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sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “O São Paulo não merecia tanto” (16/11/1979)

SÃO PAULO 1, AMÉRICA 0

 

O São Paulo não merecia tanto

 


ANTÔNIO CARLOS GUIDA

 

Para o técnico Mário Juliato, que considerava o empate um bom resultado, certamente o seu time superou as expectativas. Mas a torcida não se iludiu com o péssimo futebol apresentado ontem pelo São Paulo, que só venceu graças a um erro do juiz Roberto Nunes Morgado. Aos 34 minutos do segundo tempo, quando o São Paulo fazia cera, tentando segurar a vitória, Bezerra, depois de ser driblado, empurrou escandalosamente o centroavante Luís Fernando dentro da área, quando este já se preparava para fazer o gol de empate. Morgado, para espanto dos americanos, marcou apenas obstrução, com a cobrança de um tiro indireto, que foi apanhado por Valdir Perez.

Na verdade, desde o início do jogo o América mostrou um time mais armado, trocando bem a bola no meio de campo e errando apenas nas finalizações, a maioria delas em chutes de fora da área. O São Paulo limitava-se a perigosos contra-ataques. Foi dessa maneira que conseguiu duas pontadas perigosas, onde Leivinha e Serginho desperdiçaram dois gols certos, chutando para fora quando se encontravam sozinhos diante de Luís Fernando. Chicão, no meio do campo, despontava como um dos piores jogadores em campo e a torcida já começava a impacientar-se com os sucessivos passes errados de seu time.

Veio o segundo tempo e o panorama não se modificou. O América voltou ainda mais perigoso. Em apenas quatro minutos, perdeu três chances de abrir o placar. O São Paulo, na base da raça, tentava equilibrar as ações. Foi num desses contra-ataques que surgiu o belo gol de Serginho, dentro da área, acertou sem-pulo de pé esquerdo, indefensável para o goleiro. A partir desse momento o América foi todo para a frente, encurralando ainda mais o São Paulo. Depois do pênalti não marcado, o América ainda teve uma chance de empatar, aos 42 minutos, quando o meia Serginho apanhou um rebote da defesa e, da marca de pênalti, chutou de primeira para fora. Antes do juiz apitar o final da partida, o São Paulo quase amplia o marcador, com Serginho se atrapalhando e permitindo que o goleiro o desarmasse com os pés.

 

O jogo foi assim

São Paulo: Valdir Perez; Getúlio, Jaime, Bezerra e Chico Fraga; Chicão, Teodoro e Leivinha (Vilson Tadei); Edu (Jaiminho), Serginho e Zé Sérgio.

América: Luís Fernando; Paulinho (Luís Vieira), Mauro, Jorge Lima e Berto; Gerson Andreotti, Cléo e Serginho; Marinho, Luís Fernando e Cândido.

Juiz: Roberto Nunes Morgado

Renda (excepcional para um jogo do São Paulo): Cr$ 665.910 com 11.359 pagantes.

Gol: Serginho aos 17 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: para Luís Vieira, do América; e Jaiminho, do São Paulo, que conseguiu tomar um cartão embora só tenha encostado duas vezes o pé na bola em 25 minutos de jogo.


Publicado originalmente no "Jornal da República" em 16 de novembro de 1979

 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Até no futebol Maluf se infiltra” (21/9/1979)

PERSONAGENS

Até no futebol Maluf se infiltra

É uma das histórias que contamos. A outra é de Zé Duarte.

 


Zé Duarte voltou para os passarinhos

Existem dois Zé Duarte. Um, o homem com uma extraordinária sensibilidade para captar o talento futebolístico florescente de qualquer jovenzinho que desponte nas várzeas interioranas – que ele conhece como a palma da mão. Outro, o menino crescido que constrói gaiolas e arapucas para emprenhar-se, dias e dias, em flores instransponíveis, segundo fascinado o canto dos bentevis, coleirinhas, canários e curiós – que ele também conhece como poucos. Zé tem extrema dificuldade para dissociar uma personalidade da outra. Por isso mesmo, ingênuo, é passarinho fácil nas armadilhas dos cartolas.

Foi assim no Santos, no Cruzeiro, no Fluminense e, mais recentemente, no Internacional. Lá está ele desempregado, com tempo para prosar com os compadres e aperfeiçoar as suas habilidades manuais. Esses mesmos compadres já o preveniram várias vezes para as malandragens do futebol, mas ele é mesmo um ingênuo inveterado.

Como aconteceu nas vezes anteriores, agora ele viu seu trabalho ser minado pelo supervisor Cláudio Duarte – poderia ser um dirigente, um conselheiro – e insistiu na sua ilimitada boa-fé.

Para Zé Duarte, um talentoso técnico de futebol, basta ser uma celebridade local, o mais famoso morador do bairro de Proença, em Campinas. Na sua simplicidade prosaica – “o que poderia o filho de imigrantes, antigo encanador e mau jogador querer mais?”, disse-me certa vez – ele acredita que qualquer ser humano é cheio de bondade até prova em contrário. Como esta prova tem que ser uma evidência cabal, Zé acaba sempre desempregado.

Daí, talvez, a sua fama de “técnico dos times de Campinas”, uma vez que só fez sucesso no Guarani e na Ponte Preta. Na verdade, Zé não pode oferecer resultados aos cartolas a curto prazo. Ele é um artesão, que costuma moldar pacientemente a massa até formar uma bela estátua, como aquela Ponte de 77. Esse extemporâneo Zé Duarte não percebeu que na pressa dos cartolas está a razão direta do seu faturamento em termos políticos.

 

A política entra em campo

Desta vez, Paulo Salim Maluf não poderá ser acusado de trapaceiro. Afinal, ele está demonstrando ser aquele tipo de político que arruma um inexplicável amor pelo Corinthians para poder faturar politicamente. O governador torce pelo São Paulo, o que nunca escondeu. E está agindo em completa harmonia com sua consciência ao tentar infiltrar-se no Conselho Deliberativo do clube do Morumbi.

Na verdade, o futebol continua sendo o segundo plano. O que Maluf deseja é esvaziar politicamente o seu adversário Laudo Natel. Para quem não sabe, Natel é um fósforo apagado apenas na política, pois continua exercendo o seu poder dentro do São Paulo, onde é um dos grandes “cardeais”, junto com Henri Aidar e Manoel Raimundo Paes de Almeida.

Enfim, o ex-governador é peça decisiva naquela oligarquia caduca que domina o tricolor há mais de 25 anos.

A infiltração estaria sendo feita através do governador José Maria Marin e do deputado Ademar de Barros (não confundir com o filho de dona Leonor), que também é conselheiro do clube. Uma vez concluída, ela daria a Maluf outro reduto político que desse asas à sua desmedida ambição pessoal.

O São Paulo, contudo, é um clube blasé. Comenta-se que nas reuniões do Conselho Deliberativo o pau costuma quebrar a níveis em que nem as mamães são poupadas. Mas ninguém fica sabendo. Os conselheiros e dirigentes se aprumam dentro dos ternos muito bem-cortados, arrebitam os narizes e escondem os problemas. Por isso, nem os “cardeais” nem a “Legião Tricolor” – a única oposição clubística brasileira que possuí registro em cartório – comentaram a pretensão de Maluf.

