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sábado, 11 de maio de 2013

Filmes perdidos da Boca: Os Irmãos Sem Coragem (1972)





 Dedé Santana e Toni Cardi em cena de Os Irmãos Sem Coragem

Os Trapalhões também passaram pela Boca do Lixo. Dedé Santana e Dino Santana perambularam durante alguns anos na rua do Triunfo no início de suas carreiras. Um dos primeiros longas-metragens protagonizados pelo grupo foi Os Irmãos Sem Coragem, que também foi lançado como Os Desempregados. Rodado sem muitos recursos, o trabalho trazia no elenco outros comediantes de destaque no início da década de 1970 como o gorducho Carlos Bucka e o magricelo Gibe. Recentemente, a Europa Filmes relançou em DVD 39 títulos dos Trapalhões. Infelizmente, os filmes produzidos sem a presença de Renato Aragão permanecem esquecidos. Um desses filmes é justamente o esquecido Os Irmãos Sem Coragem, comédia dirigida por Antonio B. Thomé e realizada por profissionais da Boca de São Paulo. Em 2010, entrevistei o ator Toni Cardi que fez o papel de delegado no filme. A entrevista saiu publicada na revista Zingu!. Vejam aqui trechos do meu papo com Toni sobre esse filme:


Fala um pouco sobre o Irmãos Sem Coragem, que o senhor fez com o Dedé Santana. 


Toni Cardi- O Dedé me chamou um dia pra fazer um delegado nesse longa. A gente fez Os Trapalhões antes do Renato Aragão aparecer, inclusive, na Excelsior. Eu trabalhei com eles, fazendo cena de luta. Trabalhou eu, a Vanusa, Wanderley Cardoso. Então, a nossa amizade nasceu ali. Eu fiz teatro também, circo, luta livre em circo. A gente sempre se trombava em circos por aí. O Dino (Santana, irmão do Dedé) é piracicabano, nasceu aqui num circo. Nesse filme, eu lembro do Gibe… 


Esse filme tinha o Gibe, o Bucka. 


TC- Todos eles trabalharam. Nisso, o Dedé chegou em mim: “Eu preciso de um delegado. Você que vai fazer o meu delegado. Mas eu não tenho dinheiro”. Nós filmamos na delegacia de Pinheiros, o delegado saiu da mesa e nós fizemos ali mesmo a cena (risos). 


Foi um papel pequeno?                 


TC- Foi uma participação especial. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

É sexta-feira


O poeta oficial da Zingu! e amigo de todas as horas Diniz Gonçalves Júnior lança seu segundo livro (Concha Acústica) pela Dobra Editorial. Um programa imperdível para quem gosta de poesia e boas histórias. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Carlos Reichenbach (1945-2012)


Foram várias histórias contadas. Vários papos sem fim. E ele era daqueles que gostava de jovens “chatos” que ficam perguntando e perguntando sobre coisas antigas. Conheci pessoalmente Carlos Reichenbach em 2004, numa exibição do Corrida Em Busca do Amor. De lá pra cá, criei com o Gabriel Carneiro a Zingu! que ajudou de alguma maneira diversas pessoas a terem o reconhecimento. Esse ano está sendo negro, primeiro um Pio Zamuner, depois um Adriano Stuart que eu tinha o telefone e não consegui conhecer. E o Carlão foi uma grande personalidade, um cara extremamente acessível, generoso e humano. Construiu uma obra paulistana por excelência, com destaque para Anjos do Arrabalde, Alma Corsária, Lilian M, Corrida. O cinema paulista e brasileiro está mais pobre hoje. Perdemos um personagem único.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dossiê Walter Hugo Khouri na Zingu de aniversário

Imperdível. Essa talvez seja a melhor maneira de definir a revista eletrônica Zingu! do mês de outubro, que está disponível desde anteontem no www.revistazingu.net

A publicação completa cinco anos de existência e quem recebe o melhor presente são os leitores. Os temas do dossiê duplo são realizador Walter Hugo Khouri e a atriz Lilian Lemmertz.  De minha lavra, escrevi a resenha sobre Convite Ao Prazer, um dos grandes longas-metragens do esteta. O amigo Adilson Marcelino edita a revista com capricho e carinho. Realmente, são cinco anos de lutas e conquistas pela preservação da memória da nossa cinematografia. Fico feliz que tenhamos chegado nessa marca graças ao empenho de diversos colaboradores, todos amigos de longa data como Ailton Monteiro, Andrea Ormond, Daniel Salomão Roque, Diniz Gonçalves Júnior, Eduardo Aguilar, Filipe Chamy, Gabriel Carneiro, Marcelo Carrard, Sergio Andrade. Me desculpem se eu esqueci de alguém neste breve comentário. 

