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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Vida de Jornalista IV de IV: Copa de 82: o “quase” campeão

 

           Por Luiz Carlos Ramos

 

Uma pergunta: algum leitor já esteve em Andorra? Andorra é um minúsculo país situado nas montanhas doas Pireneus, entre a Espanha e a França, fora das principais rotas de turismo. Estive lá por algumas horas, em 1982. E o que isso tem a ver com a surpreendente eliminação do Brasil na Copa do Mundo, na Espanha? Na minha visão de otimista, tudo a ver. Vou contar os detalhes no final deste capítulo específico sobre a Copa. Não tenho a pretensão de fazer um relato completo do Mundial: a história toda está na memória de muita gente e em ótimos livros, entre os quais o “Almanaque da Copa do Mundo”, do igualmente saudoso Orlando Duarte, e “Biografia das Copas”, do jovem Thiago Uberreich.

O fato é que, naquele 5 de julho de 1982, eu estava lá, no Estádio Sarriá, em Barcelona, em minha terceira Copa, e também fiquei muito triste com a inesperada derrota do Brasil para a Itália por 3 a 2, que definiu a prematura volta da seleção (e a minha volta) para casa. Foram 32 dias de trabalho intenso na Espanha, coordenando a equipe de cobertura da Copa pelo “Estadão”, entrevistando e escrevendo, vivendo o duplo papel de jornalista e torcedor.

A missão começou em 4 de junho, apenas uma semana depois do nascimento da minha primeira filha, Maitê (hoje com 41 anos, ela é mãe dos meus netos Theo e Noah). Embarquei no Aeroporto de Cumbica. O destino: Madri, onde fiz conexão para um voo rumo a Sevilha, cidade e que o Brasil disputaria seus três primeiros jogos no Mundial. A seleção de Telê Santana havia passado por uma fase de treinos, em Portugal, antes de seguir para a Espanha e ficar concentrada no Hotel Rey Don Pedro, um palácio de mais de 800 anos, na pequena cidade de Carmona, a 40 quilômetros de Sevilha.

Nossa competente equipe da Copa para o “Estadão” contou com os repórteres Antero Greco, Edson Luiz dos Santos, Nelson Cilo, Altair Baffa, Milton José de Oliveira e um tal de Fausto Silva, o Faustão, aquele que contratei no jornal em 1973 e que começava a ficar famoso na televisão, enquanto também se destacava nas Rádios Globo e Excelsior. Os fotógrafos eram Reginaldo Manente e Alfredo Rizzutti, trabalhando também para o “Jornal da Tarde”.

Pela primeira vez desde a disputa pioneira de 1930, o número de países no Mundial foi ampliado de 16 para 24, fruto do gigantismo lançado pelo presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange, de lamentáveis histórias de corrupção no futebol. A partir da Copa de 1998, na França, o número saltou para 32 e se manteve até 2022, no Catar, época em que a Fifa, sob a presidência do suíço Gianni Infantino, mantinha o estilo ganancioso, anunciando nova ampliação, desta vez para 48 vagas, no Mundial de 2026, programado para os três países da América do Norte – Estados Unidos, Canadá e México.

Na Copa de 1982, na Espanha, o Brasil estreou em 14 de junho, contra a União Soviética, no Estádio Sánchez Pizjuán, em Sevilha. O time de Telê Santana foi este: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Falcão, Sócrates, Zico e Dirceu; Serginho e Éder. Aos 33 minutos, um susto: gol de Baal para os soviéticos. No segundo tempo, porém, com Paulo Isidoro no lugar de Dirceu, a seleção de Telê conseguiu uma virada, 2 a 1, com um lindo gol de Sócrates, aos 30 minutos, e um de Éder, a dois minutos da final. Sustos à parte, o time sentiu falta do goleador Careca, que tinha viajado com a delegação para a Europa, mas acabou sendo cortado depois de se contundir num jogo-treino em Portugal.

A vitória, porém, serviu para a seleção ganhar mais confiança O time brasileiro passou facilmente pelos outros adversários do grupo – 4 a 1 contra a Escócia e 4 a 0 contra a Nova Zelândia. Os escoceses, habitualmente lutadores, fizeram 1 a 0, mas o Brasil reagiu com gols de Zico, Oscar, Éder e Falcão.

O Brasil, classificado, despediu-se de Sevilha e seguiu para Barcelona, onde enfrentaria a Argentina e a Itália na segunda fase do Mundial. A seleção de Telê, já apontada como favorita ao título, ficou isolada em Saint Quirze Safaja, uma cidadezinha em região montanhosa, a 38 quilômetros de Barcelona. Num carro fretado, nossa equipe ia diariamente até lá para entrevistar o técnico e os jogadores. Havia grande expectativa para os dois jogos. A Argentina, antigo rival, contava com Maradona, um dos melhores jogadores do mundo. A Itália tinha se limitado a três empates na primeira fase do Mundial, mas, pela tradição, também merecia respeito.

Estranhamente, as partidas do Brasil não seriam disputadas no maior estádio da cidade, o Camp Nou, do Barcelona, com capacidade para 110 mil pessoas, mas sim no Sarriá, do clube Espanyol, para apenas mil. O fato é que milhares de torcedoras brasileiros haviam cruzado o Atlântico para apoiar a seleção. O verde e o amarelo tomaram conta das ruas e dos estádios da bela cidade catalã. E até os torcedores espanhóis, frustrados com o desempenho da seleção deles, passaram a demonstrar simpatia pelo time brasileiro, constantemente elogiado pela imprensa local e de outros países.

A segunda fase começou em 29 de junho, terça-feira: Itália x Argentina. A Azurra, que estava em crise por causa da falta de vitórias – havia empatado com a Polônia, Camarões e Peru -, reclamava das críticas da imprensa italiana. A Argentina havia perdido da Bélgica, mas reabilitou-se, ao derrotar a Hungria e El Salvador, e chegou ao Sarriá. A Itália foi melhor, acabou superando todos os traumas da primeira fase e derrotou os argentinos por 2 a 1.

Em 2 de julho, sexta-feira, no Sarriá, o Brasil teve grande atuação e venceu a Argentina por 3 a 1, gols de Zico, Serginho e Júnior. O jogo chegou a 3 a 0, mas Diaz marcou no penúltimo minuto. Mesmo assim, o time de Telê havia assegurado vantagem no saldo de gols para tentar eliminar a Itália, três dias depois, e ficar com a vaga de semifinalista. Bastaria um simples empate na partida de segunda-feira. Maradona não estava bem, no clássico sul-americano, mas deixou um estrago no time rival: com uma falta violenta quase no fim do jogo, ele tirou de campo Batista, que havia entrado no lugar de Zico, e acabou sendo expulso.

A equipe do “Estadão” garantiu ótima cobertura do jogo para a edição de sábado e antecipou reportagens para o jornal de domingo, uma pré-apresentação de Brasil x Itália. Portanto, a seleção de Telê, elogiada pela imprensa internacional estava a apenas três passos do título. E o capitão Sócrates acreditou no favoritismo de seu time: na concentração de Sant Quirze Afaja, ele deu entrevistas entusiasmadas e até ensaiou, diante dos fotógrafos, uma coreografia para o momento de receber a Copa após a possível vitória na final – não queria repetir os gestos moderados de Bellini, Mauro e Carlos Alberto Torres.

Nós, do time do “Estadão”, também estávamos entusiasmados, tanto que idealizamos um passeio para o domingo, dia de folga, véspera do grande jogo. Na época, o jornal não saía às segundas-feiras, o que nos abriu a possibilidade de fazer uma pequena viagem no automóvel alugado pela empresa.

Num bate-papo com os repórteres Antero Greco e Nelson Cilo e com o fotógrafo Alfredo Rizzutti, decidimos conhecer outro país, Andorra, entre a Espanha e a França. Saímos logo cedo do nosso hotel, em Barcelona, e seguimos por 205 quilômetros, até o Principado de Andorra, de apenas 468 quilômetros quadrados e de menos de 100 mil habitantes, no alto dos Pirineus. Foi ótimo. Passeamos pelas ruas da capital, Andorra-a-Velha, almoçamos peixe frito num restaurante e até visitamos uma estação de esqui no lado francês. Voltamos para Barcelona à noite e tratamos de descansar para a cobertura do dia seguinte. Já tínhamos até planejado, para uma nova folga, outro passeio, já na região de Madri, sede da final. Planos são planos, realidade é realidade.

Em 5 de julho, o Estádio Sarriá estava lotado, colorido pelo amarelo dos torcedores que haviam atravessado o Atlântico. Mas, em campo, quem amarelou de vez foi a seleção brasileira. Era a mesmo a tarde Paolo Rossi, mas o Brasil não esteve bem e perdeu por 3 a 2, sem ter tido equilíbrio para segurar os 2 a 2 após o gol de Falcão, marcado aos 23 minutos do segundo tempo. O primeiro gol brasileiro havia sido de Sócrates. Numa sucessão de erros do Brasil, Rossi, autor de dois gols – aos 5 e aos 25 minutos de jogo – fez o terceiro quando faltavam 15 minutos para o fim. Havia tempo para o Brasil reagir e chegar ao empate pela classificação, mas faltou a malícia que o futebol brasileiro havia exibido tão bem na Copa de 1970, nos 4 a 1 da final contra a própria Itália. Este foi o time da derrota: Valdir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico; Serginho e Eder. Aos 34 minutos do segundo tempo, Paulo Isidoro entrou no lugar de Serginho.

Inacreditável. Festa italiana no Sarriá. Choro do time amarelo e da torcida amarela. Ao dar entrevista coletiva após a eliminação, Telê Santana foi aplaudido por jornalistas, já que, de fato, o Brasil tentou jogar um futebol bonito e limpo, sem violência, ao longo da Copa.