No entanto, a torcida vai chegando a uma triste conclusão: para quem já possuí Edu, Viana, Mug e Estevam, um flagelo a mais ou a menos não faz muita diferença.

 

Publicado originalmente no Jornal da República em 21 de setembro de 1979, edição 26

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Pobres torcedores de Sorocaba” (15/10/1979)

CORINTHIANS 1, SÃO BENTO 1

Pobres torcedores de Sorocaba

O jogo foi tão ruim que um espectador pegou no sono em cima do equipamento de uma emissora


Quinze minutos antes de o jogo terminar, ontem à tarde, boa parte da torcida já abandonava o Estádio Municipal de Sorocaba. Foi a melhor maneira que os torcedores encontraram para protestar contra o baixo nível de Corinthians e São Bento. Além das tradicionais vaias, é claro. Porque, embora o Corinthians estivesse sem 7 titulares (Zé Maria, Amaral, Djalma, Basílio, Vaguinho, Sócrates e Romeu) e o adversário apresentasse os seus desanimados Tutu, Dodô, Coca e Cacá, o estádio estava lotado.

Das 22 mil pessoas que pagaram ingressos, seguramente metade era de corintianos que por sinal se decepcionaram muito, ao verem Jairo, a “Muralha Negra”, tomar o maior frango de sua vida, segundo ele mesmo confessou ao final do primeiro tempo. O inusitado lance foi assim: Dodô, do meio de campo, deu um “balão” fraco e despretensioso em direção ao gol do Corinthians. Quando quase todos no estádio, inclusive jogadores, juiz e bandeirinhas, já se voltavam para o campo de defesa do São Bento, eis que a bola dá uma “quicada” na frente de Jairo, encobre o gigantesco goleiro e vai para o fundo das redes. A solidariedade humana, no entanto, não faltou neste infeliz momento. O time inteiro do Corinthians foi consolar Jairo.

O primeiro tempo terminou em 1 x 0 para o São Bento, apesar de o Corinthians, esmo com Taborda, ter dominado o jogo, Biro-Biro, com ares de Sócrates, se destacava, dando passes de calcanhar, correndo, driblando, jogando pelo time inteiro.

No segundo tempo, logo aos 6 minutos, Piter recebeu um cruzamento de Geraldão e emendou para dentro do gol do São Bento. A torcida corintiana se animou, agitou bandeiras, gritou, incentivou o time, acreditando numa reação. Mas a sua vibração ficou mesmo só para esse solitário gol. Em determinado momento, o que acontecia dentro de campo era tão desinteressante que um espectador dormiu em cima do equipamento da rádio e TV Bandeirantes.

Para os corintianos, ficou o consolo de que, o time jogou sem Sócrates (que já vale por mais de meio time) e mais 6 outros titulares. E a esperança de que no terceiro turno o seu time jogue o futebol com que eles tanto sonham.

 

O JOGO FOI ASSIM

Corinthians: Jairo; Luiz Cláudio, Taborda, Zé Eduardo e Wladimir; Caçapava, Wagner e Biro-Biro; Piter, Palhinha e Geraldão.

São Bento: Márcio; Marcelo, Tutu, Nilson Andrade e Dodô; Draílton, Gatãozinho e Coca; Cremilson, Campos e Cacá.

Renda: Cr$ 1.096.040,00 (recorde em Sorocaba), com 21.384 pagantes.

Juiz: Oscar Scolfaro

Gols: Dodô, aos 36 do primeiro tempo, e Piter aos 6 minutos do segundo tempo.

 


Publicado originalmente no Jornal da República em 15 de outubro de 1979, edição 43

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “A festa de dona Marlene” (29/9/1979)

FIGUEIREDO/CORINTHIANS

 

A festa de Dona Marlene

A primeira dama do Corinthians roubou o banquete ludo-político


RICARDO KOTSCHO

 

Estavam presentes o presidente da República, três ministros de Estado, os comandantes militares em São Paulo, o governador, o prefeito e demais altas autoridades civis e militares. Mas o dono da festa foi uma mulher, Marlene Matheus, a primeira dama do Corinthians. Vestida num longo alvinegro, dona Marlene não cabia em si de contente e desbancou o governador Paulo Maluf na tarefa de puxar o presidente Figueiredo pelo braço. Tão feliz estava a primeira dama corintiana, nesta gloriosa festa dos 69 anos do Sport Club Corinthians Paulista, que ela já fazia planos para o futuro, anunciando que daqui a um mês, quando o presidente da República voltar a São Paulo para o lançamento da pedra fundamental do novo estádio do clube, “nós vamos colocar dois milhões de corintianos na rua”. Dona Marlene até ganhou um troféu junto com os campões paulistas de 77.

Logo na entrada do ginásio, palco do banquete para duas mil pessoas (posta de peixe grelhada com salada “wadorf”, camarão com molho remolhado, supremo de frango com risoto e champingnons à provençal, maçã glacê), um imenso painel com as cores do Brasil e do Corinthians e as efigies de Figueiredo e Matheus; bandeirinhas alvinegras de graça para todos. Quando o presidente entrou, a banda da PM tascou o hino do Corinthians (Matheus queria o Hino Nacional, mas o Palácio do Planalto vetou), todos acenaram as bandeirinhas e Figueiredo logo recebeu uma de dona Marlene, para acenar também.

Há muito não se via uma festa tão autenticamente tropical. Políticos, cartolas, jogadores e treinadores, conselheiros do clube e suas digníssimas, todos confraternizavam no imenso tablado decorado com cravos brancos e vermelhos. Havia até representantes das torcidas organizadas – Atômico, Estopim, Mosqueteiros do Timão, etc – devidamente acomodados no seu lugar de sempre: nas arquibancadas. Um coro de 270 sócias-atletas do Corinthians, fantasiadas, começou a gritar Figueiredo, Matheus/Figueiredo, Matheus. Figueiredo abriu uma exceção e se dispôs a falar à imprensa. Em sua única declaração em São Paulo revelou que era corintiano desde os seis anos de idade. A veteraníssima repórter Clarice Amaral, emocionadíssima, parecia uma principiante ao microfone: “Conseguimos captar algumas palavras do presidente”. E, ao contínuo, Matheus lascou lá seu pronunciamento, da lavra de seu eterno ghost-writer Mário Campos: “Corinthians, senhor presidente, é um potencial de desenvolvimento patrimonial e esportivo, que, quando plenamente atingido, o situará como verdadeira linha auxiliar do poder público (...)”.

O centroavante Palhinha também tentou puxar o banquete mas para o lado, por assim dizer, político-sindical, mas não foi feliz. Ao topar com o ministro do Trabalho, Murillo Macedo, falou-lhe das agruras dos jogadores e do protesto que entregou ao presidente da Federação Paulista de Futebol contra o maluco calendário do campeonato. Inútil. O inefável Macedo respondeu com outra pergunta, mais mansa: “Você é mineiro de onde?”. De Belo Horizonte, respondeu Palhinha. “Pois eu sou de Sete Lagoas”, retrucou o ministro do Trabalho. E todos atacaram as atrações do banquete, que estava muito gostoso, segundo comentários ouvidos pela reportagem.