O importante é que a Zingu! alcança cinco anos com vitalidade, força e enegia. Que continue sempre assim.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Zingu 42 no ar (dossiê Alfredo Sternheim)


Amigos leitores: já está no ar a edição de fevereiro da revista eletrônica Zingu!. O número 42 da publicação é dedicado ao cineasta Alfredo Sternheim, autor de grandes filmes como Anjo Loiro, Paixão Proibida, Tensão e Desejo, entre outros.

Assinei as críticas sobre Amor de Perversão, Brisas do Amor e Comando Explícito. Também peguei depoimentos de vários ex-companheiros de trabalho do Alfredinho, como o realizador Juan Bajon. Foi um grande prazer ter colaborado de forma efetiva num produto cultural desta categoria. Meus parabéns a todos os demais amigos que colaboraram com a excelência desta edição e em especial ao amigo Adilson Marcelino que coordenou tudo. Vejam o resultado no www.revistazingu.net

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nossa Canção: Germano Mathias


 
Historicamente, a produção cultural da cidade de São Paulo sempre foi tratada pela intelectualidade brasileira como algo menor. No campo literário, autores como Marcos Rey, Henrique Matteucci e Lourenço Diaféria sempre foram subestimados pela classe universitária. No campo musical, existem diversos artistas que não ganharam o devido reconhecimento.

Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini são os compositores mais conhecidos e lembrados do samba de São Paulo. Nomes como Noite Ilustrada, Mauricy Moura e Jorge Costa sempre foram subestimados. O sambista Germano Mathias é outro artista que pertence a esse time.

O Marlon Brando do Pari fez muito sucesso no final dos anos 1950 e início dos 60. Inventivo, ele aprendeu a cantar nas rodas dos engraxates das praças Clóvis Bevilácqua, Sé e República. O primeiro contrato profissional de Germano, feito na Rádio Tupi de São Paulo, o considerava “cantor e executante de instrumentos exóticos”.

O escritor e pesquisador Caio Silveira Ramos é autor de Sambexplícito- as Vidas Desvairadas de Germano Mathias, (2009), biografia oficial do sambista. Ele considera o artista paulistano uma figura transgressora para os anos 50. “Em seu período inicial no Brasil, a televisão era muito séria, sisuda. O Germano era um artista diferente pra época pela personalidade dele. Ele chegava nos programas de TV e pulava na platéia, dava pirueta”, explica. A popularidade do Catedrático do Samba era tanta que ele acabou participando de dois longas-metragens no período.

Em 1959, Germano fez sua estreia no cinema na comédia Quem Roubou Meu Samba? de José Carlos Burle. Produção da Cinelândia Filmes, esta chanchada trata do polêmico tema dos direitos autorais. O filme é baseado numa peça do dramaturgo Silveira Sampaio e o elenco é encabeçado por Ankito, Maria Vidal, Aurélio Teixeira e Catalano. O cantor aparece em uma cena ao lado de Ankito e canta a canção Figurão, faixa do disco Em Continência do Samba.

No mesmo ano, Mathias participou da fita O Preço da Vitória, de Osvaldo Sampaio, um dos primeiros filmes nacionais a tratar do futebol. O argumento é sobre um jovem (o galã Maurício Morey) que sonha em ser um jogador bem sucedido e famoso. No entanto, ele encontrará uma série de dificuldades até se firmar na profissão. Germano Mathias participa de uma antológica cena ao lado do cantor Nerino Silva, em que reproduz uma roda de engraxates da Praça da Sé, região central de São Paulo. Na mesma cena, o sambista aparece cantando o sucesso Lata de Graxa. “Na verdade, O Preço da Vitória não é um grande filme. A película vale mais por ter a presença dos jogadores que tinham sido campeões mundiais na Suécia”, avalia Silveira Ramos.