Esperto e sensível, o fotógrafo Reginaldo Manente, das equipes de cobertura do “Estadão” e do “Jornal da Tarde”, conseguiu registrar o choro de um menino de dez anos, que usava a camisa do Brasil: o retrato da decepção. Manente mostrou-me a foto do garoto, enviada a São Paulo por meio de aparelho de telefoto, direto da nossa redação, no topo do Nou Camp, o estádio do Barcelona, a dois quilômetros do Sarriá. No dia seguinte, quase todos os jornais do mundo publicaram, na capa, os gols de Paolo Rossi. O “Jornal da Tarde”, porém, sempre criativo e ousado, fez algo diferente: abriu a foto do menino dominando toda a primeira página, com uma tarja preta e a simples legenda “Barcelona, 5 de julho de 1982”. Manente e o “JT” ganharam prêmios, merecidamente. Parabéns ao fotógrafo Reginaldo Manente e aos editores Mário Marinho, Sandro Vaia e Fernando Mitre.

A Itália passou também pela Polônia, 2 a 0, em 8 de julho, em Barcelona, e não deu bola para a Alemanha na final, 3 a 1, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madri, conquistando a Copa com gols de Paolo Rossi, Tardelli e Altobelli, no dia 11. Dos três empates do início do Mundial Às quatro vitórias decisivas, a Azurra foi mesmo uma surpresa.

No dia 6, o “quase” campeão embarcou, em Barcelona, num voo especial, rumo a São Paulo e Rio, com escala em Las Palmas, nas Ilhas Canárias. Fiz a viagem de retorno nesse avião e presenciei a tristeza dos jogadores. Também fiquei triste, mesmo porque o Brasil tinha um grande técnico, Telê Santana, e um bom presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Giulite Coutinho. Quase ao comportamento do elenco, houve falhas individuais e, além de tudo, faltou liderança contra a Itália.

Na atualidade, há quem diga que a seleção de 1982 foi a melhor da história do futebol brasileiro. Não concordo: quem assistiu ao Mundial de 1970 no México ou pela TV, em que o Brasil ganhou o título com Pelé, Gérson, Rivellino e outros craques, sabe que o time de Telê Santana foi inferior tanto no conjunto quanto nos destaques individuais. E convém relembrar que a geração bicampeã mundial de 1958 a 1962, de Pelé, Garrincha, Gilmar, Zito e Didi, também deixou sua marca expressiva, em tempos de comunicação ainda precária, sem TV via satélite.

Voltei à Espanha, 17 vezes, de 1988 a 2019. Em todas elas, voltaram à minha memória, por alguns momentos, as cenas de 5 de julho de 1982. Numa das idas a Barcelona, presencie Telê Santana festejando título em pleno Sarriá. Foi em agosto de 1992: seu clube, o São Paulo, derrotou o Español por 2 a 1 e conquistou o Troféu Cidade de Barcelona, disputado em jogo único. A taça foi entregue ao capitão Müller pelo carismático prefeito Pasqual Maragall. Telê levaria o Tricolor a muitos outros títulos, entre os quais os Mundiais de Clubes de 1992 e 1993. Retornei ao bairro de Sarriá em 2015. A paisagem estava diferente. O estádio havia sido demolido, dando lugar a um shopping center.

 

Retirado de: RAMOS, Luiz Carlos. Vida de Jornalista. São Paulo: A4 Ideias Editora, 2023.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Vida de Jornalista II de IV: A primeira reportagem

 


     Por Luiz Carlos Ramos

           

            Tenho certeza de que meus olhos brilharam. Meu estilo otimista me dizia que, com paciência e determinação, eu seria aprovado nos testes, mas sem subestimar as barreiras. Como seria aquele mês? Eu teria de levantar cedo, ir até o “Jornal da Tarde” para pegar a pauta do tema de minha reportagem do dia, ir ao local estabelecido, levantar todas as informações, e deixar para escrever o texto à noite, no próprio “JT”. Tomar um lanche da hora do almoço, correr para a “Última Hora” e cuidar do habitual trabalho de cobrir os clubes pelo telefone até às 18 horas, escondendo do Paes Leme minha possibilidade de mudar de emprego. Em seguida, voltar para o novo jornal.

            Um jornal? Não. Na realidade, dois: a mesma equipe de jornalistas que produzia a seção de Esportes do “Jornal da Tarde” era responsável pelo semanal “Edição de Esportes de O Estado de S. Paulo”, apelidada de “Estadinho”, lançada em setembro de 1964 para circular aos domingos à noite, com cobertura dos jogos do fim de semana. Era uma alternativa moderna em relação à tradicional “A Gazeta Esportiva”, com a vantagem de evitar submissão aos dirigentes de futebol.

            Mino Carta, primeiro editor-chefe do “Estadinho”, fez daquele pequeno laboratório para formar e treinar a equipe que ele comandaria no lançamento do “JT”, em 4 de janeiro de 1966. Mino, extrovertido, arrojado e vaidoso, demitiu-se em 1968 para lançar a revista semanal “Veja”, levando vários integrantes do time. E Murilo Felisberto, discreto, mas genial, assumiu o comando do “JT”.

            Portanto, por algum tempo, naquele final de 1966, eu estaria a serviço da “UH”, do “JT” e do semanário – este já nas mãos de outro grande jornalista, Sebastião Gomes Pinto, o Tão. Fiquei conhecendo o próprio Tão, os excelentes repórteres José Maria de Aquino, Vital Battaglia, Tim Teixeira, Luciano Ornelas, Darci Higobassi e outros; os redatores João Werneck, Otoniel dos Santos Pereira e José Carlos Abbate, e os colunistas Mauro Pinheiro e Cláudio Carsughi. Eles seriam meus companheiros somente após a esperada aprovação nos testes.

            Da primeira reportagem, a gente jamais esquece. Minha tarefa na segunda-feira, 18 de outubro, foi entrevistar o goleiro Heitor, do Corinthians, acusado de falhar em três dos gols da derrota por 4 a 3 diante do Noroeste, em pleno Parque São Jorge. A torcida corintiana estava revoltada com ele. Seu futuro no clube ficou em risco. Cheguei bem cedo à Redação do “JT”, li a pauta, peguei o endereço do Heitor, um apartamento no Tatuapé, perto do clube. Ao contrário das limitações impostas pela “Última Hora” em crise, o “Jornal da Tarde” dispunha de todos os recursos para o trabalho externo dos repórteres. Passei pelo Departamento de Fotografia, ao lado da Redação, e me apresentei ao experiente Arnaldo Fiaschi, escalado para ser meu parceiro na missão de estreia. Boa gente, Arnaldo me contou que havia trabalhado na “Gazeta Esportiva” e que cobriu a Copa de 1962, no Chile. Descemos até a garagem do prédio, entramos numa van e seguimos para a Zona Leste.

            Encontramos um Heitor abatido, ao lado da esposa, Dilma, e tendo aos braços o filho de apenas 7 meses. Explicou que no sábado, dia 16, ele amanheceu com forte gripe, mas aceitou entrar em capo, à tarde. Admitiu ter falhado em dois gols no Noroeste, principalmente no decisivo, de Lourival, aos 44 minutos do segundo tempo. E contou sua história no futebol.

Em 1963, o mineiro Heitor Amorim Perroca, era do São Cristóvão, do Rio de Janeiro, ao ser contratado pelo Corinthians, dois meses depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira nas vitórias contra o Uruguai (3 a 1) e o Chile (3 a 0), pelo Campeonato Pan-Americano. No clube alvinegro, onde Cabeção e Aldo se revezavam, Heitor estreou em 14 de julho, em Bauru, com derrota por 2 a 1 contra o mesmo Noroeste de seu drama. Teve boa atuação e virou titular. Em 1964, ele foi aplaudido como herói, ao defender um pênalti cobrado por Pelé, garantindo o 1 a 1 contra o Santos, líder, no Pacaembu. Foi em 1º de outubro, jogo remarcado porque havia sido interrompido, em 20 de setembro, aos 6 minutos do primeiro tempo, quando desabou uma parte da arquibancada da Vila Belmiro. No tumulto, o alambrado foi derrubado e o campo, invadido. Quase 200 pessoas ficaram feridas.

“E agora?”, perguntei a Heitor, que admitiu: “A vida de goleiro é a constante oscilação entre herói e vilão. Espero ter chance de reagir”.

A história era mesmo boa. Só faltava botar no papel. Troquei ideias com o fotógrafo Arnaldo, guardei as anotações, e voltei ao “JT”, à noite, para fazer o texto. “Pode escrever tudo o que você tem”, disse Hamiltinho. “Na hora de editar, a gente pode enxugar”. Fiquei perto de três horas teclando a máquina Olivetti, e entreguei sete laudas aos editores. “Amanhã a gente conversa”, avisou Pompeu. Me despedi.

No dia seguinte, abri as páginas do “JT” e vi, com orgulho, minha reportagem. Não estava assinada e, mesmo tendo sido resumida pelos redatores, ocupou página inteira do jornal, com uma bela foto tirada pelo Arnaldo Fiaschi.

Durante a semana, continuei lutando para conseguir o emprego, enquanto Heitor ia perdendo o dele. Jamais voltou a jogar pelo Corinthians: seu contrato foi rescindido. Em três anos, disputou 115 jogos, sofreu 137 gols. Depois, atuou no Juventus, de São Paulo, e em outros clubes. O emprego do técnico Filpo Nuñez também não durou muito. O clube havia perdido a liderança do campeonato para o Palmeiras na derrota para o Noroeste, foi mal em sete outros jogos, e Filpo acabou sendo demitido.

Personagens sobem. E caem. Ás vezes, mergulham no esquecimento. Em 15 de agosto de 2018, uma pequena rota num jornal chamou minha atenção: “Heitor, goleiro do Corinthians nos anos 1960, faleceu ontem, aos 77 anos, de insuficiência cardíaca, em Ubatuba-SP. Após deixar o futebol, foi pastor do movimento evangélico Testemunhas de Jeová. Deixa esposa e três filhos”.