 

A “Fiel” ficou de fora. Como sempre

Mas Elisa, torcedora-símbolo, disse: “Meu Curíntia é meu país!”

TONICO DUARTE

O deputado Biro-Biro chegou esbaforido. Terno cinza de colete e tudo, novinho, comprado em crediário de loja popular. Queria saber se teria de “falar com o hôme”. Antes de mais nada, é bom esclarecer que o “homê” era o general Figueiredo, que ontem, tentou ser mais João do que nunca, ao comparecer ao banquete de aniversário do Sport Club Corinthians Paulista, também conhecido como “Timão”. Biro-Biro, que na última eleição recebeu mais votos do que muito parlamentar, deveria ter perguntado a seu colega Nabi Abi Chedid, que passava ao largo, pouco antes da chegada presidencial: “Acho que vou ficar apavorado se ele me perguntar sobre aqueles votos que tive”, confessava Biro-Biro. “Já pensou se ele me pergunta? O que é que eu vou dizer?”.

Mas o “home” chegou e não houve nada de apocalíptico – a não ser a parafernália de sempre: batedores com sirenes a toda chega-pra-lá de agentes de segurança (delicadamente, como mandam os tempos de abertura), gritinhos dos que ficaram fora da festa, etc. Estava armada a grande festa-modelo “glamour patropi” para receber o presidente da República. De um lado, solícito e elegante, o outro mandachuva do evento, Vicente Matheus: “Só o Corinthians consegue trazer um presidente da República, clube nenhum mais pode. Por isso estou orgulhoso e emocionado”.

Lá fora, o povão sofria espasmos de satisfação. O presidente chegou de terno cinza escuro, e muitos lembravam que ele trazia estampado um ar mais saudável do que Geisel, presente ao Corinthians no ano passado. Só uma decepção, de Tuim, um velho torcedor: “Nossa, como ele é baixinho! É quase da altura do Matheus. Sabe como é, a gente vê aquelas fotos dele fazendo ginástica e imagina que seja do tamanho do Jairo (o goleiro do Corinthians de quase 2 metros de altura)”.

Dona Marlene Matheus esteve vigilante para que tudo corresse bem de acordo com o figurino. Já de manhã, ela saiu de casa e foi direto comprar uma grava para Geraldão, o centroavante. Geraldão não tinha gravata para a grande festa.

De noite, do lado de fora do ginásio, a segurança se encarregava de barras qualquer pretensão da “Fiel” de ver o João de perto. Só Elisa, a torcedora-símbolo, teve a sua chance. Peruca caju enroladinha, vestido soirée preto de rendas e catim, ela olhou para o João, abria o sorriso desdentado e não se conteve: “Ah, esse meu Curíntia é um país!”.

 

Publicado originalmente no Jornal da República em 29 de setembro de 1979, edição 30

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “A Portuguesa tropeçou em Sócrates” (10/9/1979)

CORINTHIANS 2, PORTUGUESA 0

 

A Portuguesa tropeçou em Sócrates

Ele deu passe para os dois gols e quebrou a invencibilidade da Portuguesa


TONICO DUARTE

 

O estádio do Pacaembu faz com que qualquer jogo de futebol tenha o sabor dos velhos tempos. A frase pode encerrar uma semelhança com propagandas de cigarro ou licor, mas é cheia de verdade. Talvez pela sua arquitetura, concebida em pleno Estado Novo, que faz lembrar um circo romano. Pena que tanto aconchego tenha sido estragado por Paulo Maluf que, na sua época de prefeito de São Paulo, demoliu a concha acústica para construir o tobogã, um monstrengo de concreto que não tem nada a ver com o estilo do resto do conjunto.

Foi lá que, ontem, como nos velhos tempos, o Corinthians venceu a Portuguesa por 2 a 0, quebrando uma série invicta de 13 jogos. E a sua torcida teve mais uma vez o prazer de assistir o requintado futebol de Sócrates. É neste estádio que encontro o velho comentarista Mauro Pinheiro, da rádio Bandeirantes. Com aquele seu aplomb Mauro lembra o passado e, coincidentemente, o Corinthians e o Pacaembu sempre tiveram uma história em comum: “Aqui existe um aconchego, como se o estádio criasse vida para receber a torcida com carinho”.

Talvez por isso, no Pacaembu, a torcida do Corinthians se sinta em casa. E se espalha muito à vontade: os “Gaviões”, a “Camisa 12”, até a pequena e nova “Evolução Corintiana”, muito provavelmente uma torcida darwinista. Gritam palavrões, choram, enchem a cara e brigam com a maior naturalidade. Daniel Criosto, por exemplo, quis mostrar para a namorada Elzinha que era machão. Havia alguém sentado em seu lugar, nas numeradas cobertas, e ele não teve dúvidas – deu um tremendo tabefe na cara do atrevido. Elzinha, em prantos: “Deixa pra lá Daniel”...

O jogo começa e a Portuguesa está melhor. Mas nem por isso a torcida deixa de festejar. Afinal, o serviço de alto-falantes informa que, em Rio Preto, o América vai ganhando do Palmeiras. E o Palmeiras é o arqui-inimigo de toda aquela gente. Surgem os primeiros gritos de “porco, porco”. A pequena torcida da Portuguesa protesta e a ira dos corintianos se volta contra ela: “Burro, burro”.... - tanta vaia que a Portuguesa nem parece um time da cidade.

Rita Lee se diverte com tudo isso. Ela assistiu ao jogo na cabine da Globo, convidada por Osmar Santos. E Rita comenta que vê como se estivesse fazendo um dos seus deliciosos rocks. Talvez, um dia, ela realmente venha fazer uma canção para Sócrates: “É impressionante o nível da transação da cabeça do Sócrates. Isto aqui é uma festa, e ele é a parte maravilhosa de tudo”.

Mas o Pacaembu, ao longo dos tempos, também tem uma tradição de ser um importante ponto de contato político. No salão de mármore onde agora é servido o cafezinho para jornalistas, cartolas, eternos bocas-livres e políticos, o deputado federal Caio Pompeu de Toledo arregimenta os seus eventuais futuros eleitores. Elegante, calças bem cortadas, Caio é sempre solícito e simpático, se bem que os inimigos políticos costumam partir para algumas ilações, como, por exemplo, dizer que tão cordata figura iniciou-se politicamente no CCC.

No segundo tempo, a torcida do Corinthians sossega: o time começa a render um pouco mais. Dentro de campo, o juiz José de Assis Aragão pensa, ao que me informam, no fim-de-semana prolongado que poderia estar passando e São Sebastião. Aragão havia alugado, junto com alguns amigos, uma casa na praia e pedira licença à Federação. O presidente Nabi Abi Chedid lhe teria prometido que, ontem, ele seria escalado para apitar em São José dos Campos, de onde depois, desceria para o litoral. Ilusão: Aragão apitou o principal jogo da rodada e foi obrigado a esquecer os seus sonhos de ganhar uma cor morena, quem sabe jogar um futebolzinho.

