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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Nicole Puzzi ganha mostra na Cinemateca Brasileira

A Cinemateca Brasileira promove durante o mês de outubro a mostra retrospectiva “Eu, Nicole Puzzi, Possuída Pelo Prazer”, dedicada a carreira da atriz Nicole Puzzi. São nove longas-metragens e um curta que contam parte significativa da trajetória da atriz. Entre as produções selecionadas está o filme de estreia da musa (Possuídas Pelo Pecado de Jean Garrett) e obras de destaque do diretor Walter Hugo Khouri (Eros, o Deus do Amor e Eu). O evento é uma realização da ADAP (Associação dos Artistas Amigos da Praça), ELA (Escola Livre de Audiovisual), Cinemateca Brasileira e Canal Brasil. A mostra conta com curadoria de Ivam Cabral, Rodolfo Garcia Vazquez e Márcio Aquilles.  Toda mostra é gratuita. A Cinemateca Brasileira está localizada no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, zona sul de São Paulo. A instituição é próxima a estação Vila Mariana do metrô.

VSP comenta alguns dos longas-metragens presentes na mostra:

Ariella (1980, John Herbert)
Cotação: ***
Um clássico do drama erótico e da filmografia da musa. Baseado num livro da polêmica escritora Cassandra Rios, Ariella (Nicole Puzzi) é criada pela família responsável pela morte de seus verdadeiros pais. Ela descobrirá a sexualidade e armará uma vingança. Filme bem acabado e bem dirigido. Destaque para o elenco estrelar que contou com gente do porte de Laura Cardoso, Sérgio Hingst e Christiane Torloni.
Sábado (06/10) ás 19h
Sábado (13/10) ás 17h



As Sete Vampiras (1986, Ivan Cardoso)
Cotação: ****
Um clássico de filmografia do cineasta Ivan Cardoso com roteiro de Rubens Francisco Lucchetti. Sílvia (Nicole Puzzi) inicia as pesquisas de uma planta carnívora que passa a atacar diversas pessoas. Ao mesmo tempo, uma série de crimes começam a acontecer com um grupo de balé chamado As Sete Vampiras.
Sábado (06/10) ás 21h
Quinta (11/10) ás 19h

Damas do Prazer (1979, Antônio Meliande)
Cotação: ****
Um grande roteiro de Ody Fraga. A vida diária de um grupo de prostitutas durante o mercado do sexo na Boca paulistana. Nicole Puzzi faz uma moça chamada NP que gosta de notícias de jornais sensacionalistas. O talentoso curta-metragem mineiro Lembranças de Mayo de Flávio V. Sperling (Flamingo) é exibido na mesma sessão.   
Quinta (04/10) ás 20h30
Sábado (13/10) ás 21h

Eros, o Deus do Amor (1981, Walter Hugo Khouri)
Cotação: ****
Filmado com a câmera subjetiva, o longa-metragem trata da vida sentimental de Marcelo (Roberto Maya). Suas relações com as mulheres seja a mãe, a esposa, a filha, a amante ou antigas namoradas. Um dos grandes trabalhos de Khouri.
Sexta-feira (05/10) ás 21h
Domingo (14/10) ás 18h



Eu (1986, Walter Hugo Khouri)
Cotação: **
O milionário Marcelo (Tarcísio Meira) reúne um grupo de mulheres na sua casa de praia. O elenco feminino é o destaque com Nicole Puzzi, Bia Seidl, Monique Lafond e Christiane Torloni.
Sexta-feira (05/10) ás 19h
Quinta-feira (11/10) ás 21h

Possuídas Pelo Pecado (1976, Jean Garrett)
Cotação: ***
Primeiro filme protagonizado pela moça vinda do Paraná. A trama gira em torno do ricaço Leme (Benjamin Cattan) que sente-se frustrado por não ter tido um filho com a esposa Raquel (Meiry Vieira). O motorista André (David Cardoso) planeja dar um golpe para ficar com o dinheiro do patrão utilizando a filha da empregada doméstica da casa (Nicole Puzzi). Uma trama envolvente. Terceiro longa-metragem dirigido por Jean Garrett e o último pela produtora Dacar Filmes de David Cardoso.
Domingo (07/10) ás 18h
Domingo (14/10) ás 20h

sábado, 14 de maio de 2016

Feliz aniversário Mário Vaz Filho


Natural de Santos, Mário Vaz Filho construiu uma carreira de respeito dentro da Boca paulista. Primeiro atuou como assistente de direção de nomes representativos do cinema paulista como Jean Garrett e Antônio Meliande. Foi um dos sócios da produtora Embrapi e prosseguiu como realizador. Atualmente, Marinho mora no centro de São Paulo e possuí diversos projetos na área do audiovisual. O VSP deseja e ele todas as felicidades nesta data especial.