Faço uma pausa neste texto, para lamentar, em silêncio. Silêncio e saudade.

 

Retirado de: RAMOS, Luiz Carlos. Vida de Jornalista. São Paulo: A4 Ideias Editora, 2023.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Vida de Jornalista I de IV: Um novo emprego, após 9 vezes “não”

 


Por Luiz Carlos Ramos     

           

Em 8 de março de 1966, uma terça-feira de sol, de acordo com o combinado, encontrei o amigo Roberto Avallone, saímos caminhando pelo Centro de São Paulo, movidos pela ambição de conseguir espaço num jornal diário. Em princípio, as possibilidades eram boas, pois os jornais impressos ainda estavam longe de enfrentar o atual estágio de decadência. Mas de dez deles tinham redação e oficina na região central da cidade. A maioria deixou de existir.

Por onde começar? Uma vez que uma das minhas primeiras funções no “Mundo Esportivo” era fazer enquetes nos estádios, após aos jogos, ouvindo opiniões de jornalistas sobre os destaques em campo, este tipo de trabalho favoreceu nossos contatos ao visitar os jornais. Nada de agendar encontro. Saímos da Praça da Sé em direção ao primeiro alvo: o “Diário Popular”, situado ali perto, junto à vizinha Praça Clóvis Bevilácqua, e que circulou de 1884 a 2018 – a partir de 2011, com o nome de “Diário de S. Paulo”. O chefe de Esportes era o Sebastião Barbosa, pai de um colega nosso no Colégio Estadual Presidente Roosevelt, Fernando Chalet Barbosa, hoje arquiteto. Isso nos ajudou na apresentação.

Fomos bem recebidos pelo Sebastião, e também ficamos conhecendo dois outros jornalistas, e também ficamos conhecendo dois outros jornalistas da equipe, Sérgio Barbalho, que se tornaria meu amigo, e Valle Júnior. Eles nos ofereceram café, enquanto eu explicava a vontade de sermos colega deles. A resposta, porém, foi um educado “não”: o time estava completo e não havia planos para expansão.

Sem problema. Saímos do “Popular”, seguimos pela Rua Direita, percorremos o Viaduto do Chá e chegamos ao moderno prédio de “O Estado de S. Paulo”, o “Estadão”. Dois meses antes, o grupo havia lançado um segundo jornal, o moderno “Jornal da Tarde”. Como chegar á redação do “Estadão”, no quinto andar, para conversar com o único jornalista que conhecia, o Paulo de Aquino, e também visitar o “JT”? Acreditamos que bastaria informar nossos nomes ao recepcionista e pegar o elevador...Nada disso! Fomos barrados.

O funcionário da recepção nos disse que, sem um aviso prévio, não poderia autorizar a “entrada de estranhos”. E éramos mesmo “estranhos”. Pelo menos naquela ocasião. Abaixamos a cabeça e seguimos nossa cruzada pelo Centro, acumulando mais dois “não” à agenda de visitas: o do “Estadão” e o do “JT”. Por ironia do destino, eu voltaria àquele prédio em condições bem mais favoráveis, oito meses depois, e lá trabalharia por um bom tempo – tema do quarto capítulo deste livro.

Do prédio do “Estadão”, junto a Rua da Consolação e à Avenida São Luiz, foi apenas um pulo até a Rua 7 de Abril, a mesma do “Mundo Esportivo”. No prédio dos Diários associados, funcionavam dois jornais. Em ambos, a gente tinha a quem se apresentar. Sem sermos barrados, subimos até o “Diário da Noite”, no terceiro andar, onde trabalhava o Antonio Guzman, famoso por sua coluna diária “20 Notícias”, e que era colunista também no “Mundo Esportivo”. Sorridente, Guzman logo nos serviu café, e abriu o jogo: “Já conheço o trabalho de vocês, e vejo que têm futuro no jornalismo, mas não temos vaga”. Nos despedimos dele e fomos até o “Diário de S; Paulo”, no mesmo andar e encontramos o Ary Silva, colunista do jornal, comentarista da TV Tupi e vereador em São Paulo. Ele sorriu, parou de um texto, e nos serviu café, e foi direto ao assunto: “Não temos vaga, e tão cedo não teremos. A empresa está em crise”.

Ary Silva pegou o paletó de linho branco, pendurado na cadeira diante de sua máquina de escrever, e descemos no mesmo elevador. Ele, rumo à Câmara Municipal, perto do Viaduto do Chá. Nós, em direção a outro viaduto sobre o Anhangabaú, o Santa Ifigênia, ao lado do qual havia o antigo prédio da Fundação Cásper Líbero, em que funcionavam os jornais “A Gazeta” e “A Gazeta Esportiva”. Já estava 5 a 0 para o “não”, mas havia esperança.

Entrar no prédio da Cásper Líbero era uma emoção especial para os dois jovens, que haviam se acostumado a ler diariamente a “Esportiva” e admirar jornalistas como Paulo Planet Buarque, Orlando Duarte, Solange Bibas, Tomaz Mazzoni e Milton Peruzzi. Nosso contato seria o Delmo Borges, da equipe de diagramadores da “Gazeta Esportiva”, e que tinha se tornado meu amigo no segundo emprego dele, o “Mundo Esportivo”. Foi Delmo quem nos apresentou ao secretário de Redação, Aurélio Bellotti. Mostramos ao Aurélio alguns recortes de nossos trabalhos no “Mundo Esportivo”. Mas um café, enquanto ele dava uma espiada nos recortes, e mais um “não”, pronunciado com a máxima cordialidade: “Vejo que vocês têm qualidades, mas trabalhos só com jornalistas com mais experiência. Quem sabe, um dia...” Nos despedimos, e ainda passamos pela Redação de “A Gazeta”, onde era pequena a seção de Esportes. O único redator não quis conversa. Alegou que o jornal não tinha dinheiro para novas contratações.

E, com sete “não” debaixo do braço, seguimos pelas Avenidas Ipiranga, Rio Branco e Duque de Caxias até a Alameda Barão de Limeira, sede do Grupo Folhas. O contato na “Folha de S. Paulo” seria o Aroldo Chiorino, editor chefe da seção de Esportes, um dos meus frequentes entrevistados nas enquetes do “Mundo Esportivo”. Ele já me conhecia pelo nome. Ao nos receber, naquela redação ampla, no terceiro andar, foi bastante cordial. Aroldo nos serviu café e também deu uma espiada nos nossos textos. Em seguida, explicou: “Não dá para contratar ninguém nesta época. Os donos compraram mais dois jornais e estão em contenção de despesas”. Descendo para o saguão do prédio, paramos no segundo andar, na redação da “Folha da Tarde”, então quase vazia. Fomos à seção de Esportes. Um repórter mal levantou a cabeça inclinada sobre a máquina de escrever, e nos respondeu: “Lamento, mas não temos vaga”. Desta vez, sem café.

Meu amigo estava aborrecido, após os nove “não”. Nós, sem rumo, na calçada, junto ao prédio das Folhas. Melhor comer uma pizza na Avenida São João? Não. De repente, tive uma ideia e contei ao Avallone: “Ouvi falar que os dois jornais comprados pelo Grupo Folhas estão nesse prédio azul, aqui do lado. Pode ser nossa chance”. Me lembrei de que, além do sensacionalista “Notícias Populares”, o grupo havia comprado a “Última Hora”, jornal de sucesso nos tempos de Samuel Wainer, de competentes seções de Polícia e de Esportes. A redação da “UH”, instalada por 15 anos no Anhangabaú, havia sido transferida para o prédio azul, dos novos donos. Propus ao amigo: “Vamos lá?”; A resposta: “Ah, não. Estou de saco cheio. Vou ficar fumando. Vai você”.

Sem vacilar, entrei no prédio e descobri, num painel que a “Última Hora” ficava no segundo andar. A quem me apresentar? Ao experiente chefe da seção de Esportes, Álvaro Paes Leme, famoso por participar de debates esportivos na televisão, e que sempre me atendia bem, no Pacaembu, quando eu buscava a opinião dele para as enquetes do tipo “quem foi o melhor em campo?” ou “o juiz influiu no resultado?” Com fé, apertei o número 2 do elevador.

No segundo andar, a porta do elevador se abriu...E quem foi a primeira pessoa que vi, ali do lado? O próprio Álvaro Paes Leme! Ele se dirigiu a mim, sorrindo: “Luizinho, o que você estava fazendo aqui” Respondi: “Procurando emprego. Quero trabalhar num jornal diário”. E ele: “Mas o Bretas não vai ficar aborrecido?” Contestei: “Não. Não vai ser problema. Posso trabalhar nos dois”. Paes Leme ajeitou o charuto na boca e foi dizendo: “Puxa, Luizinho... Você veio na hora certa. Quero demitir um repórter, que é irresponsável. Você pode começar no lugar dele, amanhã mesmo. Só não posso te pagar muito. É salário de estagiário, a metade do piso salarial de jornalista”. Entusiasmado, aceitei na hora.

Me despedi do Paes Leme e desci até a calçada. Encontrei um amigo, que já havia fumado o cigarro, e contei a novidade. Não revelou a alegria que eu esperava. Não sei por quê.

O fato é que comecei a trabalhar na “UH” em 9 de março, sob a orientação do Paes Leme, na seção que também tinha Amauri Medeiros, José Roberto Malia e José Paulo Godói. Minhas tarefas: fazer a cobertura diária do São Paulo e do Corinthians. Fiquei feliz, por poder escrever sobre o meu time e sobre o clube mais popular do futebol aulista. Mantive o ânimo, mesmo depois de ter ficado sabendo, diante das limitações financeiras do jornal, a busca de informações seria geralmente pelo telefone, e não presencial. Mas, uma vez por semana, eu poderia entrar no jipe azul da “UH”, dirigido pelo Araújo, e cobrir treinos no Morumbi e no Parque São Jorge. Ótimas oportunidades para fazer entrevistas exclusivas e produzir reportagens especiais.