Conhecido popularmente como Mandusca, Barra Funda, e Marlon Brando do Pari, Germano Mathias teve altos e baixos em sua carreira. “A grande influência dele foi o cantor Caco Velho. No entanto, ele é um artista bastante diferente do Caco. Na minha opinião, ele continua sendo um dos três grandes cantores brasileiros”, opina o cantor e médico Francisco José Bueno Aguiar.

Cantor do asfalto e do concreto de São Paulo, o Catedrático do Samba nem sempre foi bem aceito pela crítica musical. A maioria dos jornalistas cariocas julgou que Germano sempre teve um sotaque muito característico em suas músicas. O crítico José Ramos Tinhorão sempre considerou a canção Minha Nega na Janela preconceituosa. Já Tarik de Souza sempre foi um defensor do sambista. No livro 300 Discos Importantes da Música Brasileira, ele comenta sobre o artista: “Uma espécie de Moreira da Silva paulista, malandro das malocas, de camisa listrada, chapeuzinho enterrado, sapato branco, Germano foi boxeador e bom de pernada”.

Aos 76 anos, o Marlon Brando do Pari continua dando shows e gravando discos. Tive a oportunidade de conversar rapidamente com Germano no ano passado. Muito sério no início da conversa, ele me perguntou: “Mas afinal, você é realmente meu fã?”, eu respondi: “Sim”. Ele deu uma rápida risada e me respondeu: “Olha meu filho, eu não tenho culpa do seu mau gosto”.

Texto de minha lavra publicado originalmente na edição 41 da revista eletrônica Zingu! com dossiê sobre o cineasta José Miziara.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O jornalismo e eu (repórter de terrão)

                                              Marcos Faerman- grande repórter de terrão

O jornalista Marcos Faerman (1943-1999) definiu certa vez que ser repórter é no fundo ser um grande aventureiro. Afinal, é um privilégio poder ser uma testemunha ocular da história. Registrar acontecimentos que merecem ser divulgados para a sociedade. Essa é a função do jornalista e essa foi a minha escolha profissional.

Nunca pensei em fazer direito, engenharia ou economia. Sempre gostei do jornalismo e de reportar. Desde a muito cedo sempre tive um forte contato com os livros. Eles foram grandes amigos. Passar tardes caçando volumes em sebos sempre foi um dos meus programas favoritos. “De novo ir naquele lugar empoeirado menino? Você ainda vai pegar algum resfriado!”, dizia a minha mãe. Com tudo isso, não tive dificuldades em optar pela carreira.

Uma das paixões que fizeram eu ter abraçado o jornalismo foi o cinema. Sempre tive uma obsessão pelo cinema brasileira e por seus personagens esquecidos. Virava dias e madrugadas assistindo ao Canal Brasil. Por isso, entre outubro de 2006 e março de 2009 editei com alguns amigos uma revista eletrônica dedicado inteiramente ao tema. A publicação que ainda existe se chama Zingu! (www.revistazingu.blogspot.com).  Fui editor durante trinta edições, trabalhando com um assunto praticamente sem referências bibliográficas.

Pude compreender claramente que trabalhar com jornalismo cultural no Brasil e em São Paulo não é fácil. Minha revista eletrônica era basicamente sobre o cinema da Boca do Lixo. Entrevistei diversos cineastas, atores, atrizes e técnicos. Resgatamos pessoas e histórias esquecidas pelo tempo e espaço.

Foi por esse trabalho que compreendi o que é ser repórter de terrão. Revirei diversas vezes a periferia da Grande São Paulo atrás de pessoas que tiveram uma participação no cinema brasileiro e paulista. Muitos não quiseram me receber. Outros se tornaram amigos, alguns mestres. Não tenho dúvida que as melhores matérias são as realizadas longe da redação, do computador e do telefone. São feitas próximas da fonte, respeitando e procurando conseguir focalizar o lado humano do entrevistado.

