiro, sou apaixonado pelo cinema brasileiro, e nunca tive nenhum preconceito contra gênero nenhum.

Em Alma corsária há a chanchada social de José Carlos Burle, com o personagem da Flor inspirada na Dercy Gonçalves quando jovem; o personagem de Jorge Fernando tem o perfil e cacoetes de Zé Trindade. Há Humberto Mauro, há o Cinema Novo, o Cinema Marginal, o cinema brasileiro está quase todo ali: na forma de filmar o mar, na forma de filmar o campo.

Em Dois Córregos (1999) há duas sequencias que foram conscientemente filmadas em homenagem a dois filmes brasileiros. Um deles é Limite, de Mário Peixoto. Em toda a sequencia da memória do personagem de Beth Goulart, ela está dentro de um barco à deriva, como em Limite, só que como o filme é colorido, predomina o azul. O segundo é Ganga bruta, de Humberto Mauro. Na cena final, quando o personagem de Carlos Alberto Riccelli corre atrás da mulher no meio do mato, se tirar a música de Ivan Lins e colocar a música de Ganga bruta, fica igualzinho, com o mesmo sentido estético. Por mais influências que eu possa ter do cinema japonês, dinamarquês (Dreyer), de Fritz Lang, Orson Welles, Godard, em praticamente todos os meus filmes há essencialmente o cinema brasileiro.

ALMA CORSÁRIA

Alma Corsária é essencialmente masculino. Como em quase todos os outros, a música tem sempre grande importância. Nesse filme, no entanto, ela é essencial. Fui eu que compus e arranjei a trilha musical, a música veio antes do próprio filme.

Em Alma Corsária, o entendimento entre os personagens se estabelece através da poesia. É a poesia que une os dois amigos, que são os personagens principais. Às vezes, a poesia não precisa ser falada, mas estabelece um momento de entendimento entre os personagens, por exemplo, quando o pai da prostituta fuma um cigarro com Rivaldo (o protagonista). É a poesia do trivial, a beleza dos gestos essenciais que esse filme tenta detectar. Não há grandes eventos na vida dos personagens. Os eventos que marca a memória deles estão no cotidiano. Busco, portanto, a poético do prosaico. Isso também está presente em Anjos do Arrabalde e Dois Córregos. Ao contrário dos meus filmes anteriores, construídos a partir de relações distantes do meu cotidiano.

O primeiro roteiro de Alma corsária data de 1981 e se chamava Alma gêmea. Eu o escrevi com o dinheiro que ganhei num concurso de roteiros, promovido pelo Estado. Tratava basicamente de dois poetas que lançavam livros distintos, mas ao mesmo tempo, num mesmo loca. Um de família abastada, outro de família pobre. Não era tão autobiográfico, era algo mais centrado no período da contracultura. Ganhei o concurso, esqueci aquele roteiro e fui fazer Filme demência (1985).

Logo veio o Plano Collor e eu resolvi dar um tempo. Fui estudar música com Wilson Sukordki, um dos introdutores no Brasil da música digital, e me dediquei ao estudo da composição, ao uso do computador na música. Montei um estúdio em casa e passe a me dedicar com mais constância à música. Ao mesmo tempo, estava tentando desenvolver o projeto Vida de sonhos/sonhos de vida, primeiro esboço da minha saga operária do ABC, quando a televisão espanhola cortou as co-produções com países sul-americanos (era com ela que o projeto ia ser feito). Parecia que tudo conspirava contra mim. Quando eu e a minha sócia Sara Silveira estávamos abrindo a Dezenove Som e Imagens, para trabalharmos também com música para filmes institucionais e peças de teatro, surgiu o concurso da Prefeitura do Município de São Paulo para produção de longa-metragem.

Esse foi o gesto pioneiro da retomada de produção do cinema brasileiro – deveria ser repetido centenas de vezes – e ele veio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, na época da Marilena Chauí. O concurso era muito bacana porque se propunha a bancar praticamente 80% da realização de um filme de custo médio ou baixo. Eu ia entrar com uma história que estava desenvolvendo, chamada A protestante, mas não havia terminado o roteiro. Então, faltando três dias para entregar, me liga o Eduardo Aguilar e me sugere entrar com o roteiro que eu fizera em 1981, o Alma gêmea. Fui reler o roteiro, mexi em várias coisas, coloquei muito da minha vida na história e liguei para minha sócia afirmando que com esse projeto dava para fazer um filme com o dinheiro do concurso. No entanto, ente sair o resultado, assinar o contrato e o dinheiro chegas às nossas mãos, deu-se uma defasagem de 60% no valor, porque a inflação estava galopante. Quando acabamos de filmar a última cena, acabou o dinheiro.

