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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Toni Cardi lança biografia



A Simetria de Uma Trajetória traz a história pessoal e profissional do intérprete piracicabano Irineu Travaglini, o Toni Cardi. Em dez anos de carreira, Cardi atuou em 21 longas-metragens nacionais com destaque para faroestes como Pedro Canhoto, Meu Nome É...Tonho e Noiva da Noite. Também trabalhou com importantes nomes da sétima arte nacional como Amácio Mazzaropi, Carlos Miranda (o Vigilante Rodoviário) e Raffaele Rossi. No final dos anos 1970, Toni afastou-se da área cinematográfica e dedicou-se ao ramo imobiliário. O livro será lançado na livraria Nobel do Shopping Piracicaba, em Piracicaba (interior de São Paulo) na próxima quinta-feira (dia 15) ás 18h.

sábado, 11 de maio de 2013

Filmes perdidos da Boca: Os Irmãos Sem Coragem (1972)





 Dedé Santana e Toni Cardi em cena de Os Irmãos Sem Coragem

Os Trapalhões também passaram pela Boca do Lixo. Dedé Santana e Dino Santana perambularam durante alguns anos na rua do Triunfo no início de suas carreiras. Um dos primeiros longas-metragens protagonizados pelo grupo foi Os Irmãos Sem Coragem, que também foi lançado como Os Desempregados. Rodado sem muitos recursos, o trabalho trazia no elenco outros comediantes de destaque no início da década de 1970 como o gorducho Carlos Bucka e o magricelo Gibe. Recentemente, a Europa Filmes relançou em DVD 39 títulos dos Trapalhões. Infelizmente, os filmes produzidos sem a presença de Renato Aragão permanecem esquecidos. Um desses filmes é justamente o esquecido Os Irmãos Sem Coragem, comédia dirigida por Antonio B. Thomé e realizada por profissionais da Boca de São Paulo. Em 2010, entrevistei o ator Toni Cardi que fez o papel de delegado no filme. A entrevista saiu publicada na revista Zingu!. Vejam aqui trechos do meu papo com Toni sobre esse filme:


Fala um pouco sobre o Irmãos Sem Coragem, que o senhor fez com o Dedé Santana. 


Toni Cardi- O Dedé me chamou um dia pra fazer um delegado nesse longa. A gente fez Os Trapalhões antes do Renato Aragão aparecer, inclusive, na Excelsior. Eu trabalhei com eles, fazendo cena de luta. Trabalhou eu, a Vanusa, Wanderley Cardoso. Então, a nossa amizade nasceu ali. Eu fiz teatro também, circo, luta livre em circo. A gente sempre se trombava em circos por aí. O Dino (Santana, irmão do Dedé) é piracicabano, nasceu aqui num circo. Nesse filme, eu lembro do Gibe… 


Esse filme tinha o Gibe, o Bucka. 


TC- Todos eles trabalharam. Nisso, o Dedé chegou em mim: “Eu preciso de um delegado. Você que vai fazer o meu delegado. Mas eu não tenho dinheiro”. Nós filmamos na delegacia de Pinheiros, o delegado saiu da mesa e nós fizemos ali mesmo a cena (risos). 


Foi um papel pequeno?                 


TC- Foi uma participação especial. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Feliz aniversário Toni Cardi


Hoje é um dia de festa para o cinema brasileiro. É aniversário do ator, diretor de produção e amigo Toni Cardi. São diversos trabalhos realizados dentro da sétima arte, especialmente como galã de faroestes nacionais. O ator é um dos membros mais ilustres da Boca do Lixo paulista. Atualmente, Cardi está preparando sua biografia. Todos os pesquisadores e fanáticos por cinema brasileiro estão aguardando pela obra literária. São inúmeros filmes e episódios que o moço vindo de Piracicaba viveu dentro da cinematografia nacional. Homem querido pelos colegas, Toni Cardi  possui uma trajetória interessante dentro do cinema brasileiro, tendo trabalhado com figuras únicas como Ozualdo Candeias, Amácio Mazzaropi, José Mojica Marins e outras cobras criadas. Toni: feliz aniversário e muitos anos de vida.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Ele aprontou pra cacete"

A maior proeza da carreira artística do cineasta ítalo-brasileiro Raffaele Rossi (1935-2007) foi dirigir o primeiro filme brasileiro de sexo explícito. Coisas Eróticas, produção que foi assistida por milhões de compatriotas, completa 30 anos de existência em 2012 e sua atribulada trajetória está no livro Coisas Eróticas- A História Jamais Contada da Primeira Vez do Cinema Nacional, do qual já falamos por aqui.  O papo agora foi com o ator Toni Cardi. O cara estrelou duas produções dirigidas por Rossi: o filme de terror O Homem Lobo (1971) e o faroeste Pedro Canhoto, o Vingador Erótico (1973), ambos fracassos de crítica e público. Atualmente, Cardi trabalha no segmento imobiliário e prepara uma autobiografia sobre suas aventuras no cinema brasileiro.

Por que O Homem Lobo foi rodado em preto-e-branco?
A gente não tinha dinheiro nenhum. Comprava uma lata de filme e rodava. Foi um saco bicho. Foram vários anos que a gente brigou pra fazer. Passamos fome... Puta que pariu. Tem história pra caramba. O Raffaele é o culpado por eu ter entrado no cinema.