domingo, 7 de julho de 2013

“Essa história de dizerem que a Boca foi faculdade é papo furado”



Abril de 2012. O pessoal da Boca do Lixo de São Paulo estava em festa. O realizador Mário Vaz Filho apresentou seu novo curta-metragem (A Mulher Barata) protagonizado pela atriz Débora Muniz. Pouco depois da exibição, os papos se prolongam num bar anexo ao Pessoal do Faroeste. Nesse interim, converso rapidamente com o diretor sobre esse trabalho. Marinho ficou famoso por dirigir diversos clássicos do pornô brasileiro nos anos 1980 como Um Pistoleiro Chamado PapacoAbre as Pernas, Coração e A Dama de Paus. Sarcástico e explosivo, Marinho é do tipo de entrevistado que não foge das perguntas. Confiram o papo que tive com ele.



Violão, Sardinha e Pão- Como surgiu a ideia desse curta?



Mário Vaz Filho- Eu sou fã do Kafka. Mas isso eu fiz uma brincadeira né? Uma brincadeira porque eu achei que o barato era uma mulher barata de cobrar barato. As características na minha opinião...relendo eu percebi que dava pra fazer uma brincadeira em cima.



VSP- Como foi trabalhar com a Débora Muniz mais uma vez?



MVF- Só teria feito o filme se ela pudesse. Tenho uma certa liberdade com ela pra trabalhar. Eu achei que a personagem tinha que ter certa disponibilidade de ficar pelada, aquelas coisas todas. Hoje tem uma certa cabreragem em relação a isso. Encontrei com ela num evento e falei o que ia ser. Ela topou, escrevi o roteiro. Fiz algumas mudanças...eu não sabia como fazer a barata. Mas o Ciambra (Antônio Ciambra, diretor de fotografia) falou que ele ia resolver o problema. Com essas duas coisas resolvidas, eu já tinha falado com o Diomédio (Diomédio Piskator, produtor). Ele achou legal a ideia do curta. Esse filme irá entrar num longa de cinco episódios. O Diomédio produziu, foi um parceiro muito importante. Cuidou de toda parte da produção. A gente juntou os amigos e a coisa aconteceu.



VSP- Quais são seus próximos projetos na área?



MVF- Eu tenho dois projetos aprovados pela lei mas é difícil de arrumar. Estou com um parceiro como captador de recursos. Um projeto é ficção e outro é documentário. O documentário é sobre água baseado num livro. Esse gênero não é o muito meu esquema...prefiro ficção. Mas acho que vou partir pra essa porque não dependo de ator. Não que eu não goste de ator. Mas hoje é meio complicado. Querem gente global, quer isso, aquilo. Se você não tiver certo entrosamento com esse pessoal começa a inviabilizar os projetos.



VSP- Dos seus filmes, qual é o preferido?



MVF- Não sei...filme é como filho. Lógico que alguns estão com mais problemas. Outros menos. Mas é difícil né? Ultimamente tenho feito somente curta-metragem mas a maioria eu gosto. Não vejo outra forma de fazer dentro da proposta. Não posso dizer gosto mais desse, gosto mais daquele. Gosto muito do Autofagia, um filme pouco visto. O que eu fiz com as crianças também em Sorocaba.



VSP- O seu filme Um Pistoleiro Chamado Papaco continua fazendo muito sucesso na Internet. O que você acha disso?



MVF- Eu acho...fazer o quê?



VSP- É verdade que você está escrevendo um livro de memórias sobre o Cinema da Boca?



MVF- O livro está praticamente pronto. Estou dando os retoques finais pra ver como vou poder viabilizar com alguma editora. Mas o trabalho está concluído e fala sobre os mais de 40 longas-metragens que eu trabalhei. Falta somente o acabamento final, colocar as fotos. Mas a mão-de-obra pesada está feita. Falta os retoques. Cada vez que eu pego mudo alguma coisa. De uma certa forma, está pronto.