Um ano e meio depois começa a funcionar, efetivamente, a Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual. A primeira atitude foi financiar, através de lei de incentivo, a finalização dos filmes interrompidos. Veio a proposta: se nós nos empenhássemos em terminar Alma corsária a tempo de exibi-lo no Festival de Brasília, seríamos os primeiros a receber o financiamento. Foi o que aconteceu. Conseguimos um pequeno financiamento do Banco de Brasília para fazer a edição final e a mixagem.

Alma corsária, filmado nos primeiros meses de 1991, teve sua primeira cópia em outubro de 1993 e custou exatamente US$ 387 mil. Hoje, custaria no mínimo US$ 900 mil. Não se pagou até hoje. Não foi feito com a ideia de ser um filme comercial, mas teve uma função importante, pois abriu várias portas. Por exemplo, trouxe o Espaço Unibanco de Cinema para a distribuição de filmes brasileiros. Respondeu à necessidade de uma camada universitária que estava começando a entrar no mercado exibidor francês. Foi lançado no mercado de vídeo americano como filme de arte, até hoje é vendido lá com o título de Buccaneer soul. Foi o primeiro filme que, no processo de retomada, ganhou um prêmio internacional, nos 30 anos de Pesaro. Nada mais sintomático que o único prêmio ganho pelo cinema brasileiro em Pesaro, antes de Alma corsária, tenha sido o prêmio de público para o filme São Paulo S.A., dirigido pelo meu primeiro avalista e produtor, Luiz Sérgio Person.

Enfim, Alma corsária teve uma importância nesse processo todo porque se aventurou por territórios abandonados há muitos anos. Foi votado como um dos maiores filmes da década, tanto no Rio de Janeiro, como em São Paulo. Na votação do jornal Folha de S. Paulo, foi escolhido como o segundo melhor filme da década. Quer dizer, a existência dele foi importante para que esse processo de retomada começasse a existir. Por isso digo que não dá para acreditar na retomada de mercado sem ter o Estado como parceiro. Nenhum filme brasileiro se paga unicamente no país.

A LEI DO AUDIOVISUAL

Acho que a Lei do Audiovisual vem servindo para alavancar a produção. Só que, exatamente por ser democrática e abrangente, ela suscita o aparecimento de picaretas, de cara que nunca fez filme na vida, mas que tem grana, tem crédito, e que disputa na cara dura o mesmo espaço do profissional que milita há muito tempo, ou do estreante que trabalhou e dedicou anos de sua vida para a produção de filmes. Ora, o cara que tem produtora, tem grana, tem um monte de equipamento, que é ativo imobilizado, entra no mesmo páreo que o cineasta que fez 20 filmes e ainda precisa passar pelo “vestibular” (alguns de cartas bem marcadas). O que aconteceu com Lima Barreto, com Glauber Rocha, com alguns dos nossos diretores mais importantes, que deram a sua vida e o sangue pelo cinema? Por que um deus como Nelson Pereira dos Santos não filma?

O que tornou viável, na verdade, essa ideia da Lei do Audiovisual foi a parceria com o Estado, essa é a visão definitiva. No caso de São Paulo, conseguimos fazer com que o governador entendesse a importância da lei e envolvesse a Sabesp e o Banespa. Acho que a Lei do Audiovisual só com o empresariado brasileiro funciona pela metade. A iniciativa privada brasileira é desconfiada e, na maior parte das vezes, morre de medo do leão. Há exceções, evidentemente, mas basicamente os grandes co-produtores de filmes brasileiros, hoje em dia, são as empresas estatais e a TV Cultura de São Paulo.