É verdade que ele chegou a ser preso?
Muitas vezes, muitas vezes. Ele ficava devendo as pessoas e elas corriam na polícia. Aí o tempo fechava. O Raffa era conhecido em vários distritos policiais. E sobrava pra quem ajudar a soltar ele? Eu mesmo. Você se lembra do Jacinto do Sapato Branco? [Toni Cardi refere-se ao apresentador de televisão Jacinto Figueira Júnior, que ficou conhecido como o Homem do Sapato Branco.]

Sim. Jacinto Figueira Júnior.
Esse caso é gozado. Logo na primeira semana que conheci o Raffaele, nós nos encontramos em um bar em frente a Folha de S. Paulo. Nessa noite, quem encontrou a gente lá? A equipe do Jacinto. Eles foram lá entrevistar o Raffaele Rossi: “Você comprou e não pagou?”. Eu defendia o Raffaele com unhas e dentes. Fui o maior irmãozão dele, defendia pra cacete. Ele ia preso, eu ia lá tirar ele. Ás vezes, perguntava: “Cadê o Raffaele?”, aí me falavam: “Veio um investigador e levou ele”. Ele teve um monte de escritórios no centro. Chegava num lugar, não pagava aluguel, depois ia pra outro. Ia mudando. É uma história bonita, hilariante. A gente chegava no escritório e perguntava: “Cadê o Raffaele”, “Ele foi preso”. “Mas como preso?”, “Veio dois investigadores e levaram ele”. Então ia no DOPS procurar ele. Era um sacrifício do cacete. Daqui a pouco, vinha o Raffaele Rossi com a maior cara de pau caminhando: “Dois filhos da puta me encheram o saco. Mas está resolvido”. Isso aconteceu várias vezes.

Isso foi somente na produção do Homem Lobo?
Isso aconteceu durante o Homem Lobo e uma parte do Pedro Canhoto. Porque ele entrava de cabeça, não media sacrifícios. Raffaele respirava cinema. Ele era foda. Eu ia junto porque via o entusiasmo do cara. Pode colocar na sua matéria: ele entendia muito de cinema. Todo mundo ficava enfeitiçado pela paixão dele pela arte.

Só resumindo: O Homem Lobo deu grana?
Nada. Só perdemos dinheiro. Deu um baita prejuízo pra todo mundo.

E Pedro Canhoto?
O Pedro Canhoto remediou. Deu algum dinheirinho. Mas nada de impacto. 

O Raffaele ele aprontou muito na vida?
Aprontou pra cacete, pra caralho. Puta que pariu. Ele tem muito o que pagar.

Como assim?
Porque a gente paga lá do outro lado, puta que pariu. Se pegar a capivara dele, como a polícia diz tem coisa viu? Ele deve estar esperneando. Uma pena porque ele era um cara bom. Tinha um coração maravilhoso.

domingo, 6 de novembro de 2011

Edição 50 da Zingu no ar

O ator Toni Cardi é o tema da edição de novembro da revista eletrônica Zingu. Protagonista de diversos westerns brasileiros, Cardi participou de inúmeras produções do Cinema da Boca e algumas novelas. Toda a trajetória artística dele está no ar nas bancas virtuais. Basta acessar o www.revistazingu.net

domingo, 26 de junho de 2011

Chitãozinho e Xororó num filme de Raffaele Rossi

No início dos anos 70, o cineasta Raffaele Rossi tentava terminar a produção de um arrastado longa-metragem que havia começado alguns anos antes. A sua ideia original era fazer uma fita de terror que tivesse bilheteria e repercussão com o público popular. Como conseguir isso sem dinheiro nenhum?

A solução era apelar para os amigos. O diretor de produção da película era Toni Cardi, amigão de Rossi e que iniciava sua carreira de ator. Com trânsito livre na TV Tupi, Cardi conversou com o apresentador e produtor Geraldo Meirelles. Na época, o “marechal da música sertaneja” estava cuidando da carreira de uma dupla de cantores que vinham de Astorga, no interior do Paraná. Os dois irmãos já tinham adotado o nome artístico de Chitãozinho e Xororó. A dupla fez uma pequena participação em O Homem Lobo, primeiro longa-metragem assinado por Raffaele.

O filme foi lançado curiosamente em uma única sala na cidade de Capivari, interior de São Paulo, em agosto de 1971. Depois, o longa foi exibido num programa duplo no Cine Osasco entre 7 e 9 de maio de 1974. Na capital paulista, Homem Lobo só foi estrear no Cine Cairo em 19 de janeiro de 1975. Isso quase oito anos depois da produção do filme ter se iniciado. A película foi um fracasso retumbante de público e também passou despercebido pela crítica.

Na época, Chitãozinho e Xororó eram cantores desconhecidos do grande público. O primeiro disco da dupla (Galopeira, lançado pela gravadora Copacabana) vendeu apenas 10.000 cópias. Geraldo Meirelles foi o grande responsável pelos irmãos se tornarem artistas de sucesso. Rossi prosseguiu dirigindo filmes populares até lançar em Coisas Eróticas, em 1982, o primeiro longa-metragem brasileiro de sexo explícito.