Dois meses depois de minha admissão, Paes Leme me pediu para indicar algum jovem jornalista para reforçar a equipe e que deveria cobrir o Palmeiras. Indiquei o palmeirense Roberto Avallone, que ficou duplamente alegre: com o novo emprego e com o tema diário de seu trabalho.

Nesses textos na “Última Hora” não eram assinados. Mas as reportagens especiais de página inteira, sim. Tive a oportunidade de botar meu nome nas entrevistas com quatro grandes jogadores – Dino Sani, Roberto Dias, Djalma Santos e Julinho – em torno da Copa do Mundo de 1966, que começaria em julho.

Tudo isso, sem descuidar das edições do “Mundo Esportivo”, honrando o compromisso com o dono, a quem sou eternamente grato pelas primeiras chances de minha carreira. Me despedi do pequeno semanário só no fim de 1966, quatro meses depois de o Bretas ter voltado da Inglaterra, onde havia comentado os jogos da Copa para a Rádio Tupi.

Mesmo após meu adeus à Rua 7 de Abril, mantive amizade com Bretas. Jornalisticamente, agimos juntos, por meio de artigos, para tentar evitar que políticos oportunistas tomassem conta da Federação Paulista de Futebol. Em 1976, conseguimos. Em 1979, não teve jeito: Nabi Abi Chedid, deputado, insistiu nas barganhas com clubes, e chegou à presidência da entidade. Só não foi reeleito, três anos depois, porque teve pela frente um rival do mesmo tipo, José Maria Marin. Vice-governador de São Paulo, Marin governou por dez meses após a saída de Paulo Maluf, em 1982, e usou seu peso político para derrotar Nabi. Denúncias de corrupção contra Marin no governo do Estado, na Federação Paulista e na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) caíram no vazio. Mas, nos anos 2000, foi diferente, com a Justiça dos Estados Unidos funcionando. Pouco tempo depois de comandar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como presidente da CBF, o dirigente foi preso por policiais americanos na Suíça e, levado para os Estados Unidos, cumpriu pena numa cadeia de Nova York, por conta dos escândalos da Fifa e das entidades nacionais.

Uma pena o Geraldo Bretas não ter acompanhado esses lances finais, do castigo a alguns bandidos do futebol: em janeiro de 1981, aos 66 anos, o aguerrido comentarista teve problemas de saúde e faleceu, em São Paulo.

Quanto à “Última Hora”, sou grato ao Paes Leme. Mas a gratidão se estende ao colega José Roberto Malia e a um jornalista com quem pouco me relacionava, Pedro Cavalcanti, responsável pela coluna de reclamações de leitores contra problemas em seus bairros. Em 15 de outubro, uma sexta-feira, Cavalcanti se aproximou de minha mesa, tendo às mãos uma folha de papel, e foi econômico nas palavras: “Tenho visto você trabalhar, e gostei de suas matérias com grandes jogadores. Este é o telefone dos chefes de Esportes de um grande jornal. Ligue para eles hoje à noite, pois estão precisando de reforço”.

Á noite, após o fechamento da edição, aproveitei que a Redação estava quase fazia e telefonei para o tal número passado pelo Cavalcanti. Só então fiquei sabendo... Era o telefone do “Jornal da Tarde”, o jornal moderno da empresa do “Estadão”! Na conversa, combinei com ele, em seguida, dar um pulo ate lá, a 20 minutos de caminhada da “Última Hora”. Finalmente, eu entraria naquele prédio mítico, sete meses depois de ter sido barrado pelo porteiro! Seria a oportunidade real de ir para um emprego melhor? Tema para o próximo capítulo.

 

Moral da história: Não há respostas negativas em número suficiente para afastar a possibilidade de um “sim”. É só unir garra, sorte e esperança.

 

Retirado de: RAMOS, Luiz Carlos. Vida de Jornalista. São Paulo: A4 Ideias Editora, 2023.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Este jogo foi um conflito de gerações” (29/10/1979)

SANTOS 3, SÃO PAULO 0

 

Este jogo foi um conflito de gerações



De um lado, a juventude de Pita e João Paulo. De outro, o cansaço de Edu e Teodoro

 

RICARDO KOTSCHO

 

Última grande estrela da belle-epoque do futebol paulista, ele não foi visto pelos que foram ontem à tarde ao Morumbi. Como nos tempos do seu reinado, “eu e o Getúlio ficamos 15 anos no poder”, João Mendonça Falcão, 63 anos, barba branca por fazer, calças e sapatos brancos, depois de três meses de ausência do futebol voltou a ser a principal atração do “pátio de milagres”, como é conhecido o saguão dos vestiários do Morumbi.

Falcão foi o mais malhado dirigente esportivo de todos os tempos e dá risada quando lê os jornais de hoje em dia. “Essa imprensa está acomodada pra burro. Eu levava pau todo dia...” E ele tem toda a razão: faltando meia hora para começar o jogo, o Morumbi ainda está semi-deserto, as torcidas muito comportadas, não há mais aquela guerra dos tempos em que Falcão emprestava dinheiro da Federação Paulista de Futebol para o Corinthians comprar Paulo Borges e Zé Maria, o Santos trazer Carlos Alberto e Rildo do futebol carioca e o Palmeiras ganhar a briga por Ademir da Guia.

“Acabaram as estrelas”, diz ele, sem incluir na lista, humildemente, o próprio Falcão, que agitava a brincadeira e fazia o futebol ser o melhor programa do domingo à tarde em São Paulo. Tão nostálgico anda Falcão que ele sente saudades até de Paraná e Vitor, jogadores do São Paulo sem tantos recursos que entravam em campo para dar porrada: “Cada porrada que o Vitor dava no Pelé fazia o estádio inteiro se levantar. E hoje quem acaba com quem? É tudo japonês, uma japonesada danada...”.

Mais da metade do Morumbi está vazio quando o Santos entra em campo, já meio cansado, com aquela má vontade de quem vai apenas cumprir a rotina. Daquele futebol cheio de truques, mandingas, safadeza e muita graça dos tempos de Falcão só está em campo a velha fotógrafa Meire, tirando aquelas fotos pousadas dos times que nunca saem em jornal nenhum.

No que o Santos deu a saída, Juari foi com tudo em cima da defesa do São Paulo. Menos de um minuto, primeira falta. E hoje, Ailton Lira, o terror da bola parada, está em campo. Mas chuta em cima da barreira. O Santos solta seus dois pontas malucos, Nílton Batata e João Paulo, em cima de Antenor, de volta depois de quatro meses de ausência. O Santos precisa de um ponto hoje para garantir a sua classificação e vem matando em cima do São Paulo, que parece estar saindo direto de uma bela feijoada. Juari e Rubens Feijão fazem pizza em cima de Chicão, Estevam e Bezerra. Aos cinco minutos, num contra-ataque rápido, Ailton Lira lança Juari pelo alto. Bezerra bobeia e está feito o primeiro gol: um leve toque na saída de Valdir Perez, Santos 1 a 0. E o massacre continua. Com dez minutos de jogo, o São Paulo ainda não conseguiu passar do meio de campo. Até o pequeno Nélson, refugo do São Paulo que o Santos levou, arrisca-se a chutar ao gol. Zé Sérgio, a grande arma do São Paulo, ainda não pegou na bola.

O São Paulo vai de Edu, que remédio? Ele sofre falta e ele mesmo bate, uma pancada que raspa a trave. O goleiro do Santos inspira tanta confiança que em vez dele orientar a barreira é a barreira que orienta Flávio. Zé Sérgio, deslocado para a ponta-direita, dá um chutinho e Flávio quase aceita. O São Paulo começa a fazer todo o seu jogo em cima de Zé Sérgio e o Santos faz o de costume: dá pau.

Os meninos da Vila cansaram-se logo e o provecto meio campo do São Paulo consegue equilibrar as coisas quando o jogo chega à primeira meia hora. Antenor bate um meio escanteio pela direita, Serginho tenta um bate-pronto, erra, mas mesmo assim Flávio quase consegue colocar a bola para dentro. Com seu elegante conjunto cor de vinho, Flávio é, a essa altura, a grande esperança da torcida do São Paulo. E o Santos bota todo mundo em cima de Zé Sérgio para garantir, como o São Paulo fazia quando havia um certo camisa 10 no Santos. A batucada da torcida do São Paulo está que nem o time: parece uma gravação. O Santos quase faz o segundo num vídeo-taipe do primeiro gol, mas Juari desta vez chuta para fora. Na sequência, Zé Sérgio empata, mas Ayeta anula o gol, alegando falta de Serginho em Flávio.

O jogo já estava dando sono quando Nilton Batata acordou e deu um passeio em cima de Chico Fraga, que consegue ser o pior na defesa do São Paulo. Batata vê Juari livre na área, este vai à linha de fundo e centra para trás, na medida para Rubens Feijão que, com calma, mete no meio do gol, sem, chance para Valdir Perez. Santos, 2 a 0. A coisa pega fogo. O São Paulo dá a saída, Edu centra e Rubens Feijão mete a mão na bola de bobeira. Pênalti que Serginho chuta em cima de Flávio, que defende com os pés, a bola bate no travessão e na volta o goleiro consegue mandar para longe.