Quando a Lei do Audiovisual começou, vislumbrou-se uma luz no fim do túnel para o futuro do cinema brasileiro. Começou-se quase a poder determinar um nível de dramaturgia em que se pudesse contemplar tanto para o lado artesanal e artístico quanto o interesse do público; o público vai ver A ostra e o vento, Central do Brasil, Guerra de Canudos, Lamarca, Orfeu, Policapo Quaresma. Conseguiu-se, até, definir um perfil de cinema que, sem abrir mão de sua identidade, tentava se aproximar do mercado externo, e isso era interessante. Mas, de repente, começam a entrar na roda os picaretas do meio, que tentar usar a lei para cavar dinheiro fácil com o documentário oportunista em série – coisas como “50 filmes sobre os 500 anos do descobrimento do Brasil” ou “Pedras preciosas do Brasil” ou “Animais ameaçados do Brasil” e outras sandices. Eu entendo que a Lei do Audiovisual foi feita para estimular a dramaturgia nacional com a cumplicidade da iniciativa privada, para oxigenar a produção que estava agonizante e não para privilegiar o filme institucional mercenário, sem identidade, assinatura e vergonha na cara.

FILMES DIRIGIDOS POR CARLOS REICHENBACH

1968- As Libertinas (episódio “Alice”), 35 mm, longa-metragem
1968- Essa rua tão Augusta, 35 mm, curta-metragem
1969- Audácia, fúria dos desejos (prólogo, episódio “A Baladíssima dos trópicos contra os picaretas do sexo”), 35 mm, longa-metragem
1971- Corrida em busca do amor, 35 mm, longa-metragem
1974- Lilian M: relatório confidencial, 35 mm, longa-metragem
1977- Sede de Amar (Capuzes Negros), 35 mm, longa-metragem
1977- A ilha dos prazeres proibidos, 35 mm, longa-metragem
1979- Amor, palavra prostituta, 35 mm, longa-metragem
1980- Sangue corsário, 35 mm, curta-metragem
1980- Sonhos de vida, 35 mm, curta-metragem
1980- O M da minha mão, 35 mm, curta-metragem
1980- Paraíso proibido, 35 mm, longa-metragem
1982- As Safadas (episódio “A rainha do fliperama”), 35 mm, longa-metragem
1983- Extremos do Prazer, 35 mm, longa-metragem
1985- Filme demência, 35 mm, longa-metragem
1986- Anjos do arrabalde, 35 mm, longa-metragem
1988- City Life (episódio “Desordem em progresso”), 35 mm, longa-metragem
1994- Alma corsária, 35 mm, longa-metragem
1994- Olhar e sensação, 35 mm, curta-metragem
1999- Dois Córregos, 35 mm, longa-metragem
2002- Equilíbrio & graça, 35 mm, curta-metragem


Publicado originalmente em NAGIB, Lúcia. O cinema da retomada: depoimentos de 90 cineastas dos anos 90. Lúcia Nagib; prefácio de Ismail Xavier- São Paulo: editora 34, 2002.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Mostra Boca em Roterdã na Cinemateca Brasileira



A BOCA EM ROTERDÃ
10 de julho a 05 de agosto de 2012
 
 
Com o apoio do Festival Internacional de Cinema de Roterdã (International Film Festival Rotterdam), a Cinematecareapresenta em São Paulo a mostra The mouth of garbage – subculture and sex in São Paulo 1967-1987destaque daúltima edição do eventoum dos mais importantes festivais de cinema do mundoCom curadoria de Gabe Klingeraretrospectiva exibe uma seleção de filmes rodados entre as décadas de 1960 e 1980, incluindo desde obras de referência docinema brasileiro de vanguardacomo A margemde Ozualdo Candeias, O bandido da luz vermelhade RogérioSganzerlae Orgia ou o homem que deu criade João Silvério Trevisana clássicos do cinema de sexo explícito comoFuk fuk à brasileirade Jean Garrette Senta no meuque eu entro na tuade Ody Fraga.
 