VSP- Você foi assistente de muita gente na Boca: Kopesky, Ody, Toninho, Jean. Qual foi o mais importante pra você?



MVF- Jean Garrett. Não digo que ele seja o meu mestre, mas foi o cara que eu me senti melhor trabalhando. O pouco que eu sei aprendi muito com ele. Ele era como um irmão pra mim. Dois caras da Boca que eram como irmãos pra mim: ele e o Cláudio Portioli (diretor de fotografia). Tive outros grandes amigos. Mas esses eram amigos da gente ficar juntos todos os dias.



VSP- No livro vai ter muitas histórias sobre o Jean?



MVF- Claro. Isso vai ter. Tudo aquilo que você queria me perguntar vai estar no livro.



VSP- Só pra sintetizar Marinho: a Boca foi uma faculdade pra você?



MVF- Isso é conversa. Que papo furado é esse? Não tem faculdade. Cinema é aquilo, o cara aprende. Faz ou não faz, sabe ou não sabe. O Plínio Marcos é que falava um negócio legal: “Não tem escola pra artista”. Embora eu não me considere artista. O cara pode aprimorar, adquirir conhecimento. Mas ou você tem aquela coisa de saber fazer ou não tem. Se ele não tiver, não adianta Boca, não adianta porra nenhuma. Não é qualquer um que pode chegar e falar: “Eu vou dirigir um filme”. Lógico que a Boca foi uma escola. Aí você vai sacando as coisas. Mas eu acho que o teatro foi. É uma somatória de coisas que a gente tem e depois tenta colocar. Ou sabe ou não sabe.



VSP- O que você acha do cinema brasileiro atual?



MVF- Eu tenho visto pouco. Não tenho visto com a intensidade que eu gostaria. Ás vezes falta de tempo, falta de saco. Uma série de coisas. Mas dos últimos que eu vi...o que eu gostei foi o Cama de Gato. Um filme barato, feito meio na raça sem muito nhem nhem nhem. Eu gosto do Tropa de Elite, mais do primeiro que do segundo. Gosto do Carandiru, Cidade de Deus. Mas eu não poderia falar porque muitas coisas boas eu não vi. Vi algumas coisas em DVD e muitas eu não gosto. Mas eu teria que ter um tempo pra raciocinar em cima.



VSP- Você acha que ainda existe muito preconceito contra os cineastas que eram da Boca?



MVF- Lógico que existe. Existe muito. Aquela velha coisa: “Será que eles vão colocar o dinheiro no bolso? Será que eles vão fazer?”. Uma coisa é certa: bem ou mal, a gente aprendeu a fazer cinema com muito pouco. Já pensou eu com dois, três pau na minha mão vão falar: “O cara vai colocar metade do dinheiro no bolso e ainda vai fazer um filme legal”. Esse filme não custou nada. Sabe o que esse filme custou? Foram três almoços. Tá certo: o pessoal colaborou, não ganhou. Se o produtor pagasse todo mundo seria uns 50 mil. Sobre a Boca...o pessoal de faculdade curte muito. Quer levar a gente toda hora pra ir falar...



VSP- Dar palestra...



MVF- Inclusive eu estou com saco cheio disso. Estou querendo dar palestras mas recebendo. O que eu tinha fazer de graça já fiz. Quem tinha que levar o meu já levou. Isso eu falo até pras mulheres que deram pra mim. Ou me dá algum ou eu não vou. Agora se tiver algum e algum legal. Senão, eu não vou. É aquela história: a Cacilda Becker colocou no teatro dela: “Não me pessa de graça a única coisa que eu tenho pra vender”. O que eu pra vender hoje é isso: a minha experiência, o que eu participei. Por quê eu vou dar de graça isso? Sendo que os negos cobram. Quem quiser compartilhar com isso vai ter que pagar. Senão, eu fico no bar jogando conversa fora com os meus amigos. Aí sim eu posso fazer de graça.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sinopse do filme As Viúvas Eróticas


O filme inicia com três caixões sendo carregados por quatro homens cada um. Os caixões são colocados no velório e os homens após abrirem as tampas, se afastam. Ficamos então com o primeiro caixão e a primeira viúva.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Filmes perdidos da Boca: As Viúvas Eróticas (1982)


Hoje fazem exatos trinta anos que este filme estreou comercialmente. Foi no dia 28 de fevereiro de 1983. Trata-se de outra película produzida pela mitológica Embrapi: As Viúvas Eróticas. Este foi um dos títulos comerciais lançados pela empresa visando ter uma renda favorável. Por isso mesmo, o argumento da fita não se diferenciava da maioria dos longas realizados na rua do Triunfo. Muitas produções exploravam o lado erótico de todos os tipos de mulheres de diferentes idades e ocupações: virgens, prostitutas, enfermeiras, secretárias. Nesse aqui, o lado sensual fica por conta de quatro jovens viúvas: Patrícia Scalvi, Lígia de Paula, Silvia Gless e Rosa Maria Pestana.