Quando fui fazer meu trabalho de conclusão de curso na universidade não procurei falar sobre cinema e jornalismo cultural mais vez. Precisava escrever sobre outros assuntos, precisava procurar novos horizontes. Por isso, realizei um livro reportagem sobre ex-jogadores. Foi outro universo que se abriu pra mim e pelo qual também me sinto atraído de alguma maneira.

Nem cinema, nem esporte: meu grande interesse no jornalismo é falar de personagens, realizando entrevistas e perfis. Sempre quando escrevo procuro de alguma maneira ter acesso ao sistema nervoso central do entrevistado, procurando saber quais são seus conflitos internos. Dessa maneira, posso alguma transformar uma simples reportagem em uma forma de conhecimento e um método de investigação da realidade.

Ler Henrique Matteucci, Marcos Rey, Nelson Rodrigues e Ruy Castro foi muito importante na minha formação. Colaborar em jornais, revistas, sites e trabalhar com assessoria de imprensa também. Mas o que mantém minha fé na profissão é conhecer e poder falar sobre pequenas pessoas que possuem grandes histórias. É por isso que continuo e irei continuar perseguindo o jornalismo de maneira apaixonada. 

*Texto de minha autoria aprovado no Curso Abril de Jornalismo 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Zingu! ganha prêmio IBAC 2010


Como os amigos sabem a revista eletrônica Zingu! que fundei recebeu o prêmio cinema do IBAC (Instituto Brasileiro de Arte e Cultura) 2010. Tudo é resultado de muito trabalho e empenho em prol da divulgação da nossa cultura. Eu poderia ficar aqui escrevendo diversas linhas sobre a premiação. Mas vou deixar somente um rápido comentário sobre a Zinguzinha e a minha pessoa que o amigo e jornalista Fausto Salvadori Filho fez no seu blog Boteco Sujo:

Merecido, porque a revista, feita com muita garra mas nenhuma grana, virou a grande fonte sobre a história do cinema paulista. Parabéns ao mano Matheus Trunk, um dos criadores da revista. Matheus é o pesquisador mais incansável que conheço e um autêntico pervertido sexual: gerontófilo que adora entrevistar velhos cheios de lembranças e um tarado por papéis amarelados que nunca perde a chance de satisfazer seu vício nos cantos esquecidos dos sebos.

Agradeço a todos os parceiros que acreditaram e continuam acreditando na minha pessoa.  Mas logo a Zingu! vai voltar com a corda toda. É como dizem naquela velha moda do Tonico e Tinoco: "Ai que saudade eu tenho da estrada/Da poeira da boiada/Meu galo indio, madrugada". Logo a revista volta da saudade e continuará seu caminho de divulgar o cinema popular e a cultura do nosso povo. Aguardem e muito obrigado por tudo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Zingu concorre a prêmio do IBAC

A revista eletrônica Zingu! está concorrendo ao prêmio do IBAC (Instituto Brasileiro de Arte e Cultura) na categoria cinema. Nossos concorrentes são a Coleção Aplauso do Cinema Brasileiro e a Coletivo Alumbramento. A entrega do prêmio vai ser na próxima quarta-feira, dia 24 de novembro, ás 19h no Auditório da Aliança Francesa. Amigos: torçam por nós.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Três anos de Zingu: histórias nunca reveladas


Me afastei da direção Zingu por motivos pessoais. Nesses três anos de colaboração, muita coisa aconteceu. Sempre me interessei pelas pessoas populares e principalmente pelos técnicos. Entrevistei muitos profissionais que moram na periferia de São Paulo e mesmo em lugares distantes. Sempre foi ótimo. Colecionei algumas histórias que torno públicas agora. São histórias verdadeiras que aconteceram comigo mas que sempre ficaram nos bastidores.


- Fui entrevistar um cara que foi dossiê numa cidade próxima a São Paulo. Sai cedo de casa e não tinha almoçado. Fiz a entrevista e estava esperando o ônibus pra voltar pra São Paulo. Mas não tinha lugar nenhum pra comer perto da rodoviária. Terminei almoçando salgadinho Torcida. E nem era o de pimenta que é ótimo. Outro detalhe da rodoviária: o banheiro era imundo.