Objeto desprezado pela historiografia oficial do cinema brasileiroinvestigado com interesse por pesquisadoresindependentesalvo de preconceitos ou de um culto que às vezes deturpa seu significadoo cinema da Boca começou aganhar forma quando produtoresdistribuidores e exibidores sediados no centro da capital paulistasouberam erguer umsistema contínuo de produção e comercialização de filmesmantido por capital privado e favorecido pela lei deobrigatoriedade decretada pelo governo no início dos anos 1970, que garantia espaço ao filme brasileiro nas salas deprojeçãoContando com esta reserva de mercadoa Boca investiu em gêneros narrativos popularesflertando com o filmepolicial e de aventuracom o faroestea comédia erótica e em sua derrocada nos anos 1980, com o sexo explícitoAlémdissotambém criou um star system próprioalimentado pela celebração de suas musas e astros através de jornais erevistase funcionou ainda como espaço de formação para inúmeros técnicos e realizadoresacolhendo os jovens queprocuravam uma opção artística diversa daquela praticada pelos cinemanovistas – a geração do chamado cinema marginal.
Contando com uma parcela expressiva da filmografia da Bocae com obras que dialogam com o imaginário ali cultivadoamostra A BOCA EM ROTERDàhomenageia o cineasta Carlos Reichenbach (1945-2012), apresentandoem novas cópias35mmos longas Lilian Mrelatório confidencial e o raro Império do desejoPara contribuir com a discussão sobre ocinema ali produzidoa Cinemateca ainda promove dois debates ao longo de julho – o primeirono dia 14/07, com apresença do diretorroteirista e escritor João Silvério Trevisanque assina o anárquico Orgia ou o homem que deu criaeo segundo no dia 21/07, com a presença do cineasta Alfredo Sternheimautor de Anjo loiroestrelado por Vera Fischer.Orgia ou o homem que deu cria e Anjo loiro serão projetados em novas cópias 35mm confeccionadas pela Cinemateca.Outro destaque da programação é Vítimas do prazer – snuffde Claudio Cunhapérola sobre dois produtores estrangeirosque vem ao Brasil para rodarna Boca do Lixoum filme snuffno qual os atores são mortos de verdade diante das câmeras.
 
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207
próxima ao Metrô Vila Mariana
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Maiores de 60 anos e estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação de documento.
 
PROGRAMAÇÃO
 
10.07 | TERÇA
 
SALA CINEMATECA BNDES
 
18h30 LILIAN MRELATÓRIO CONFIDENCIAL
21h00 IMPÉRIO DO DESEJO
 
11.07 | QUARTA
 
SALA CINEMATECA BNDES
 
18h30 A MARGEM
20h30 O CONVITE AO PRAZER
 
12.07 | QUINTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
18h30 O BANDIDO DA LUZ VERMELHA
20h30 O DESPERTAR DA BESTA
 
13.07 | SEXTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
18h30 O PORNÓGRAFO
20h30 VEREDA TROPICAL SENTA NO MEUQUE EU ENTRO NA TUA
 
14.07 | SÁBADO
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
15h30 LILIAN MRELATÓRIO CONFIDENCIAL
19h00 ORGIA OU O HOMEM QUE DEU CRIA ENCONTRO COM JOÃO SILVÉRIO TREVISAN
 
15.07 | DOMINGO
 
SALA CINEMATECA BNDES
 
16h00 O CONVITE AO PRAZER
 
17.07 | TERÇA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
18h30 UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO 1969/70 O VAMPIRO DA CINEMATECA
20h30 UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO 1970/71 O INSIGNE FICANTE
 
18.07 QUARTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
18h30 ORGIA OU O HOMEM QUE DEU CRIA
 
19.07 | QUINTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
18h30 IMPÉRIO DO DESEJO
20h30 BOCADOLIXOCINEMA: 31/12/1976 | AOPÇÃO OU AS ROSAS DA ESTRADA
 
20.07 | SEXTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
19h00 O DESPERTAR DA BESTA
21h00 FUK FUK À BRASILEIRA
 
21.07 | SÁBADO
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
16h30 UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO 1969/70 O VAMPIRO DA CINEMATECA
19h00 ANJO LOIRO ENCONTRO COM ALFREDO STERNHEIM
 
22.07 | DOMINGO
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
16h30 O PORNÓGRAFO
18h30 BOCADOLIXOCINEMA: 31/12/1976 | AOPÇÃO OU AS ROSAS DA ESTRADA
20h30 A MARGEM
 
24.07 | TERÇA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
19h00 O BANDIDO DA LUZ VERMELHA
21h00 ORGIA OU O HOMEM QUE DEU CRIA
 
25.07 QUARTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
18h30 ANJO LOIRO
20h30 LILIAN MRELATÓRIO CONFIDENCIAL
 
26.07 | QUINTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
18h30 UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO 1970/71 | O INSIGNE FICANTE
20h30 VÍTIMAS DO PRAZER – SNUFF
 
27.07 | SEXTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
19h00 IMPÉRIO DO DESEJO
21h00 OHREBUCETEIO!
 