Para baratear ainda mais a produção, os sócios da Embrapi dividiram As Viúvas em episódios de curta-metragem. Foram poucos dias para três equipes reduzidas terminassem seus filmes e conseguissem entregar o trabalho na data combinada. Mesmo assim, o longa ficou pronto e conseguiu ser lançado no Cine Marabá. A fita não obteve críticas favoráveis ou público favorável. Coisas Eróticas já estava em cartaz. Os cinemas só estavam interessados em sexo explícito. A pornochanchada tinha ficado velha para o seus fãs cativos. Dessa maneira, não é estranho perceber que os  episódios dirigidos por Mário Vaz Filho, Antônio Meliande e Ody Fraga sumiram no tempo e espaço.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Filmes perdidos da Boca: Instinto Devasso (1987)



 Musa de Castellini, Patrícia Scalvi também está em Instinto Devasso



A Embrapi (Empresa Brasileira de Produtores Independentes) merece um capítulo dentro da história do cinema paulista. A produtora foi uma tentativa de realizar filmes de maneira independente dentro da Boca do Lixo. A empresa tentava mesclar películas populares com trabalhos mais pessoais. Dessa maneira, a Embrapi aglutinou alguns dos maiores talentos daquela geração: Jean Garrett, Cláudio Portioli, Mário Vaz Filho, Antônio Meliande, Antonio Moreras, Eder Mazzini, Carlos Reichenbach, Concórdio Matarazzo, Ody Fraga e Luiz Castellini. Este último dirigiu um único longa-metragem produzido pela empresa: Instinto Devasso. O próprio Castellini acredita que este seja seu trabalho mais pessoal. Infelizmente, trata-se de seu filme menos lembrado.



Filme autoral e hermético, Instinto Devasso chegou aos cinemas quando as fitas de sexo explícito estavam reinando as nossas salas. Por isso, o longa-metragem demorou cinco anos para entrar no circuito comercial. O roteiro parece ser tirado de algum filme europeu: trata-se de um drama existencial sobre um homem decadente (Ênio Gonçalves) que leva uma prostituta para sua casa de praia. Ele parece achar que a moça é superior ás demais pessoas. O filme conseguiu ser exibido no Rio Cine-Festival. Instinto acabou não recebendo nenhum prêmio no evento. Segundo Castellini, o júri avaliou o longa-metragem de maneira preconceituosa. O pior de tudo é que desde então, o realizador nunca mais conseguiu dirigir um filme. Realizado há mais de 25 anos, Instinto Devasso permanece como o último longa-metragem dirigido por Castellini. Um diretor talentoso que permanece praticamente ignorado pela nova geração de realizadores nacionais. Um profissional dedicado e obstinado que está fora do cinema brasileiro.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Feliz aniversário Aldine Müller



Uma das maiores musas do cinema brasileiro. Durante muitos anos, qualquer filme com a presença dela era certeza de sucesso nas bilheterias. Isso porque a moça em questão é uma das maiores beldades do cinema brasileiro em todos os tempos: Aldine Müller.

Este verdadeiro furacão esteve presente diversos filmes realizados no período de ouro do cinema paulista. Nesse período, Aldine trabalhou com diretores consagrados da Boca do Lixo como Antônio Meliande, Cláudio Cunha, Jean Garrett, José Miziara e Walter Hugo Khouri. Foram 40 longas-metragens, quase sempre como protagonista. Mesmo na televisão, a musa conseguiu chamar atenção pela sensualidade e versatilidade. A dona Flor de A Escolinha do Professor Raimundo e Dinah em O Salvador da Pátria são somente alguns dos grandes papéis dela na telinha.

Linda e talentosa, Aldine Müller merece todas as homenagens. Feliz aniversário!