O Santos volta para o segundo tempo trocando passes e o São Paulo fica só cercando, olhando. O problema do São Paulo com o Santos é um conflito de gerações, insolúvel. Aqueles senhores Chicão, Teodoro, Bezerra, Edu sentem-se impotentes diante da molecada do Santos. Com seu boné branco de técnico argentino e aquele ar que já nasceu cansado, Pepe vê o Santos perder um gol atrás do outro, brincando. Chicão entra para quebrar Rubens Feijão e não tinha outro jeito, já estava virando baile. Só Nilton Batata perdeu três gols feitos e ainda estamos em dez minutos do segundo tempo. Moleza como esse Chico Fraga ele nunca mais vai pegar. Mário Juliato, que dizem ser o técnico do São Paulo, resolve tomar uma providência: chama de uma vez Luis Muller e Jaime e, enquanto eles se aquecem, Juari faz o terceiro aos 13 minutos: João Paulo centra da esquerda, a bola bate no baixo ventre de Juari e entra para o desespero de Valdir Perez. Santos 3 a 0.

Saem Estevam e Chicão, mas a esta altura poderia sair qualquer um e entrar qualquer outro destas preciosidades que Juliato tem no banco, que daria na mesma. O Santos passeia em campo como se não tivesse adversário. E antes do jogo Juliato ainda anunciou que este seria o time-base do São Paulo para disputar as finais. Então, ótimo: agora, ele já sabe que faltam onze. Mas até que a torcida se diverte. Aos 25 minutos, num centro de Jaiminho, Edu e Serginho dão uma bela trombada dentro da área. Não há feridos. No Morumbi, cada um se diverte como pode: Ayeta distribui cartões amarelos como se fosse sopa do falecido Zarur. A torcida do Santos – veio gente até de Monte Sião, Minas Gerais – pede mais um, mais um, e é justo. Meia hora do segundo tempo, Ailton Lira sai de campo, aplaudido de pé, para entrar Pita, mas o jogo propriamente dito já acabou. Em campo, todos parecem satisfeitos com o resultado.

 

O JOGO FOI ASSIM:

Santos- Flávio; Nelson, Cassiá, Fernando e Gilberto; Gilberto Costa, Ailton Lira (Pita) e Rubens Feijão; Nilton Batata, Juari e João Paulo.

São Paulo- Valdir Perez; Antenor, Estevam (Jaime), Bezerra e Chico Fraga; Chicão (Luis Muller), Teodoro e Jaiminho; Edu, Serginho e Zé Sérgio.

Juiz- João Leopoldo Ayeta

Renda- 1.585.110.000 com 28.607 pagantes.

 

Publicado originalmente no Jornal da República em 29 de outubro de 1979, edição 55

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Grandes matérias esportivas do Jornal da República: “Eis o nome de um gênio do futebol: Edu” (8/10/1979)

SÃO PAULO 2, PALMEIRAS 0

Eis o nome de um gênio do futebol: Edu

Como de hábito, xingaram muito o ponta Edu, ontem à tarde, no Morumbi. Desta vez foram os adversários


FRANCISCO MALFITANI


Estádio Morumbi, 16h45 de ontem, final do primeiro tempo de um jogo que já mereceu, certa vez o título de “Choque Rei”: desolados torcedores são-paulinos, que não chegaram a ocupar quatro lances das arquibancadas, abandonava suas bandeiras enroladas no chão e correm para os bares em busca de uma cerveja, desabafando: “O time está uma droga, mas não faz mal, este jogo não vale nada mesmo. Este campeonato só presta mesmo é no 3º turno. Só espero que, quando chegar lá, o Edu esteja bem longe do time do São Paulo”. Do outro lado do estádio, os eufóricos palmeirenses aplaudiram a saída de seus ídolos, agitavam freneticamente as bandeirantes e gritavam “Verdão, Verdão”. Márcio Guaranta Filho, chefe da torcida Império Verde, desprezava a choradeira dos inimigos: “Eles estão dizendo que não vale nada, só porque o time deles está jogando pedrinhas”. Aliás, este negócio de ficar espalhando que este campeonato é uma porcaria serve apenas como desculpa para a péssima campanha dos outros filmes. Como é que o Verdão está enxuto, líder do campeonato e invicto nos clássicos?”.

De fato, o Palmeiras, no primeiro tempo justificava a euforia dos seus torcedores. Mas a sua invencibilidade nos clássicos terminava aí. Bafejando talvez pelas sessões de exorcismo do Monsenhor Bastos, conselheiro espiritual do São Paulo, o imprevisível Edu, aquele mesmo que o torcedor são paulino, no final do primeiro tempo, queria ver longe do Morumbi, voltou para o jogo com uma disposição incrível. E surpreendendo a todos os 22.889 heroicos torcedores presentes, logo aos 3 minutos do 2º tempo, driblou quase que toda a defesa do Palmeiras e deu um passe genial para Serginho, que colaborou apenas empurrando a bola para dentro do gol do elegante goleiro Gilmar.

O pó-de-arroz, ou melhor, o talco de segunda mesmo, encheu o ar do Morumbi e os pulmões dos são paulinos, que vibravam com o gol. Enquanto isto, os “Periquitos do Verdão” permaneciam estáticos na arquibancada. Este lance pouco habitual de Edu parece ter deixado perplexa e extasiada a defesa palmeirense, que 8 minutos depois abandonou o centroavante do São Paulo outra vez na frente do gol de Gilmar. E o irrequieto Serginho novamente fez o desespero dos palmeirenses.

Neste momento, Hélio Silva, presidente da torcida uniformizada do São Paulo, até esqueceu as violentas críticas que tinha feito, antes do jogo começar, a incrível fórmula deste campeonato paulista: “É um campeonato ridículo. O pior que vi nos 40 anos de minha vida. Estes cartolas pensam que o torcedor é palhaço. Mas não é não. Veja aí o estádio vazio”. Hélio Silva vibrou como nunca.

A partir daí, os torcedores palmeirenses, que já não sonhavam com uma reação do seu time, se preocuparam em desafiar os seus rivais para uma briga, junta à providencial corda que separa as torcidas adversárias nas arquibancadas, devidamente policiadas por enérgicos PMs. E bastou um deles levantar o cassetete e ameaçar ir de encontro aos palmeirenses, para estes se porem em desesperada fuga. E a torcida tricolor vibrou mais uma vez. Nem parecia verdade. “É muita alegria num dia só. Ganhamos de 2X0 e ainda a polícia bota pra correr os porcos”, dizia um entusiasmado são-paulino.

Havia motivo para tamanho euforia? O São Paulo, no primeiro tempo, foi dominado totalmente pelo Palmeiras. A melhor jogada dos tricolores, naquela etapa do jogo, tinha sido um violento chute desferido da ponta-esquerda, pretensamente em direção ao gol, pelo bigodudo Chicão – bola que foi parar na cabeça de Edu, no outro extremo do campo. E Edu completou a “jogada ensaiada” cabeceando para trás.

Ou seja, para a lateral do campo. O ataque do São Paulo só molestou o gandula que estava atrás do gol de Gilmar. Por diversas vezes, ele teve que buscar a bola no fundo do fosso do estádio. E, para não perder o hábito, Serginho já no primeiro tempo recebeu um cartão amarelo, depois de tentar, sem sucesso, chutar a canela de Beto Fuscão. Ainda no final do primeiro tempo, Chicão dava um portentoso pontapé em Jorge Mendonça, recebendo, em solidariedade a Serginho, outro cartão amarelo. Só se salvava mesmo Valdir Perez, a quem os são-paulinos já se habituaram a chamar de “Santo Milagreiro”. Mas quem ia contar com a incrível atuação de Edu, no segundo tempo? Mais uma vez ele saiu xingado, só que desta vez, é claro, pelos palmeirenses.

 

O JOGO FOI ASSIM

PALMEIRAS 0, SÃO PAULO 2

Palmeiras: Gilmar, Rosemiro, Silva, Beto Fuscão e Sóter; Pires, Zé Mário e Jorge Mendonça; Jorginho, César (Carlos Alberto) e Baroninho (Nei).

São Paulo: Valdir Perez, Getúlio, Estevam, Bezerra e Chico Fraga; Chicão, Wilson Tadei (Mug) e Dario Pereira (Teodoro); Edu, Serginho e Jaiminho.

Juiz- Márcio Campos Salles

Renda- Cr$ 1.252.360,00

Público pagante: 22.889 pessoas

Gols- Serginho aos 3 e aos 11 do segundo tempo.

Cartões amarelos: Serginho e Chicão



 

Publicado originalmente no Jornal da República em 8 de outubro de 1979, edição 37

terça-feira, 24 de novembro de 2020

VSP nas Eleições 2020: análise e reflexões dos resultados do Primeiro Turno para a cidade de São Paulo

 

"Conversão de São Paulo" de Caravaggio 1600/1601

Ele foi o bandeirante do Novo Testamento. É o autor de treze dos 27 livros do Novo Testamento. Ficou famoso por suas viagens e inúmeras aventuras. Trata-se do apóstolo Paulo. Ele nos alertou sobre a necessidade de não desprezar a juventude: Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-se padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1 Tm 4:12). Paulo não sabia. Mas o segundo turno para a prefeitura da cidade de São Paulo reúne o embate de dois jovens candidatos. Mas de formações, espectros e perfis completamente diferentes.

De um lado, um concorrente com certa experiência no Legislativo e Executivo: Bruno Covas do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Candidato de centro ou centro-direita, ele reúne um sobrenome conhecido do eleitorado e uma ampla coligação que reúne onze partidos políticos (PSDB-MDB-DEM-PODE-PP-PSC-PL-Cidadania-PTC-PV-PROS). Covas é formado em direito pela USP (Universidade de São Paulo) e economia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). É filiado ao seu partido desde o berço sendo neto do ex-governador Mário Covas (1930-2001). Bruno iniciou sua vida pública como deputado estadual. Foi líder do governo Geraldo Alckmin na Assembleia Legislativa e depois Secretário Estadual do Meio-Ambiente. Teve uma rápida passagem por Brasília como deputado federal e herdou a prefeitura de Doria que foi para o governo do estado. Aos 40 anos, Bruno Covas teve uma votação expressiva, sendo o mais votado em todas as regiões da cidade: da periferia aos bairros nobres. Teve uma doença seríssima da qual parece ter se recuperado. Nos debates e entrevistas demonstrou-se recatado, evitando ataques pessoais aos adversários e focado nas questões da cidade. Suas propagandas foram levadas com o lema “Força, Foco e Fé”.