Enquanto isso, Sócrates vai demolindo a Portuguesa. Em duas jogadas pessoais, aos 13 e aos 39 minutos, ele deixou Palhinha e Romeu prontos para marcar os 2 a 0. E, não bastasse tudo isso, aos 16 minutos levou uma solada de Bolívar, aturou-se ao chão, reclamou do juiz, fez com que a torcida iniciasse o inevitável “bicha, bicha”, pedindo pênalti. Terminada a partida, nos vestiários, ele ri e faz confissões com a sua genial simplicidade:

“Pênalti nada, só! Eu me joguei no chão, bem que temei cavar, mas o Aragão não entrou”.

No outro vestiário, João Avelino pode ter perdido o jogo, mas não perdeu a malandragem. Ele consola um grupo de chorosos lusitanos – “ai, Jesus, que lástima”. João repete o seu filósofo de cabeceira, Neném Prancha:

“Lástima nada, vamos para outro. Futebol é como sorveteria, tem pra todo quanto é gosto”.

Lá fora já é noite, e as menininhas de sempre esperam ansiosas pelos seus olimpianos. A torcida vai deixando o velho estádio e mais uma vez, “Corintia” parece ser a voz que vem da cidade.

 

O JOGO FOI ASSIM:

Corinthians 2, Portuguesa 0

Corinthians

Jairo; Zé Maria, Amaral, Djalma e Vladimir; Caçapava, Basílio e Palhinha (Biro-Biro); Vaguinho, Sócrates e Wilsinho (Romeu).

Portuguesa

Everton; Edson, Daniel Gonzalez, Bolívar e Toninho Fraga; Luciano, Eudes e Enéas; Zair (Carrasco), Rui Lima e Jorge Luís.

Juiz: José de Assis Aragão

Renda: Cr$ 2.390.760,00

Público pagante: 51.143 pessoas

Gols: Palhinha aos 13´e Romeu aos 39´do segundo tempo.

Cartão amarelo: Enéas.

 


Publicado originalmente no Jornal da República em 10 de setembro de 1989, edição 13

 

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Santos vende Juari para o México” (6/12/1979)

 Santos vende Juari para o México


Por 13 milhões de cruzeiros, ele foi para o Universidade de Guadalajara. Luís Fernando deve ocupar seu lugar

 

CELSO BERTOLI, de Santos

 

O Santos acabou desfazendo-se de um dos seus poucos ídolos desde a saída de Pelé: vendeu Juari, o seu maior goleador nos últimos tempos, por Cr$ 13 milhões, ao Universidad de Guadalajara, do México. A transação foi concretizada na tarde de ontem entre o presidente Rubens Quintas e o empresário Nicola Gravina, sendo o pagamento realizado a vista.

Juari, que deveria jogar hoje no amistoso contra o XV de Jaú, como parte das negociações do goleiro Marola, viajará na próxima quarta-feira para o México, juntamente com o diretor de patrimônio do Santos, Ricardo Chadad, para acertas as bases de seus dois anos de contrato. Comenta-se que o jogador deverá receber 80 mil dólares (Cr$ 2.560.000) de luvas e 15 mil dólares (Cr$ 480.000) de salários, uma vez que não tem direito aos 15% por não ter ainda dois anos de profissionalismo.

A venda de Juari pegou de surpresa a grande torcida santista, que em lugar de ver a diretoria contratar um grande craque – no caso, Luís Fernando, do América de São José do Rio Preto -, acabou perdendo o seu goleador. mas o próprio presidente Rubens Quintas afirmava que a diretoria só tomou essa decisão devido a um compromisso assumido com o atacante logo após a desclassificação do Santos para as finais do Campeonato Paulista – ou seja, a de vender seu passe para outra agremiação.

“Realmente, o Juari por diversas vezes veio solicitar diversas vezes que eu colocasse seu passe à venda”, explicou Quintas. “E, no meu entender, por tudo o que ele vem enfrentando em sua vida particular, cheguei à conclusão de que o jogador não teria mais condições de continuar na Vila Belmiro. Foi um bom negócio, tanto para o Santos como para o próprio atleta”.

Num canto da sala do presidente, no segundo andar da Vila Belmiro, enquanto Quintas acertava os detalhes finais da transação, Juari comentava que, caso não fosse negociado até o final dessa temporada, estaria disposto até a abandonar o futebol. “Não dava mais para continuar no Santos”, disse ele. “Só quero dizer que aqui na Vila ainda tenho muitos amigos e que não estou saindo por pressa de ninguém, muito menos da torcida, pela qual sempre fui respeitado como jogador de futebol; saio por outros problemas, que prefiro não revelar, problemas esses que acabaram com minha permanência no Santos.

O centroavante tem hoje 20 anos e estava há cinco na Vila Belmiro. Começou sua carreira no Pavunense, de São João do Meriti, e veio para Santos em 74 para atuar no juvenil. Sua estreia como profissional aconteceu somente em 76, na Vila Belmiro, numa partida contra o XV de Jaú, mas seu primeiro contrato só foi assinado em 77.

 

Publicado originalmente no Jornal da República em 6 de dezembro de 1979, edição 87

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “O Santos ainda pode ser bicampeão” (16/11/1979)

SANTOS 4, NOROESTE 0

O Santos ainda pode ser bicampeão

 


TONICO DUARTE

 

O Noroeste conseguiu transformar a comemoração dos noventa anos da República num autêntico Dia das Mães. Ao perder de 4 a 0 para o Santos, ontem no Parque Antártica, a equipe de Bauru foi tão maternal e compreensiva quanto aquela senhora que, dizem, padece num paraíso. E o agradecido Santos, que só não fez mais por pura preguiça, conservou suas chances de chegar à final. Mas é difícil, pois precisa vencer, agora, o Palmeiras e o Guarani.

Até que o Santos começou indeciso, com Pita, seu pior jogador, errando muitos passes. Em compensação, lá na esquerda, João Paulo fazia gato e sapato de Borges e de todos aqueles que se atrevessem a marca-lo. Foi assim que, logo aos 5 minutos, ele driblou na velocidade a Tobias e Jorge Fernandes, deu a Juari, recebeu de volta e fez 1 a 0.

Três minutos depois, aos 8´, foi a vez de Nilton Batata passar facilmente por Santos, cruzar para trás, e encontrar Juari colocando rente à trave direita de João Marcos: 2 a 0. A esse gol, o centroavante santista denominou “despedida de solteiro”. Hoje, ás 18 horas, Juari casa-se com Márcia, uma professora santista.

Estava tão fácil que o Noroeste só conseguiu chutar sua primeira bola no gol de Pais aos 26 minutos, num arremate torto de Wallace. Mas, aos 28´, em nova falha da defesa, o Santos chegaria ao seu terceiro gol: João Paulo lançou Juari, Ednaldo quis colocar ordem na casa e acabou tocando por cobertura, fazendo contra. Entretanto o juiz José Pereira da Silva deu esse gol como sendo de Juari.

O segundo tempo começou e o Santos continuou desperdiçando a mamata que o Noroeste lhe oferecida. O último gol do jogo aconteceu aos 21 minutos: Pita chutou, João Marcos rebateu e Rubens Feijão pulou de “peixinho” para fazer 4 a 0. Depois disso, o jogo passou à dar sono e, para quebrar a monotonia, a torcida pediu a entrada de Ailton Lira, no que foi prontamente atendida por Pepe. O próprio técnico, nos vestiários, confessaria a sua surpresa diante do futebol ridículo do Noroeste: “Foi realmente um jogo muito fácil para o Santos. Mas, por um lado, isto é bom, pois temos de guardar as nossas forças para estes dois jogos dificílimos que teremos pela frente”.