28.07 | SÁBADO
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
19h00 VÍTIMAS DO PRAZER – SNUFF
21h00 BOCADOLIXOCINEMA: 31/12/1976 | AOPÇÃO OU AS ROSAS DA ESTRADA
 
29.07 | DOMINGO
 
SALA CINEMATECA BNDES
 
16h00 O CONVITE AO PRAZER
 
31.07 | TERÇA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
21h00 VEREDA TROPICAL SENTA NO MEUQUE EU ENTRO NA TUA
 
01.08 | QUARTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
20h30 OHREBUCETEIO!
 
02.08 | QUINTA
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
21h00 FUK FUK À BRASILEIRA
 
03.08 | SEXTA
 
SALA CINEMATECA BNDES
 
18h30 ANJO LOIRO
 
04.08 | SÁBADO
 
SALA CINEMATECA PETROBRAS
 
16h00 A MARGEM
21h00 VÍTIMAS DO PRAZER – SNUFF
 
05.08 | DOMINGO
 
SALA CINEMATECA BNDES
 
16h00 UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO 1970/71 | O INSIGNE FICANTE
 
 
FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES
 
Anjo loirode Alfredo Sternheim
São Paulo, 1973, 35mmcor, 103’Mario BenvenuttiVera FischerCelia HelenaEwerton de Castro
Professor apaixona-se pela jovem namorada de seu melhor alunoMas as repetidas infidelidades da moça o levam aodesesperoLançado no auge do cinema marginale em meio à consolidação de uma produção regular da BocaAnjo loiroobteve boa repercussão de público até ser interditado pela censuraEstrelado por Vera Fischeré inspirado no clássico deJoseph von SternbergO anjo azuladaptado de um romance do escritor Heinrich Mann. Fotografia de Reinaldo Paes deBarros.
não indicado para menores de 16 anos
sáb 21 19h00 | qua 25 18h30 | sex 03 18h30
 
Aopção ou as rosas da estradade Ozualdo Candeias
São Paulo, 1981, 35mm, pb, 88’
Carmem Angélica, Alan Fontaine, Nere di Passi, Carmem Ortega
Mergulho no cotidiano de um grupo de mulheres pobrescortadoras de canaMarginalizadasvivem à beira da estrada,levando a prostituição como forma de sobrevivência e única maneira de se chegar à cidadeUnindo sequênciasdocumentais e ficcionaisAopção ou as rosas da estrada recebeu o Prêmio Leopardo de Bronze no Festival de Locarno de1981.
não indicado para menores de 16 anos
qui 19 20h30 | dom 22 18h30 | sáb 28 21h00
 
O bandido da luz vermelhade Rogério Sganzerla
São Paulo, 1968, 35mm, pb, 92’
Paulo Villaça, Luiz Linhares, Helena Ignez, Pagano Sobrinho
Marginal coloca a população em polvorosa e desafia a polícia ao cometer os crimes mais requintadosEnquanto cometeseus delitosconhece uma provocante prostitutafamosa em toda a Boca do Lixopor quem se apaixonaPrimeirolonga-metragem de Rogério SganzerlaO bandido da luz vermelha é um dos filmes mais influentes da história do cinemabrasileiroEm diálogo com a nouvelle vague e com a obra de Orson WellesSganzerla sacode o panorama cinematográficoda épocaconstruindo
uma paródia anárquicaFotografia de Peter Overbeck e Carlos EbertMontagem de Sylvio Renoldi.
não indicado para menores de 16 anos
qui 12 18h30 | ter 24 19h00
 
Bocadolixocinema: 31/12/76de Ozualdo Candeias
São Paulo, 1976, 35mm, pb, 12’
Documentário sobre a festa de final de ano de 1976 na Rua do Triunfoorganizada pelo meio cinematográficoO filmetambém é conhecido como Festa na Boca.
não indicado para menores de 14 anos
qui 19 20h30 dom 22 18h30 | sáb 28 21h00
 