- Esse negócio de dormir em ônibus é muito perigoso. Uma vez quase cheguei atrasado pra uma entrevista por conta disso. Agora, entrevistado chegar atrasado é normal. Mas entrevistador pega muito mal.

- Uma vez fui entrevistar um cara da Boca que morava numa rua chamada Roland Garros. Desci do ônibus e não achava a droga da rua. Perguntava em todo lugar, mas não achava. Em padaria, banca, ninguém identificava o lugar. Cheguei num posto e falei pro cara, e ele também não conhecia. Comecei a ficar desesperado. Mas o cara ficou desconfiado: conhecia um nome de rua parecido com aquele. Escrevi o nome num papel. Ele me falou: “Poxa moço, porque você não me falou antes que queria ir na Rolandegarros” (eu tinha soletrado o nome separado). O cara foi atencioso e eu encontrei a rua.

-Nunca acreditei nessas coisas de Eugênio Bucci que o jornalista não pode ter amizade ou proximidade com fonte. Eu já tomei cerveja com cineasta, já tomei cachaça. Já virei noite em bar. Também já paguei almoço e bebida várias vezes. Ajudei um inclusive a pagar a dentadura.

- Fui uma vez entrevistar um técnico muito importante da Boca no litoral de São Paulo. Sem conhecer a cidade bem, acabei indo andando da rodoviária até o prédio do cara. Cheguei suado. Quando o achei, falei: “Puxa senhor, é uma honra estar com você. Você trabalhou com fulano e ciclano”. Ele me respondeu: “Eu nunca fui porra nenhuma. Por favor, e deixe fulano e ciclano fora disso. Eles já morreram porra”.

- Creio que o técnico percebeu que eu não tinha almoçado. Ele também não. Ele me convidou para almoçarmos juntos. Fingi que não queria, mas foi muito legal. A esposa dele era muito simpática. Detalhe: ele só comia de colher (quem foi da Boca, sabe de quem eu estou falando). Depois, o cara continuou com dó de mim e me indicou o lugar onde eu podia pegar um ônibus até a rodoviária. Falou ainda: “Mas eu não dou nunca mais esse negócio de entrevista. A gente não ganha um puto com isso”.

- Outra vez fui entrevistar um técnico em Guarulhos. Foi um sábado de manhã (véspera de um Palmeiras e Internacional, que eu queria comprar o ingresso). Fui fazer a entrevista e o cara não tinha celular. E eu não conhecia o cara. Só tinha visto fotos antigas dele. Ele demorou uma hora e meia mais ou menos. Eu achei que ele não ia aparecer. Mas ele apareceu, deu mais de três horas de material. Figura maravilhosa. Eu queria ter comprado ingresso pro jogo no mesmo dia. Mas isso não aconteceu. Só consegui comprar de cambista no dia seguinte e gastei uma grana boa.

- Teve um entrevistado que se tornou dossiê que não apareceu no lugar combinado. Fiquei muito nervoso. Mas depois, marcamos outro dia e ele apareceu. É um cara legal.

- Fui entrevistar um técnico da Triunfo no Frans Café, na avenida Paulista. O técnico era uma pessoa bastante simples, tinha sido cobrador de ônibus antes de ingressar no cinema. Ele pediu um café. O café vinha com um chocolate. Ficamos conversando e o chocolate acabou derretendo. Depois, ele chamou a garçonete do café: “Moça, o meu chocolate gozou!”. Muito gente fina ele, um cara acima da média.

- Uma vez fui entrevistar um profissional da Boca num apartamento no centro de São Paulo. Sai tarde de casa e peguei um taxi. O taxista achou estranho o local escolhido. Expliquei pra ele que eu era jornalista e que ia entrevistar uma pessoa de idade que morava no local. O prédio em que o profissional mora é bem simples. Quando chegamos, ele me perguntou: “Senhor jornalista, isso aí não é um puteirinho?”.

O resto fica pras mesas de bar e pro meu livro de memórias. Feliz 2010 a todos.