Ao lado de Pepe, quase sem ser notado, estava Dorval. O ex-ponta direita do Santos aparente bem menos que os seus atuais 44 anos de idade. Metido num elegante safári azul, Dorval cumprimentava Pepe e desejava-lhe boa sorte nos próximos jogos: “Eu vou precisar mesmo” – respondeu Pepe.

Súbito, ambos começaram a lembrar os velhos tempos e chegaram a mesma conclusão: “Hoje em dia, o futebol perdeu sua beleza”.

 

O JOGO FOI ASSIM

SANTOS: Pais; Nelson, Cassiá, Fernando e Gilberto; Gilberto Costa, Pita e Rubens Feijão (Ailton Lira); Nilton Batata, Juari e João Paulo

NOROESTE- João Marcos; Borges, Tobias, Jorge Fernandes e Santos; Ednaldo, Helinho e Mardoni (Salomão); Jorge Maravilha, Leia e Wallace.

Juiz – José Pereira da Silva

Renda – Cr$ 840.370,00

Público pagante – 14.541 pessoas

Gols- João Paulo, aos 5´, Juari aos 8´ e aos 28´do primeiro tempo. Rubens Feijão aos 2´do segundo tempo.

Cartões amarelos- Ednaldo e Wallace.

 


Publicado originalmente no Jornal da República em 16 de novembro de 1979, edição 70

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Este jogo foi um conflito de gerações” (29/10/1979)

SANTOS 3, SÃO PAULO 0

 

Este jogo foi um conflito de gerações



De um lado, a juventude de Pita e João Paulo. De outro, o cansaço de Edu e Teodoro

 

RICARDO KOTSCHO

 

Última grande estrela da belle-epoque do futebol paulista, ele não foi visto pelos que foram ontem à tarde ao Morumbi. Como nos tempos do seu reinado, “eu e o Getúlio ficamos 15 anos no poder”, João Mendonça Falcão, 63 anos, barba branca por fazer, calças e sapatos brancos, depois de três meses de ausência do futebol voltou a ser a principal atração do “pátio de milagres”, como é conhecido o saguão dos vestiários do Morumbi.

Falcão foi o mais malhado dirigente esportivo de todos os tempos e dá risada quando lê os jornais de hoje em dia. “Essa imprensa está acomodada pra burro. Eu levava pau todo dia...” E ele tem toda a razão: faltando meia hora para começar o jogo, o Morumbi ainda está semi-deserto, as torcidas muito comportadas, não há mais aquela guerra dos tempos em que Falcão emprestava dinheiro da Federação Paulista de Futebol para o Corinthians comprar Paulo Borges e Zé Maria, o Santos trazer Carlos Alberto e Rildo do futebol carioca e o Palmeiras ganhar a briga por Ademir da Guia.

“Acabaram as estrelas”, diz ele, sem incluir na lista, humildemente, o próprio Falcão, que agitava a brincadeira e fazia o futebol ser o melhor programa do domingo à tarde em São Paulo. Tão nostálgico anda Falcão que ele sente saudades até de Paraná e Vitor, jogadores do São Paulo sem tantos recursos que entravam em campo para dar porrada: “Cada porrada que o Vitor dava no Pelé fazia o estádio inteiro se levantar. E hoje quem acaba com quem? É tudo japonês, uma japonesada danada...”.

Mais da metade do Morumbi está vazio quando o Santos entra em campo, já meio cansado, com aquela má vontade de quem vai apenas cumprir a rotina. Daquele futebol cheio de truques, mandingas, safadeza e muita graça dos tempos de Falcão só está em campo a velha fotógrafa Meire, tirando aquelas fotos pousadas dos times que nunca saem em jornal nenhum.

No que o Santos deu a saída, Juari foi com tudo em cima da defesa do São Paulo. Menos de um minuto, primeira falta. E hoje, Ailton Lira, o terror da bola parada, está em campo. Mas chuta em cima da barreira. O Santos solta seus dois pontas malucos, Nílton Batata e João Paulo, em cima de Antenor, de volta depois de quatro meses de ausência. O Santos precisa de um ponto hoje para garantir a sua classificação e vem matando em cima do São Paulo, que parece estar saindo direto de uma bela feijoada. Juari e Rubens Feijão fazem pizza em cima de Chicão, Estevam e Bezerra. Aos cinco minutos, num contra-ataque rápido, Ailton Lira lança Juari pelo alto. Bezerra bobeia e está feito o primeiro gol: um leve toque na saída de Valdir Perez, Santos 1 a 0. E o massacre continua. Com dez minutos de jogo, o São Paulo ainda não conseguiu passar do meio de campo. Até o pequeno Nélson, refugo do São Paulo que o Santos levou, arrisca-se a chutar ao gol. Zé Sérgio, a grande arma do São Paulo, ainda não pegou na bola.

O São Paulo vai de Edu, que remédio? Ele sofre falta e ele mesmo bate, uma pancada que raspa a trave. O goleiro do Santos inspira tanta confiança que em vez dele orientar a barreira é a barreira que orienta Flávio. Zé Sérgio, deslocado para a ponta-direita, dá um chutinho e Flávio quase aceita. O São Paulo começa a fazer todo o seu jogo em cima de Zé Sérgio e o Santos faz o de costume: dá pau.

Os meninos da Vila cansaram-se logo e o provecto meio campo do São Paulo consegue equilibrar as coisas quando o jogo chega à primeira meia hora. Antenor bate um meio escanteio pela direita, Serginho tenta um bate-pronto, erra, mas mesmo assim Flávio quase consegue colocar a bola para dentro. Com seu elegante conjunto cor de vinho, Flávio é, a essa altura, a grande esperança da torcida do São Paulo. E o Santos bota todo mundo em cima de Zé Sérgio para garantir, como o São Paulo fazia quando havia um certo camisa 10 no Santos. A batucada da torcida do São Paulo está que nem o time: parece uma gravação. O Santos quase faz o segundo num vídeo-taipe do primeiro gol, mas Juari desta vez chuta para fora. Na sequência, Zé Sérgio empata, mas Ayeta anula o gol, alegando falta de Serginho em Flávio.

O jogo já estava dando sono quando Nilton Batata acordou e deu um passeio em cima de Chico Fraga, que consegue ser o pior na defesa do São Paulo. Batata vê Juari livre na área, este vai à linha de fundo e centra para trás, na medida para Rubens Feijão que, com calma, mete no meio do gol, sem, chance para Valdir Perez. Santos, 2 a 0. A coisa pega fogo. O São Paulo dá a saída, Edu centra e Rubens Feijão mete a mão na bola de bobeira. Pênalti que Serginho chuta em cima de Flávio, que defende com os pés, a bola bate no travessão e na volta o goleiro consegue mandar para longe.