A vaga de vice de Covas desde o primeiro momento esteve destinada ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro). É a primeira vez que PSDB e MDB se aliam desde a fundação da primeira legenda em 1988. Até porque o PMDB antes era controlado no estado pelo ex-governador Orestes Quércia (1938-2010), que sempre teve rusgas com os tucanos. Mas a ideia original da vaga de vice de Covas era para o apresentador José Luiz Datena da TV Bandeirantes. Conhecidíssimo, ele tem um inegável apelo com as classes mais baixas. Essa era a chapa dos sonhos do PSDB e do próprio Baleia Rossi, presidente nacional do MDB. Mas na última hora o controverso comunicador preferiu ficar na televisão. Parece que foi o próprio Bruno Covas quem escolheu o vereador Ricardo Nunes. Este mantém um amplo eleitorado na Capela do Socorro e Grajaú, bairros da zona sul da Capital. Eleito vereador pela primeira vez em 2012 com 30.747 votos, Ricardo Nunes ampliou seus votos na eleição seguinte: 54.692. Foi o mais votado do seu partido na Câmara Municipal nas duas ocasiões. Aos 53 anos, o empresário e candidato a vice de Covas é bastante religioso e mantém um relacionamento próximo com a Igreja Católica, principalmente com bispos e padres da Diocese de Santo Amaro, zona sul da cidade. É um empresário com sucesso no empreendedorismo e tido como conservador. Surgiram certos devaneios sobre seu nome mas nada que tenha impactado a candidatura de Covas (pelo menos até agora).

O prefeito evitou proximidade com o governador Doria e também com tucanos históricos como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra. Mas Covas ressaltou o apoio da ex-prefeita Marta Suplicy, histórico nome do PT e atualmente sem partido. O prefeito sempre posicionou sua contrariedade ao presidente Jair Messias Bolsonaro. Diferentemente de Doria, Covas manteve-se longe do segundo turno presidencial de 2018. Tem outro estilo político. Covas é mais contido, longe dos arroubos do governador paulista. Nisso parece um tanto o também tucano Geraldo Alckmin que sempre foi um governante fleumático. Covas fez acenos expressivos para a centro-esquerda. A secretaria de cultura do tucano ficou com o agitador cultural Ale Youssef, nome notoriamente ligado aos Acadêmicos da Baixo Augusta e a esquerda. Youssef é apoiador do prefeito de primeira hora.

De qualquer maneira, sua coligação conseguiu 23 cadeiras na Câmara de Vereadores. Trata-se de um número bastante expressivo. O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) conseguiu oito vagas. A psicóloga Rute Costa (41.546 votos) foi a mais votada conseguindo a reeleição. Bastante ligado a Covas, o advogado Eduardo Tuma (40.270 votos) possui amplo eleitorado no meio evangélico sendo membro da igreja Bola de Neve e sobrinho neto do ex-senador Romeu Tuma (1931-2010). O experiente vereador João Jorge (34.323 votos) foi outro reeleito. O médico e pastor Carlos Bezerra Júnior (34.144 votos) substitui a esposa Patrícia Bezerra que foi para a Assembleia Legislativa. Ligado a causa animal, o empresário Tripoli (30.495 votos) conseguiu uma cadeira. Já o advogado Aurélio Nomura (25.316 votos), nome reconhecido na comunidade japonesa teve mais uma reeleição. Conhecido na região de Pirituba, Jaraguá, e Taipas, o advogado Fábio Riva (24.739 votos) conseguiu mais um mandato. A mobilizadora social Sandra Santana (19.591 votos) é uma novidade do PSDB, conseguindo sua primeira eleição.

Os tucanos ampliaram o número de prefeituras no estado de São Paulo. No Primeiro Turno, o PSDB elegeu 176 prefeitos, um número bastante expressivo. O partido se elegeu em importantes colégios eleitorais do estado como Barueri (com o advogado Rubens Furlan), Jundiaí (com o advogado Luiz Fernando Machado), Santos (com Rogério Santos), São Bernardo do Campo (reeleição de Orlando Morando) e São José dos Campos (com a reeleição do administrador Felício Ramuth). Além da Capital, o partido irá disputar o segundo turno em Piracicaba, Ribeirão Preto e São Vicente. Este último numa surpreendente eleição da jornalista Solange Freitas venceu o primeiro turno com 41,47%. Conhecida por ser repórter da TV Tribuna, Freitas concorreu pela primeira vez a um cargo público e chegou a sofrer um atentado. Ela irá disputar o Segundo Turno contra Kayo Caiado do Podemos. Já o candidato apoiado por Márcio França, o atual mandatário, Pedro Gouvêa do MDB, ficou numa amarga terceira colocação. Gouvêa é cunhado de Márcio França.

Já o Democratas saiu das eleições com seis vereadores. O mais votado merece um parágrafo a parte. Sempre com votação expressiva, o veterano Milton Leite (132.716 votos) conseguiu seu sétimo mandato. Teve até avião para fazer suas propagandas e inúmeros colaboradores carregando bandeiras e santinhos por toda cidade. Presidente municipal da legenda, sua área de atuação é no extremo sul da cidade de São Paulo em bairros como Grajaú, Jardim Ângela, M´Boi Mirim, Parelheiros e Pedreira. Existem áreas da metrópole em que Leite é mais famoso que o próprio prefeito. O atuante parlamentar foi presidente da Câmara Municipal e um dos mais expressivos líderes da gestão Doria e Covas. Mas não achem que ele não têm tráfego com a esquerda. Muito pelo contrário. Milton Leite que possibilitou a nomeação da avenida Luiz Gushiken, em homenagem ao ex-deputado petista que morreu em 2013. Trabalhou nos bastidores pela indicação de Ricardo Nunes para vice. Trata-se um político à moda antiga e muito conhecido dos paulistanos. Um dos seus filhos é deputado estadual (Milton Leite Filho) e outro deputado federal (Alexandre Leite), todos pelo Democratas.

Conhecido pelo público popular, o radialista Eli Corrêa (32.482 votos) ganha seu primeiro mandato, sendo o segundo mais votado do DEM. Aos 68 anos, Corrêa inicia a vida pública mas seu filho (Eli Corrêa Filho) já é deputado estadual com vários mandatos e sua nora concorreu a prefeitura de Guarulhos (Fran Corrêa pelo PSDB). Eli Corrêa ficou conhecido pelo seu bordão "Oi, gente!". O "homem sorriso do rádio" é um verdadeiro fenômeno de comunicação com as classes mais baixas, tendo passado por inúmeras emissoras do rádio AM como América, Capital, Globo, entre outras.

Conhecido pela defesa dos taxistas, Adilson Amadeu (30.549 votos) ganha nova chance no Palácio Anchieta. Ele ficou conhecido por conta de suas polêmicas pela legislação do Uber. Outros parlamentares reeleitos pelo DEM foram a médica Sandra Tadeu (28.464 votos), o engenheiro de trânsito Ricardo Teixeira (23.280 votos) e o missionário José Olímpio (17.098 votos). Este último é ligado a Igreja Mundial do Poder de Deus pertencente ao pastor Valdemiro Santiago. O DEM foi a segunda legenda que mais elegeu prefeitos no estado no Primeiro Turno. Foram 70 prefeituras.

Partido do vice de Covas, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) conseguiu três cadeiras. Conhecido pelos programas de televisão, o Delegado Palumbo (118.395 votos) conseguiu ser o terceiro parlamentar mais votado para a legislatura que começa em 2021. O militar recebeu a ideia de se candidatar pelo apresentador José Luiz Datena, seu amigo pessoal. Delegado de comando do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), Palumbo tem notoriedade nas redes sociais. Só no Instagram tem 478 mil seguidores.

Conhecido no meio nikkey, George Hato (25.599 votos) ganha seu segundo mandato como vereador, novamente no MDB. Ele é filho do ex-deputado estadual e vereador Jooji Hato (1948-2019), político conhecido que celebrizou-se pela “Lei do Psiu”. O Hato pai foi muito próximo ao ex-governador Orestes Quércia. Já o jovem dentista Marcelo Messias (23.006 votos) complementa a chapa emedebista na Câmara Municipal. Messias é apadrinhado político de Ricardo Nunes e recebeu a maioria dos seus votos nas regiões de atuação do seu mentor: a zona sul de São Paulo. 

O Podemos é um dos partidos que mais vem crescendo nos últimos anos. Na região metropolitana, a legenda conseguiu prefeituras de cidades como Itapevi (vitória de Igor Soares com 98% dos votos), Osasco (reeleição em primeiro turno de Rogério Lins) e Rio Grande da Serra (com o curioso candidato Claudinho da Geladeira). Na Capital, o Podemos conseguiu três vereadores. Esposa do radialista Fábio Teruel, Ely Teruel (23.084 votos) foi a mais votada da legenda na Capital. O médico Milton Ferreira (20.126 votos) conseguiu a reeleição e Danilo do Posto de Saúde (19.024 votos) recebeu seu primeiro mandato. Um grande derrotado é o tio do prefeito Bruno Covas. Mário Covas, o Zuza, teve pouco mais de dez mil votos e ficou de fora do Palácio Anchieta pela primeira vez após dois mandatos. Ele tinha sido candidato ao Senado em 2018.