O convite ao prazerde Walter Hugo Khouri
São Paulo, 1980, 35mmcor, 111’ | Exibição em HD Cam
Sandra BréaRoberto MayaHelena RamosSerafim Gonzales
Empresário milionário e seu amigo dentistaambos casadosdedicam seu tempo para fazer sexo com várias mulheres.Juntosdesfrutam de incessantes sessões de prazer num luxuoso apartamentoEm O convite ao prazerKhouri retoma ostemas caros à sua obra como a crise existenciala insatisfação do desejo e a incomunicabilidade que permeia a vida detipos da alta burguesia paulistanaAlém de trabalhar com o universo de Noite vaziaKhouri ainda dirige neste filmealgumas das principais musas da Boca como Aldine MüllerPatrícia Scalvi e Kate LyraFotografia de Antonio Meliande.
não indicado para menores de 18 anos
qua 11 20h30 | dom 15 16h00 | dom 29 16h00
 
O despertar da bestade José Mojica Marins
São Paulo, 1969, 35mm, cor/pb, 92’
José Mojica Marins, Sérgio Hingst, Ozualdo Candeias, Andréa Bryan
Médico expõe num programa de televisão sua tese sobre as drogas e sua influência sobre a mentemostrando resultadosde seus experimentos com LSD e com a imagem de  do CaixãoFilme de invençãosintonizado com a vanguarda dosanos 1960, O despertar da bestatambém conhecido como Ritual dos sádicos, foi censurado pelo governo militarObraantropofágicaconta com roteiro do mestre da “pulp fiction” brasileira Rubens Francisco LucchettiExibição da cópiarestaurada pela Cinemateca Brasileira com patrocínio da Petrobras.
não indicado para menores de 18 anos
qui 12 20h30 | sex 20 19h00
 
Fuk fuk à brasileirade JANunes (Jean Garrett)
São Paulo, 1986, 35mm, cor, 80’
Chumbinho, Bianchina Della Costa, Iragildo Mariano, Lia Soul
Anão telepata é adotado por um casal praticante de orgiasUm diaa mulher se recusa a lubrificar o ânus para o maridocom margarina – ela  gosta de manteiga – e ele decide então sodomizar o pobre anãoque escapa do assédio pelaprivada e vai viver uma verdadeira odisseia com a direito a lusitanos pansexuaisnaves de formato fálico e outrasaberrações eróticasComédia surrealistaFuk fuk à brasileira é uma das mais estranhas produções da Boca na era doexplícito.
não indicado para menores de 18 anos
sex 20 21h00 | qui 02 21h00
 
Império do desejode Carlos Reichenbach
São Paulo, 1980, 35mm, cor, 95’
Roberto Miranda, Benjamin Cattan, Marcia Fraga, Meiry Vieira
Viúva descobre que o marido devasso mantinha uma casa na praia para encontros extraconjugaisDecidida a reaver apropriedadetomada por grileirosela embarca para o litoral edurante a viagem carona a um casal de hippiesTemposdepoisregressa para a capitale fatos estranhos começam a governar o lugar – duas estudantes desaparecemum poetalouco ronda a vizinhança e devora uma jornalista chinesaPrimeiro filme brasileiro a receber da censura o título deespetáculo pornográfico”, Império do desejo chegou a ser programado em meados dos anos dos 1980 pelo então curadordo Festival de RoterdãHubert BalsNo entantopor diversas complicaçõesnão foi apresentadoDécadas depoisgraçasao trabalho de preservação da Cinematecauma nova cópia 35mm do filme foi exibida dentro da mostra The mouth ofgarbage.
não indicado para menores de 16 anos
ter 10 21h00 | qui 19 18h30 | sex 27 19h00
 
O insigne ficantede Jairo Ferreira
São Paulo, 1977-1980, super-8, cor, 60’ | Exibição em DVD
Como num diário ou caderno de notaso cineasta e crítico Jairo Ferreira discute o conceito de invençãosegundo as teoriasde Erza PoundFilme de viagemno qual Jairo leva sua câmera até GoiásParisBahiaRio de JaneiroBelo Horizonte,encontrado diversas personalidadesentre as quais o crítico Inácio Araújoos cineastas Carlos ReichenbachJúlioBressane e Edgar Navarroe o escritor Dyonélio Machado.
não indicado para menores de 14 anos
ter 17 21h00 | qui 26 18h30 | dom 05 16h00
 