O Santos volta para o segundo tempo trocando passes e o São Paulo fica só cercando, olhando. O problema do São Paulo com o Santos é um conflito de gerações, insolúvel. Aqueles senhores Chicão, Teodoro, Bezerra, Edu sentem-se impotentes diante da molecada do Santos. Com seu boné branco de técnico argentino e aquele ar que já nasceu cansado, Pepe vê o Santos perder um gol atrás do outro, brincando. Chicão entra para quebrar Rubens Feijão e não tinha outro jeito, já estava virando baile. Só Nilton Batata perdeu três gols feitos e ainda estamos em dez minutos do segundo tempo. Moleza como esse Chico Fraga ele nunca mais vai pegar. Mário Juliato, que dizem ser o técnico do São Paulo, resolve tomar uma providência: chama de uma vez Luis Muller e Jaime e, enquanto eles se aquecem, Juari faz o terceiro aos 13 minutos: João Paulo centra da esquerda, a bola bate no baixo ventre de Juari e entra para o desespero de Valdir Perez. Santos 3 a 0.

Saem Estevam e Chicão, mas a esta altura poderia sair qualquer um e entrar qualquer outro destas preciosidades que Juliato tem no banco, que daria na mesma. O Santos passeia em campo como se não tivesse adversário. E antes do jogo Juliato ainda anunciou que este seria o time-base do São Paulo para disputar as finais. Então, ótimo: agora, ele já sabe que faltam onze. Mas até que a torcida se diverte. Aos 25 minutos, num centro de Jaiminho, Edu e Serginho dão uma bela trombada dentro da área. Não há feridos. No Morumbi, cada um se diverte como pode: Ayeta distribui cartões amarelos como se fosse sopa do falecido Zarur. A torcida do Santos – veio gente até de Monte Sião, Minas Gerais – pede mais um, mais um, e é justo. Meia hora do segundo tempo, Ailton Lira sai de campo, aplaudido de pé, para entrar Pita, mas o jogo propriamente dito já acabou. Em campo, todos parecem satisfeitos com o resultado.

 

O JOGO FOI ASSIM:

Santos- Flávio; Nelson, Cassiá, Fernando e Gilberto; Gilberto Costa, Ailton Lira (Pita) e Rubens Feijão; Nilton Batata, Juari e João Paulo.

São Paulo- Valdir Perez; Antenor, Estevam (Jaime), Bezerra e Chico Fraga; Chicão (Luis Muller), Teodoro e Jaiminho; Edu, Serginho e Zé Sérgio.

Juiz- João Leopoldo Ayeta

Renda- 1.585.110.000 com 28.607 pagantes.

 

Publicado originalmente no Jornal da República em 29 de outubro de 1979, edição 55

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Histórias da Vila Belmiro” (11/10/1979)

FUTEBOL ALEGRE

 

Histórias da Vila Belmiro




SEVERINO MENDES

 

Clodoaldo fez Coritiba chorar

Clodoaldo está de volta, pois a saudade da beira da praia era maior que o dinheiro do Coritiba, e Pepe assumiu e acalmou os meninos. A Vila Belmiro mudou muito nos últimos dias, nem lembra mais a, praça de guerra daqueles sessenta tumultuosos dias do técnico Hilton Chaves. Dos velhos tempos restou apenas um tremendo leão-de-chácara para “enquadrar” os jornalistas.

 

Sonhos de Pepe, o encorujadinho

Pepe já está acostumado a ser tratado assim, desde que aposentou o chute formidável e se transformou em técnico de futebol lá mesmo no Santos, onde está há 25 anos. Os diretores, quando ele assumiu o lugar de Hilton Chaves na equipe principal: “Pepe ficará no cargo até o fim do ano. Quando teremos de encontrar um técnico de gabarito para dirigir o clube”.

Não se diz uma coisa dessas mas Pepe, até a semana passada treinador dos juvenis, nem liga. É um desses temperamentos dóceis. Certa vez, falando do seu filho mais velho, que treinava na Vila, disse: “É como eu. Bate de esquerda, forte e é calado, encorujadinho”. Pepe é assim, sempre encorujadinho, mas desta vez não interpretem seu silencia como sinal de fraqueza – ele está disposto a ficar.

Se depender da torcida, Pepe não sai nunca mais. Ontem, na Vila Belmiro, um grupo dizia: “Não fizemos jogadores em casa? Porque não podemos fazer técnicos?”. Agora, Pepe pretende resolver os problemas táticos do time e garantir a classificação para a segunda fase do campeonato, com o apoio dos jogadores, quase todos formados por ele mesmo, no time de juvenis. Pepe é um liberal, desses que perdoam falhas e acham que concentração não ganha jogo. Os dirigentes é que tem medo. Afinal, dizem sempre os cartolas, liberdade é negócio perigoso.

A cidade estava preparada para assistir aos milagres de uma dupla realmente infernal: na boca do túnel, o técnico Tim, genial craque do passado, chamado El Peón, um treinador cheio de estratégia e malandragem: dentro do campo, como seu braço direito, o futebol bonito de Clodoaldo, que aceitou deixar a Vila Belmiro para renascer em Curitiba. Estavam preparando as câmaras de televisão, multidões de repórteres e fotógrafos prontas para as grandes manchetes. Foi aí que o telefone tocou e o Coritiba, o clube mais popular do Paraná, sofreu como se tivesse perdido um campeonato para o Atlético – era Clodoaldo avisando que não ia mais.

O presidente do Coritiba estava disposto até a pagar 150 mil cruzeiros mensais a Clodoaldo, quantia fabulosa para os padrões locais, mas o jogador, que já havia tirado fotografia com a camisa do novo clube, achou que era pouco para fazê-lo esquecer a bola da praia. “É que minha vida está aqui em Santos”, explicou Clodoaldo: “todos os dias, mesmo quando estou machucado ou dispensado dos treinos, passo na Vila Belmiro para bater um papo. Praticamente fui criado aqui e, no moimento em que vesti a camisa do Coritiba, não resisti: não terei condições psicológicas para vestir outra camisa”. Mas não é só saudade. Segundo alguns torcedores do Santos, o destino de Corró está traçado: assim que encerrar a carreira, ou tomará conta dos juvenis ou aceitará um cargo de dirigente. Vai ser cartola.

 

Hílton sofreu na mão dos meninos

Na véspera de sua saída do clube, o ex-técnico Hílton Chaves declarou à imprensa, engasgado de emoção: “Eu tenho pena deles, podem crer: tenho porque eles fazem tudo para acertar e não estão acertando”. Falava dos jogadores, os chamados “Meninos da Vila”, amargando derrota atrás de derrota. Mas há quem diga que Hílton Chaves foi vítima desses jogadores e “Meninos da Vila” é uma expressão que lembra as rebeldias da FEBEM.

É possível. Senão, como explicar a repentina ascensão do time, que ganhou do Botafogo (3 a 1) e do Comercial (3 a 0), jogos disputados em Ribeirão Preto, onde até o velho Santos de Pelé tropeçava em toda sorte de dificuldades?

Mas na Vila, logo que Hílton resolveu ter pena do Santos à distância, treinando o Cruzeiro de Belo Horizonte, a crise está esquecida e, “meninos” como Gilberto, Toninho Vieira, Nílton Batata, Pais, Antônio Carlos e Valdemir recebem os benefícios de uma anistia realmente ampla e irrestrita. É o prêmio pelo bom comportamento e o esforço em campo, uma prova de que, pelo menos por enquanto, a equipe reconhece um comando, inexistente nos sessenta desastrosos dias que Hílton Chaves passou na Vila.