Já o PL (Partido Liberal) encolheu sua presença na Câmara Municipal de São Paulo. Diferentemente da Capital, os liberais aumentaram sua presença na região metropolitana. O PL elegeu oito prefeituras na Grande São Paulo: Biritiba Mirim, Guararema, Itapecerica da Serra, Juquitiba, Ribeirão Pires, Salesópolis, Suzano e Vargem Grande Paulista. Já no Palácio Anchieta a legenda acabou não tendo um desempenho eficiente. Na Câmara paulistana, o PL caiu de quatro passou para dois representantes. Filho da cantora Gretchen, o ativista e ator Thammy Miranda (43.321) ganha sua primeira chance na Câmara de Vereadores. Trata-se de uma votação expressiva para um novato que é uma das maiores novidades para o Parlamento deste ano. Já o pastor Isac Félix (23.929 votos) ganhou novo mandato. Veteranos do PL como Noemi Nonato e Toninho Paiva perderam suas cadeiras. Ficaram com a suplência.

Conhecido por ser o partido do líder Paulo Maluf, o PP (Partido Progressista) conseguiu apenas uma vaga: trata-se do longevo Arnaldo Faria de Sá (34.213 votos). Faria de Sá foi deputado federal por inúmeras legislativas e foi ligado ao ex-prefeito Celso Pitta. O veterano político também foi presidente da Portuguesa de Desportos nos anos 1990, quando o clube do Canindé venceu a Copa São Paulo de Futebol Júnior e revelou o atacante Dener (1971-1994), morto precocemente. 

Já o PV (Partido Verde) também conseguiu um representante: Roberto Tripoli (46.219 votos). Apesar de expressiva votação, a jornalista e ativista da bicicleta Renata Falzoni, a Bike Repórter (26.078 votos) não conseguiu eleger-se pelo PV, ficando numa suplência. Entre as outras legendas que apoiaram Covas, o Cidadania foi um dos maiores perdedores de 2020. A sigla tinha dois representantes na Câmara: a apresentadora Soninha Francine e o professor Cláudio Fonseca. Ambos não conseguiram a reeleição e o Cidadania terminou sem nenhuma cadeira no parlamento paulistano. A legenda tinha nomes de renovação em seus quadros como Malu Molina (apoiada pela deputada federal Tábata Amaral do PDT) e o ativista LGBT Pedro Melo. Mas o Cidadania não elegeu nenhum vereador em 2020.

O PROS (Partido Republicano de Ordem Social) e o PTC (Partido Trabalhista Cristão) também estão na coligação tucana mas não conseguiram nenhuma cadeira. Foram dois partidos com votações miúdas para o legislativo.  No Segundo Turno, Covas já recebeu apoios contraditórios de Andrea Matarazzo do PSD (Partido Social Democrático), Joice Hasselman do PSL (Partido Social Liberal), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) do deputado estadual Campos Machado e de Celso Russomanno do Republicanos. Diversos quadros do NOVO também disseram que no Segundo Turno irão votar em Covas.

O oponente de jovem tucano no segundo turno será o ativista social, escritor e professor Guilherme Boulos do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) que está numa coligação de três legendas de esquerda (PSOL-PCB-UP). Apesar do PSOL que vem crescendo, as outras duas são bem pequenas. O título da aliança é “Pra Virar o Jogo”. Não é à toa. Com o uso maciço das redes sociais e mídia alternativa, o título da legenda tomou conta de expressivas faixas etárias da sociedade. É interessante notar que as maiores votações em bairros nobres como Bela Vista, Perdizes e Pinheiros. Filho de um casal de médicos renomados, Guilherme Boulos tem 38 anos. É formado em filosofia pela USP (Universidade de São Paulo) com mestrado em psiquiatria pela mesma instituição. Sua dissertação foi defendida em 2017: “Estudo sobre a variação de sintomas depressivos relacionada à participação coletiva das ocupações de sem-teto em São Paulo”. Tornou-se nacionalmente conhecido pela sua militância no MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e candidatou-se a Presidência da República em 2018. Formou com a ativista indígena Sônia Guajajara a chapa “Frente de Esquerda Socialista” (PSOL-PCB). Entre os treze candidatos, Boulos ficou na décima colocação com 617.122 votos (0,58%), ficando somente à frente de Vera Lúcia (PSTU), José Maria Eymael (DC) e João Goulart Filho (PPL).

Mesmo assim, Boulos firmou-se como novo nome da “nova esquerda”. Sua proximidade com o ex-presidente Lula chamou atenção. Lançou-se como candidato à prefeitura do PSOL tendo como trunfo a vice: a ex-prefeita Luiza Erundina, de 85 anos. Destacada pelas lutas sociais, a veterana deputada federal transformou-se uma espécie de abalizador da chapa liderada pelo jovem candidato.

Nas prévias do PSOL, Boulos venceu a deputada federal Sâmia Bomfim. Apesar de não ter experiência em cargos públicos, o jovem membro do PSOL destacou-se nos debates e no final da campanha nas trocas de farpas com Celso Russomanno e Márcio França. Sua votação foi bastante expressiva com mais de um milhão de votos em todas as regiões da Capital. Ele encontrou apoio no início do segundo turno de diversos partidos de centro ou centro-esquerda como PT (Partido dos Trabalhadores), PCdoB (Partido Comunista do Brasil), Rede Sustentabilidade e PDT (Partido Democrático Trabalhista). Boulos vive citando a eleição e a prefeitura de Luiza Erundina como referência. Mas são cenários diferentes. As eleições de 1988 eram em um turno único. Mas Boulos surpreendeu e bateu com facilidade seus dois principais oponentes. O PSOL também ampliou sua presença na Câmara de Vereadores. De dois em 2016 a legenda pulou de dois para oito representantes no Palácio Anchieta. São eles: Érika Hilton (50.508 votos, votação bastante expressiva), Sílvia da Bancada Feminista (46.267 votos), Luana Alves (37.550 votos), Celso Giannazi (28.535 votos), Toninho Vespoli (26.748 votos) e Elaine do Quilombo Periférico (22.742 votos). O professor de matemática Toninho Vespoli é uma espécie de veterano do PSOL. Ele foi o primeiro vereador da legenda e ganha seu terceiro mandato. Já Giannazi ganha mais um mandato abalizado por ser irmão do combativo deputado estadual Carlos Giannazi do mesmo partido. As outras duas legendas da coligação de Boulos, o PCB (Partido Comunista Brasileiro) e a UP (União Popular) não conseguiram nenhuma cadeira no Palácio Anchieta.

Com forte presença no litoral sul de São Paulo, o advogado Márcio França do PSB (Partido Socialista Brasileiro) é um político calejado e ficou num honroso terceiro lugar. Apesar de ter formado uma legenda com alguns partidos, ele acabou ficando no Primeiro Turno. Seu maior momento político foi quando assumiu o Governo de São Paulo e conseguiu liderar a greve de caminhoneiros em 2018. Tem tráfego com a direita e esquerda sendo um político anfíbio (termo do amigo Bernardo Schmidt). A chapa “Aqui Tem Palavra” contou com cinco partidos (PSB-PDT-PMN-Avante-Solidariedade). Mas a coligação elegeu apenas dois vereadores, ambos do PSB e veteranos que ganham mais uma reeleição: Camilo Cristofaro (23.431 votos) e Eliseu Gabriel (21.122 votos). Na legenda anterior eram três vagas. França é um político experimentado e deve tentar outros voos num futuro próximo. Preferiu não apoiar ninguém no Segundo Turno. Deve estar em alguma candidatura em 2022. 

Já Celso Russomanno (Republicanos) precisa se conformar em ser deputado federal. Ou mudar radicalmente seu discurso. Afinal, já é a terceira eleição para a prefeitura que ele inicia liderando mas não saí do primeiro turno. Sua luta pelas direitos do consumidor são louváveis e antigas. Mas o apoio do presidente Jair Messias Bolsonaro acabou não ajudando sua candidatura. Mesmo assim, o Republicanos elegeu uma bancada significativa na Câmara com quatro nomes: André Santos (41.584 votos), Sansão Pereira (39.709 votos), Atílio Francisco (35.345 votos) e Sonaira Fernandes (17.881 votos). Não é mistério para ninguém que o Republicanos é o partido ligado a uma importante denominação religiosa evangélica de terceira onda: a Igreja Universal do Reino de Deus. Em 2016, a legenda tinha treze prefeituras no estado. Agora já são 21 e disputa o Segundo Turno em Sorocaba com Rodrigo Manga e em Campinas com o médico e ex-vereador Dário Saadi. Já o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) que compunha chapa com o Republicanos elegeu apenas um nome para o Câmara paulistana: o experiente médico Paulo Frange (17.796 votos), conhecido por sua atuação no bairro da Freguesia do Ó. 

Entre os outros candidatos a prefeito, destaca-se a figura de Arthur do Val, o Mamãe Falei, do Patriota. Com um discurso pregando o empreendedorismo e a livre iniciativa, o deputado estadual ligado ao movimento MBL recebeu quase a mesma quantidade de votos de Russomanno. Sua legenda, o Patriota conseguiu chegar em três vereadores para a Câmara Municipal. O polêmico Fernando Holiday (67.715 votos) foi o quinto mais votado da cidade conseguindo seu segundo mandato. O Patriota também elegeu Rubinho Nunes (33.038 votos) e Marlon do Uber (25.643 votos). Arthur do Val tem apenas 34 anos e ainda disputará novas eleições. Seu desempenho no debate da TV Cultura chamou atenção.