Lilian Mrelatório confidencialde Carlos Reichenbach
São Paulo, 1975, 35mm, cor, 120’
Célia Olga Benvenutti, Benjamin Cattan, Edward Freund, Lee Bujyja
Seduzida por um mascatecamponesa abandona a família para ganhar a vida em São PauloUm acidente de carro faz comque ela siga sozinha para a capitalonde assume outro nome – Lilian – e se torna amante de um industrial e de seu filhoOtriângulo amoroso termina em tragédia e ela se envolve com outro homem poderosomas é novamente abandonadaA sós,é levada para a baixa prostituição pelas mãos de um marginalApós três anos dedicando-se ao filme publicitário,Reichenbach radicaliza sua volta ao cinemarealizando uma obra à frente de seu temposob influência do cinema deShohei ImamuraProduzido com as sucatas de cenários da extinta Jota FilmesLilian M faz uma súmula da visãocinematográfica de seu diretorDestaque para a participação especial do produtor e programador da Cinemateca BernardoVorobow.
não indicado para menores de 16 anos
ter 10 18h30 | sáb 14 15h30 | qua 25 20h30
 
A margemde Ozualdo Candeias
São Paulo, 1967, 35mm, pb, 96’
Mário Benvenutti, Valéria Vidal, Bentinho, Lucy Rangel
Às margens do rio Tietê, histórias de amor se desenrolamem meio à miséria e a luta pela sobrevivênciadois casais que asociedade ignora tentam encontrar-seEntre pequenos golpes pela sobrevivênciaos personagens evoluem por entreencontros nas franjas da cidadenos baixos da várzeanão resistindo à violência de um submundo em processo deinapelável deterioraçãoFilme de estreia de Ozualdo CandeiasA margem foi lançado pouco tempo depois de Terra emtransedeslocando o foco da crítica que até então debatia o impacto do filme de GlauberElemento estranho dentro dopanorama cinematográfico da épocaA margem foi considerado um dos precursores do chamado cinema marginalHoje écelebrado como um dos mais importantes filmes do cinema brasileiro moderno.
não indicado para menores de 16 anos
qua 11 18h30 | dom 22 20h30 | sáb 04 16h00
 
Orgia ou o homem que deu criade João Silvério Trevisan
São Paulo, 1970, 35mm, pb, 92’
Fernando BeniniSérgio CoutoPedro Paulo RangelOzualdo Candeias
Depois de matar o paijovem tresloucado inicia uma caminhadapara a qual se juntam uma série de personagens – umintelectual que fala uma língua incompreensívelum travesti negroum anjo de asa quebradaprostitutasum cangaceiro,entre outros tipos brasileirosJuntoseles viajam rumo à cidade grandeEm sintonia com o movimento tropicalistaOrgiaou o homem que deu cria é marcado por uma narrativa anárquicarica de situações nonsense e personagens alegóricas.Único longa-metragem do cineastaroteirista e escritor João Silvério TrevisanOrgia conta com fotografia de CarlosReichenbach.
não indicado para menores de 16 anos
sáb 14 19h00 | qua 18 18h30 | ter 24 21h00
 
Ohrebuceteio!de Claudio Cunha
Rio de Janeiro, 1984, 35mmcor, 75’ | Exibição em Beta digital
Claudio CunhaEleni BenedettiJaime CardosoJosé Luiz Rodi
Diretor de teatro convoca candidatos para sua nova peça teatralO elenco é dividido em grupos e o encenador realizalaboratórios coletivos nos quais cada ator é obrigado a colocar seus “demônios” pra foraEnquanto os intérpretes sedebatem nos ensaioso egocêntrico diretor assiste a tudo impassivelmenteInspirado pelo musical OhCalcutta!deJacques LevyOhrebuceteiodesmonta os principais clichês do filme pornográficoTrata-se de uma das comédias desexo explícito mais originais do cinema brasileiro.
não indicado para menores de 18 anos
sex 27 21h00 | qua 01 20h30
 
O pornógrafode João Callegaro
São Paulo, 1970, 35mmpb, 80’
Stênio GarciaLiana DuvalSérgio HingstEdnardo Pinheiro
Miguel Metralha sonha em ser gângster de filme noirComeça a trabalhar numa editora de revistas pornográficas na Boca doLixomastempos depoisseu chefe morreQuando tenta mudar o estilo das publicaçõestem de enfrentar a resistência deuma cafetina e a concorrência das revistas estrangeirasHomenagem a um dos mais célebres gêneros do cinema industrialamericano e seus mitosO pornógrafo também é marcado pelo deboche e pela paródiadialogando diretamente comproduções como O bandido da luz vermelhade Rogério SganzerlaSua equipe é formada por alguns dos principaistalentos da vanguarda da épocacomo o crítico Jairo Ferreira e o montador Sylvio RenoldiParticipação especial de CarlosReichenbach.
não indicado para menores de 16 anos
sex 13 18h30 | dom 22 16h30
 