E os culpados pelo que houve? Não se sabe, mas, por via das dúvidas, a diretoria do Santos proibiu a entrada da imprensa nos vestiários da Vila Belmiro. O pessoal trabalha na antessala, vigiado por um robusto funcionário.

 

Publicado originalmente no Jornal da República em 11 de outubro de 1979, edição 40

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Grandes matérias do Jornal da República: “A resposta do Palmeiras a Márcio” (10/12/1979)

PALMEIRAS 4, FLAMENGO 1

 

A resposta do Palmeiras a Márcio




O presidente do Flamengo disse que já mandara reservar passagens para seu time jogar a final contra o Inter. Mas isso foi antes dos 4 a 1

 

MARCOS DE CASTRO, do Rio

 

Apesar de todo o esforço do almirante Heleno Nunes e dos Beijocas da vida, ainda é possível assistir um bom jogo de futebol no Brasil. Palmeiras e Flamengo provaram isso ontem à tarde no Maracanã, principalmente o Palmeiras, claro, que acabou impondo uma goleada humilhante a um time que tem justas pretensões a ser um dos melhores do Brasil.

O Palmeiras saiu do primeiro tempo com a considerável (para quem jogava pelo empate) vantagem de 1 a 0. E correu muito perigo na primeira metade do segundo tempo, quando o Flamengo empatou e, levado por sua torcida, esteve a pique de fazer o segundo gol. Mas foi o Palmeiras que marcou (Carlos Alberto, aos 24 minutos). E daí para frente o Flamengo como que endoidou. Até cometer a loucura suprema de lançar Beijoca no fim do jogo, o que é uma prova de desvario definitiva.

Antes do jogo, na festa das torcidas, a do Flamengo não gostou muito de duas novidades que a do Palmeiras trouxe: a primeira delas ninguém de bom gosto aprovaria, pois papel higiênico não chega a ser propriamente uma coisa agradável. Além do mais, é pura macaqueação da torcida argentina na Copa do Mundo e, no caso, um papel higiênico com função de sujar, o que é uma violência é a sua destinação principal. Depois, uma cornetinha insuportável, que dói no ouvido e não para.

Não chegaram aos 15 mil ou 20 mil prometidos, os torcedores do Palmeiras, mas deitaram e rolaram no segundo tempo. Eram quando muito uns 5 mil, agrupados à direita das cadeiras especiais do Maracanã, num canto das arquibancadas a que foram se juntar – outra surpresa para a torcida do Flamengo – imensas e tremulantes bandeiras do Vasco, além de discretas bandeirinhas do Fluminense e Botafogo. Casa cheia (112 mil pessoas pagaram ingresso), o jogo tinha para agradar – e agradou. Foi disputado por dois grandes times, apesar da goleada.

A vitória pode ter sido – deve ter sido – também uma lição para o presidente do Flamengo, Márcio Braga. Pretendendo assumir, de uns tempos para cá, uma posição de liderança entre os dirigentes do futebol brasileiro, ele até que tem defendido algumas posições sensatas.

Vem traindo tudo o que tinha pregada antes, espalhando aos quatro ventos que se tenta jogos por ano não dá pé. Pelo que diz, parece que quer noventa ou cem jogos por ano para seu clube, o Flamengo, que entretanto já não aguenta mais.

Uma das diferenças fundamentais entre as duas equipes foi essa. O Palmeiras desde os primeiros minutos impôs uma presença física muito superior ao Flamengo. Seus jovens jogadores davam a impressão de disputar a bola com mais vontade, ganhavam nas divididas, chegavam primeiro na bola sempre que era preciso uma corrida. E tudo num jogo muito limpo, sem pontapés, com jogadores de alta técnica e mostrar que esse lado do futebol brasileiro, a CBD ainda não conseguiu destruir.

Pode parecer paradoxal que o Palmeiras, um time que se consagrou nos seus últimos jogos em São Paulo pelas goleadas constantes (e que confirmou a alta qualidade de seu ataque ontem), tenha ganho o jogo sobretudo pelas virtudes de sua defesa. Mas isso é a pura verdade. Bem fechado lá atrás, ele irritou o Flamengo, que nunca conseguia penetrar na zaga paulista. E certo que a isso deve ser acrescentada uma incapacidade absoluta do Flamengo de jogar pelas pontas. Pelo meio ele tinha boas jogadas de Adílio (e algumas de Zico), e era principalmente por lá que ele ia.

Mas ia até certo ponto. Esbarrava sempre em uma linha de zagueiros excepcionalmente bem plantada, com Pires à frente e Polozzi e Beto Fuscão firmes em seus postos, que nunca abandonaram para ir à frente. Á frente – e muito bem – o Palmeiras ia através de seus laterais, principalmente Rosemiro, que fez um partidão. Trata-se de um jogador de alto nível.

Enquanto isso, o Flamengo tinha Toninho, que normalmente, com suas subidas, é uma das melhores opções de ataque do Flamengo, totalmente esgotado. Não rendia nada. Como não rendia Carpegiani, arrumador do meio-campo de seu time, em jornada normal. Restava ao Flamengo a habilidade de Adílio e Zico, mas mesmo assim o Palmeiras esteve melhor no primeiro tempo e 1 a 0 foi justo.

No segundo tempo, a torcida do Flamengo mostrou-se disposta a levar o time à frente desde o início. E levou. Aos 10 minutos, Zico empatou, batendo um pênalti bem marcado pelo juiz gaúcho Carlos Rosa Martins, que estava em cima do lance quando Pires derrubou Zico na área. Nem os palmeirenses reclamaram.

Aí o Flamengo deu um sufoco no Palmeiras. Mas tudo terminou aos 24 minutos, quando Baroninho bateu uma falta de direita e a defesa do Flamengo deixou Carlos Alberto (substituíra Jorginho) entrar sozinho para vencer Cantarelli com tranquilidade. Como tranquilos foram também os dois outros gols do Palmeiras, ambos nascidos em jogadas de Baroninho: no terceiro, ele escapou pela esquerda e recuou para Pedrinho dar uma pedrada e marcar; ao quarto, ele cruzou para Zé Mário (lugar de César) cabecear livre. A defesa do Flamengo estava apavorada. Com Baroninho e com Carlos Alberto que entrou muito bem no lugar de Jorginho.

Tão apavorado estava o Flamengo que cometeu a insanidade de lançar Beijoca, aos 38 minutos, em lugar de Adílio. Jogador medíocre, Beijoca não chegou a fazer um lance que prestasse. Aos 43 minutos agrediu Mococa, fingiu-se de agredido, voltou a campo para pegar Mococa de novo e a foi justamente expulso. Quase que estraga a magnífica vitória do Palmeiras. O que o Palmeiras não merecia, pela partida primorosa que fez.

 

O JOGO FOI ASSIM:

Flamengo: Cantarelli; Toninho, Manguinha, Dequinha e Júnior; Carpegiani, Adílio (Beijoca) e Zico; Reinaldo (Carlos Henrique), Cláudio Adão e Tita.

Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi e Pedrinho; Pires, Mococa e Jorge Mendonça; Jorginho (Carlos Alberto), César (Zé Mário) e Baroninho.

Renda: Cr$ 8.277.830,00

Público pagante: 112.047 pessoas

Gols: Jorge Mendonça, aos 11 minutos do primeiro tempo. Zico, de pênalti, aos 10 minutos, Carlos Alberto aos 25, Pedrinho aos 31 e Zé Mário aos 45 do segundo tempo.

Expulsão: Beijoca, por agressão ao adversário.

 


Publicado originalmente no Jornal da República em 10 de dezembro de 1979, edição 90

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Palmeiras foi o melhor nessa pelada concorrida” (5/11/1979)

Palmeiras foi o melhor nessa pelada concorrida



 

RICARDO KOTSCHO

 

Até que tinha bastante gente no velho Parque Antártica, além de alguns voyeurs nas janelas dos prédios em volta. E os palestrinos mostravam uma animação digna de grande jogo quando seu time entrou em campo. Como se tratava apenas mais um jogo cumpre-tabela-do-Nabi, que não valia mais nada, pelo menos para o time da casa, fiquei perguntando-me que motivos teriam levado aquele povo todo ao estádio ontem à tarde. Na falta de um sociólogo de plantão (que sociólogo largaria os seus livros para assistir um Palmeiras e Comercial?), tive que me contentar com as explicações dos cronistas esportivos a meu lado que, entre um bocejo e outro, procuraram ajudar-me. Um dos motivos mais votados foi o mau tempo, que fez o pessoal voltar antes das praias. Outra razão: as sogras. Sim, ainda não se inventou nada melhor para fugir do encantador domingo à tarde que o velho futebolzinho. Entre ficar em casa assistindo ao Sílvio Santos com a sogra e pegar um futebol, qualquer que seja o espetáculo, os que optaram pelo Parque Antártica viram que haviam escolhido uma pelada muito animada. Onde ia a bola, ia todo mundo atrás.

O Palmeiras só conseguiu chegar ao gol aos 10 do primeiro tempo: Pires cruzou da direita e Motoca cruzou para fora. O momento de maior emoção foi quando o juiz Aragão avançou de dedo em riste para o goleiro Vandeir, que não é nenhum Doca Street e, portanto, só faltou ficar de joelhos sob vossa excelência. Pedrinho acertou um belo chute de primeira aos 15 minutos, que Vandeir colocou para escanteio. O resto é só chutão para todo lado. Aos 25´, Pedrinho levou a defesa do Comercial na corrida, centrou para Jorge Mendonça, que matou no peito e bateu com força: Palmeiras, 1 a 0.

Depois desse gol, Jorge Mendonça tomou uns trancos e foi jogar atrás de Beto Fuscão. O fôlego do Comercial já tinha acabado e era até engraçado ver Carlos Hansen, com seu físico de campeão de festa de cerveja (título disputado palmo a palmo com o lateral Marco Antônio), correr atrás de Pires e Motoca sem achar a bola. O ponta Jáder tem a cor de Pelé, o físico de Pelé, a pose de Pelé, só lhe falta o futebol. Aliás, não só para ele: os que estão em volta fazem muita pirueta para pouco futebol.

Um minuto do segundo tempo: Pedrinho lança Carlos Alberto, que entra sozinho na área, passa pelo goleiro e enfia para o gol vazio: Palmeiras, 2 a 0. Agora não é mais um jogo, o Palmeiras brinca de dois-toques. Nem o relógio do placar aguenta e deixa de marcar o tempo do jogo. Telê olha repetidamente para o placar e para o seu relógio, não consegue entender o que está acontecendo. De repente, Tadeu Ricci aparece sozinho na área do Palmeiras e cabeceia para espanto de Beto Fuscão, fazendo o primeiro gol do Comercial, aos 26 minutos. Quatro minutos depois, Jáder vai marcar o gol de empate, mas Aragão apita impedimento. Pouco importa que Pedrinho estivesse sobre a linha do gol: na hora do aperto, os grandes podem sempre contar com a ajuda do juiz. Os que não encontraram nada melhor para fazer ontem à tarde já estavam deixando o estádio quando o Palmeiras teve o seu último suspiro: depois de três chuveirinhos seguidos sobre a área, a bola vem de Carlos Alberto para a cabeça de Polozi, que acerta no canto esquerdo: Palmeiras, 3 a 1. Que felicidade!

O JOGO FOI ASSIM:

Palmeiras- Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão, Polozi e Pedrinho; Pires, Motoca e Jorge Mendonça; Jorginho (César), Carlos Alberto e Baroninho (Nei).

Gols: Jorge Mendonça, Carlos Alberto e Nei.

Comercial- Valdeir; Marco Antônio, Carlinhos, Léo e Fantick; Maurício, Tadeu Ricci e Carlos Hansen; Jáder, Vander e Dau (José Roberto).

Gols: Tadeu Ricci.

Juiz: José de Assis Aragão.

Renda: Cr$ 655.290,00, com 11.724 pagantes

 

Enfim, um grande jogador: Pedrinho

Pedrinho foi mais uma vez o melhor zagueiro e o melhor atacante do Palmeiras. Perfeito na marcação, foi à frente e dos seus pés saíram os dois gols. Provou que é o melhor lateral-esquerdo do futebol brasileiro, mas Cláudio Coutinho prefere Marco Antônio (quando Júnior, o novo Nílton Santos que ele descobriu, não pode jogar).

PALMEIRAS

Gilmar- Viu o jogo de graça e tomou gol que ninguém viu.

Rosemiro- Operário da bola, valente, transformou o ponta Dau em seu marcador.

Beto Fuscão- Se tivesse 20 anos e 20 quilos a menos...

Polozi- Tão discreto que só se lembraram dele quando marcou o terceiro gol.

Pedrinho- Melhor em campo, a exceção à regra que confirma a mediocridade que é regra na nova safra de jogadores.

Pires- Errou muitos passes, parece desorientado.

Mococa- A nova promessa do Palmeiras. Continua prometendo.

Jorge Mendonça- Jogou bem e fez um gol até tomar a primeira pancada. Depois sumiu.

Jorginho- Uma promessa de promessa, tipo Vaguinho.

Carlos Alberto- É o chamado centroavante brigador. Mas não achou ninguém para brigar.

Baroninho- De vez em quando acerta um bom chute. Ontem não foi dia.

 

COMERCIAL

Vandeir- Não teve culpa nos gols e salvou outros.

Marco Antônio- Tem que mudar de ramo e de categoria. Quem sabe, como meso-pesado?

Carlinhos- Quando achou a bola, deu uns chutões.

Leo- Acompanhou Carlinhos.

Fantick- Pegou moleza: não tinha a quem marcar.

Maurício- Ficou sozinho no meio da roda, coitado.

Tadeu Ricci- Tinha largado o futebol e voltou. Ninguém sabe por que.

Carlos Hansen- Rapaz robusto, mas muito sem jeito.

Jader- Ganhou o motorádio do avesso. Pior impossível.

Vander- Correu feito um condenado e não viu a bola.

Dau- Bom estilo, sem a bola. Com ela, algo desajeitado.

 

Publicado originalmente no Jornal da República em 5 de novembro de 1979, edição 60