O ex-secretário Jilmar Tatto foi correto e cresceu nas pesquisas das últimas semanas demonstrando a força do PT (Partido dos Trabalhadores) da extrema zona sul onde foi segundo colocado em distritos como Grajaú e Parelheiros. As obras sociais dos governos passados da legenda ainda têm um amplo reconhecimento pelo eleitorado dessa região. O PT conseguiu uma bancada expressiva na Câmara de Vereadores com oito nomes: o campeão de votos e ex-senador Eduardo Suplicy (167.552 votos), Donato (31.920 votos), Alessandro Guedes (31.124 votos), Jair Tatto (29.918 votos), Juliana Cardoso (28.402 votos), Senival Moura (25.311 votos), Alfredinho (25.159 votos) e Arselino Tatto (25.021 votos). Dois irmãos do candidato Jilmar Tatto. É de se lamentar que candidaturas  renovadoras do Partido dos Trabalhadores não tenham ganhado vez na Câmara Municipal. Candidaturas como da cientista política Luna, da advogada Vivi Mendes, o pastor Messias Pereira, a socióloga Pagu Rodrigues e do professor Nabil Bonduki não conseguiram se eleger. Uma pena.  

No Primeiro Turno, o Partido dos Trabalhadores elegeu apenas dois prefeitos em todo estado de São Paulo: o sociólogo e ex-prefeito Edinho Silva em Araraquara e Adauto Scardoelli em Matão. A legenda também irá disputar o Segundo Turno em três municípios da região metropolitana: Diadema, Guarulhos e Mauá. As maiores chances estão em Diadema com o engenheiro José de Filippi Júnior que já foi prefeito do município três vezes. Nos outros dois municípios os cenários são bastante desfavoráveis aos petistas. Em Guarulhos, o jovem Guti do PSD lidera e em Mauá o líder nas pesquisas é Átila do PSB, ligado ao ex-governador Márcio França.

Já o ex-ministro Andrea Matarazzo do PSD (Partido Social Democrático) fez uma campanha séria destacando suas realizações quando secretário de Gilberto Kassab da mesma legenda. Tinha um plano de governo expressivo, mas que acabou não indo para um segundo turno. Talvez falte mais carisma para Matarazzo. Ele acaba sendo um homem mais de gabinete, secretariado, mas sem vibração de um líder do Executivo. Mesmo assim, os sociais democráticos de Kassab conseguiram três cadeiras na Câmara de Vereadores. A principal novidade é o policial militar e defensor da causa animal Felipe Becari (98.717 votos), uma votação bastante expressiva. Outros eleitos pelo PSD foram Rodrigo Goulart (31.472 votos) e a veterana Edir Sales (23.106 votos), ligada ao meio evangélico. O PSD elegeu prefeitos na região metropolitana em municípios como Cajamar e Cotia. A legenda também disputa o segundo turno em Guarulhos com Guti, esse buscando um segundo mandato.

A deputada estadual Marina Helou (Rede Sustentabilidade) tinha um interessante programa de governo focado na valorização de grupos específicos da sociedade como os LGBTI+, mulheres e negros. Mesmo assim, seu partido não conseguiu uma única cadeira no Palácio Anchieta. O Rede tinha diversos candidatos interessantes e com propostas inovadoras para a vereança mas não conseguiram se eleger. Mas Helou é jovem e deve ter mais chances no futuro. É uma parlamentar atuante e com um discurso mais moderado que seu colega de Assembleia, Arthur do Val, o Mamãe Falei. Nos debates a jovem evitou polêmicas pessoais com os demais candidatos e defendeu seu plano de governo. O Rede Sustentabilidade não conseguiu nenhuma prefeitura no estado de São Paulo.

O ex-ministro e deputado federal Orlando Silva contou com presença no horário eleitoral mas não conseguiu estar entre os mais votados. Homem de articulação da sua legenda, tem forte presença em Brasília, mas não conseguiu repetir esse desempenho na sua candidatura ao Executivo. Seu partido, o PCdoB (Partido Comunista do Brasil) não conseguiu nenhuma vaga para a vereança. No entanto, o PCdoB conta com dois líderes nacionais expressivos: o governador Flávio Dino do Maranhão e a ex-deputada Manuela D'ávila que concorre ao segundo turno em Porto Alegre. O NOVO parecia prometer algo com a candidatura do ex-secretário Filipe Sabará. No entanto ele acabou se desentendendo com as lideranças nacionais da legenda. Mesmo assim, o NOVO elegeu dois nomes femininos para a Câmara de Vereadores de São Paulo: a reeleita Janaína Lima (30.931 votos) e Cris Monteiro (18.085 votos). O partido laranja tinha outros candidatos jovens com propostas liberais bastante interessantes como Matheus Hector, Rafael Romero, Rodrigo Lopes e Wafá Kadri, mas nenhum conseguiu eleger-se para o Palácio Anchieta. São todos jovens. Quem sabe numa próxima oportunidade. 

Já Joice Hasselmann e o PSL (Partido Social Liberal) parecem estar um tanto confusos desde que perderam sua estrela nacional. Ela tinha projetos controversos ou exóticos em seu plano de governo como extinguir a SP Trans e transformar a Cracolândia numa Cristolândia (!). Parecem propostas muito ingênuas para problemas realmente sérios da cidade. Os membros da legenda “direita raiz” conseguiram uma cadeira no Palácio Anchieta. Trata-se da reeleição do pastor Rinaldo Digilio (13.673 votos), ligado à Igreja do Evangelho Quadrangular. O PSL elegeu dez prefeitos no estado de São Paulo e está no Segundo Turno em dois (Praia Grande e Sorocaba). Veremos o que irá acontecer no segundo turno. 


Seguem os resultados de votos do primeiro turno a prefeitura de São Paulo:


Para Prefeito:

 

1º Bruno Covas                  PSDB                              1.752.949 votos (32,85%)

 

2º Guilherme Boulos          PSOL                              1.079.924 votos (20,24%)

 

3º Márcio França                PSB                                 727.960 votos (13,64%)

 

4º Celso Russomanno         Republicanos                  560.239 votos (10,5%)

 

5º Arthur do Val                 Patriota                            521.871 votos (9,78%)

 

6º Jilmar Tatto                     PT                                   461.218 votos (8,65%)

 

7º Joice Hasselmann            PSL                                 98.239 votos (1,84%)

 

8º Andrea Matarazzo           PSD                                82.701 votos (1,55%)

 

9º Marina Helou                  Rede Sustentabilidade     22.063 votos (0,41%)

 

10º Orlando Silva                PCdoB                            12.241 votos (0,23%)

 

11º Levy Fidelix                  PRTB                              11.952 votos (0,22%)

 

12º Vera                               PSTU                              3.051 votos (0,06%)

 

13º Antônio Carlos              PCO                                630 votos (0,01%)

 

Os 55 vereadores eleitos na cidade de São Paulo:


Eduardo Suplicy                             PT                         167.552 votos


2º Milton Leite                                    DEM                     132.167 votos


Delegado Palumbo                         MDB                     118.395 votos


Felipe Becari                                   PSD                      98.717 votos


Fernando Holiday                           Patriota                  67.7715 votos


Érika Hilton                                    PSOL                    50.508 votos


Sílvia da Bancada Feminina            PSOL                    46.267 votos


Roberto Tripoli                               PV                         46.219 votos


Thammy Miranda                           PL                         43.321 votos


10º André Santos                                Republicanos         41.584 votos


11º Rute Costa                                    PSDB                    41.546 votos


12º Eduardo Tuma                            PSDB                    40.270 votos


13º Sansão Pereira                              Republicanos         39.709 votos


14º Luana Alves                                 PSOL                    37.550 votos


15º Atílio Francisco                            Republicanos         35.345 votos


16º João Jorge                                    PSDB                    34.323 votos


17º Faria de Sá                                    PP                         34.213 votos


18º Carlos Bezerra Júnior                   PSDB                    34.144 votos


19º Rubinho Nunes                            Patriota                  33.038 votos


20º Eli Corrêa                                     DEM                     32.482 votos


21º Donato                                         PT                         31.920 votos


22º Rodrigo Goulart                           PSD                      31.472 votos


23º Alessandro Guedes                       PT                         31.124 votos


24º Janaína Lima                                NOVO                  30.930 votos


25º Adilson Amadeu                          DEM                     30.549 votos


26º Tripoli                                          PSDB                    30.495 votos


27º Jair Tatto                                      PT                         29.918 votos


28º Celso Giannazi                             PSOL                    28.535 votos


29º Dra. Sandra Tadeu                        DEM                     28.464 votos


30º Juliana Cardoso                            PT                         28.402 votos


31º Toninho Vespoli                           PSOL                    26.748 votos


32º Marlon do Uber                            Patriota                  25.643 votos


33º George Hato                                 MDB                     25.599 votos


34º Aurélio Nomura                           PSDB                    25.316 votos


35º Senival Moura                              PT                         25.313 votos


36º Alfredinho                                    PT                         25.159 votos


37º Arselino Tatto                               PT                         25.019 votos


38º Fábio Riva                                    PSDB                    24.719 votos


39º Isac Félix                                      PL                         23.929 votos


40º Camilo Cristofaro                         PSB                       23.431 votos


41º Ricardo Teixeira                           DEM                     23.280 votos


42º Edir Sales                                     PSD                      23.106 votos


43º Ely Teruel                                     Podemos               23.084 votos


44º Marcelo Messias                           MDB                     23.006 votos


45º Elaine do Quilombo Periférico     PSOL                    22.742 votos


46º Gilberto Nascimento Júnior          PSC                       22.649 votos


47º Eliseu Gabriel                                   PSB                       21.122 votos


48º Dr. Milton Ferreira                           Podemos               20.126 votos


49º Sandra Santana                                 PSDB                    19.591 votos


50º Danilo do Posto de Saúde                Podemos               19.024 votos


51º Cris Monteiro                                   NOVO                  18.085 votos


52º Sonaira Fernandes                        Republicanos         17.881 votos


53º Paulo Frange                                    PTB                       17.796 votos


54º Missionário José Olímpio             DEM                     17.098 votos


55º Rinaldo Digilio                                 PSL                       13.673 votos