Uma rua chamada Triumpho 1969/70de Ozualdo Candeias
São Paulo, 1971, 35mm, pb, 11’
Documentário sobre a Boca do Lixosua fauna humana e cinematográficaconstruído a partir de fotos registradas porCandeias.
não indicado para menores de 14 anos
ter 17 19h00 | sáb 21 16h30
 
Uma rua chamada Triumpho 1970/71de Ozualdo Candeias
São Paulo, 1971, 35mm, pb, 9’
Segunda parte do documentário sobre a Boca do Lixo.
não indicado para menores de 14 anos
ter 17 21h00 | qui 26 18h30 | dom 05 16h00
 
Senta no meuque eu entro na tuade Ody Fraga
São Paulo, 1985, 35mm, cor, 89'
Silvia Dumont, Germano Vezani, Débora Muniz, Sandra Yoko Midori
Insólita comédia de sexo explícito, dividida em dois episódios. No primeiro, uma mulher descobre que sua vagina fala e que tem suas próprias opiniões e desejos. No segundo, um homem duplica sua capacidade sexual depois que um pênis nasce em sua cabeça. Clássico do gênero dirigido pelo mestre Ody Fraga.
não indicado para menores de 18 anos
sex 13 20h30 | ter 31 21h00
 
O vampiro da cinematecade Jairo Ferreira
São Paulo, 1975-1977, super-8, cor, 64’ | Exibição em Beta digital
Jairo FerreiraJulio Calasso Jr., Luiz Alberto FioriCarlos Reichenbach
Rodado em super-8, O vampiro da cinemateca costura poesiapastichetrechos de filmes e músicasimagens de arquivo,improviso de atores e sequências ficcionaisnuma verdadeira colagem que revela as ideias sobre o “cinema de invençãodefendido por Jairo FerreiraFilme de montagemdisposto a “inventar novos signos”, nas palavras de seu realizador.
não indicado para menores de 14 anos
ter 17 19h00 | sáb 21 16h30
 
Vereda tropicalde Joaquim Pedro de Andrade
São Paulo, 1977, 35mmcor, 18’ | Exibição em HD Cam
Cláudio Cavalcanti, Cristina Aché, Carlos Galhardo
Na Ilha de Paquetáprofessor tarado investiga a vocação genital dos legumes e frutasmantendo relações sexuais comuma melanciaEm suas experiênciasconta com a interlocução de uma atenciosa alunaComédia erótica baseada noconto homônimo de Pedro Maia SoaresUm dos quatro episódios do filme Contos eróticosVereda tropical foi censuradopelas autoridades militaresque exigiram cortes praticamente integrais na obraDe acordo com Joaquim Pedroum filmeeducativo e libertário”. Montagem de Eduardo Escorel.
não indicado para menores de 16 anos
sex 13 20h30 | ter 31 21h00

Vítimas do prazer – snuffde Claudio Cunha
São Paulo, 1977, 35mmcor, 108’ | Exibição em Beta digital
Carlos Vereza, Rossana Ghessa, Canarinho, Hugo Bidet
Dois inescrupulosos produtores de cinema estão no Brasil para rodarna Boca do Lixoum filme "snuff" (em que os atoressão mortos de verdade diante das câmeras). Para tantoprecisam de um brasileiro que se disponha a ser testa de ferroUmfotógrafo de cinemadono de uma produtora falidaacaba assumindo o papelSucesso de bilheteria na época de seulançamentocom quatro milhões de ingressos vendidosVítimas do prazer é uma das estranhas pérolas do cinema daBocaEscrito por Claudio Cunha e Carlos Reichenbachrendeu o Prêmio APCA de melhor ator para Hugo Bidet em 1977.Montagem de Sylvio Renoldi.
não indicado para menores de 18 anos
qui 26 20h30 | sáb 28 19h00 | sáb 04 21h00